segunda-feira, 11 de março de 2013

Porque és Minha, Beth Kery [Opinião]





Título Original: Because You Are Mine
Autoria: Beth Kery
Editora: Saída de Emergência
Nº. Páginas: 299
Tradução: Teresa Martins de Carvalho & Nanci Marcelino


Sinopse:

No instante em que Francesca e Ian se conhecem, a atração é mútua; uma carga requintadamente física incendeia ambos. Para Ian, ela é o tipo de mulher a que ele não resiste: inocente e pura. Para Francesca, ele é o tipo de homem que ela mais teme e deseja: sombrio, extremo, autoritário, e interdito. O que se passa entre eles não pode ser ignorado — apenas acatado, evoluindo para um inevitável vínculo.
De um jato particular para um interlúdio em Paris, de um ousado encontro num museu público para a intimidade de um hotel de luxo, Francesca e Ian estão um com o outro sempre que o desejo se torna premente. Mas à medida que a relação deles fica mais intensa, Francesca descobre algo a respeito de Ian — e dela própria — que altera para sempre o jogo e os jogadores. É algo com que eles nunca contaram, algo que lhes faz girar as vidas, delirantemente fora de controlo…


Opinião:

É palpável a febre que ainda gira em torno do género erótico, e seja ele um romance histórico ou contemporâneo, a curiosidade e o desejo são tais que continua a ser bastante difícil resistir a mais um folhear de páginas sedutor. Ultimamente, admito muitos serem os livros, dentro deste estilo, a passarem-me pelas mãos, mas é com agradável surpresa e espanto que constato que, de entre esses tantos, existem outros quantos que se destacam por alguma particularidade em especial—seja o enredo, uma ou outra personagem, ou, simplesmente, a escrita.

Porque és Minha trata-se de uma narrativa encantadoramente luxuriosa que, de forma sublime, conjuga uma certa e muito apreciada dose de romance amoroso com a selvajaria que o desejo incompreendido e a fome desenfreada pode originar. Não se tratando de uma história que oferece grandes novidades ao género, este é um livro que evidencio pelo cuidado descritivo e pelos diálogos, muitas vezes, inteligentes.
Beth Kery não só foi uma estreia em absoluto, como também uma surpresa extremamente deliciosa. Em nada esperava encontrar um enredo bem construído e delineado, com uma junção exímia de oito pequenas «histórias» a partilhar as atenções com um casal de protagonistas que, embora um tanto ou quanto semelhante a tantos outros, ainda assim se consegue distinguir individualmente—e em conjunto.

Narrativamente falando, são os pequenos mas ultra intensos momentos de perdição e rendição um ao outro o elemento que, efectivamente, cativa o leitor e o impulsiona a um virar de páginas quase compulsivo. No entanto, estamos perante uma trama que se mostra algo previsível—o que não é, de todo e neste caso em específico, algo negativo, visto a beleza dos locais que o casal visita e a gradual confidência e conforto que se vai gerando entre os dois ser o que verdadeiramente capta a atenção do leitor, permitindo a este apreciar a qualidade do desenvolvimento e crescimento tanto de Ian e Francesca como da própria história em si.
Enquanto uma das personagens principais, gostei imenso de Francesca. Ela é destemida, corajosa e não tem medo de fincar o pé e negar o que seja a Ian se essa acção não for, por inteiro, do seu agrado e vontade. Acredito que esta qualidade decisiva e puramente individualista seja algo que vá agradar a muitos leitores pois, contrariamente ao esperado, Francesca é uma interveniente segura e completa em termos de personalidade, não deixando de ser submissa no quarto mas sempre, sempre, sem perder os traços que a tornam única. Quanto a Ian, este foi, igualmente, uma figura poderosa, muito ao estilo do dominador comum neste tipo de narrativa, mas com a particularidade de ser um pouco mais intenso, mais apaixonante, mais impulsivo e soberano que os seus demais.

Não se tratando do género de romance propício a todo e qualquer leitor, principalmente tendo em conta o tipo de linguagem crua e explícita que expressa, ainda assim esta é uma obra peculiarmente interessante e que, com o avançar de «livro para livro», vai mantendo o seu público expectante relativamente à abertura de Ian para um relacionamento futuro e à persistência de Francesca perante um amor que se avizinha do mais difícil e sofrível possível.
Quanto a mim, esta não foi uma leitura que se mostrou fácil e simples desde o começo, contudo, foi uma obra que me conquistou gradualmente com o avançar da narrativa, e que me foi prendendo ao relacionamento do casal e às pequenas histórias secundárias que iam surgindo aqui e ali. Destaco, com especial fervor, o passado de Ian relativamente ao estado mental da mãe, e a amizade de Davie que, embora nem sempre usufruindo de uma presença assídua, ainda assim se fez sentir ao longo de todo o livro.

Uma boa aposta por parte da Saída de Emergência, num romance que é muito mais do que uma capa bonita e uma sinopse atraente. Apesar de tudo, das atribulações iniciais e do tipo de história «já conhecido», gostei.

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