segunda-feira, 25 de março de 2013

À Luz da Meia-Noite, Sherrilyn Kenyon [Opinião]





Título Original: Upon the Midnight Clear
Autoria: Sherrilyn Kenyon
Editora: Chá das Cinco
Nº. Páginas: 134
Tradução: Ester Cortegano


Sinopse:

Conheçam Aidan O’ Conner. Uma celebridade generosa que tudo oferecia e nada pedia em troca… até ser enganado pelos que o rodeavam. Agora Aidan nada quer do mundo ou sequer fazer parte dele. Quando uma estranha mulher aparece à sua porta, Aidan sabe que já a viu antes… nos seus sonhos. Uma deusa nascida no Olimpo, Leta nada sabe do mundo dos humanos. Mas um inimigo implacável expulsou-a do mundo dos sonhos e para os braços do único homem capaz de a ajudar: Aidan. Os poderes imortais da deusa derivam de emoções humanas, e a raiva de Aidan é todo o combustível que precisa para se defender… Uma fria noite de inverno irá mudar as suas vidas para sempre…
 Aprisionados durante uma tempestade de inverno brutal, Aidan e Leta terão que conquistar a única coisa que os poderá salvar a ambos – ou destruí-los – a confiança. Conseguirão triunfar sobre todos os obstáculos?


Opinião:

Este livro é especial. Por muitos, pode ser considerado inferior devido ao seu reduzido tamanho, ou à pouca profundidade que transmite quando comparado com os restantes volumes publicados, no entanto, existe uma beleza etérea e simplista neste romance que, a mim, não me passou despercebida. Centrado no seu propósito, na luta de Aidan e de Leta, provocador nos sentimentos que tece em torno destas duas personagens, e místico no à vontade com que apresenta várias divindades do panteão grego, esta é uma história que brinda pelo conforto, pela fluidez e pelos pequenos pormenores característicos da escrita de Kenyon.

À Luz da Meia-Noite é já o décimo terceiro volume de uma série sobrenatural que, certamente, continuará a dar muito que falar. Seguindo os passos de dois intervenientes atormentados por um passado de sangue e de dor, esta é uma história suave mas que, nem por isso, descura os acontecimentos marcantes e a necessidade de revolta, de acção, que permeia a saga por inteiro. Ainda que bastante mais pequeno, este não é um livro menos importante para o desenrolar geral da narrativa, e dúvidas não me restam de que, em vários aspectos, é a antevisão de grandes problemas ainda por vir.
Sherrilyn Kenyon já mais que provou o seu talento como contadora de histórias, mas verdade seja dita, ainda me admira, surpreende, a naturalidade com que a autora aborda as personalidades distintas de cada um dos deuses que insere nas suas obras, e a forma como estes acabam por se enquadrar tão bem na «realidade» histórica conhecida por todos nós leitores. Penso que Kenyon tem, nas suas palavras, a leveza que falta a muitos obras do paranormal urbano e que, nesta sua saga em particular, se apresenta da melhor forma possível.

Desde que surgiram pela primeira vez, os deuses dos sonhos rapidamente se tornaram numa das figuras mais curiosas e expectantes—pelo menos, para mim—do enrede figurativo de Kenyon, e, como tal, seria de esperar que Leta nutrisse o mesmo efeito—que nutriu. Adorei a sua personalidade vincada e forte, e principalmente o facto de não ter papas na língua no que diz respeito a enfrentar homens mal humorados. No entanto, a sua vulnerabilidade e lado sensível são igualmente fascinantes, o que permite a que Leta tenha um certo equilíbrio, enquanto personagem, bastante agradável. O mesmo acontece com Aidan. Penso que, em última instância, Leta e Aidan são o reverso de uma mesma moeda, sendo que ele, Aidan, transmite uma agressividade e revolta mais acentuada. Também a questão sentimental se encontra mais enterrada em si, escondida dos demais, afastada daquilo ou daqueles que o poderiam tornar fraco, e essa fúria, essa quase insensibilidade perante o outro e perante o mundo, são características que somente visam a criar uma certa aura de mistério e enternecimento—por parte do leitor—em torno de Aidan.

O ambiente atmosférico que envolve a trama deste livro em particular foi, no mínimo, uma surpresa decididamente agradável. Sendo que a acção é mais limitada, também o espaço sofre do mesmo tipo de tratamento, contudo, a viagem na qual o leitor embarca nada é o que parece. Desde o Olimpo ao cume de uma montanha no meio de nenhures, o cenário é somente um elemento secundário quando a importância reside no conhecimento mútuo e no enfrentar um batalhão de problemas e impossibilidades face uma guerra, uma luta que se apresenta pouco balanceada para o lado dos protagonistas. E é essa busca por ajuda, por soluções, e esse calor que se vai gerando entre Leta e Aidan—através da troca das mais absolutamente geniais respostas tortas—o que verdadeiramente importa neste romance. O tempo é escasso e a Dor aproxima-se a cada minuto que passa.

Gosto imenso desta saga e, contrariamente ao que tenho lido por aí, adorei este pequeno grande volume. Numa história intensa, recheada de improbabilidades e onde ambos as personagens terão de ser capazes de fazer sacrifícios e de ultrapassar obstáculos inteiramente pessoais, nada mais poderia eu pedir ou esperar que não o que encontrei. Sim, gostava que houvessem mais páginas. Sim, adoraria ter conhecido um pouco mais de Dolor e das suas motivações e passado. Mas sim, também fiquei inteiramente satisfeita e o que pensava vir a saber-me a pouco, encheu por completo as minhas medidas, até porque, pela primeira vez, estamos perante um enredo que não tem espaço para cenas de pouca importância nem tão pouco se encontra rodeado de sensualidade descrita. Mais consistente, mais centrado no que é realmente decisivo, este acabou por ser dos livros de que mais gostei de toda a saga—até ao momento.

Uma aposta muito boa por parte da Chá das Cinco, uma chancela Saída de Emergência, numa autora que soube como criar um mundo cativante, belo e, ao mesmo tempo, tão repleto de perigos e segundas intenções. Gostei bastante.

2 comentários:

Elsar disse...

Olá :)
Tens um selinho no nosso blog :)
http://efeitodoslivros.blogspot.pt/2013/03/selo-desafio-arco-iris.html


e aproveito para dizer que gostei imenso da tua opinião sobre o Mundo Dark Hunter...nem sabes o que te espera, eu já os li todos :D

Pedacinho Literário disse...

Obrigada, Elsa!
Admito que até estou com medo de ver o que a autora vai trazer a seguir... mas estou igualmente curiosa. =)

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