sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Gata Branca, Holly Black [Opinião]




Título Original: White Cat (The Curse Workers #1)
Autoria: Holly Black
Editora: Editorial Presença
Colecção: Diversos Literatura, N.º 73
N.º Páginas: 268


Sinopse:
Cassel Sharpe é um jovem de dezassete anos que deseja ter uma vida normal. Mas quando se nasce numa família com uma forte tradição em manipulação de maldições a normalidade não é algo fácil de alcançar. Cassel vive ensombrado pela ameaça de, a qualquer momento, os poderes maléficos que correm na sua família se manifestarem também em si. Por diversas vezes, a sua vida é posta em risco quando, em sucessivos episódios de sonambulismo, passeia pelos telhados do colégio interno que frequenta. De volta a casa, torna-se cada vez mais claro para Cassel que um tenebroso segredo familiar ameaça destruí-lo. Desejoso de perceber quem realmente é, o jovem inicia uma cruzada de autodescoberta que o leva a enfrentar perigos cada vez maiores.


Opinião:
Por vezes deparamo-nos com histórias que extravasam originalidade da primeira à última página. Que nos agarram às suas palavras, às suas personagens, remetendo-nos para mundos ficcionais diferentes, singulares, muitas vezes até mesmo tocados pela destreza da magia. São essas narrativas, essas obras, que verdadeiramente marcam um leitor. E se já antes me havia surpreendido pelo dom natural de Holly Black, numa vertente um pouco menos madura e intricada, com Gata Branca a autora deixou-me sem palavras, completamente inundada por sentimentos sufocantes e emoções fortes, em torno de uma trama que tanto tem de peculiar quanto de extraordinário.

Cassel sofre de perigosos episódios de sonambulismo. A razão pela qual acorda, fora da cama e a meio da noite, é-lhe totalmente desconhecida, mas a presença constante de uma gata branca deixa-lhe um certo desconforto no corpo, e na mente, como que uma sensação estranha e inexplicável que não consegue largar. É então que Cassel decide investigar a sua situação, ao mesmo tempo que se depara com divergências familiares e suspeitas inesperadas – os segredos correm na família Sharpe como se de sangue num corpo quente se tratasse, e as maldições, a magia, guardam um intento obscuro que Cassel tem ainda de desvendar.

Esta é uma história que se encontra particularmente bem escrita, e belissimamente estruturada. Tudo tem um sentido, e é de pequenos pormenores que a base que sustenta o mundo de Cassel realmente se enriquece. Holly Black possui uma aptidão, uma dádiva, incrível com a palavra escrita, transformando meros cenários, ocorrências de acção, e personagens em autênticos vislumbres pulsantes de vida. Tudo ganha uma nova luz, seja ela brilhante ou obscura, quando saído dos dedos – ou teclado – esta deslumbrante autora.
O modo como Black desenvolveu a questão da magia, que é uma prática ilegal no mundo de Sharpe, é absolutamente fascinante. Enquanto manipuladores de maldições, onde existe toda uma hierarquia de géneros que vai desde a manipulação da sorte à manipulação das emoções, cada personagem pode escolher exercer o seu dom para o bem ou para o mal – mas seja qual for a sua decisão, cada manipulação que tecer terá uma consequência em si mesmo, seja a nível do corpo ou da mente. É assim que quem manipula o mal acaba por ser levado à loucura, ou ao esquecimento, e quem manipula o bem muitas vezes encontra um pouco de felicidade no seu caminho de ajuda ao outro. Mas sendo os Sharpe uma família de laços fortes com a máfia, sem dúvida que as consequências reais dos seus actos mágicos acabam por dar origem a muitos pormenores narrativos interessantes.

Cassel é uma personagem segura, por vezes impulsiva na conclusão dos actos, mas sempre de mente aberta e espírito criativo. Embora ocasionalmente vacile nos momentos em que a morte se encontra perto, Cassel permanece como uma figura atraente que sabe embalar o leitor na invulgar, mas ainda assim excepcional, história da sua vida. Sendo alguém que sabe lidar com os seus próprios sentimentos, os remorsos que sente para com Lila são, no mínimo, tocantes, e talvez seja daí que advêm as maiores e mais significativas surpresas. Tanto os irmãos de Cassel como o seu avô são intervenientes secundários de forte importância, que ajudam a que a narrativa se vá completando com situações perigosas, segredos ocultos e manipulações misteriosas – ainda assim, e por muito maliciosos que possam ser, não há como não os adorar.

Inédito, excêntrico e com o seu quê de bizarro, Gata Branca trata-se de um young adult com magníficas nuances noir e contornos mafiosos que vai deixar o leitor agarrado às suas páginas e, no fim, absolutamente sequioso por mais. Por vezes torna-se difícil descrever um livro que tem tanto de diferente, e de único, e de especial, que não só as palavras falham como parecem nunca ser suficientes – mas se procuram um livro igual a nenhum outro, este é, sem sombra de dúvida, uma escolha certeira.

Para adquirir ou ler mais informações sobre Gata Branca, clique aqui.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Avozinha Gângster, David Walliams [Opinião]




Título Original: Gangsta Granny
Autoria: David Walliams (com ilustrações de Tony Ross)
Editora: Porto Editora
N.º Páginas: 256


Sinopse:
O nosso herói, Ben, adormece só de pensar que tem de ficar em casa da avó. Que seca! É a avozinha mais aborrecida de sempre: só pensa em jogar jogos de tabuleiro e comer sopa de couve. Mas há dois segredos que Ben desconhece:

• A sua avozinha é uma famosa ladra de joias.
• E toda a vida sonhou roubar as Joias da Coroa inglesa, e agora precisa da ajuda de Ben…


Opinião:
Adoro uma boa história intemporal — seja porque as suas páginas me levam à nostalgia do passado, seja porque o seu conteúdo narra, de forma simples e harmoniosa, uma verdade comum, uma acção palpável e concreta. Estas histórias tão especiais tendem, muitas vezes, a encontrar-se em livros direccionados para os mais jovens, para aqueles que ainda lutam contra a inevitabilidade do crescimento, contra a perda da inocência e contra a consciência dos actos. Avozinha Gângster será, certamente, uma obra divertida para os mais pequenos, recheada de sentimentos partilhados e gargalhadas felizes, mas para aqueles que se aventurarem por estas páginas com uma maturidade diferente, mais robusta, mais patente, então não somente os sorrisos serão uma certeza, quanto a reflexão sobre aqueles momentos passados com os mais velhos, com os pais, ou os avós, ou os bisavós, tornar-se-ão uma análise constante, numa digestão das traquinices, dos bons e dos maus momentos, e de todos os erros que, enquanto outrora jovens, cometemos para com essas pessoas que tanto amamos.

As linhas narrativas que perfazem esta história não poderiam ser mais simples — Ben é um jovem rapazito de onze anos que tem de ficar em casa da avó sempre que os seus pais, obcecados por um programa televisivo sobre danças de salão, têm de se ausentar de casa. O problema de Ben é que a sua avó não poderia ser mais aborrecida — de cabelo grisalho, dentes falsos e uma paixão louca por couve, nada há mais que fazer na sua casa que não jogar Scrabble e comer couve a todas as refeições (sopa de couve, quiche de couve, tudo e mais alguma coisa de couve). Mas a avó de Ben esconde um segredo... e esse mistério, envolto numa caixa de jóias que Ben encontrou por acaso, será o factor que unirá, com laços muito fortes, estas duas personagens.

As ilustrações de Tony Ross são maravilhosas, o que proporciona um toque muito próprio ao livro. Através delas o leitor é capaz de visualizar, ainda com maior certeza, todos os pequenos pormenores que fazem de Ben e da sua avó figuras tão absolutamente únicas. O diálogo de David Walliams é, igualmente, uma componente forte e muito interessante, dissertando, entre a leveza e a seriedade, o que de melhor existe nos laços familiares, e o que de pior se pode encontrar no alheamento das pessoas enquanto indivíduos. A escrita deste autor é muito boa, assertiva e inteligente, perfeita para os mais pequenos, mas também para os adultos é algo de peculiar e único.

Os temas que Walliams aborda podem parecer algo comuns e superficiais de início, mas não esquecendo que esta é, efectivamente, um livro para crianças, o que qualquer leitor mais graúdo tem de ter em mente é que por entre as levianas linhas de texto se encontram mensagens universais. Mensagens que o vão fazer pensar, e o vão fazer querer mudar.
Avozinha Gângster trata-se de um daqueles livros visualmente extraordinários que são excelentes para se ler aos mais pequenos antes do deitar. Trata-se de um livro que visa criar laços, não só na narrativa, entre Ben e a sua avó, mas também na vida real. Para Ben a sua avó transformou-se numa outra pessoa, numa heroína dos seus contos de diabrura, quando descobriu que esta era uma ladra de jóias, e foi no trespassar dessas histórias da juventude da sua avó, que o fascínio verdadeiramente se manifestou. Mas nem sempre as avós são aquilo que dizem aos netos, embora, numa constante, façam tudo e atravessem qualquer adversidade por eles, e é precisamente aí, nesse exacto ponto, que se encontra a beleza deste livro. Foi uma leitura muito especial, e ternurenta, e nostálgica para mim.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Recomendações Literárias #3



Ah, que já só faltam meros dias para o Natal! 

Para aqueles que ainda não compraram os presentes todos, espero que encontrem nesta minha última publicação de recomendações literárias algo que os interesse e suscite curiosidade. Dentro do género da fantasia, distopia e pós-apocalíptico, trago-vos hoje uma selecção bem singular e que, pelo menos a nível pessoal, é, sem sombra de dúvidas, muito, muito boa.
Se quiserem visitar o post das recomendações de young adult contemporâneo, new adult e middle grade, sigam este link; mas se preferirem dar uma espreitadela aos romances adultos do contemporâneo, erótico, histórico e época, sigam antes este link. 


Um livro que é um absoluto estrondo de emoções, de sensações e histerismo. A 5ª Vaga é um dos meus favoritos do ano e, como pós-apocalíptico que é, não poderia faltar nesta lista. Cassie, a nossa protagonista, é do mais vibrante e intenso possível, e as adversidades por que passa, em conjunto com a escrita encantatória do autor, tornam este livro num obrigatório a ler.

Esta é uma daquelas obras da distopia que deveria de fazer parte do sapatinho de todos os apaixonados por livros. Inteligente, bombástico e diferente, Puros retrata um mundo destruído que viu na metamorfose dos elementos e da natureza uma réstia de esperança. Monstruoso e provocador, esta é uma história que não vão querer perder.

Como nada do que tive o prazer de ler até agora, Gata Branca destaca-se pelo seu sentido de novidade, frescura e arte mágica. A forma como Holly Black explora a potencialidade sobrenatural desta história é fantástica, e as várias nuances mafiosas que personificam as figuras desta trama, assim como todos os pequenos e importantíssimos pormenores que vão sendo tecidos ao longo da narrativa, fazem deste livro um presente fantástico!

Outro dos favoritos do ano, Legend destaca-se pela simplicidade com que Marie Lu descreve o seu mundo distópico e as suas personagens complexas. A cumplicidade que existe entre os dois protagonistas é maravilhosa, e as surpresas que vão surgindo ao longo da história são outra das componentes fortes deste começo de trilogia.

Se existe um livro verdadeiramente especial, e único, e extraordinário dentro da fantasia, então esse livro é O Nome do Vento. A viagem de Kvothe não tem precedentes e as figuras que vai conhecendo e encontrando ao longo da sua demanda e aprendizagem são do mais peculiar e, no entanto, interessante que há.

Recomendar Divergente é como recomendar Os Jogos da Fome, no entanto, por a primeira ser a trilogia que li, por completo, até ao momento, é a que figura nesta lista. O mundo criado por Veronica Roth é magnífico, e sem igual, e extremamente curioso. Uma trilogia, e um primeiro volume, que valem muito a pena.

Um reconto ultra moderno, e com cyborgs, que veio revolucionar a conhecidíssima história da Cinderela. Cinder mantém-se no topo dos meus livros favoritos e, por isso mesmo, tinha de o recomendar. Único, altamente surpreendente e incrível, este livro é espectacular, e viciante, e um autêntico bálsamo para a alma. A não perder.

Tendo como pano de fundo a mitologia grega, Predestinados é o começo de uma trilogia fantástica que, sem dúvida, irá agradar a um vasto leque de leitores. Com deuses e semideuses, Josephine Angelini criou um delicioso emaranhado de lendas, e mitos, e adaptações modernas que é absolutamente fabuloso.

Indo buscar a temática dos colégios internos, A Floresta Mecânica é um daqueles livros que passou um bocadinho despercebido mas que é tão, mas tão bom. Enigmática, rebelde e controladora, esta história está imensamente bem construída e é uma pena que mais pessoas não a conheçam. Por isso mesmo, tinha de figurar nestas recomendações.

Um começo profundamente brilhante, Sob o Céu que Não Existe é perfeito para os fãs de ficção científica que procurem algo leve e diferente. As personagens principais são de tirar o fôlego e o mundo retratado por Rossi, sem igual. Altamente recomendado.

Por fim, deixo-vos com Raptada, o início da trilogia O Jardim Químico que viu ser lançado o terceiro e último volume no passado mês de Novembro. A escrita de DeStefano é fantástico, assim como a sua imaginação para criar realidades intricadas, e as suas personagens são enigmáticas e profundamente tocantes.

Espero, então, que estas minhas recomendações literárias tenham sido úteis na compra das vossas prendas de Natal — ou na conclusão das vossas wishlists. O propósito principal era mostrar-vos algumas das excelentes obras que se encontram actualmente no mercado, tanto a nível de novidades como de livros um pouco menos recentes, e para aqueles que não as conhecem, ajudar então a abrir os vossos horizontes.

Boas Leituras & Boas Festas!

sábado, 20 de dezembro de 2014

Passatempo Especial Natal — A minha outra metade, de Marianne Kavanagh


Chegou, finalmente, o dia de vos trazer mais um passatempo de Natal, de modo a alegrar esta época festiva. E como não há nada melhor que um pouco de magia em tempos natalícios, e que uma capa com inspirações invernais (ou, assim, mais ou menos), aqui fica ele.

Com o maravilhoso apoio da Topseller, o Pedacinho tem o prazer de oferecer um exemplar de A minha outra metade, de Marianne Kavanagh. Um romance divertido que explora os afectos e o conceito de alma gémea como nenhum outro.

Para se habilitarem a receber este fantástico prémio em casa, basta que respondam acertadamente às questões que se encontram no formulário, que preencham todos os campos obrigatórios e, como já vem a ser habitual, que sejam seguidores do blogue.

As respostas às perguntas podem ser encontradas aqui, no blogue, ou aqui, no site da Topseller.



Regras do Passatempo:
1) Ser seguidor do blogue.
2) O passatempo decorrerá até às 23h59 do dia 2 de Janeiro (sexta-feira).
3) Só é válida uma participação por pessoa e/ou email.
4) Participações com respostas incorrectas e/ou dados incompletos serão automaticamente anuladas.
5) O vencedor será sorteado aleatoriamente pela administração do blogue, será posteriormente contactado via email e o resultado do mesmo será anunciado no blogue.
6) Só são aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
7) A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio, no correio ou outros, de exemplares enviados pela mesma e/ou por editoras.
8) Boa sorte!



quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Recomendações Literárias #2



O prometido é devido!

E por isso trago-vos, hoje, as minhas recomendações literárias natalícias dentro do romance adulto. Vão encontrar de tudo um pouco, desde livros que foram lançados este ano a romances que já figuram nas prateleiras há algum tempo mas que não podem, de todo, ser esquecidos. Espero que, por entre a lista que se segue, esteja algum título que vos desperte a atenção — e já sabem, se clicarem no título do livro que se encontra escrito algures no texto, podem ter acesso às opiniões publicadas aqui no blogue sobre os mesmos. 


Sendo o meu favorito até ao momento, dentro do romance de época tinha de recomendar A Grande Revelação, de Julia Quinn. Os Bridgerton são das famílias mais cómicas, divertidas e excêntricas que conheço, dentro do género, e seria uma pena vocês não se deixarem deliciar por esta fabulosa série dos tempos da Regência Inglesa. Muito, muito bom.

Também dentro do romance de época, Madeline Hunter é outro dos nomes que guardo perto do coração. Os seus livros são enigmáticos, apaixonantes e, sem dúvida, viciantes pelo que Mil Noites de Paixão seria, somente, um excelente acréscimo caso este seja um género literário do vosso agrado.

Não existem muitos romances eróticos que eu diga: gostei e recomendo! A Submissa, de Tara Sue Me, é dos meus favoritos e daqueles que, caso tivesse de ler uma segunda vez, não hesitaria em fazê-lo. O papel de submissa/dominador está excelentemente bem explorado e toda a componente de menina inocente que cai nas agarras de homem sedutor não se encontra nestas páginas — uma das razões pela qual gostei tanto. Caso ainda não conheçam, é um título certamente a explorar. 

Esta é uma das novidades deste ano — algo que não encontrarão muito por aqui, nestas recomendações — e que não poderia deixar de parte. Envolvidos tanto pode ser categorizado como um romance contemporâneo como um romance erótico pelo que acho que é de lhe se dar uma hipótese. Emma Chase inverte os papeis no que diz respeito à narração e, pela primeira vez, encontramos o nosso galã como protagonista. Diferente, e muito, muito bom.

Já li este livro há alguns anos e mesmo assim ainda me recordo dele, como se fosse ontem. Leila Meacham é uma escritora fantástica, que faz o leitor voar por entre as páginas dos seus livros, e este seu Rosas é dos melhores romances históricos que tive o prazer de ler. Extremamente bom.

Se gostam ou sentem-se intrigados pela história de Romeu e Julieta, então acreditem em mim quando digo que vão querer ler este livro. Julieta, de Anne Fortier, trata-se de um romance histórico como nunca li. Ligando a narrativa destes amantes da literatura com as nuances e descobertas da personagem principal, e tendo como pano de fundo as belas ruas de Siena, esta é uma história singular e muito, muito aconchegante.

Procuram um romance de cariz histórico com uma pontada de contemporâneo? Então O Segredo de Sofia é a escolha perfeita! Susanna Kearsley tem das escritas mais belas que já tive o prazer de ler e as suas histórias são sempre um intricado de romance com história. Um excelente livro.

Um dos meus livros favoritos de todo o sempre, Quando Sopr@ o Vento Norte é um livro que espero reler, e reler, e reler, e por isso mesmo é que se encontra aqui. Moderno e baseado na troca de emails, Daniel Glattauer explora os afectos entre dois personagens que tanto têm a partilhar online quanto o deveriam pessoalmente. Altamente recomendado por mim.

Querem um romance leve, interessante e que vos faça rir? Então espreitam a obra de David Safier. Dos três livros que se encontram actualmente publicados em terras lusas, Maldito Karma é o meu preferido – admito que tal possa ser por ainda não ter terminado o terceiro, mas pronto. Se pensam que as coisas más só vos acontecem a vocês, então esperem até lerem a inacreditável jornada de Kim Karlsen.

Capaz de fazer qualquer leitor verter lágrimas, Anna McPartlin é fenomenal e Estarás Sempre Comigo é dos meus romances favoritos da autora. Moderno, com uma escrita poética quanto simples, e pegando em temáticas difíceis e sofredoras, este é um daqueles livros que vão querer ler junto da lareira ou na companhia de um chocolate quente. Muito bom.

Não podia terminar esta lista de recomendações sem referir Sarah Addison Allen. Todos os livros desta autora são pura magia, mas O Jardim Encantado é dos que mais... encanta com a sua macieira mágica e as suas personagens únicas. Um livro que não podem deixar passar ao lado.


E estas são as minhas recomendações — para ofertas de natal a pessoas importantes para vocês ou para vocês mesmos — dentro dos géneros romance de época, romance erótico, romance histórico e romance contemporâneo. Espero que algum — ou muitos — destes títulos figurem nos presentes da vossa árvore de natal, e no fim de semana podem contar com as recomendações para fantasia e distopia young adult — para aqueles que, como eu, deixam a compra das ofertas de Natal para a última da hora.

Boas Leituras & Boas Festas!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A Grande Revelação, Julia Quinn [Opinião]




Título Original: Romancing Mister Bridgerton (Bridgertons #4)
Autoria: Julia Quinn
Editora: Edições ASA
N.º Páginas: 376

Sinopse:
O coração de Penelope Featherington sofre por Colin Bridgerton há... não pode ser!?? ...mais de dez anos? Sim, essa é a triste verdade. Dez anos de uma vida enfadonha, animada apenas por devaneios apaixonados. Dez ingénuos anos em que julga conhecer Colin na perfeição. Mal ela sabe que ele é muito (mesmo muito) mais do que aparenta... Cansado de ser visto como um mulherengo fútil, irritado por ver o seu nome surgir constantemente na coluna de mexericos de Lady Whistledown, Colin regressa a Londres após uma temporada no estrangeiro decidido a mudar as coisas. Mas a realidade (ou melhor, Penelope) vai surpreendê- lo... e de que maneira! Intimidado e atraído, Colin vai ter de perceber se ela é a sua maior ameaça ou o seu final feliz.
P.S.: este livro contém a chave do segredo mais bem guardado da sociedade londrina.


Opinião:
Que nem um autêntico bálsamo para a alma, esta belíssima história de amor passada durante os tempos áureos da Regência Inglesa é, sem qualquer sombra de dúvidas, uma obra que fará as delicias de qualquer leitor — deslumbrando-o com as suas festas majestosas, vestidos pomposos e poses delicadas. Julia Quinn é já uma presença assídua na minha estante — e na minha vida de leitora — e esta sua Grande Revelação não poderia ter sido mais maravilhosa, emocionante e... inesperada. É nestas páginas que descobrimos, finalmente e ainda que com algum pesar, a identidade de tão enigmática e altamente popular figura, Lady Whistledown, ao mesmo tempo que vemos o desabrochar de um amor que se faz sentir há mais de uma década, e que sempre se julgou impossível de concretizar.

Penelope Featherington é, possivelmente, das personagens femininas mais estimadas e adoradas por entre todo o leque imaginário de Quinn. E Colin Bridgerton, enquanto galã de sorriso fácil e intenso olhar verde, não lhe fica, nem um pouco, atrás. Juntar estes dois intervenientes como casal protagonista de um enredo somente pode ser indicativo de um romance explosivo, absolutamente hilariante e de vício rápido. Encantada pelas nuances narrativas deste que é o quarto volume da série Bridgertons, vi-me perdida em igual medida entre a paixão de Penelope e a distracção de Colin, e o ritmo provocador pela aproximação da grande revelação que esta trama acolhe. Como se tudo isto não fosse suficiente, foi igualmente muito bom presenciar um lado diferente, mais artístico e preocupado, de Colin, e uma faceta protectora, extremamente amigável e feminina de Penelope. Juntos, estas duas personagens fazem o par ideal.

Não é novidade alguma o carinho que nutro por esta série de época, e por esta autora que, para mim, é incomparável. A sua escrita é tão extraordinária e deslumbrante, os seus diálogos são tão inspiradores e assertivos, e as suas descrição são tão reais e palpáveis que não há como não me deixar levar por uma antiguidade que não conheci mas que tão fortemente desejo desvendar de toda e cada vez que percorro as páginas de um dos seus romances. Os sorrisos são tão fáceis com esta autora, o riso é algo natural e o sentir de um coração apertado uma sensação constante, vibrante e muito, muito aconchegante. Para mim, ler um romance de Quinn — principalmente se for dedicado à família Bridgerton — é como desfrutar de um chocolate quente, em frente de uma lareira, com o correr da chuva lá fora e o conforto de uma manta soalheira. Não há nada melhor.

Como o meu grande favorito até ao momento, A Grande Revelação deixa o entusiasmo e as expectativas muito em alta para o volume que se segue, já publicado em terras lusas — Para Sir Phillip, Com Amor — e que vai pegar num dos muitos pormenores feiticeiros desta obra. Colin permanece como o meu Bridgerton de eleição, mas também Eloise arrecadou um pedaço do meu coração pela sua personalidade irreverente e espírito selvagem, assim como Penelope. Penelope surpreendeu-me em absoluto, e a descoberta da real identidade de Lady Whistledown veio, somente, intensificar o carinho e fascínio que nutro por tão misteriosa personagem. A Grande Revelação não poderia ter sido mais intricada, mais bela e mais cativante. Adorei. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Recomendações Literárias #1



Já fizeram as vossas comprinhas de Natal?

Ainda não? Então perfeito!
Hoje trago-vos algumas recomendações literárias natalícias — ainda que não directamente ligadas à temática/época festiva — dentro do contemporâneo jovem-adulto. Todos os livros que se seguem encontram-se publicados em terras lusas, o que quer dizer que só têm de correr à livraria mais próxima para os agarrar! E seja para oferecer como presente a vocês mesmos ou a um amigo ou familiar, somente desejo que nesta pequena lista de livros encontrem um ou mais títulos que seja/m do vosso agrado ou que, na pior das hipóteses, vos suscite algum interesse ou vos deixe curiosos.


Aos que esperam verter uma ou outra lágrima com um bom romance young adult contemporâneo, A Culpa é das Estrelas, do excêntrico John Green, é uma recomendação que vos faço sem quaisquer restrições.
Muitos já o leram e se deixaram apaixonar por estas páginas — pelas personagens únicas, e fortes, e belissimamente delicadas, e pelo modo como o autor retrata o amor jovem. Muitos já viram, também, a adaptação cinematográfica, com o mesmo nome, que foi lançada este Verão... mas esta minha recomendação vai para todos aqueles que ainda não folhearam esta história. Por favor, não o deixem de fazer ou oferecer. 

Elegante. Melódico. Acolhedor.
Se Eu Ficar, de Gayle Forman, trata-se de um romance, igualmente adaptado ao grande ecrã este ano, que retrata uma história extraordinária sobre o poder das nossas escolhas, sobre o amor que flui entre a família e amigos e sobre o que é que nos faz verdadeiramente felizes. Outro que recomendo sem restrições. 

Que surpresa. Que livro apaixonante, e encantador, e cheio de pequenas pérolas de carinho. Gostei imenso de A Todos os Rapazes que Amei, de Jenny Han, e gostava que muitas mais pessoas se deixassem levar por estas páginas. Esta autora é extremamente suave com as palavras, atenta com as personagens e exímia no retrato do comum. Uma prenda perfeita.

Antes de Vos Deixar é o melhor livro de Lauren Oliver – e disso não tenham dúvida. Seguindo o mesmo tipo de história/género de A Culpa é das Estrelas e Se Eu Ficar, este romance do contemporâneo é enternecedor, sufocante e muito, muito bom. Se nunca leram esta autora e têm curiosidade de conhecer a sua obra, então comecem por aqui. 

Este foge um bocadinho ao young adult por ser um middle grade mas acreditem quando digo que qualquer pessoa, de qualquer idade, irá encontrar nesta história uma lição de vida. Milagre, de R. J. Palacio, é um livro com uma mensagem bonita e marcante, que confronta temas delicados e que geram alguma controvérsia – doença, bullying, vontade de se ser normal. Um livro de apertar o coração, e que eu recomendo vivamente. 

Uma obra delicada, tocante e extremamente crua, Corações Gelados, de Laurie Halse Anderson não agradará a todos os leitores mas deixem-me que vos diga que não há leitura mais intensa, sofredora e marcante como esta. Senti raiva, senti alegria, senti medo, senti pena – este livro irá despertar toda uma imensidão de sentimentos e emoções e é precisamente por isso, e por alertar para a bulimia e para a anorexia, que o recomendo.

Querem uma leitura verdadeiramente rica em afectos, e momentos elegantes, e amores poéticos? Então peguem em Anna e o Beijo Francês, da deslumbrante Stephenie Perkins. Este é um livro delicioso, que leva o leitor para o seio de uma das mais belas cidades da Europa, Paris. Um dos romances mais fofos e ternurentos que tive o prazer de folhear. Altamente recomendado.

Mais uma vez fugindo ao young adult e indo para um contemporâneo new adult, ou seja, direccionado a um público ligeiramente mais velho, este é um livro que tanto tem de doce quanto de amargo. Um Caso Perdido - Hopeless, de Colleen Hoover, é uma narrativa que irá surpreender pela profundidade das personagens, e pelos pormenores que a tornam especial.

Para terminar, deixo-vos Quando Éramos Mentirosos, de E. Lockhart. Quanto menos souberem sobre este livro, melhor. Sei que é difícil recomendar, como prenda ou aquisição, um livro cujo conteúdo quero manter secreto, mas acreditem quando vos digo que irão ficar bastante mais surpreendidos com esta leitura se partirem para as suas páginas sem quaisquer ideias preconcebidas do que poderão encontrar. É muito bom, com um estilo de escrita único e muito gráfico, e uma personagem principal absolutamente espectacular.


E pronto, estas são algumas recomendações que vos deixo dentro do contemporâneo YA (young adult) NA (new adult) e MG (middle grade). Espero que entre esta pequena lista se encontrem títulos que ainda não conheçam, ou ideias perfeitas para oferecerem no Natal.

Ainda esta semana publicarei as recomendações de contemporâneos adultos, romances de época e fantasia/distopia YA. Se houver mais algum género que gostariam de ver aqui no blogue, com recomendações, não hesitem em dizer.

Boas leituras & Boas Festas!
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