Mostrar mensagens com a etiqueta John Green. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta John Green. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Quando a Neve Cai, Maureen Johnson, John Green & Lauren Myracle [Opinião]




Título Original: Let It Snow
Autoria: Maureen Johnson, John Green & Lauren Myracle
Editora: Topseller
N.º Páginas: 320

Sinopse
Numa cidade isolada por uma das maiores tempestades de neve dos últimos cinquenta anos, três histórias, oito raparigas e rapazes e mais uns quantos caminhos vão cruzar-se num romance brilhante, mágico e divertido, a que não faltarão fragmentos de amor, laços de amizade, uma maratona de filmes do James Bond e beijos muito apaixonados.

Opinião:
Três histórias.
Três autores.
Uma cidade.

Ninguém poderia prever que uma tempestade de neve em plena época natalícia viria a ser o palco perfeito para o desabrochar de uma série de milagres. Há quem acredite que o Natal possui uma magia muito própria, um encanto e um certo je ne sais quoi impossível de definir e que suaviza a propensão humana para com o maravilhoso, e se existe uma mensagem que este romance transmite com clareza é a de que a vida é feita de um conjunto de momentos excêntricos e por vezes sem sentido, mas que sejam quais forem as circunstâncias, vale sempre a pena lutar por aquilo – ou por aqueles – que queremos. Ao fim e ao cabo, o inesperado pode estar mesmo ao virar da esquina.

Quando a Neve Cai trata-se, então, de uma obra contada a três vozes, em três contos distintos, mas que poderia facilmente ser uma história só dado o modo como as várias linhas narrativas se interligam entre si através das suas personagens. Estas conhecem-se de uma forma ou de outra, e as consequências dos seus actos, e dos seus relacionamentos sociáveis, ora afectam ora ajudam na concretização dos laços românticos que se vão formando ao longo das páginas deste livro.
O espírito natalícia e festivo encontra-se fortemente presente nestes três enredos, e talvez por isso esta seja uma daquelas leituras obrigatórias para se desfrutar durante o inverno, em frente à lareira ou envolta numa manta, com uma caneca de chá ou chocolate quente na mão.

O Expresso Jubilee
Jubilee é quem dá começo ao deslumbrante descarrilar de momentos hilariantes e imensas vezes afectuosos. Maureen Johnson inicia, então, esta compilação apresentando-nos uma personagem algo extravagante e singular, com um sentido de identidade muito próprio, que se vê confrontada com uma viagem inesperada. E embora o seu destino fosse a casa dos seus avós na Florida, Gracetown acaba por ser o refúgio acolhedor – bem mais hospitaleiro que um comboio parado no meio de uma tempestade de neve – que irá mudar a sua vida para sempre, ao abrir-lhe os olhos para o distanciamento palpável e existente na sua relação com Noah, algo camuflado pela força do hábito que um namoro de adolescentes pode proporcionar.

Maureen Johnson não me era um nome totalmente desconhecido, mas foi preciso Quando a Neve Cai para verdadeiramente pegar na sua escrita. Gostei particularmente da maneira como a autora aborda a temática dos afectos, e das pequenas extravagâncias que as suas personagens possuem, seja por coleccionarem objectos ‘estranhos’ que as levam a viver as mais loucas aventuras possíveis, seja por deterem uma essência única, uma aura que atrai o leitor.

Um Milagre de Natal Fantabulástico
Tobin, JP e Angie (ou a Duke) protagonizam este segundo conto, que se centra numa luta desenfreada contra o relógio – e a neve – em prol da mais rara das oportunidades: passar a noite na Waffle House na companhia de um grupo de cheerleaders. Só que para isso Tobin e JP terão, não somente, que convencer Angie a alinhar no plano – afinal de contas, ela é uma rapariga e o seu interesse por chefes de claque é inexistente – como terão de chegar primeiro que Timmy e Tommy à Waffle House, sem se esquecerem de levar o Twister – que assume o posto de bilhete de entrada.

John Green persiste na posição de um dos meus autores favoritos dentro e fora do seu género. A sua escrita é como um bálsamo para a minha alma de leitora e o seu talento é algo perceptível em cada página, cada diálogo, cada passagem descritiva. Talvez o mais divertido e extraordinário dos três contos – e, também, aquele de que gostei mais – Um Milagre de Natal Fantabulástico dá continuação a um todo narrativo magnífico com a adição da singularidade do humor, e escrita, de Green.

O Santo Patrono dos Porcos
Abby encerra o trio de contos ao mostrar o seu arrependimento face um relacionamento que, embora não fosse perfeito como num conto de fadas, numa última instância era tudo pelo qual ansiava. Indo buscar Jeb, uma personagem que entra em ambas as tramas anteriores, Myracle foca-se no destroçar de Abby e na sua incapacidade de ver para além da bolha que a rodeia enquanto analisa, ainda que de forma um pouco superficial, os bons e os menos bons momentos passados na companhia de Jeb.

Lauren Myracle foi uma surpresa em absoluto para mim – e, infelizmente, pela negativa. Desconhecia por completo a sua obra e o seu estilo de escrita, e O Santo Patrono dos Porcos não me convenceu. A sua personagem principal, Abby, é extremamente egocêntrica e irritante e o tom que confere à história, enquanto autora, é um tanto ou quanto aborrecido. Esperava mais, confesso.

Sem dúvida de que Quando a Neve Cai é um daqueles romances leves e divertidos, perfeitos para se folhear numa fria tarde de inverno. Reconfortante e com um espírito festivo contagioso, esta é uma leitura rápida que deixa o leitor com um sorriso satisfeito nos lábios.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Recomendações Literárias #1



Já fizeram as vossas comprinhas de Natal?

Ainda não? Então perfeito!
Hoje trago-vos algumas recomendações literárias natalícias — ainda que não directamente ligadas à temática/época festiva — dentro do contemporâneo jovem-adulto. Todos os livros que se seguem encontram-se publicados em terras lusas, o que quer dizer que só têm de correr à livraria mais próxima para os agarrar! E seja para oferecer como presente a vocês mesmos ou a um amigo ou familiar, somente desejo que nesta pequena lista de livros encontrem um ou mais títulos que seja/m do vosso agrado ou que, na pior das hipóteses, vos suscite algum interesse ou vos deixe curiosos.


Aos que esperam verter uma ou outra lágrima com um bom romance young adult contemporâneo, A Culpa é das Estrelas, do excêntrico John Green, é uma recomendação que vos faço sem quaisquer restrições.
Muitos já o leram e se deixaram apaixonar por estas páginas — pelas personagens únicas, e fortes, e belissimamente delicadas, e pelo modo como o autor retrata o amor jovem. Muitos já viram, também, a adaptação cinematográfica, com o mesmo nome, que foi lançada este Verão... mas esta minha recomendação vai para todos aqueles que ainda não folhearam esta história. Por favor, não o deixem de fazer ou oferecer. 

Elegante. Melódico. Acolhedor.
Se Eu Ficar, de Gayle Forman, trata-se de um romance, igualmente adaptado ao grande ecrã este ano, que retrata uma história extraordinária sobre o poder das nossas escolhas, sobre o amor que flui entre a família e amigos e sobre o que é que nos faz verdadeiramente felizes. Outro que recomendo sem restrições. 

Que surpresa. Que livro apaixonante, e encantador, e cheio de pequenas pérolas de carinho. Gostei imenso de A Todos os Rapazes que Amei, de Jenny Han, e gostava que muitas mais pessoas se deixassem levar por estas páginas. Esta autora é extremamente suave com as palavras, atenta com as personagens e exímia no retrato do comum. Uma prenda perfeita.

Antes de Vos Deixar é o melhor livro de Lauren Oliver – e disso não tenham dúvida. Seguindo o mesmo tipo de história/género de A Culpa é das Estrelas e Se Eu Ficar, este romance do contemporâneo é enternecedor, sufocante e muito, muito bom. Se nunca leram esta autora e têm curiosidade de conhecer a sua obra, então comecem por aqui. 

Este foge um bocadinho ao young adult por ser um middle grade mas acreditem quando digo que qualquer pessoa, de qualquer idade, irá encontrar nesta história uma lição de vida. Milagre, de R. J. Palacio, é um livro com uma mensagem bonita e marcante, que confronta temas delicados e que geram alguma controvérsia – doença, bullying, vontade de se ser normal. Um livro de apertar o coração, e que eu recomendo vivamente. 

Uma obra delicada, tocante e extremamente crua, Corações Gelados, de Laurie Halse Anderson não agradará a todos os leitores mas deixem-me que vos diga que não há leitura mais intensa, sofredora e marcante como esta. Senti raiva, senti alegria, senti medo, senti pena – este livro irá despertar toda uma imensidão de sentimentos e emoções e é precisamente por isso, e por alertar para a bulimia e para a anorexia, que o recomendo.

Querem uma leitura verdadeiramente rica em afectos, e momentos elegantes, e amores poéticos? Então peguem em Anna e o Beijo Francês, da deslumbrante Stephenie Perkins. Este é um livro delicioso, que leva o leitor para o seio de uma das mais belas cidades da Europa, Paris. Um dos romances mais fofos e ternurentos que tive o prazer de folhear. Altamente recomendado.

Mais uma vez fugindo ao young adult e indo para um contemporâneo new adult, ou seja, direccionado a um público ligeiramente mais velho, este é um livro que tanto tem de doce quanto de amargo. Um Caso Perdido - Hopeless, de Colleen Hoover, é uma narrativa que irá surpreender pela profundidade das personagens, e pelos pormenores que a tornam especial.

Para terminar, deixo-vos Quando Éramos Mentirosos, de E. Lockhart. Quanto menos souberem sobre este livro, melhor. Sei que é difícil recomendar, como prenda ou aquisição, um livro cujo conteúdo quero manter secreto, mas acreditem quando vos digo que irão ficar bastante mais surpreendidos com esta leitura se partirem para as suas páginas sem quaisquer ideias preconcebidas do que poderão encontrar. É muito bom, com um estilo de escrita único e muito gráfico, e uma personagem principal absolutamente espectacular.


E pronto, estas são algumas recomendações que vos deixo dentro do contemporâneo YA (young adult) NA (new adult) e MG (middle grade). Espero que entre esta pequena lista se encontrem títulos que ainda não conheçam, ou ideias perfeitas para oferecerem no Natal.

Ainda esta semana publicarei as recomendações de contemporâneos adultos, romances de época e fantasia/distopia YA. Se houver mais algum género que gostariam de ver aqui no blogue, com recomendações, não hesitem em dizer.

Boas leituras & Boas Festas!

sábado, 22 de novembro de 2014

Quando a Neve Cai, John Green & Maureen Johnson & Lauren Myracle [Divulgação]


«Um livro mais que perfeito.»
The Guardian

Título Original: Let it Snow
Autoria: John Green, Maureen Johnson & Lauren Myracle
Editora: Topseller
N.º Páginas: 320
PVP.: 17,69€

Sinopse
John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle são três jovens autores, bem-sucedidos, cujos contos se entrelaçam num romance brilhante, mágico e divertido, a que não faltam fragmentos de amor, laços de amizade, uma maratona de filmes do James Bond e beijos muito apaixonados. 
Tudo acontece na noite de natal, onde uma inesperada tempestade de neve transforma uma pequena cidade num refúgio para insuspeitos encontros românticos. Três histórias, oito raparigas e rapazes e mais uns quantos caminhos vão cruzar-se em Quando a Neve Cai

«Ternurentas mas sem serem piegas, estas histórias cuidadosamente trabalhadas irão aquecer os corações dos leitores.»
School Library Journal

Sobre os autores
John Green é o autor bestseller do New Yor Times dos livros A Culpa é das Estrelas, O Teorema de Katherine, À Procura de Alaska (Edições ASA) e Cidades de Papel (Editorial Presença). É também coautor, com David Levithan, de Will e Will (Edições ASA). Foi vencedor dos prémios literários Michael L. Printz Award, Edgar Award e receber por duas vezes o Los Angeles Times Book Prize. Os seus livros já foram publicados em cerca de trinta países. 
Maureen Johnson é autora bestseller de vários livros, entre os quais se destacam The Name of the Star (nomeado para o Edgar Award), 13 Little Blue Envelopes, Devilish, Girl At Sea e Suite Scarlett. 
Lauren Myracle é autora de vários livros para jovens e jovens adultos, incluindo os bestsellers do New York Times Thirteen, ttyl (talk to you later) e ttfn (ta ta for now), da série The Internet Girls. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O Teorema Katherine, John Green [Opinião]



Título Original: An Abundance of Katherines
Autoria: John Green
Editora: ASA — Livros com Sentido
N.º Páginas: 272


Sinopse:


Dezanove foram as vezes que Colin se apaixonou.
Das dezanove vezes a rapariga chamava-se Katherine. Não Katie ou Kat, Kittie ou Cathy, e especialmente não Catherine, mas KATHERINE. E das dezanove vezes, levou com os pés. Desde que tinha idade suficiente para se sentir atraído por uma rapariga, Colin, ex-menino prodígio, talvez génio matemático, talvez não, doido por anagramas, saiu com dezanove Katherines. E todas o deixaram. Então ele decide inventar um teorema que prevê o resultado de qualquer relacionamento amoroso. E evitar, se possível, ter o coração novamente destroçado. Tudo isso no curso de um verão glorioso passado com o seu amigo Hassan a descobrir novos lugares, pessoas estranhas de todas as idades e raparigas especiais que têm a grande vantagem de não se chamarem Katherine.


Opinião:
Uma Katherine.
Duas Katherine.
Três Katherine.
...
O número mágico é dezanove, embora seja no três que se encontra a solução. É em dezanove que a sorte muda, e em dezanove que o terror ‘K’ termina. Foram dezanove as tentativas, e dezanove os erros. Dezanove as possibilidades de romance, e dezanove os estágios de sofrimento e solidão. Dezanove as Katherine, raparigas comum cuja única singularidade, a única partícula de fascínio numa fórmula sem resolução reside, precisamente, na construção do nome... Katherine. Não Catherine. Não Kathy. Mas Katherine.

Existe algo de transcendente no imaginário de John Green. Um qualquer fragmento de excelência, de perspicácia ímpar que vai muito para lá do que outros escritores do mesmo género têm a oferecer. Green é quase como uma força da natureza por si só, com uma intelectualidade fora de série e uma criatividade literária que toca o coração do leitor, que não deixa nada nem ninguém passar indiferente. Green é talentoso. Green é especial — e isso revê-se nas suas histórias que destacam as mais simples e, por vezes, efémeras fragilidades do ser humano sem, por um único instante, cair no ridículo ou no inacreditável. Green é impressionante, e talvez seja por isso, pela sua espontaneidade, pelo seu sarcasmo contagiante, que até as obras que não são tão profundas, que não levantam tanta filosofia, que não emanam tanta emoção, são igualitariamente notáveis. Este seu O Teorema Katherine não é nenhum A Culpa é das Estrelas, mas oh como ainda assim leva ao sonho, e à ambição, e ao companheirismo muito próprio do seu estilo como escritor.

Colin Singleton tem um problema, um problema grave. Com um coração que só se deixa apaixonar por raparigas de nome Katherine, é um absoluto terror quando a décima nona rejeição advém daquela que ele julgava ser a tal, daquela que ele amou como nenhuma outra. Até para Hassan, o seu melhor amigo, está claro que esta não vai ser uma recuperação fácil, e é por isso que decide ‘convidar’ Colin numa aventura que levará os dois aos confins do Tennessee, e que os marcará eternamente, tanto pelas curiosidades que a própria terra de Gutshot tem para oferecer, como pela aventura em si, pela experiência e pelas peculiaridades que ambos viverão.

Gostei bastante deste pequeno, grande romance contemporâneo — como é já habitual de algo vindo das mãos de Green — mas admito não me ter emocionado tanto quanto com outras obras do autor. Talvez tal se deva ao próprio rumo da história, esta mais propícia à narrativa de amor sem final feliz, à obsessão por se encontrar uma solução plausível, matemática até, que leve ao momento Eureka experienciado por todos os génios. Não deixa de ser um livro que toca em elementos de grande emoção, tanto positiva quanto negativa, como o bullying, a traição afectiva, religião ou sentimento de algo que está em falta. Nisso John Green é mestre. Todas as suas obras podem ter um humor característico, uma ligeireza insinuante, mas a quantidade de sentimentos que se encontram retratados, a quantidade de verdades descritas, não há como lhes fugir. John Green é imenso nessa sua particularidade, e é isso que o transforma num dos grandes nomes da actualidade.

Fica a vontade de ler o seu restante trabalho. Depois de ter percorrido A Culpa é das Estrelas — duas vezes! — e À Procura de Alaska, cresce o desejo de folhear os restantes títulos, Cidades de Papel e Will Grayson, Will Grayson, nem que seja pela quase curiosidade mórbida em ver que pequenas pérolas mais tem ele para oferecer. É que é nos pequenos detalhes que John Green brilha realmente, e isso nota-se, neste seu O Teorema Katherine, em pormenores como as notas de rodapé e o capítulo final em que a fórmula matemática de Colin, ou, por outras palavras, o teorema Katherine, é explicado ao leitor comum. Verdadeiramente impressionante.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Entre as Páginas de... #4


... O Teorema Katherine, de John Green.


John Green!, é o primeiro pensamento que me ocorre quando penso no nome Katherine. E quando junto dezanove Katherines numa só variável, O Teorema Katherine é o que surge. E que raio de teorema este é!
Vou, sensivelmente, a meio do livro. Não tenho tido muito tempo livre para ler — e aquele que estou a usar agora sei que devia de o estar a usar noutras coisas —, mas enfim. As letras da versão que estou a folhear são muito, muito pequeninas e por isso acho que a leitura não está a fluir tão bem quanto esperava. Ainda assim, é uma história de entretenimento puro e com o seu quê de extraordinário. Até ao momento, consigo dizer, sem resistências, que este não é o meu contemporâneo favorito do autor — após um À Procura de Alaska fenomenal e um A Culpa é das Estrelas brilhante, as expectativas estão bastante em alta —, mas isso ainda pode mudar! Vamos ver como corre o resto da leitura. 

P.S. — A capa da versão portuguesa é tão, mas tão linda! Adoro-a!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A Culpa é das Estrelas, John Green [Opinião]




Título Original: The Fault in Our Stars
Autoria: John Green
Editora: ASA
Nº. Páginas: 253
Tradução: Ana Beatriz Manso


Sinopse:

Apesar do milagre da medicina que fez diminuir o tumor que a atacara há alguns anos, Hazel nunca tinha conhecido outra situação que não a de doente terminal, sendo o capítulo final da sua vida parte integrante do seu diagnóstico. Mas com a chegada repentina ao Grupo de Apoio dos Miúdos com Cancro de uma atraente reviravolta de seu nome Augustus Waters, a história de Hazel vê-se agora prestes a ser completamente rescrita. 

Opinião:

Este não é um livro fácil, simples.
Não é um livro onde o mundo é pintado a cor de rosa, onde as barreiras da comunicação, da clareza e da vivência são transponíveis, são destruídas num piscar de olhos. No entanto, é, certamente, um livro marcante. Um livro que nos suspende o fôlego, que nos aperta o coração, que nos faz derramar mil e uma lágrimas rebeldes de compaixão, de dor e agonia, de revolta. Esta é uma leitura incrível, extremamente emocional, extremamente carismática na sua abordagem crua a um tema tão real, tão complexo, tão pouco falado desta forma. Uma leitura que ficará... para sempre.

A Culpa é das Estrelas trata-se de uma narrativa transcendente sobre um pequeno grupo de personagens peculiares, invulgares em coragem e determinação, que batalham, diariamente, contra o alastrar de um mal real, de um mal perceptível, corrosivo. Pungente, emotiva e primorosa, esta é uma obra audaz no que diz respeito à perspectiva oferecida ao leitor, por parte de um autor ousado e supremamente inteligente, e sensitiva pela carga emocional que transmite, que perdura ao longo de todo o folhear das páginas, umas vezes camuflada por atitudes destemidas, outras bem à frente dos olhos em acções compassivas, mas sempre, sempre presente.
John Green, atrevo-me a dizer, escreve com o coração, mexe com os sentimentos e brinca com a ironia das situações mais críticas, dos momentos mais graves, instantes ténues, que se atravessam no longo – embora, por vezes, algo curto – caminho que é a vida. Green não simplifica, Green não esconde, somente opta por outras vias, percorre outras estradas, outras linhas de pensamento, de descrição, de diálogo para ir de encontro, isso sim, a um final comum que se mostra absolutamente extraordinário.

As mais insólitas surpresas são aquelas que se encontram mesmo ao virar da esquina ou, neste caso em particular, no interior de um Grupo de Apoio aos Miúdos com Cancro. E a única forma de nos passarem ao lado, de as perdermos, a essas oportunidades sem igual, é se nos recusarmos a olhar. Se insistirmos em não sentir, se acreditarmos imperiosamente de que não somos merecedores delas. Durante parte da leitura, foi assim que encarei Hazel – uma jovem excepcional, de uma inteligência apaixonante, que não se deixava abrir, que não deixava ninguém entrar com medo de se tornar um estorvo emocional. Mas Augustus é de uma beleza intelectual incrível, e os seus encantos, o seu dom de excelência com a palavra, foram a ruptura no casulo de Hazel, de onde emergiu a mais bela, generosa e nobre das borboletas. Nunca antes percepcionei um amor assim, tão intenso e acolhedor, tão comovente e frágil, e essa, essa sim é a essência de todo este livro.

Há que sorrir face as enfermidades da vida. Persistir nos sonhos que escondemos dos outros. Acreditar que podemos ser melhor, que podemos ter esperança. Amar como se o amanhã não existisse, como se fosse o último instante no tempo e... viver. Principalmente, viver, mesmo quando a dor é demasiado forte, mesmo quando a doença leva de arrasto o que mais nos completa, mesmo quando continuar parece impossível...
A persistência de Hazel, a revolta de Isaac, a explosão de estrelas que é Augustus, em conjunto com o desespero dos pais, o abandono dos amigos, são somente alguns dos elementos que ficarão gravados no meu coração e, com certeza, também nos daqueles que se atreverem a dar uma oportunidade a este romance. Não pensem que este é um livro sobre cancro... acreditem que esta é uma história sobre sobreviventes, sobre um amor estelar, sobre amizades inestimáveis, sobre vidas cujo propósito é persistir, aceitar e amar.

Não consegui evitar chorar no decorrer desta leitura, assim como não consegui evitar sorrir, gargalhar. John Green é, verdadeiramente, um escritor especial, um escritor abrasivo, inteligente, perspicaz, e com um sentido de oportunidade e de humor tão «no ponto» que quase, quase, se torna irrisório ler o que seja após uma obra sua. À Procura de Alaska fez-me apaixonar e valorizar o conceito de amizade, A Culpa é das Estrelas deixou-me, simplesmente, de rastos. E, confesso ainda, que pela primeira vez fui assolada por uma vontade irresistível de voltar a percorrer as páginas e os contornos de um livro, deste livro... algo que nunca antes aconteceu.

Uma aposta sublime, inesquecível, enternecedora por parte da Livros com Sentido, num autor que não só é um fenómeno, como escreve sobre temas importantes, temas profundos sobre e para pessoas. Para mim, um dos melhores romances do ano... num livro deveras impressionante e que, dificilmente, irei esquecer. Brilhante.

quinta-feira, 29 de março de 2012

À Procura de Alaska, John Green [Opinião]



Título Original: Looking for Alaska
Autoria: John Green
Editora: ASA
Nº. Páginas: 247
Tradução: Ana Beatriz Manso


Sinopse:

«Na escuridão atrás de mim, ela cheirava a suor, luz do sol e baunilha, e, nessa noite de pouco luar, eu pouco mais podia ver além da sua silhueta. Mas, mesmo no escuro, consegui ver-lhe os olhos – esmeraldas intensas. Era linda!»
Alaska Young. Lindíssima, inteligente, divertida, sensual, transtornada... e completamente fascinante. Miles Halter não podia estar mais apaixonado. Mas, quando a tragédia lhe bate à porta, Miles descobre o valor e a dor de viver e amar incondicionalmente.
Nada mais será o mesmo.


Opinião:

Quando o coração bate mais forte, há todo um novo e misterioso destino a cumprir. Pessoas que se conhecem, amizades que se afirmam, relações que amadurecem, laços que são quebrados, amores que são testados e muitas, muitas experiências que sofrem a primeira linha de contacto. Mas nem todos esses momentos etéreos, que nos transcendem, numa constante, para um outro plano da vida, são pontuados pela folia da alegria. Muitas vezes, esses pequenos pormenores que nos escaparam inconscientemente, transformam-se em recordações eternizadas quando a desgraça, o desalento e a dor nos batem à porta e, sem pedir licença, nos invadem por dentro.

À Procura de Alaska é, certamente, uma das leituras mais emocionais e verdadeiramente apaixonantes que tive o prazer de folhear este ano – e desde há muito tempo, também. Não existem palavras fortes e duras o suficiente para descrever a magnificência, o deslumbramento e o profundo realismo que este aparentemente simples enredo provocará no leitor, ao longo das suas páginas. A história é poderosa, as personagens dotadas de uma fieldade impressionante e os vários contornos que a própria trama sofre no seu desenvolvimento são de uma intensidade fora do comum. John Green conseguiu, juntando pequenas e soltas peças de um intricado jogo de emoções, formar um puzzle que não só provocará o leitor com as suas tropelias e descobertas, como o deixará estarrecido face a energia e sentimento puro que alberga e, invariavelmente, transmite por toda a sua leitura.

Cada uma a seu nível, todas as personagens que provocam, nesta narrativa, situações de divertimento sufocante e sofrimento devastador são importantes e marcantes para o leitor. Umas destacam-se pela responsabilidade dos eventos desencadeados, outras pela forma como conduzem o leitor ao cerne da questão mas, no seu conjunto, todas elas formam uma união singular e indubitavelmente real e próxima para quem as lê. Assim, enquanto Miles dirige o caminho a seguir, apaixonando-se pela pessoa mais inconstante e intelectualmente atraente que poderia encontrar, Alaska deixa-se levar pelas inconstâncias e perguntas sem resposta que constituem o linear da vida, acabando por se deixar levar precisamente por uma delas. Em contraste, temos um Chip “Coronel” que, mesmo com todos os seus defeitos, é capaz de uma amizade fora de série e um Dr. Hyde – para mim, uma personagem deveras especial – que, com toda a sabedoria que a sua velha idade possui, transmite os mais poderosos ensinamentos. A verdade é que adorei a interacção entre os vários intervenientes, e a forma magnífica como cada um deles complementa o outro. Um leque extraordinário e memorável de personalidades, primado pela distinção entre cada uma delas, que conduzem o leitor a uma leitura sôfrega e emocionante.

A própria estrutura do enredo foi uma surpresa. Sem capítulos significativos mas divido em quantidade de dias antes e depois da ocorrência que arrebatará as personagens principais desta história, sem dúvida de que se tratou de uma forma curiosa de descobrir o desenrolar dos acontecimentos. Talvez por isso, me tenha sido tão complicado parar de ler... ou talvez tal se deva ao estrondoso estilo de John Green que, numa linguagem incrivelmente acessível e eficiente, faz as delicias tanto de um público mais jovem que encontra aqui algumas realidades do seu passado – ou que vê à sua volta –, como de um leitor adulto que, incondicionalmente, não conseguirá resistir a uma narrativa tão comovente quanto inteligente – as várias passagens das últimas palavras que uma série de indivíduos proferiu às portas da morte, assim como o discurso de Dr. Hyde são impressionantes nesse sentido.

Ainda antes de terminar, tenho de dizer que este livro não agradará somente pela belas palavras que o preenchem, ou pelas personagens que lhe dão vida, nem mesmo pela história que o impulsiona... este livro agradará também pelos temas morais, íntimos e sociais que aborda. Desde a incógnita que caracteriza a morte, ao sofrimento de não se saber como um dado acontecimento de extrema importância ocorreu, passando pela perda de um amor e de uma fiel amiga, às tropelias rebeldes de um grupo de adolescente e até ao forte laço de amizade incondicional que mostra. Como estas mencionadas, muitas outras temáticas interessantes e actuais embalam este livro numa melodia que se faz sentir a cada palavra, cada frase, cada página.

Esta será uma obra que o acompanhará por muito tempo, que o levará a desejar devorar novamente e que quererá aconselhar aos seus amigos, familiares e, quem sabe, conhecidos. Uma história extraordinária sobre algo perfeitamente comum mas que, às vezes, se revela difícil de encontrar, perceber, aceitar. Uma narrativa sobre pessoas, sobre sentimentos, sobre como uma vida inteira pode mudar na fracção de um único segundo. Sem dúvida, um livro que guardarei com fervor e que, infelizmente, à primeira vista passa totalmente despercebido.
Uma excelente aposta da ASA, como tem sido hábito, que uma vez mais apresenta, na forma de ficção, toda uma série de «relatos» e acontecimentos passíveis de acontecer. Recomendo vivamente.


«As últimas palavras do pregador oitocentista Henry Ward Beeche foram: “Agora vem aí o mistério.” O poeta Dylan Thomas, que gostava tanto de uma bebida como Alaska, pelo menos disse, antes de morrer: “Bebi dezoito uísques de seguida. Creio que é um recorde.” O favorito de Alaska era o dramaturgo Eugene O’Neill: “Nascido num quarto de hotel e – que diabo – falecido num quarto de hotel.” Até as vítimas de acidentes de viação tinham, por vezes, tempo para últimas palavras. A princesa Diana disse: “Oh, meu Deus. O que é que aconteceu?” A estrela de cinema James Dean disse: “Eles estão a ver-nos, de certeza”, antes de embater com o seu Porsche num outro carro. Conheço tantas últimas palavras. Mas nunca saberei quais foram as dela.», - pág. 161
2009 Pedacinho Literário. All Rights Reserved.