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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Entre as Páginas de... #18

... A Filha da Madrasta, de Jennifer Donnelly

 
Desde que soube da publicação deste livro que andava com a pulga atrás da orelha para lhe pegar. Ora, quem nunca ponderou sobre o destino das meias-irmãs de Cinderella após esta ter o seu “e viveram felizes para sempre”?
Escusado será dizer que fiquei perdidamente apaixonada pela premissa desta obra, e embora este seja o primeiro romance da autora que tenho em mãos, sei já, com todas as certezas, de que não será o único. A sua prosa é absolutamente deliciosa e em mim tem já uma fã mais do que entusiasmada por descobrir que mais têm as suas palavras por desvendar.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

O Festival Bang! está de volta em 2020!


A 3ª edição do Festival Bang! já tem data e com os dois convidados de honra confirmados para este evento cultural realizado pela Saída de Emergência e a Coleção Bang!, acreditem em mim quando vos digo que vão querer assegurar o vosso bilhete o quanto antes!

A realizar-se a 28 de março, das 11h ás 21h, no Fórum Lisboa, o Festival Bang! – https://festival-bang.com/ é um evento dedicado à fantasia, ficção científica e horror. Com especial enfoque no universo literário do catálogo da Saída de Emergência e da Coleção Bang!, o festival conta ainda com inúmeras atividades e parceiros de outras áreas ligadas á temática da literatura fantástica. 


Nesta 3ª edição vamos contar com a presença de dois convidados muito, muito especiais: Sherrilyn Kenyon, rainha e uma das fundadoras do género do romance paranormal, e conhecida pela sua aclamada série Predador da Noite, e Joe Abercrombie, reconhecido por várias trilogias bestsellers.

 
Para além das sessões com os autores o Festival Bang! conta ainda com:
     * Sessões de apresentação e debates com convidados nacionais
     * Exposição de ilustração
     * Espaço de parceiros
     * Apresentação da Revista Bang! e do catálogo Bang! 2020
     * Pré-lançamentos exclusivos
     * Workshops

Os bilhetes encontram-se à venda no site da ticketline.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Resultado do Passatempo Especial - Fangirl, Rainbow Rowell

Já vos disse que adorei esta leitura? Provavelmente ainda não... mas se hoje contam com o passatempo, estejam atentos ao fim de semana pois sairá a opinião! 

A sorteio esteve um exemplar do título Fangirl, de Rainbow Rowell. Uma obra absolutamente adorável e que eu adorei. 

Quero agradecer a todos os que participaram neste passatempo e dizer que, caso não tenham saído vencedores, mais oportunidades virão no futuro. O segredo é nunca deixar de participar! 

Sem mais demoras, este prémio vau para: 
82. Joana (...) Brás, Amadora


Os meus mais sinceros parabéns à vencedora! Espero que desfrute de excelentes momentos na companhia destas páginas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Passatempo Especial — Fangirl, Rainbow Rowell

Hoje trago-vos um passatempo muito especial... 

Com o fantástico apoio da Chá das Cinco, o Pedacinho tem o enorme prazer de oferecer um exemplar de Fangirl, da autora Rainbow Rowell. O livro perfeito para aquecer nestas tempestuosas noites de Outono. 

Para se habilitarem a receber este fabuloso prémio em casa, basta que respondam acertadamente à questão que se encontra no formulário, que preencham todos os campos obrigatórios tendo em conta as regras do passatempo e, como já vem sendo habitual, que sejam seguidores do blogue – e, se possível, que também sigam a Página do blogue no Facebook. 

As respostas à pergunta podem ser encontradas aqui.


Regras do Passatempo: 
1) Ser seguidor do blogue.
2) O passatempo decorrerá até às 23h59 do dia 29 de Outubro (quinta-feira).
3) Só é válida uma participação por pesso e/ou endereço de email. 
4) Participações com respostas incorrectas e/ou dados incompletos serão automaticamente anuladas. 
5) O vencedor será sorteado aleatoriamente pela administração do blogue, será posteriormente contactado via email e o resultado será anunciado no blogue. 
6) Só são aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
7) A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio, no correio ou outros, de exemplares enviados pela mesma e/ou por editoras. 
8) Boa sorte! 

Fangirl, Rainbow Rowell [Divulgação]

Da autora de Eleanor & Park, descubra uma nova história sobre aprender a amar

Título Original: Fangirl 
Autoria: Rainbow Rowell
Editora: Chá das Cinco
N.º Páginas: 448
PVP.: 17,76€

Sinopse
Todo o mundo é fã dos livros de Simon Snow. Mas Cath vai mais longe: ser fã desses livros tornou-se a sua vida. Ela e a sua irmã gémea, Wren, refugiaram-se na obra de Simon Snow quando eram miúdas, e na verdade foi isso que as salvou da ruína emocional que foi a perda da mãe. 
Ler. Reler. Interagir em fóruns, escrever ficção baseada na obra de Simon Snow, vestir-se como as personagens dos livros. Mas essas fantasias deixam de fazer sentido quando se cresce, e enquanto Wren facilmente abandona esse refúgio, Cath não consegue fazê-lo. Na verdade, nem quer. 
Agora que vão para a universidade, Wren não quer ficar no mesmo quarto de Cath. E esta fica sozinha e fora da sua zona de conforto. Partilha o quarto com uma miúda arrogante; tem um professor que despreza os seus gostos; um colega atraente mas que apenas fala sobre a beleza das palavras... e, ainda por cima, Cath não consegue parar de se preocupar com o seu pai, tão querido, frágil e solitário. 
A pergunta paira no ar: será que ela consegue triunfar sem que Wren lhe dê a mão? Estará preparada para viver a vida em seu nome? Escrever as suas próprias histórias? E se isso significar deixar Simon Snow para trás? 

Cath ama os seus livros e a sua família. 
Haverá espaço para mais alguém? 

Sobre a autora
Rainbow Rowell vive em Omaha, Nebraska, com o marido e os dois filhos. Por vezes escreve sobre os adultos, e outras vezes sobre jovens, mas aborda sempre pessoas tagarelas, que erram e fazem asneiras e que se apaixonam. Quando não está a escrever, Rainbow lê banda desenhada, planeia viagens à Disney World, e argumenta sobre coisas que na verdade não são muito relevantes no grande esquema do mundo. 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Eleanor & Park, Rainbow Rowell [Opinião]





Título Original: Eleanor & Park
Autoria: Rainbow Rowell
Editora: Chá das Cinco 
N.º Páginas: 336

Sinopse
Eleanor... é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo roliça e ruiva, e com a sua forma estranha de vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos.
Park... é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado nos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa a mudar quando Park aceita que Eleanor se sente ao seu lado no autocarro da escola.
A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco nasce uma genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor aparece. Porque o amor é um superpoder.


Opinião
Romances doces que nem autênticas guloseimas para os sentidos são dos meus favoritos, confesso, pois não há sensação mais maravilhosa que a de virar a última página de uma obra e reflectir no quão romântico, realista e poético o seu conteúdo se fez sentir. É assim que vejo Eleanor & Park, como um contemporâneo young adult dotado de um poder extraordinário de aquecer a alma do seu leitor, de lhe alegrar o espírito ao mesmo tempo que lhe proporciona uma atitude reflexiva acerca da sua própria qualidade de vida e existência enquanto jovem. No que diz respeito a narrativas de afectos, é a excepção por entre a norma o que verdadeira e avidamente procuro – aqueles elementos, seja em que exponente for, que trazem algo de único ao texto escrito ou à essência da história –, e este romance emana toda uma série de qualidades literárias em cada descrição, diálogo e personagem que foca. 

Eleanor não tem o mais fácil ou simples dos presentes. A sua situação familiar é turbulenta e altamente tóxica, na escola não é a mais popular das alunas devido ao seu estilo de vestuário alternativo e deveras peculiar, os amigos verdadeiros contam-se pelos dedos de uma mão– e sobram todos os dedos – e a sua personalidade é algo... tímida e intricadamente interior. Até ao dia em que conhece Park, com a sua música e os seus comics, no autocarro escolar. 
Park é o oposto de Eleanor – em tudo. A sua família é unida e exemplar, preocupa-se pelo seu bem estar e conforto; a sua postura na escola é aceitável e tem um ou outro amigo com quem sabe poder contar. A sua fisionomia meio coreana, meio irlandesa dá-lhe uma aparência exótica mas a sua atenção encontra-se naquilo que mais gosta – a sua banda desenhada povoada de aventura e super-heróis, e a sua música rock típica dos anos 80 (década em que decorre a acção). Embora diferentes, Eleanor e Park partilham algo em comum – ambos são meio inadaptados, senhores do seu mundo, almas velhas que povoam corpos jovens. 

Adorava poder dissertar abertamente sobre a beleza narrativa que este livro possui, mas isso seria estragar a surpresa que este invariavelmente transmite. Rainbow Rowell tem um dom muito próprio e assertivo para contar histórias, e isso nota-se nas suas obras – Eleanor & Park não foi a minha estreia com a autora – assim como nas situações ora caricatas, ora de intensos reflexos emocionais sobre as quais escreve. As temáticas que Rowell aborda neste romance em particular são muito honestas e, por vezes, cruas. Desde a incapacidade sofrida em não se conseguir adaptar ao mundo que nos rodeia passando por toda uma série de obstáculos familiares, tudo é abordado de forma exímia e natural – até mesmo realista. E esse é o aspecto que eu mais gosto nas obras desta autora, a sua habilidade e inteligência nata para retratar contextos e circunstâncias que facilmente poderiam ser nossas conhecidas. Em Eleanor & Park, Rowell oferece ainda o primor de detalhes comuns da época da acção, agraciando e enaltecendo duplamente o texto que, de si, é já bastante encantatório.

Sinto que há ainda tanto para dizer acerca deste fabuloso romance do contemporâneo, mas melhor do que lerem as minhas palavras é debruçarem-se sobre o livro em si – garanto-vos que este é daqueles que irão guardar na estante com todo o amor e carinho. Eleanor & Park é uma obra de personagens, uma obra de encanto descritivo e diálogos deslumbrantes, uma obra que embora não tenha um final perfeito – que fica um pouco à interpretação do leitor –, o todo é absolutamente divinal. Não percam a oportunidade de o apreciar.  

terça-feira, 5 de maio de 2015

Resultado do Passatempo Eleanor & Park, Rainbow Rowell


E mais um passatempo que chegou ao fim, o que se traduz em mais um resultado que vos trago – desta feita com o apoio da Saída de Emergência, a quem eu muito agradeço. 

A sorteio esteve um exemplar do título Eleanor & Park, da sempre maravilhosa Rainbow Rowell. Um romance contemporâneo young adult capaz de aquecer o mais frio dos corações. 

Assim, quero também agradecer a todos os que participaram neste passatempo e caso não tenham saído vitoriosos desta vez, fiquem a saber que mais oportunidades virão no futuro. Prometo-vos! 

Sem mais demoras, este prémio vai para: 
46. Joana (...) Passão, Vila Real 

Os meus mais sinceros parabéns à vencedora! Espero que desfrute de excelentes momentos na companhia destas páginas. 

Eleanor & Park, Rainbow Rowell [Book Trailer]



Este é daqueles romances fofinhos que todos os apaixonados por livros deveriam de guardar na estante. 
E nada como acompanhar uma narrativa destas com um book trailer igualmente maravilhoso. 
Desfrutem! 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Passatempo Especial São Valentim — Eleanor & Park, Rainbow Rowell


Este é daqueles que vem com um pequeno atraso, mas que me dá uma imensa alegria oferecer. Para quem ainda não folheou esta história, gentilmente cedida pela Saída de Emergência a quem eu muito agradeço, então tem aqui a oportunidade perfeita.

Com o fantástico apoio da Saída de Emergência, o Pedacinho tem o prazer de oferecer um exemplar de Eleanor & Park, de Rainbow Rowell. Uma história que aborda a temática do amor juvenil de forma soberba, sem descurar as alegrias e os infortúnios comuns da vida.

Para se habilitarem a receber este espectacular prémio em casa, basta que respondam acertadamente à questão que se encontra no formulário, que preencham todos os campos obrigatórios e, como já vem a ser habitual, que sejam seguidores do blogue.

A resposta à pergunta pode ser encontrada aqui, através do excerto proporcionado pela Saída de Emergência.



Regras do Passatempo:
1) Ser seguidor do blogue.
2) O passatempo decorrerá até às 23h59 do dia 28 de Fevereiro (sábado).
3) Só é válida uma participação por pessoa e/ou email.
4) Participações com respostas incorrectas e/ou dados incompletos serão automaticamente anuladas.
5) O vencedor será sorteado aleatoriamente pela administração do blogue, será posteriormente contactado via email e o resultado do mesmo será anunciado no blogue.
6) Só são aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
7) A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio, no correio ou outros, de exemplares enviados pela mesma e/ou por editoras.
8) Boa sorte!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Ritual de Amor, Nora Roberts [Opinião]





Título Original: The Hollow
Autoria: Nora Roberts
Editora: Chá das Cinco
Nº. Páginas: 288


Sinopse:

Para Fox, Caleb e Gage o número sete representa tragédia. Há muitos anos, um ritual inocente entre eles libertou um mal antigo na sua terra natal. Como resultado, sete dias de loucura repetem-se a cada sete anos. Agora, já homens, sentem esse mal a regressar.
Visões de morte e destruição atormentam-nos. Mas este ano, três mulheres juntaram-se à batalha: Layla, Quinn e Cybil. Será que também elas estão ligadas a essa maldição?
Desde criança que Fox tem a capacidade de ler outras mentes, um talento que partilha com Layla. E para combater a escuridão que ameaça a cidade, Fox precisa de ganhar a confiança de Layla. Infelizmente ela não consegue aceitar esse misterioso talento e a nova intimidade com Fox apavora-a. É que Layla sabe que quando abrir a sua mente não terá qualquer defesa perante o desejo que ameaça consumi-los a ambos…


Opinião:

Os dados foram lançados. As cartas, jogadas. Os peões, colocados nas suas posições de combate. E a batalha final... essa, fruto de sangue e veneno, de dor e destruição, não tardará muito a, mais uma vez, assolar uma cidade inocente, Hawkins Hollow, que luta, quase diariamente, pela estabilidade que há mais de vinte anos lhe foi roubada.
Neste segundo volume da trilogia Signo dos Sete, Nora Roberts consegue a proeza de elevar, ainda mais, o grau de magnificência, de envolvência, deste seu mundo imaginativo, trabalhando, com primor e cuidado redobrado, um enredo que se vê bastante mais negro e sombrio, atmosférico, que o seu antecedente. Dotada de uma escrita que tanto tem de cativante quanto de simples, esta é uma obra fortemente pontuada por um humor muito próprio, muito energético, que a par com a sua vertente brumosa e maléfica, encontra, nas mãos desta autora que é considerada a Rainha do Romance (seja ele sobrenatural ou não), um equilíbrio perfeito.

Adquirindo contornos que exigem prudência, reflexão; acções que necessitam ser analisadas, descobertas; e dúvidas que não podem, de todo, povoar, minar, o núcleo de seis que estas personagens, no seu conjunto, no seu âmago, formam com o intuito de aniquilar o mal antigo que as atormenta, Ritual de Amor aborda as consequências de alguns dos actos presenciados em Irmãos de Sangue, as indecisões, pesquisas e resultados de outras tantas questões que exigem resolução rápida, se não mesmo imediata, assim como deixa, ainda, as portas abertas para a corrente final que poderá ser experienciada em Pedra Pagã.
Com o tempo de sossego, de paz, perto do fim, e Twisse a reunir poderosas forças de retaliação, surpreendendo os seis com os mais inesperados e monstruosos sustos, é imperativo encontrar soluções, conspirar planos, magias que os possam auxiliar numa demanda que aparenta vir a terminar em morte... para todos. Mas conseguirão Cal, Fox e Gage finalmente pôr um ponto final neste pesadelo?

Se no primeiro volume desta trilogia seguimos, com maior afinco, as passadas de Cal e Quinn enquanto casal introdutório, nesta que é sua continuação, passam a ser Fox e Layla os intervenientes em destaque, embora sem que Roberts se descuide em relação aos referidos anteriormente, nem, tão pouco, em relação àqueles que serão os últimos a envolver-se romanticamente, o par que, a nível pessoal, é o que maior curiosidade me suscita—Gage e Cybil.
Imprevisivelmente, Fox O’Dell mostrou uma faceta da sua personalidade que me apanhou desprevenida. Ele é cauteloso e inteligente, extremamente preocupado com aqueles que ama ou lhe são queridos, o que o tornam um alvo fácil às forças do mal. Contudo, a sua coragem interior e habilidade mental são uma arma incomum, de um poder e potencialidade imenso, e com a ajuda de Layla e de todos os outros companheiros nesta viagem de destino errante, muito será preciso Twisse orquestrar para o deter ou fazer vacilar.
Também Layla Darnell acabou por se transformar numa surpresa encantadora e da qual não estava nada à espera. Se, em Irmãos de Sangue, foi personagem que não deixou a melhor das impressões, em Ritual de Amor há uma vitalidade inconfundível e incomparável que a remetem para o topo da lista de intervenientes interessantes. Os seus sentimentos para com o presente e o futuro podem ser, por vezes, contraditórios, mas a sua natureza singular e capacidade de adaptação permitem a que o leitor melhor a compreenda e, por conseguinte, a aceite.

Se existe elemento que adoro na criatividade desta autora, e que se encontra particularmente bem explorado nesta trilogia em específico, é a aptidão de Roberts para conjugar, de forma exímia e decididamente instintiva e divertida, a ficção romântica com o lado mais sobrenatural do fantástico. Com este romance, o leitor tanto se deixa levar pela ingenuidade e diálogos satíricos das personagens, como se possibilita deslumbrar pelo paranormal de uma entidade negativa, má, que se encontra em luta com seis figuras dotadas de poderes fora do comum. E não há como negar os arrepios que Roberts provocou em mim—e certamente em tantos outros seus seguidores—com algumas das descrições envolventes dos sonhos, das visões e dos medos provocados por Twisse.

Depois de tudo o que por mim foi referido, penso estar bastante presente o quanto gostei deste livro, talvez ainda mais do que o primeiro, o que me deixa com elevadas expectativas para o terceiro e último volume desta trilogia, Pedra Pagã. Embora, na minha modesta opinião, tenha ficado com a sensação de que, em Ritual de Amor, as personagens limitaram-se a absorver informação e a experienciar sensações emitidas por Twisse, ao invés de agirem de imediato, partirem para a acção tal como Gage ambicionava, a verdade é que este segundo tomo aborda toda uma série de questões relacionadas com as emoções das personagens, provocando-as ao máximo e instigando-as a desistir. Assim, a nível emotivo, esta foi uma narrativa repleta de aromas e sabores, ainda que em termos de acção, não o tenha sido tanto.

Uma aposta Saída de Emergência, na sua chancela romântica Chá das Cinco, que entre obras contemporâneas do romance e do sobrenatural, sabe como fazer as delícias das suas leitoras. Mais uma história imperdível pela tão aclamada autora, Nora Roberts. Gostei.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Beijo, Jill Mansell [Opinião]





Título Original: Kiss
Autoria: Jill Mansell
Editora: Chá das Cinco
Nº. Páginas: 368


Sinopse:

Izzy um dia vai ser famosa. A indústria da música é que ainda não a descobriu. A irrepreensível Izzy tem um talento fascinante, dois namorados perfeitos e uma filha para lhe organizar a vida. Basicamente, uma vida de sonho.
Já a vida de Gina não podia ser mais infernal. O cretino do marido acaba de fugir com a amante grávida. E ela sente-se destroçada quando derruba acidentalmente Izzy da sua moto. Porém, não é propriamente o fim do mundo, pois não? Apenas uma perna partida.
Mas o mundo de Gina, como ela o conhece, está prestes a ficar de pernas para o ar. Izzy e a filha Kat foram catapultadas para dentro da sua vida, antes tão metódica. Pior, Izzy está de olho no melhor amigo de Gina, Sam, que é lindo de morrer. Como acabará tudo? Numa torrente de lágrimas ou num beijo inesquecível?


Opinião:

Não há alma terrena que resista a um bom romance com a dose certa de humor, mistério e enganos amorosos, pior ainda se tiver muitos, e muitos beijos à mistura. Mas Jill Mansell é mestra na sua arte de criar enredos interessantes e super divertidos, e em cativar os seus leitores com personagens interior e exteriormente bonitas, pelo que, aos que já a conhecem, esta é uma leitura obrigatória, e aos que se mantém no desconhecido, este é um livro que suscitará curiosidade, aposto.

Beijo é mais um romance contemporâneo sobre vidas enriquecidas por atribulações acidentais, de uma escritora cujas obras são já presença mais do que obrigatória na minha estante. Com personagens que enfeitiçam ao primeiro diálogo, e situações que tanto fazem parar um coração romântico como acalentam, com igual intensidade, gargalhadas rápidas, estas várias histórias que se interligam por experiências inimagináveis são já energias que depressa exigem ser devoradas.
Jill Mansell traduz-se sempre em momentos (literários) bem passados, na companhia de narrativas absolutamente divertidas, e fortemente pontuadas por sorrisos breves e cúmplices. A sua escrita é fácil e bastante expressiva, apelando a uma qualidade cinematográfica que, pessoalmente, aprecio muito. Trata-se ainda de uma autora que sabe ser descritiva quando necessário mas que, na sua essência, se expõe e se caracteriza pelos diálogos de excepcional qualidade que apresenta.

Quando a personagem principal de um romance feminino é uma mãe eternamente jovem, há algo em mim que entra, imediatamente, em êxtase, e a curiosidade sofre logo uma subida alucinante. O único senão de Izzy é acreditar que a fama é um objectivo ainda passível de alcançar, o que faz com que Kat, a sua filha adolescente, assuma o papel maternal de cuidar da casa, de si, e da própria mãe. Mas Gina tem também a sua quota-parte no problema que arrombou, de súbito, a segurança desta mãe e filha, e as três, numa junção completamente imprevisível e de loucos, vão ser mestras na arte de divertir qualquer tipo de leitor romântico.

Irreverente, e até algo sensacionalista, esta é uma autora que recria, com exímio divertimento, uma verdade um pouco peculiar da actualidade mas onde o leitor, rapidamente, consegue encontrar ligações ao seu próprio real, através das excentricidades das personagens ou dos pequenos encontros e desencontros amorosos que vão surgindo ao longo da trama. A fórmula utilizada por Mansell persiste, e talvez por isso me seja mais fácil apegar às diversas figuras que povoam o enredo da autora, ao invés de ficar surpreendida pelos caminhos ou escolhas que esta tece em forma de destino e finais felizes. Assim, ainda que alguns momentos chave da narrativa surjam com uma certa dose de previsibilidade, o dom natural que a autora possui no modo como faz sobressair o que de melhor existe nas pessoas e nas situações por estas experienciadas, acaba por se sobrepor a qualquer outro elemento mais saturado ou calculável.

Existe um certo encanto no texto de Jill que não me é, de todo, indiferente. As suas histórias podem, por vezes, conter algumas surpresas inesperadas, mas a verdade é que é o seu lado mais divertido, humorístico, e absolutamente jovial a componente que continua a chamar-me para as suas loucas espirais de vidas extraordinariamente singulares. Gosto muito da forma como as protagonistas nunca são mulheres comuns, aliás, é perceptível um lado malicioso e astuto em cada personalidade vincada, e todas elas são divinais quando enquadradas num enredo recheado de personagens diferentes e inteiramente especiais e únicas. Contudo, ao fim de tantas leituras da autora que já me passaram pelas mãos, começa a ser complicado encontrar algo particularmente excepcional e ímpar. É uma escrita que gosto, sem sombra de dúvida, e com a qual criei uma familiaridade forte, mas começo a ansiar por algo mais quando me debruço sob os seus livros, algo que ousasse quebrar as regras e a fórmula.

Uma boa aposta por parte da Chá das Cinco, uma chancela Saída de Emergência, numa autora que, com certeza, já se tornou querida e obrigatória para um grande leque de leitoras portuguesas que procuram, nas suas histórias, as narrativas de amor e de sorrisos secretos e amigos que somente conhecem em sonhos.

segunda-feira, 25 de março de 2013

À Luz da Meia-Noite, Sherrilyn Kenyon [Opinião]





Título Original: Upon the Midnight Clear
Autoria: Sherrilyn Kenyon
Editora: Chá das Cinco
Nº. Páginas: 134
Tradução: Ester Cortegano


Sinopse:

Conheçam Aidan O’ Conner. Uma celebridade generosa que tudo oferecia e nada pedia em troca… até ser enganado pelos que o rodeavam. Agora Aidan nada quer do mundo ou sequer fazer parte dele. Quando uma estranha mulher aparece à sua porta, Aidan sabe que já a viu antes… nos seus sonhos. Uma deusa nascida no Olimpo, Leta nada sabe do mundo dos humanos. Mas um inimigo implacável expulsou-a do mundo dos sonhos e para os braços do único homem capaz de a ajudar: Aidan. Os poderes imortais da deusa derivam de emoções humanas, e a raiva de Aidan é todo o combustível que precisa para se defender… Uma fria noite de inverno irá mudar as suas vidas para sempre…
 Aprisionados durante uma tempestade de inverno brutal, Aidan e Leta terão que conquistar a única coisa que os poderá salvar a ambos – ou destruí-los – a confiança. Conseguirão triunfar sobre todos os obstáculos?


Opinião:

Este livro é especial. Por muitos, pode ser considerado inferior devido ao seu reduzido tamanho, ou à pouca profundidade que transmite quando comparado com os restantes volumes publicados, no entanto, existe uma beleza etérea e simplista neste romance que, a mim, não me passou despercebida. Centrado no seu propósito, na luta de Aidan e de Leta, provocador nos sentimentos que tece em torno destas duas personagens, e místico no à vontade com que apresenta várias divindades do panteão grego, esta é uma história que brinda pelo conforto, pela fluidez e pelos pequenos pormenores característicos da escrita de Kenyon.

À Luz da Meia-Noite é já o décimo terceiro volume de uma série sobrenatural que, certamente, continuará a dar muito que falar. Seguindo os passos de dois intervenientes atormentados por um passado de sangue e de dor, esta é uma história suave mas que, nem por isso, descura os acontecimentos marcantes e a necessidade de revolta, de acção, que permeia a saga por inteiro. Ainda que bastante mais pequeno, este não é um livro menos importante para o desenrolar geral da narrativa, e dúvidas não me restam de que, em vários aspectos, é a antevisão de grandes problemas ainda por vir.
Sherrilyn Kenyon já mais que provou o seu talento como contadora de histórias, mas verdade seja dita, ainda me admira, surpreende, a naturalidade com que a autora aborda as personalidades distintas de cada um dos deuses que insere nas suas obras, e a forma como estes acabam por se enquadrar tão bem na «realidade» histórica conhecida por todos nós leitores. Penso que Kenyon tem, nas suas palavras, a leveza que falta a muitos obras do paranormal urbano e que, nesta sua saga em particular, se apresenta da melhor forma possível.

Desde que surgiram pela primeira vez, os deuses dos sonhos rapidamente se tornaram numa das figuras mais curiosas e expectantes—pelo menos, para mim—do enrede figurativo de Kenyon, e, como tal, seria de esperar que Leta nutrisse o mesmo efeito—que nutriu. Adorei a sua personalidade vincada e forte, e principalmente o facto de não ter papas na língua no que diz respeito a enfrentar homens mal humorados. No entanto, a sua vulnerabilidade e lado sensível são igualmente fascinantes, o que permite a que Leta tenha um certo equilíbrio, enquanto personagem, bastante agradável. O mesmo acontece com Aidan. Penso que, em última instância, Leta e Aidan são o reverso de uma mesma moeda, sendo que ele, Aidan, transmite uma agressividade e revolta mais acentuada. Também a questão sentimental se encontra mais enterrada em si, escondida dos demais, afastada daquilo ou daqueles que o poderiam tornar fraco, e essa fúria, essa quase insensibilidade perante o outro e perante o mundo, são características que somente visam a criar uma certa aura de mistério e enternecimento—por parte do leitor—em torno de Aidan.

O ambiente atmosférico que envolve a trama deste livro em particular foi, no mínimo, uma surpresa decididamente agradável. Sendo que a acção é mais limitada, também o espaço sofre do mesmo tipo de tratamento, contudo, a viagem na qual o leitor embarca nada é o que parece. Desde o Olimpo ao cume de uma montanha no meio de nenhures, o cenário é somente um elemento secundário quando a importância reside no conhecimento mútuo e no enfrentar um batalhão de problemas e impossibilidades face uma guerra, uma luta que se apresenta pouco balanceada para o lado dos protagonistas. E é essa busca por ajuda, por soluções, e esse calor que se vai gerando entre Leta e Aidan—através da troca das mais absolutamente geniais respostas tortas—o que verdadeiramente importa neste romance. O tempo é escasso e a Dor aproxima-se a cada minuto que passa.

Gosto imenso desta saga e, contrariamente ao que tenho lido por aí, adorei este pequeno grande volume. Numa história intensa, recheada de improbabilidades e onde ambos as personagens terão de ser capazes de fazer sacrifícios e de ultrapassar obstáculos inteiramente pessoais, nada mais poderia eu pedir ou esperar que não o que encontrei. Sim, gostava que houvessem mais páginas. Sim, adoraria ter conhecido um pouco mais de Dolor e das suas motivações e passado. Mas sim, também fiquei inteiramente satisfeita e o que pensava vir a saber-me a pouco, encheu por completo as minhas medidas, até porque, pela primeira vez, estamos perante um enredo que não tem espaço para cenas de pouca importância nem tão pouco se encontra rodeado de sensualidade descrita. Mais consistente, mais centrado no que é realmente decisivo, este acabou por ser dos livros de que mais gostei de toda a saga—até ao momento.

Uma aposta muito boa por parte da Chá das Cinco, uma chancela Saída de Emergência, numa autora que soube como criar um mundo cativante, belo e, ao mesmo tempo, tão repleto de perigos e segundas intenções. Gostei bastante.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Bruxa de Elite, Kim Harrison [Opinião]





Título Original: A Fistful of Charms
Autoria: Kim Harrison
Editora: Chá das Cinco
Nº. Páginas: 481
Tradução: Rita Guerra


Sinopse:

As coisas maléficas que assombram as noites de Cincinnati desprezam a bruxa e caçadora de recompensas Rachel Morgan. A sua reputação de praticante de magia negra começa a fazer virar as cabeças de humanos e mortos-vivos, determinados a possuí-la, dormir com ela e matá-la... não necessariamente por essa ordem. E como se tudo isso não bastasse, um amante mortal que abandonara Rachel regressou, assombrado pelo seu passado secreto. E há quem queira deitar as mãos a algo que se encontra na poss dele: animais selvagens dispostos a destruir Hollows e todos os seus habitantes, se necessário. Obrigada a manter-se escondida ou a sofrer para sempre a ira de um demónio vingativo, Rachel deve, ainda assim, agir rapidamente. Pois pela primeira vez, em vários milénios, matilhas de estranhas criaturas estão a unir-se, preparadas para destruir e dominar. De súbito, há algo mais em jogo do que a alma de Rachel.


Opinião:

Se existe, no mundo da fantasia urbana, bruxa mais espectacularmente endiabrada, mais requintadamente desastrosa e mais fascinantemente problemática, essa bruxa terá então de ser, invariavelmente, Rachel Morgan. Das mãos de Kim Harrison, saem as personagens mais divertidas e singulares que se possa imaginar, mas ninguém, seja bruxo, vidente ou qualquer outra espécie sobrenatural, bate a excelência de Rachel Morgan.

Bruxa de Elite é já o quarto volume desta saga que folheio, e aquele que me fascinou por completo, a um ponto tal que não só me impediu de fazer o que quer que fosse—para além de ler—como me fez ultrapassar uma certa dificuldade que sinto sempre neste tipo de histórias, que é a de me ambientar e percorrer, de forma veloz, o quotidiano de personagens de que tanto gosto. Assim, esta história em particular,  transformou-me numa surpresa dupla: a de simplesmente não a conseguir largar, e a de me continuar a surpreender relativamente a acontecimentos narrativos.
Kim Harrison é uma deusa da escrita. As suas descrições são calorosas, precisas e absolutamente divinais, permitindo ao leitor familiarizar-se com os locais de acção e com os sentimentos e pensamentos das personagens. Mas também os seus diálogos são especiais, sempre extremamente inteligentes e com uma certa pontada de humor, que visa suavizar, muitas vezes, acontecimentos perigosos e de imensa emoção.

Muitos são os momentos de suspense, acção e fascínio ao longo deste enredo, mas maior ainda é a paixão que se continua a nutrir por intervenientes tão exímios e peculiares. Rachel permanece no papel de destaque, ao fim e ao cabo é ela a nossa bruxinha favorita, mas mais uma vez deixa-se levar pelo lado suave da sua personalidade que gosta de ajudar os outros, e, por isso, volta a meter-se nos mais variados e impressionantes sarilhos—sejam o centro dos mesmos um pixie muito especial que foi obrigado a ser grande, um animalomem que lhe pode beneficiar no seguro ou um bruxo humano que se viu devoto à arte de roubar. Seja qual for o problema, seja qual for a pessoa em sarilhos, Rachel não hesita em dar uma mãozinha, mas sempre descurando a sua própria segurança, o que transforma estes livros num autêntico bálsamo de leitura para a alma.
Mas desta vez também Jenks partilhou a estrelado com Rachel, tornando-se n’a personagem de todo o livro. Tratando-se de uma figura que sempre captou a minha atenção, foi bastante agradável e divertido ver os seus movimentos traduzidos numa graça adulta e quase totalmente humana, ao invés das pequenas asas e pó de pixie que o caracterizam. Contudo, não posso deixar de referir mais uns quantos intervenientes que não só foram imprescindíveis a Bruxa de Elite, como souberam espalhar a sua magia e cativar inteiramente o leitor, sendo eles a pequena e delicada Ceri, Kisten e a eternamente torturada Ivy. Um leque muito, muito especial e... único.

Em termos de enredo, muito pouco tenho a apontar, até porque Harrison entrega sempre o que promete, e muito, muito mais, deixando o seu leitor completamente boquiaberto e esfomeado por mais aventuras, mais instantes velozes, mais perigos. No entanto, julgo que a autora tem vindo a preparar um acontecimento que irá, certamente, marcar não só a história como os seus leitores, e penso que isso se nota particularmente neste livro. Julgo saber do que se trata—embora, por enquanto, só me reste especular—e talvez por isso esteja bastante receosa em pegar em Bruxa Endiabrada, com medo de ver os meus maiores pesadelos realizados. Ainda assim, é algo que faz parte de uma saga tão complexa e rica quanto esta, e, por isso mesmo, é respirar fundo e avançar, a todo o turbo, na mesma.

É-me quase impossível expressar o quanto admiro esta autora e esta série. Dentro da fantasia urbana, é, sem sombra de dúvidas, do melhor que se vê publicado por cá, e, por isso mesmo, só posso recomendá-la a leitores que procurem ver as suas criaturas favoritas interpretadas por personagens sem igual e caracterizadas de forma tão espectacular, tão diferente e completa, que rapidamente lhes é muito complicado resistir. Harrison partilha já um lugar muito especial neste coração de leitora, e, por isso mesmo, esta é uma saga da qual me é muito difícil expressar o quão fabulosa e alucinante verdadeiramente é. A quem o bichinho ainda não atacou, que se atire na mesma. A quem já faz efeito, somente resta esperar pelo próximo.

Uma brilhante aposta da Saída de Emergência, numa saga que tem vindo a cativar e a crescer a olhos vistos com cada volume publicado. Não lhe resisto nem o tentarei fazer. Absolutamente genial. Adorei.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Irmãos de Sangue, Nora Roberts [Opinião]




Título Original: Blood Brothers
Autoria: Nora Roberts
Editora: Chá das Cinco
Nº. Páginas: 269
Tradução: Fernanda Semedo


Sinopse:

Na pacata cidade de Hawkins Hollow, três amigos que partilham a mesma data de aniversário fogem para os bosques para uma noite de divertimento. Mas o que era apenas uma brincadeira rapidamente se transforma num pesadelo quando o juramento de irmãos de sangue que fazem liberta uma maldição de trezentos anos.
Vinte e um anos depois, Cal Hawkins e os seus amigos assistem a uma semana de tragédias inexplicáveis que assombram a sua cidade, e que se repete a cada sete anos. Quinn, uma famosa jornalista, está decidida a descobrir a maldição que paira sobre Hollow e, apesar dos protestos de Cal, fará tudo para desvendar esse mistério. Mas quando os primeiros sinais malévolos voltam a surgir, não é apenas a sua terra que Cal tem que proteger, mas também o seu coração.


Opinião:

Quando o que começa como uma simples brincadeira, como um acto de rebeldia e união entre irmãos, se transforma na libertação de um mal há muito escondido, há muito guardado e há muito combatido, nada poderia preparar nenhuma das três jovens crianças para o que daí adviria... e mesmo vinte e um anos depois, sem respostas, sem certezas, sem quaisquer promessas de segurança, o medo, a insânia e o forte sentido de protecção persistem ao longo de sete dias... no sétimo mês de cada ano... de sete em sete anos...

Irmãos de Sangue trata-se de uma narrativa introdutória, de uma primeira parte de três romances, onde se encontram descritas as várias consequências – e iniciais batalhas – criadas em resposta a um gesto inocente partilhado entre três jovens, em comemoração de um aniversário em conjunto. Embora seguindo, neste volume inicial, e com maior ênfase, as pegadas de Cal, Nora Roberts não se coíbe de mostrar duas histórias secundárias, dois caminhos que mais tarde se juntarão num só, enquanto evidencia, instiga e desvenda alguns dos mistérios presentes na maldição do rapaz dos olhos vermelhos.
Nora Roberts era, até então, uma autora «desconhecida» no meu reportório pessoal, contudo, foi com grande expectativa que parti para a leitura desta sua trilogia sobrenatural. Dotada de uma escrita dinâmica e duplamente divertida, este primeiro contacto traduziu-se numa surpresa agradável e, sem dúvida, constante. O seu humor e leveza são notáveis, assim como o seu sentido de espaço, de acção e de tempo. E ainda que não desenvolva, a meu ver, os sentimentos das personagens até ao máximo das capacidades das mesmas, fica a curiosidade e a vontade de descobrir mais, de ler mais, de saber mais.

Muitos são os rostos que dão luz a este romance, e que perspectivam um futuro incerto e doloroso, peculiar, mas nenhum é tão hilariante, gracioso e cativante quanto Quinn. Uma experiente em assuntos do sobrenatural e do inexplicável, Quinn é atraída até Hollow pela promessa de uma história verídica de enorme sucesso, mas nada poderia prever que, no caminho de tal mistério, um amor imenso e inebriante surgiria como fruto de uma relação intempestiva entre dois antepassados. E são essas altercações que divisa com Cal, sempre recheadas de muito humor e ironia, sarcasmo, o ponto forte de toda a narrativa. Uma autêntica mulher de armas, Quinn foi a personagem que, para mim, mais se destacou. Como seu par, Cal é igualmente forte e destemido, aventureiro e caloroso, mas não ao ponto de fazer frente a uma protagonista deste calibre.

Para segundo plano, ficam figuras semelhantemente importantes mas que, devido ao foco da acção, não desfrutaram de um tão intenso e activo «tempo de antena». Contudo, destaco Gage pela sua personalidade estranhamente enigmática, e Cyb, pelo lado cigano e excêntrico, protector, que a define. Quanto a Fox e Layla, que ainda assim tiveram um maior realce que os dois anteriores, pouco há para dizer. Fox tem uma personalidade interessante e que, de certo modo, cativa e atrai o leitor, mas o mesmo não acontece com Layla. Um pouco apagada e sem grande espírito de iniciativa, esta é uma interveniente que, por enquanto, muito deixa a desejar...

É um facto que o enredo se apresenta um pouco previsível e linear nos acontecimentos narrados, mas os diálogos perspicazes e as breves descrições são um trunfo inteligente que, em certa medida, camufla e faz esquecer essa componente mais perceptível da trama. Porém, é igualmente devido a essas exposições quase cinematográficas que, na recta final, a história peca pela súbita rapidez com que se conduz. É que aquele que deveria ser o grande momento de suspense em Irmãos de Sangue, de luta e de revolução, acabou por não só se ver afrouxado, como praticamente desprovido de qualquer importância.
Outro aspecto que considero bastante positivo centra-se na quantidade de informação e de desenvolvimento em torno dessa pesquisa, dessas pistas e acontecimentos, um pouco presente em todo o livro. Foi gratificante ver as personagens importarem-se com o que está a acontecer e em procurar respostas e soluções para os problemas, ao invés de tudo lhes ser entregue de mão beijada.

Quanto a mim, esta foi uma leitura com o seu quê de novo e de surpreendente, que fluiu com impecável naturalidade. Por diversas vezes me senti atraída para a história, para Hollow, para o dia-a-dia destes protagonistas atormentados pela presença do mal, e, mais, fui percorrida por um ou dois arrepios devido ao conteúdo da mesma. Além de que, como se pode constatar, Quinn foi uma personagem que me conquistou por completo e que, juntamente com Cal – e com todos os outros, também – me faz rir e sorrir, aliviando assim o ambiente mais negro e sombrio assente em Hollow.
Incrivelmente curiosa com a continuação, esta foi uma boa aposta por parte da Chá das Cinco, uma chancela Saída de Emergência, num romance que, embora tenha os seus altos e baixos, acabou por se transformar numa aventura verdadeiramente sedutora, fascinante. Gostei.

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