segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Ilha, Elin Hilderbrand [Opinião]




Título Original: The Island
Autoria: Elin Hilderbrand
Editora: Contraponto
Nº. Páginas: 384


Sinopse:

Birdie Cousins é uma mulher que se orgulha de estar sempre preparada para todas as eventualidades, mas o telefonema da sua filha Chess, a anunciar que rompeu o noivado nas vésperas do casamento, é algo que nem ela podia prever.
Este é apenas o primeiro sinal de que o verão será um períoso de grandes revelações, ao qual se seguem notícias bem mais trágicas, que levam Chess a entrar numa espiral de desespero. Com o intuito de ajuda a filha, Birdie leva-a para a casa de família na bela e rústica ilha de Tuckernuck, ao largo da costa de Nantucket, juntamente com a filha mais nova, Tate, e a sua própria irmã, India.
Aqui, cada uma delas pensa escapar aos seus problemas; mas quando irmãs, filhas, ex-amantes e segredos bem guardados se juntam numa ilha remota, o que poderia parecer uma fuga pacífica transforma-se em algo mais...


Opinião:

Existe sempre aquele lugar especial no mundo que nos faz sentir imbatíveis, que nos faz sentir em casa. Para quatro mulheres, esse lugar é Tuckernuck, uma ilha onde somente as comodidades mais básicas são atendidas mas, é também essa dispersão em relação ao exterior que torna este lugar mágico num local de cura, de amizade e de família. Quando chegam, cada uma esconde um segredo, o seu fruto proibido, uma mentira ou omissão que, lentamente, as tem vindo a corroer por dentro. Quando saem... saem livres.

A Ilha trata-se de uma narrativa extremamente familiar onde os dramas comuns que assolam a vivência das suas mulheres adultas tomam contornos devastadores, instigando à sua partida para o único local terapêutico que possibilita uma reaproximação pessoal. Centrando-se nas ocorrências infelizes em torno de cada uma destas mulheres, a narrativa desenvolve-se de forma gradual, prestando a devida atenção aos problemas assim como às oportunidades de reabilitação.
Elin Hilderbrand é fantástica na forma como caracteriza pormenorizadamente todas as personagens envolvidas neste romance, tomando o cuidado de lhes dar o protagonismo necessário, de lhes dar realismo. Também o facto de residir no local escolhido para a acção faz com que o enredo se torne mais palpável, facilmente imaginável, e para uma leitura que se afigura progressiva, até algo lenta, no começo, esse pormenor é sinceramente importante.

Os ódios existem, mesmo dentro do seio familiar. As incompreensões, as invejas, os gestos fortuitos, as escapadelas aos afectos mais simples mas, aconteça o que acontecer, são os que mais amamos e os que nos são mais próximos aqueles que nos auxiliam nos momentos de dor, nos momentos mais difíceis, nos instantes em que julgamos estar perdidos para o mundo. Durante esta leitura, para mim, foi isso que Tuckernuck representou. Um lugar construído por recordações, por uma união familiar ancestral tão intensa e revigorante que fica impossível escapar à sua beleza, ao seu poder rejuvenescedor. Tuckernuck é um lugar de sonhos, de desejos, de segredos... mas também um sítio que apela à libertação, à simplicidade e que alerta para o que é verdadeiramente importante, necessário, indispensável. Julgo que, em certa medida, a própria ilha acaba por centrar em si parte do protagonismo deste romance visto encerrar bem fundo no seu interior a origem de tudo, a origem de um amor escrito nas tábuas de um barco, de um pedido de perdão embelezado pelas maravilhas naturais da terra, de um relacionamento que se viu destituído do seu mais belo e quente fruto e de um passado que pode ajudar à aceitação de um futuro incerto mas, de certo, apaixonante.

As várias vozes que dão vida a esta obra são absolutamente maravilhosas. Cada uma com a sua personalidade vincada, cada uma com o seu papel de mãe, de tia e de irmã, cada uma com a sua beleza inconfundível... mas todas elas num complemento tão singular, tão detalhado e tão envolvente, sentimental, que se torna visceral continuar a ler, continuar a descobrir e, finalmente, percepcionar o final feliz – ou não – que cada uma delas merece.
Numa escrita ora pausada, ora pontuada pela adrenalina do conhecimento e das sensações, A Ilha transforma-se numa leitura obrigatória para todos aqueles que pretenderem desfrutar de uma narrativa diferente, de um romance que alberga em si todos os contornos da saudade, do amor, da amizade e da dor, numa prosa cadenciada mas genuinamente fascinante.

Quanto a mim, este foi um livro de deslumbres. Apaixonei-me por uma ilha na qual, com certeza, não sobreviveria muito tempo. Fiquei encantada com um leque de personagens que soube como me cativar, como me fazer ceder face a proximidade e realidade que apresentam. Deixei-me levar pelo feitiço de relações quebradas e de segredos escondidos, pequenas incertezas comuns do ser humano quando deparado com a oportunidade única de libertação através da palavra ou da escrita. E, principalmente, deleitei-me com as mil e uma possibilidades de desfecho, possibilidades de felicidade ou de sofrimento, de decisões e escolhas, de construção de um futuro.

Mais do que uma leitura de verão, esta é uma excelente aposta por parte da Contraponto, numa autora que já faz parte de muitas estantes e que, sem dúvida alguma, não deixará de surpreender. Gostei.

3 comentários:

Liliana Lavado disse...

Deixaste-me curiosa com o livro :) mas tenho de confessar que essa capa já me deixa com a lágrima da saudade pelo verão e as praias :) ai, ai...

Pedacinho Literário disse...

A capa é realmente muito fresca... mas deixa transparecer uma ligeireza narrativa que não se encontra, de todo, no conteúdo do livro. Trata-se de uma leitura bastante interessante, eu gostei. :)

Liliana Lavado disse...

Sim, nem sempre as capas dão uma verdadeira "sensação" do que vamos encontrar no interior :P

2009 Pedacinho Literário. All Rights Reserved.