segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Peripécias do Coração, Julia Quinn [Opinião]




Título Original: The Viscount Who Loved Me
Autoria: Julia Quinn
Editora: ASA
Nº. Páginas: 384
Tradução: Ana Álvares


Sinopse:

A sensata Kate Sheffield está decidida a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um marido de reputação impecável. Mal ela sabe que o visconde Anthony Bridgerton já traçou um plano... que inclui a belíssima jovem! E ele não está habituado a ser contrariado...
Embora Anthony seja o solteirão mais cobiçado da temporada, a sua reputação de mulherengo perturba Kate. Ela terá de agir rapidamente, pois Edwina vê com muito bons olhos os avanços do visconde. Mas Edwina fez uma promessa que não está disposta a quebrar: nunca casará sem a bênção de Kate. Cabe, pois, a Anthony convencer aquela que (espera) será a sua futura cunhada. Ele é um homem determinado e seguro de si... e não contava encontrar uma adversária à sua altura. Frente a frente, Kate e Anthony apercebem-se de que têm mais em comum do que imaginavam. Mas o que os une ameaça separá-los para sempre.


Opinião:

Com um futuro financeiramente incerto e um destino previamente traçado, pouco há como fugir a um casamento certeiro e a uma união que pode, muito bem, vir a ser tecida não por amor mas por conveniência. Mas quando se é a mais bela, a mais desejada e a mais vibrante da temporada, a esperança é um sentimento a não perder... pois, por entre todos os cavalheiros de um baile, há um que se destaca, não pela vontade de um enlace definitivo, mas pela necessidade de um matrimónio que apague a sua reputação de mulherengo e que, num vindouro próximo, lhe dê um herdeiro.

Peripécias do Coração trata-se do segundo romance de série Brigderton a ser lançado no mercado português. Centrando-se na relação e ambições que Anthony tem para com ambas as irmãs Sheffield, e no modo como os seus presumíveis avanços acabam por seguir caminhos e desígnios inesperados, este é mais um divertidíssimo enredo onde não só toda a família Bridgerton aproveita mais uma imperdível oportunidade para brilhar, como tanto Edwina como Kate adquirem contornos inegavelmente humanos e determinados.
Julia Quinn é das poucas autoras que, numa única frase, com um comum interveniente fictício, conseguiu de tal forma fazer-me apaixonar pelas suas histórias, pela sua escrita, que rapidamente subiu para o topo das minhas escritoras favoritas. Há algo no seu estilo inconfundivelmente descontraído e pontuado pela hilaridade que, de uma forma ou de outra, conquista quem quer que se atreva a lê-la. E é essa simplicidade, essa naturalidade, a par com magníficas narrativas e peculiares personagens, o que a transformam no sucesso que, indubitavelmente, Quinn é.

É pura e simplesmente impossível, até para um leitor mais experiente, não se deixar arrebatar por tão exuberante e imaculável leque de personagens. Quinn descreve-as de tal forma especiais nas suas imperfeições que quem quer que as conheça, dentro e fora do papel, não lhes resiste.
Anthony Bridgerton é um líder por natureza. Um homem que tanto tem de belo quanto de inteligente, tanto tem de resoluto quanto de receoso, e que se há coisa, sentimento, pelo qual não está disposto a lutar, do qual quer manter distância absoluta, é o amor. Para ele, um matrimónio tem de ser algo proveitoso, tem de possuir características robustas e não sentimentais, tem de ser capaz de sobreviver pela prática e pela lógica. Contrariando esses ideais, Kate Sheffield acredita que uma relação baseada no respeito e afecto mutuo é uma benesse e, por isso mesmo, usará de todos os seus trunfos, todas as artimanhas, para afastar tão afamado lord das atenções de tão ingénua e imaculada sua irmã. Com o que não conta, de todo, é que Anthony seja como um reflexo seu no espelho: uma pessoa casmurra, sem medo de se fazer ouvir, sempre detentora da razão e com uma paixão avassaladora para partilhar.

Seria de esperar um certo ressentimento ou inveja, talvez egoísmo, por parte de Kate ou Edwina quando ambas se encontram em idade casadoira e, consequentemente, à procura de um marido que lhe convenha. No entanto, a relação que encetam entre si, desde o início, é da mais amigável e fraternal possível. Sempre atenta, sempre disponível, Kate é uma protectora nata e é essa sua preocupação que a leva ao protagonismo de mais variadíssimas e divertidíssimas situações imagináveis. Igualmente singular continua a ser a presença de Colin – o meu Bridgerton favorito – que, de forma calculada mas natural, instiga a que essas mesmas situações, sempre que está presente, atinjam níveis incontroláveis de diversão e júbilo. Destaco, por exemplo, a ocasião em que os irmãos Bridgerton, acompanhados por Simon e Kate, disputam uma partida de Palamalho.

Em termos de cenários, Aubrey Hall é paradisíaco no sentido em que conjuga, na perfeição, sumptuosidade com braveza, numa personificação imaculada de toda a natureza floral e animal, assim como da opulência do estatuto social de Anthony, o seu real proprietário. E embora os restantes panos de acção tenham o seu quê de especial ou magnífico, não há nada que arrebate tanto quanto uma espécie de casa de campo onde se organiza um dos eventos mais importantes de toda a temporada londrina, e onde a paixão, a volúpia e até o amor entre Kate e Anthony começa, verdadeiramente, a florir e a colher o seu fruto.

Quanto a mim, Peripécias do Coração foi um romance que me encheu, por completo, as medidas. Adoro o estilo invulgar e divertido de Quinn, o secretismo que a sua trama acarreta pelas mãos de uma Lady Whistledown incrivelmente avassaladora e perspicaz, e a força e determinação que as suas personagens sempre encontram e sempre usam. Pessoalmente, uma das melhores, se não mesmo a melhor, no seu género.
Uma brilhante aposta por parte da ASA, numa autora refrescante que veio agraciar o mercado histórico e romântico com narrativas leves e subtis, que se lêem num só fôlego, e que se encontram repletas de brilho e hilaridade, de puro requinte. Absolutamente recomendado!

2 comentários:

Marta Dias disse...

Já li imensas criticas positivas sobre este livro, mas segundo percebi este é o 2º vol,por isso, queria saber se devo ler realmente o 1º ou posso começar por este?

Pedacinho Literário disse...

É isso mesmo, Marta, este é o segundo volume da série Bridgerton. O primeiro é «Crónica de Paixões e Caprichos». Podes lê-los individualmente uma vez que cada um se centra numa dada personagem da família Bridgerton, mas existem sempre detalhes deliciosos e aparições de livros anteriores que torna a coisa mais engraçada quando lida por ordem. =)

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