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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Páginas Percorridas em Março [Aquisições]

E estamos em força três meses seguidos! 


Este balanço vem um bocadinho tarde – eu sei – mas atrevo-me a dizer que foi um dos melhores meses do ano em termos de leituras. Li bastante e com qualidade. Terminei uma trilogia que é, agora, uma das minhas favoritas de sempre, e peguei em mais três livros que há muito vinham a deixar-me curiosa
Resumindo, foram percorridas 5 histórias este mês, sendo que mal posso esperar por descobrir os caminhos finais de uma delas e a continuação das outras duas. 

Vamos lá, então, ao balanço do mês... 

Novos na Estante


Março foi, como podem ver pela foto, um mês Planeta Manuscrito. Estou absolutamente radiante com a maioria das futuras leituras que vêem na imagem. 
Destaque para a trilogia Uma Noite, de Jodi Ellen Malpas, que vem concluir as obras da autora cá em casa, com A Promessa, Rejeitada e Revelação. Dentro do romance erótico dizem que Ellen Malpas é rainha por isso, deste lado, a vontade é imensa em pegar nesta trilogia. 
Destaque também para Mais Maldito Karma, de David Safier. Adoro este autor e pelo que me dá a entender o título, parece que este é uma espécie de continuação daquela que é a minha obra de eleição de Safier. Estou ansiosa! 
Finalmente, e porque sou uma fã do universo de J. K. Rowling, tenho de referir Harry Potter – O Livro de Colorir. Este é daqueles que me vai acompanhar nos próximos tempos, antes da estreia de Harry Potter and the Cursed Child no teatro. 


Confesso que adorei este mês de aquisições. Tenho mais livros do que tempo mas tudo o que chegou é do meu inteiro agrado. 
Desta foto destaco Animorphia porque andava super curiosa com este livro de colorir – há quem diga que é o melhor que se encontra actualmente no mercado. 

Páginas Percorridas


Uma Chama Entre as Cinzas, Sabaa Tahir (Opinião)
Quando as Estrelas Caem, Amie Kaufman & Meagan Spooner 

As leituras em português foram somente duas e tenho a dizer que embora tenha  gostado de ambas, nenhuma foi verdadeiramente extraordinária. Estou na expectativa em relação às continuações e sei que vou querer pegar nelas assim que forem lançadas mas... não me convenceram por completo. 


World After, Susan Ee
Golden Son, Pierce Brown (Opinião)
Morning Star, Pierce Brown (Opinião

Os grandes favoritos estão nas leituras em inglês. Golden Son e Morning Star, de Pierce Brown, foram leituras excepcionais, de uma invulgaridade gigantesca e de um fascínio incomparável. Apaixonei-me por estas personagens e por este autor e sei que Brown será sempre presença obrigatória na estante. 
Quanto a World After, de Susan Ee. Tenho a confessar que gostei mais de Angelfall, mas esta não foi, de todo, uma leitura má. O mundo continua interessante e apelativo e adoro as várias nuances de Raffe. 

O Eleito do Mês


Acho que está bastante claro qual vai ser o meu eleito de Março. Quero muito escolher os dois romances de Brown mas como tenho feito um esforço para somente eleger uma obra a favorito do mês, destaco então Golden Son, pelo simples facto de que o final deste livro é de levar uma pessoa à loucura. Literalmente. 

Literaturas Diversas

Com livros de tamanhos consideráveis este foi um daqueles meses em que por mais que quisesse ir deixando algumas curiosidades por aqui me foi absolutamente impossível. Assim, fica mais uma Revelada a Capa, de uma novidade que estou ansiosa pelo lançamento. Adoro Colleen Hoover. 


Próximas Aventuras 



Deixo por aqui somente uma capa e uma promessa de opinião porque nesta altura já sei o quão desastroso foi Abril e por isso não vale a pena sonhar assim tão alto... Viagem à Procura de Mim, de David Arnold será a próxima opinião. 

sábado, 23 de abril de 2016

A Rainha de Tearling, Erika Johansen [Divulgação]

«Erika Johansen combina com mestria colares mágicos, intriga política, questões de honra, personagens bem construídas e um pouco de mistério numa história empolgante e inspiradora.»
Booklist

Título: A Rainha de Tearling
Título Original: The Queen of the Tearling
Autoria: Erika Johansen
Editora: Editorial Presença
Colecção: Via Láctea, N.º 133
N.º Páginas: 400
PVP.: 19,95€

Sinopse
Durante dezoito anos, o destino de Tearling ficou nas mãos do Regente, manipulado pela Rainha Vermelha, uma feiticeira implacável que governa o reino vizinho de Mortmesme. Porém, Kelsea Glynn, sobrinha do Regente, é a legítima herdeira do trono. Quando completa dezanove anos, está pronta para reclamar o que é seu - e assim regressa do exílio com o objectivo de tornar Tearling um reino livre de pobreza, opressão e escravatura. Mas Kelsea é jovem, ingénua e cresceu longe da corrupção e dos perigos que assolam o reuno. Cedo lutará pelo trono e pela própria sobrevivência, num caminho de crescimento em que aprende a lidar com uma herança muito pesada. 

Será Rainha se sobreviver para reclamar o trono.

Sobre a autora
Erika Johansen nasceu em São Francisco. Estudou Direito no Swarthmore College. Tirou o mestrado no Iowa Writers Workshop. Exerceu advocacia mas sempre quis ser escritora. A Rainha de Tearling é o seu primeiro romance, encontrando-se em tradução para mais de 25 países. Os direitos cinematográficos foram adquiridos pela Warner Brothers. 
Erika Johansen vive em Inglaterra. 

«Uma leitura emocionante. Erika Johansen constrói uma história intensa, com muita acção e personagens fascinantes.»
New York Post

domingo, 10 de abril de 2016

Uma Chama entre as Cinzas, Sabaa Tahir [Opinião]




Título Original: An Ember in the Ashes
Autoria: Sabaa Tahir
Série: An Ember in the Ashes, #1
Editora: Editorial Presença
Colecção: Via Láctea, N.º 132
N.º Páginas: 384

Sinopse
Conseguirão Elias e Laia fugir à sua própria sorte?
Elias pertence aos Ilustres, as famílias da elite do Império. Desde os seis anos que treina na Academia Militar de Blackcliff para se tornar um dos soldados mais implacáveis ao serviço dos Marciais.
Laia pertence aos Eruditos, um povo oprimido pelo jugo firme dos Marciais. Quando o seu irmão é preso e acusado de traição, Laia procura a ajuda da Resistência. Em troca, tem de se infiltrar como escrava em Blackcliff.
Quando se conhecem, Elias e Laia percebem que as suas vidas estão interligadas — e que as escolhas de ambos podem mudar o destino do Império.
Este mundo ricamente detalhado, com traços da Roma Antiga, é o palco de uma aventura empolgante que tem cativado milhares de leitores.


Opinião
Com um lugar de destaque na lista de futuras leituras, este foi um daqueles romances do fantástico que mal podia esperar por devorar. As expectativas estavam um pouco altas, muito devido aos comentários positivos espalhados por aí, e a vontade em me deixar embrenhar num estilo quase romano, quase místico, de academias e escravos, de revoluções e criaturas assombrosas, era mais do que intensa e sufocante... pelo que, simplesmente, não resisti a deixar-me levar pelas vidas marcadas de Laia e Elias. 

Uma Chama entre as Cinzas é, então, uma obra de enorme adrenalina, onde se nota o cuidado que Sabaa Tahir teve no desenrolar da acção, no desencadeamento dos vários acontecimentos chave, e no tecer do destino de cada uma das suas personagens. Não livrou Laia e Elias de sofrimento desenfreado e de medo crónico, mas deixou sempre em aberto uma réstia de esperança, uma luz ao fundo do túnel, que lhes permitisse ganhar forças de modo a lutar contra uma Comandante de mão pesada e um Regime baseado no controlo e na hierarquia. 

Esta é uma obra a duas vozes – e sobre duas realidades em tudo diferentes mas que se unem no propósito e no desejo de liberdade e justiça. Laia representa os Eruditos, uma facção que outrora deteve força e conhecimento mas que neste momento somente sobrevive num mundo demasiado árduo, enquanto Elias mostra o poder dos Marciais, enquanto um dos mais promissores Máscara de Blackcliff. Para Laia, Elias é o inimigo, um igual ao que roubou a sua família, ao que emprisionou o seu irmão; e para Elias, Laia é um refúgio onde a esperança ainda existe. 

De entre os dois protagonistas, para mim foi Elias quem se destacou – mostrando uma presença mais forte e robusta, um intelecto um pouco menos coerente de modo a criar mais conflito, e um crescimento que afectou um leque mais vasto de intervenientes. Porém, foi com algum pesar que no final da leitura me apercebi que não me foi possível verdadeiramente ligar a nenhuma das personagens. Entendo os seus objectivos, aceito as suas acções, mas não existe uma sintonia entre mim, enquanto leitora, e eles, enquanto protagonistas, que me leve a recear e a sofrer horrores sobre as teias que se foram tecendo ao longo da narrativa – e sobre os possíveis acontecimentos que possam resultar como consequência da recta final de Uma Chama entre as Cinzas

Adorei, no entanto, a ambiência criada por Sabaa Tahir. A imposição e opressão de Blackcliff, a decadência e desleixo de uma sociedade empobrecida e em ruína, o misticismo de criaturas que somente são realidade nos contos de fadas – ou nos pesadelos –, e a sensação dúbia, de mistério, de suspeita da Resistência, do seu propósito e papel neste mundo tão maior que eles. 
Os testes captaram, por completo, a minha atenção. Gostava, contudo, que a autora lhes tivesse dedicado mais tempo e páginas. Penso que um ou outro foram resolvidos de forma demasiado breve, enquanto que se Tahir lhes tivesse conferido mais detalhes e ‘importância’, todo o acontecimento em si poderia ter atingido proporções épicas. 

No final de contas fica a vontade de ler o segundo volume da série, A Torch Against the Night, e a curiosidade pelo que está para vir uma vez que Uma Chama entre as Cinzas terminou num ponto marcante da história, onde tudo pode mudar a qualquer momento. Porém, nota-se que esta é uma obra estreante e que a autora tem ainda um bom caminho a percorrer – nomeadamente no que diz respeito ao desenvolver mais pormenorizado de certos instantes narrativos e na ligação emotiva entre personagens e entre protagonistas e leitor. Ainda assim, uma obra bastante diferente e com uma abordagem curiosa e interessante à fantasia young adult – um dos meus géneros favoritos. 



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segunda-feira, 21 de março de 2016

O Filho Dourado, Pierce Brown [Opinião]




Título Original: Golden Son 
Autoria: Pierce Brown
Série: Red Rising, #2
Editora: Editorial Presença
Colecção: Via Láctea, N.º 131
N.º Páginas: 480

Sinopse
Nascido Vermelho, Darrow trabalhava nas minas de Marte, suportando a dureza do trabalho enquanto sonhava com um mundo mais justo, uma sociedade livre da intriga e dos jogos de poder.
Os Dourados, que escravizam e oprimem os restantes, só podem ser derrotados por uma rebelião das castas. Mas para que tal aconteça foi necessário que Darrow se tornasse num Dourado e, uma vez infiltrado, promovesse a revolta.
Neste tão esperado segundo volume da trilogia Alvorada Vermelha, Darrow, agora um Dourado, vê-se confrontado com novos desafios.
O seu sucesso atrai inimigos terríveis que usam a intriga e a política como arma. Porém, Darrow está determinado a defender o amor e a justiça, ideais seguidos por Eo, apesar de se saber rodeado por adversários sem escrúpulos que pretendem eliminá-lo.


Opinião
Oh. Meu. Deus. 
Uau. Simplesmente – uau! 
Não me lembro da última vez que um livro me deixou em absoluto desespero – incapaz de encontrar as palavras certas, incapaz de coerência, incapaz de pensar sequer; somente sentir, sentir na pele o medo, e a ânsia, e a surpresa, e o desassossego de um futuro que se escreve por linhas tortas e onde a morte, e o sangue, e a intriga política, e a incerteza reinam. Neste momento, tanto odeio Pierce Brown – por todo o sofrimento, pelo arrojo e destreza constantes – como o amo, profundamente, e em igual medida, precisamente pelas mesmas razões. É de génio. Toda a obra é de génio e o suspense final, aquele instantes quebrados no tempo, em que tudo pareceu impossível, é de levar qualquer leitor à loucura – a minha insanidade é tanta, e tão profunda, que tive de me atirar, de imediato, a Morning Star. 

Por se tratar de uma sequela, não vou entrar em pormenores sobre os desenvolvimentos retratados em Golden Son, até porque, e mais uma vez, continuo crente na máxima de que os livros de Pierce Brown são melhor saboreados quando devorados sem grandes ideias quanto ao seu conteúdo. No entanto, posso dizer que a história retoma dois anos após os acontecimentos de Red Rising – e quase como se tivesse caído bem no centro de algo que já tomou consistência proporcionando assim uma abertura explosiva ao mundo espacial de Brown. 
Ao contrário de Red Rising que, a meu ver, tem uma veia mais fantástica, Golden Son mostra uma ficção científica devastadora e intricadamente trabalhada. Grande parte do livro tem lugar no espaço, dentro de naves espaciais, e em modo batalha, e isso foi, não só, uma agradável surpresa como um crescimento narrativo e pessoal – do autor – que me deu imenso prazer folhear. 

As personagens continuam a alma viva desta trilogia. 
Darrow, que outrora foi venerado e colocado num pedestal luminoso e dourado, vê-se em Golden Son fruto de situações que o tornam mais humilde, e mais corajoso, e mais centro da sua mortalidade – ainda que a face imortal seja forte, e aliciante. Gostei bastante de ver o seu desenvolvimento enquanto protagonista, e das várias facetas, nuances e rasgos de personalidade que vai mostrando ao longo das páginas. A sua evolução não é linear, muito pelo contrário, e talvez por isso mesmo me sinto tão fascinada por ele, pela sua constante lembrança de Eo, pela sua robusta crença em se viver por mais, em se quebrar as correntes, e em acreditar que até os Dourados possuem lealdade, e amizade. 

Roque deu lugar a Sevro como o brilho dos meus olhos e esse favoritismo tomou proporções gigantescas com Golden Son. As suas tiradas são brilhantes – do melhor que vi neste género em termos de diálogo –, as suas origens de apertar o coração e a sua relação com Darrow, transcendente. Continuo meio que encantada por Roque mas neste momento o que quero descobrir, sobre a sua pessoa, é o que raio se lhe passou pela cabeça! E Victra – também gosto muito de Victra e estou meio que a fazer figas para que algo extraordinário e surpreende – bem ao estilo de Brown – aconteça no que a ela diz respeito. E ainda o Adrius – nunca pensei vir a simpatizar com personagem tão misteriosa e genuinamente malévola mas raios que o Brown deixou-me a sentir-me pequenina para depois me arrancar o coração do peito. 

A verdade é que poderia escrever páginas, e páginas, e mais páginas de texto sobre Golden Son. Adorei cada momento, cada reviravolta, cada murro no estômago. Pierce Brown é excelente na palavra escrita mas o seu verdadeiro dom reside na perspicácia que confere aos seus enredos. Red Rising foi excepcional e arrasador, com revelações inesperadas e intrigas políticas bem trabalhas, mas Golden Son alcançou todo um outro nível. Em termos de cenários, confesso que prefiro as terras áridas – e não só – de Marte, mas no que diz respeito a trabalho de enredo, e construção da narrativa, Golden Son é ouro – ouro puro. Não vale a pena teorizar sobre estes livros – Brown é assustadoramente genial na construção do seu enredo e tendo em conta o final de Golden Son, tendo em conta as linhas que encerram este livro, assim como os pequenos pormenores sobre o segredo de Eo, e as origens de Sevro, e a identidade de Ares, e a loucura do Adrius (The Jackal) – não resisti a prosseguir viagem com Morning Star. Aviso de amiga: Golden Son  é impróprio para cardíacos por isso preparem-se. Preparem-se!

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quinta-feira, 10 de março de 2016

Alvorada Vermelha, Pierce Brown [Opinião]




Título Original: Red Rising 
Autoria: Pierce Brown 
Série: Red Rising, #1
Editora: Editorial Presença
Colecção: Via Láctea, N.º 120
N.º Páginas: 400

Sinopse
Passa-se numa altura em que a humanidade começou a colonizar outros planetas, como Marte. Darrow é um jovem de 19 anos que pertence à casta mais baixa da Sociedade, os Vermelhos, uma comunidade que vive e trabalha no subsolo marciano com a missão de preparar a superfície do planeta para que futuras gerações de humanos possam lá viver. No entanto, em breve Darrow irá descobrir que ele e os seus companheiros foram enganados pelas castas superiores. Inspirado pelo desejo de justiça, Darrow irá sacrificar tudo para se infiltrar na casta dos Dourados… e aniquilá-los!


Opinião
Não existem, realmente, palavras para descrever a intensidade, a força, a valentia e a constante guerra de sentimentos e emoções que é este livro. Red Rising foi uma das minhas leituras favoritas de 2014, e com o recente lançamento da recta final da trilogia no original, e o meu conhecimento, frente a frente, com Pierce Brown, não resisti a relembrar esta extraordinária história de intriga e estratégia, revolta e submissão. A minha mais recente experiência com esta obra foi, portanto, uma releitura e deixem-me que vos diga que se antes pensava ter adorado esta narrativa, neste momento encontro-me ainda mais impressionada, e cativada, e oh tão mortinha por saber mais sobre esta trilogia – e este volume inicial em particular. 

Não vou entrar em pormenores no que diz respeito ao mundo retratado. Quero que embarquem nesta aventura sem impressões de segundos e opiniões de terceiros, pois só assim sofrerão aquele impacto quase sufocante ao se encontrar algo narrativamente excepcional. 
Pensem que a escrita é maravilhosa – intricada, poética, arrasadora. Ainda assim, e talvez por isso mesmo, este não é um livro fácil. Trata-se de uma leitura que poderá ter alguns percalços no caminho, com uma ou outra confusão aqui e ali, e um começo dedicado à criação de um ambiente opressivo mas obediente, como que uma oferta ao leitor do que está para vir. 

As personagens são absolutamente impressionantes – e possantes também –, verdadeiras pérolas da criação que de modo profundo enriquecem o enredo. Darrow é um protagonista de peso; uma figura que caso se eliminasse todo o seu diálogo interior poderia impressionar o mais forte dos corações. Todo ele é garra, e raiva, e ódio por um mundo que lhe mentiu, que o escravizou, mas também é amor, pela família que perdeu, pela justiça que procura, pela instabilidade que pode provocar numa sociedade elitista regida pela meritocracia mas cujos podres se encontram fortemente enraizados e onde os conhecimentos, e o nome, para além da cor, ainda vale demasiado. 
Depois temos intervenientes um pouco mais secundários mas vitais para o desenvolvimento da trama, e igualmente estupendos, como Mustang, Sevro e até mesmo Pax e Cassius. Adorei, por completo, todos os elementos personificados de Red Rising, os bons e os maus, mas Roque e Sevro destacam-se sobremaneira enquanto o Jackal deixa aquela sensação de desconforto, de algo iniciado mas não acabado, de uma malícia e loucura pessoal que poderá – e certamente irá – arrasar os acontecimentos dos próximos dois volumes. 

Este é um livro político e nisso Pierce Brown é mestre. Dizem que é uma mistura de Os Jogos da Fome com A Guerra dos Tronos mas, para mim, Red Rising é algo inteiramente diferente, um mundo seu, único, singular, que pega em temáticas fortes e históricas e lhes dá um twist inesperado. Com fortes influências da Grécia antiga, a nível mitológico e cultural, e com momentos de brilhantismo puro – como, por exemplo, o pormenor da gravidade de Marte que faz com que a morte por enforcamento seja particularmente pessoal, a Passagem no Instituto, o cerco à Casa de Minerva, e a ilusão de Pluto que se fez passar por Jupiter –, Red Rising é aquele livro que oferece muito mais a um público adulto e sequioso por algo genuinamente diferente. Não se deixem levar pela label de young adult, a única coisa jovem adulta neste livro é a idade de Darrow, 16, que numa sociedade onde os Reds, a sua cor, morre antes dos 40, não pode ser totalmente considerado um jovem... mas sim um adulto.

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terça-feira, 8 de março de 2016

Uma Chama Entre as Cinzas, Sabaa Tahir [Divulgação]

«Um romance inquietante que nos lembra o que significa ser humano, e que demonstra como a esperança sobrevive à opressão e ao medo.»
The Washington Post 

Título: Uma Chama Entre as Cinzas
Título Original: An Ember in the Ashes
Autoria: Sabaa Tahir
Editora: Editorial Presença 
Colecção: Via Láctea, N.º 132
N.º Páginas: 384
PVP.: 18,50€

Sinopse
Elias pertence aos Ilustres, as famílias de elite do Império. Desde os seis anos que treina na Academia Militar de Blackcliff para se tornar um dos soldados mais implacáveis ao serviço dos Marciais. 
Laia pertence aos Eruditos, um povo oprimido pelo jugo firme dos Marciais. Quando o seu irmão é preso e acusado de traição, Laia procura a ajuda da Resistência. Em troca, tem de se infiltrar como escrava em Blackcliff. 
Quando se conhecem, Elias e Laia percebem que as suas vidas estão interligadas — e que as escolhas de ambos podem mudar o destino do Império. 

«Uma Chama Entre as Cinzas põe Sabaa Tahir ao lado de nomes como J. K. Rowling. É viciaste como Os Jogos da Fome, combinado com a fantasia de Harry Potter e a brutalidade de A Guerra dos Tronos.»
Public Radio International 

Sobre a autora
Sabaa Tahir cresceu no deserto de Mojave, na Califórnia. Devorava romances fantásticos, os livros de banda desenhada do irmão, e tocava guitarra. Começou a escrever Uma Chama Entre as Cinzas enquanto trabalhava à noite na redacção de um jornal. Actualmente vive em São Francisco com a família. Uma Chama Entre as Cinzas integrou as listas de bestsellers do New York Times e USA Today, encontra-se vendido para 30 países e os direitos cinematográficos foram adquiridos pela Paramount. 

sábado, 5 de março de 2016

As Páginas Percorridas em Fevereiro [Aquisições]

Parece que este ano a ‘coisa’ está a correr bem... 


Fiquei bastante contente com o progresso de leitura do mês passado – Janeiro. A meta para este ano é relativamente pequena e isso deve-se, principalmente, a um projecto no qual espero me poder focar muito em breve e que ocupará grande parte do meu tempo livre. Assim, há que fazer os possíveis e impossíveis por se ler mais e melhor nestes meses que antecedem – e, chegando ao final de Fevereiro, fica a felicidade de mais um objectivo literário cumprido. 
Resumindo, foram percorridas 7 histórias este mês, sendo que uma delas foi em formato electrónico e outra uma releitura que veio abrir as portas para uma maratona estrondosa de uma das minhas – já – trilogias favoritas de todo o sempre. 

Vamos lá, então, ao balanço do mês... 

Novos na Estante 


Em Fevereiro tentei conter-me e realmente só investir em livros que quero muito ler ou que verdadeiramente despertam a minha curiosidade. 
Destaque para Mais Um Dia, de David Levithan, sequela de A Cada Dia e que eu já tive o prazer de ler – e adorar! – mas ainda sem opinião no blogue. Estou muito expectante em relação a esta continuação complementar pelo que espero passar os meus olhos por ela muito em breve. 
Destaque também para O Quarto de Jack, de Emma Donoghue. Vi o filme recentemente e tenho a dizer que tocou-me sobremaneira pelo que fiquei com curiosidade para ler o livro – no entanto, não será aventura para já. 
Uma pequena menção ainda para Viagem à Procura de Mim, de David Arnold, principalmente agora que já o li. Chamou-me a atenção no original e por isso não resisti quando vi a sua publicação em território nacional. 


Primeira parte das compras estrangeiras nos passados meses. 
Destaque em absoluto para Morning Star, de Pierce Brown. Tive o enorme prazer de conhecer o autor recentemente e devo dizer que esta foi quase uma compra impossível. Estou muitíssimo feliz de a juntar à restante colecção e é a minha leitura do momento – fenomenal!
Destaque ainda para The Sin Eater’s Daughter, de Melinda Salisbury. Sou completamente apaixonada por esta capa e o conceito do livro intriga-me. Já andava de olho nele há bastante tempo e com a publicação da continuação para breve, confesso que não resisti. 
Em último lugar, destaque para Illusions of Fate, de Kiersten White. Esta é a autora do muito antigo Paranormalidade, editado pela Planeta, e desde então que tenho sofrido horrores em  busca de mais histórias desta autora. A escolha recaiu neste pequeno grande menino, que para além de ser um stand alone, dizem ser um dos melhores da escritora. 


Nesta segunda parte, destaque para A Wicked Thing, de Rhiannon Thomas. Este é um retelling d’ A Bela Adormecida após o ‘E viveram felizes para sempre.’ Adoro os meus retellings e não resisti à capa e à sinopse deste em particular – nota-se uma vez que Of Beast and Beauty, de Stacey Jay, é, também, um retelling, mas este d’ A Bela e o Monstro. 
Destaque ainda para November 9, de Colleen Hoover. Hoover é uma das minhas autoras de eleição pelo que ando a ver se adquiro – e leio! – todas as suas obras. Mais palavras para quê!?
E, finalmente, All The Light We Cannot See, de Anthony Doerr. Muita curiosidade em relação a este livro mas, infelizmente, não conto pegar nele em breve uma vez que penso este ser uma daquelas leituras em que é necessária uma certa pré-disposição que me falta neste momento. 

Páginas Percorridas


Cartas de Amor aos Mortos, Ava Dellaira (Opinião)
Viagem à Procura de Mim, David Arnold
Casamento de Conveniência, Jennifer Probst (Opinião)
P.S. Ainda te Amo, Jenny Han (Opinião)
Endgame 2 – A Chave do Céu, James Frey & Nils Johnson-Shelton (Opinião)

Estas foram as leituras em português e deixem-me que vos diga que temos aqui um leque bastante diversificado. Das cinco aventuras pelo contemporâneo e pela fantasia do YA, destaco Viagem à Procura de Mim, de David Arnold – pela surpresa que foi, pela escrita belíssima e pela veia humorística e quase transcendente, extraordinária, que o livro transmite –, e P.S. Ainda te Amo, de Jenny Han – porque adorei o anterior e gostei ainda mais deste, e porque simplesmente me encheu as medidas. 


Red Rising, Pierce Brown 
Attachments, Rainbow Rowell (Opinião

Nas leituras em inglês, destaco somente Red Rising, de Pierce Brown. A primeira vez que li esta história fui inundada por uma imensidão de sentimentos que nem consigo bem explicar – e a segunda experiência foi igual. Adorei cada instante, cada intriga, cada surpresa, cada palavra. Um dos melhores livros de sci fantasy que tive o prazer de ler. 

O Eleito do Mês 


Gostei muito das três leituras que nomeei anteriormente, por diversas razões, pelo que eleger somente uma é tarefa mais do que difícil. Parte de mim quer nomear Red Rising, por razões mais do que óbvias – para quem já leu este livro – mas sinto que Brown vai figurar em Março pelo que gostava de dar oportunidade a outra história. P.S. Ainda te Amo esteve muito, muito perto de alcançar este lugar, por ser uma daquelas narrativas fofinhas e que aquecem o coração, mas vou escolher Viagem à Procura de Mim, de David Arnold. Uma estreia absolutamente genial. 

Literaturas Diversas

Fevereiro foi um mês muito pouco diversificado em termos de publicações. Quase todo o tempo disponível foi dedicado à leitura pelo que só houve espaço para divulgações, opiniões e pouco mais. Ainda assim, foram reveladas mais duas capas que me deixam completamente a babar pelo que vale a pena espreitarem nos links em baixo, se ainda não o fizeram. 

Revelada a Capa #4 – A Million Worlds With You, Claudia Gray
Revelada a Capa #5 – Frost Like Night, Sara Raasch 

Próximas Aventuras 

   

Tenho andado a portar-me muitíssimo bem no que diz respeito a não atrasar opiniões pelo que em Março podem contar com ‘os meus pensamentos’ no que diz respeito às duas leituras que ficaram por opinar em Fevereiro – Viagem à Procura de Mim, de David Arnold e Red Rising, de Pierce Brown

Fingers crossed para que Março seja tão bom – ou ainda melhor – que Fevereiro! 

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Endgame 2 - A Chave do Céu, James Frey & Nils Johnson-Shelton [Opinião]




Título Original: Sky Key
Autoria: James Frey & Nils Johnson-Shelton
Série: Endgame, #2
Editora: Editorial Presença 
Colecção: Via Láctea, N.º 128
N.º Páginas: 464

Sinopse
Endgame está aqui. O mundo começa a desmoronar-se, a desintegrar-se, a enlouquecer. Ainda assim, os Jogadores continuam a jogar. A Chave da Terra foi encontrada. Restam duas chaves – e nove Jogadores. Há que encontrar as chaves mas apenas um Jogador pode vencer.
Aisling Kopp está em Queens, Nova Iorque e pensa ter encontrado uma forma de interromper o Jogo. Hilal ibn Isa al-Salt escapou por pouco a um ataque que o deixou terrivelmente desfigurado mas agora sabe algo que os outros Jogadores não sabem. Sarah Alopay encontrou a primeira chave, aliou-se a Jago e estão a vencer. Mas conseguir a Chave da Terra teve graves consequências para Sarah.


Opinião
E o jogo continua...
... Esta é uma daquelas trilogias que se destaca pela sua magnitude e pela sua originalidade em termos de conteúdo. Poucas narrativas se comparam à grandeza de pormenores, espaços reais e buscas, dentro do género young adult, que Endgame – A Chave do Céu oferece. Uma continuação que se encontra à altura do livro que a antecede, esta é uma história que deixará os seus leitores preocupados com as personagens, com o futuro do mundo que as rodeia, e com as possíveis estratégias sangrentas que possam surgir. 

A primeira chave, a Chave da Terra, encontra-se nas mãos da Sarah – que continua em companhia de Jago – mas a Chave do Céu, a próxima etapa neste perigoso e mortal jogo permanece uma incógnita... 
Não vou entrar em pormenores no que diz respeito ao enredo deste livro – não só para evitar cometer qualquer spoiler mas também porque esta é daquele tipo de obras cujo conteúdo se estende muito para lá da sinopse. Porém, posso dizer que a acção é uma constante e as surpresas estão ao virar da esquina, o que torna esta aventura uma leitura rápida, exigente e impulsiva. 

Quanto às personagens, ainda que Endgame – A Chave do Céu não se centre tanto no seu desenvolvimento como aconteceu na trama passada, focando-se, então, no desenrolar da acção e construção da história em si, estas continuam a crescer enquanto indivíduos aprendendo com as suas emoções – nem todas positivas – e as suas escolhas. Desta vez não consigo destacar uma que me tenha impressionado sobremaneira – o que advém, e muito, da falta de uma ligação forte, sensitiva até, entre mim, como leitora, e as personagens. Ainda assim, penso que se encontram todas mais ou menos ao mesmo nível de importância – afinal de contas, há ainda muito para se jogar. 

Esta não é uma opinião fácil para mim pois embora consiga entender o potencial deste enredo intricado e desta história onde está sempre a acontecer algo inesperado ou surpreendente, a verdade é que, numa opinião puramente pessoal, falta-lhe algo. Não sei se o problema de maior é a escrita, que soa demasiado cinematográfica e rápida, ao invés de algo um pouco mais introspectivo e elaborado – o que pode ser resultado de esta ser uma trilogia a dois – ou se das personagens em si e da minha falta de empatia para com elas. No entanto, Endgame – A Chave do Céu é, sem dúvida, uma leitura interessante com laivos de ficção científica que agradará às massas. 

Endgame - A Chave do Céu, James Frey & Nils Johnson-Shelton [Book Trailer]


O Endgame continua... 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Cartas de Amor aos Mortos, Ava Dellaira [Opinião]




Título Original: Love Letters to the Dead 
Autoria: Ava Dellaira
Editora: Editorial Presença 
Colecção: Jovem Adulto, N.º 1
N.º Páginas: 380

Sinopse
Após a trágica morte da irmã mais velha, Laurel sente o mundo ruir. Com a separação dos pais, tem de viver com a tia, uma católica fervorosa que lhe impõe rígidas normas de comportamento.
Numa aula de Inglês, a professora desafia os alunos a escreverem uma carta a alguém que já morreu. Laurel dirige a primeira carta a Kurt Cobain, porque a irmã adorava esse cantor. A partir daí, sucedem-se missivas endereçadas aos seus ídolos do cinema, da música e da literatura – todos mortos.
Nas cartas, Laurel aborda facetas cativantes dos seus ídolos e partilha momentos marcantes da própria vida, dos novos amigos ao primeiro amor.


Opinião
Gosto imenso quando um livro, na sua construção, apresenta algum tipo de peculiaridade que não só visa ao enriquecimento da história em si como também ao sentimento de surpresa no leitor. Esta é uma dessas obras, em que o comum capítulo, que serve de divisão entre temáticas e acontecimentos na vida da protagonista, é substituído por cartas pessoais a figuras que já abandonaram o plano terrestre. Estas Cartas de Amor aos Mortos preenchem o romance de saudade e abandono, ao mesmo tempo que relembram a Laurel que por vezes vale a pena lutar, e vale a pena ser alguém diferente, alguém melhor, capaz de abrir o coração para o que o mundo tem a oferecer. 

Laurel sente-se vazia. A sua mãe abandonou-a. O seu pai perdeu a vontade de viver. A sua tia é a mulher mais devota a Deus que conhece e os seus amigos... os seus amigos não mais podem ser seus amigos pelo medo de que toquem no assunto de May. May, a sua irmã mais velha. May, aquela que a fez acreditar em magia e na beleza do que a rodeia. May, aquela que jurou nunca a deixar sozinha. Até que deixou. Até que partiu – para outro mundo. Agora tudo é diferente. Tudo é novo. E tudo é escuro – sufocante, impossível de suportar. 
Como tarefa escolar para a aula de Inglês é pedido aos alunos que escrevam uma carta a alguém que já morreu. Face a tragédia que assolou o universo de Laurel, esta não consegue escrever à pessoa com quem mais necessita de falar. E por isso recorre a uma série de figuras públicas que perderam a vida precocemente, ou em situações complicadas, como forma de desabafo e crescimento. Kurt Cobain, Heath Ledger, Amy Winehouse, Janis Joplin, Jim Morrison, Judy Garland... muitos e sonantes são os nomes que povoam as páginas deste romance – e cada um deles deixa uma lição difícil, que requer esforço, vontade, mas que será vital para Laurel. 

Cartas de Amor aos Mortos é uma daquelas obras que vai crescendo de intensidade, e entusiasmo, e fascínio com o recorrente avançar das páginas. Laurel encontra-se numa situação extraordinária e altamente indesejada no começo da narrativa mas, ao longo de todo o ano escolar, que verá também marcar o primeiro aniversário da morte de May, esta aprende a libertar-se e a ser a jovem que sempre foi suposto que fosse. 
Gostei bastante de todo o crescimento pessoal de Laurel assim como das várias nuances que apresenta, camufladas pela influência de uma instabilidade familiar profunda e de um forte desejo de ser aceite, de ser capaz de se perdoar. Constantemente atormentada pelo porquê de tudo isto ter acontecido, Laurel é uma daquelas protagonistas que tanto mostra fragilidade como força, e que se vê desabrochar numa flor singularmente especial. 

 Ava Dellaira não escreve caminhos fáceis à sua protagonista e embora exista um ou outro momento em que o suspense atinge proporções demasiado elevadas, em que o momento de desvendar o que se passou, o que originou o acidente, chega finalmente, Cartas de Amor aos Mortos trata-se de um enredo que, no seu todo, é pulsante e genuíno, transmitindo sempre uma mensagem de valor. 
A escrita da autora é fascinante e tantas vezes poética, tornando a voz de Laurel indiscutivelmente encantadora. O sofrimento encontra-se presente em cada página assim como o sentimento de culpa e não aceitação, mas também a alegria de amizades inesperadas e amores escritos nas estrelas tornam este romance uma carta de amor que não é só escrita aos mortos. 

Uma muito agradável surpresa, Dellaira deslumbrou-me com a sua perspicácia narrativa e conteúdo curioso. Gostei imenso das ligações entre o que aconteceu na realidade a todas estas personalidades – pormenores que demasiadas vezes desconhecia por completo – com o que se passa no mundo ‘ficcional’ de Laurel; assim como de toda a diversidade em termos de temáticas abordadas – desde a homossexualidade à extrema devoção religiosa, passando pela culpa e sofrimento face uma morte precoce, a disfunção familiar e a descoberta do primeiro amor, entre tantas outras. 


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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Vermelho como o Sangue, Salla Simukka [Opinião]




Título Original: Punainen kuin veri
Autoria: Salla Simukka 
Série: Lumikki Andersson, #1
Editora: Editorial Presença 
Colecção: Diversos, N.º 74
N.º Páginas: 216 

Sinopse
Lumikki Andersson tem 17 anos e vive sozinha num pequeno apartamento, na cidade onde frequenta uma prestigiada escola de Artes. Lumikki é solitária, independente, e gosta da liberdade. Na escola prefere dedicar-se aos estudos e ignorar os grupinhos que se vão formando. Não se meter naquilo que não lhe diz respeito é, para ela, uma regra fundamental. Mas essa regra vai ser posta à prova no dia em que encontra uma incrível quantidade de notas de quinhentos euros penduradas a secar no laboratório fotográfico da escola e que tudo indica terem estado manchadas de sangue. Em poucas horas, Lumikki, juntamente com três dos seus colegas, vê-se enredada numa sombria conspiração.


Opinião
Esta foi a minha estreia com um romance de calibre nórdico. 
Não sou grande apreciadora de thrillers mas algo em Vermelho como o Sangue captou a minha atenção e deixou-me curiosa o suficiente para que quisesse ler as nuances narrativas desta vertente literária numa obra young adult. Admito que não sabia, de todo, o que esperar desta leitura. Fui pousar nela de olhos completamente vendados e expectativas soltas, e penso que se o tivesse feito de outra maneira não teria sido surpreendida como fui. 

Vermelho como o Sangue é o primeiro volume de uma trilogia com fortes ligações à Branca de Neve. Não existe qualquer elemento mágico ou sobrenatural nesta história – somente muito sangue, dinheiro sujo e máfia nórdica –, todas as semelhanças revolvem em torno de aparências físicas e dizeres de fábulas mas a atmosfera fria e obscura, em conjunto com um cenário gélido, tornam esta essência mágica muito real e muito perigosa. 
Lumikki é uma protagonista interessante. Solitária, com um passado enrolado em mistério e repleto de antagonismos, é absolutamente normal que não se queira envolver em problemas alheios. Porém, não há como escapar após encontrar um laboratório recheado de notas de quinhentos euros – pois se a curiosidade não a matasse, de certo que haveria rumores suficientes capazes de fazer mossa na sua simples existência. 

O restante jovem trio que toma conta da acção também ele é singular. A palavra reinante num universo de álcool, drogas e dinheiro é diversão e cada um dos seus elementos representa o seu papel de forma exímia, desvendando três personalidades vincadas que visam futuros muito diferentes. Já do lado negro da trama, diria que o Urso Polar é, provavelmente, das figuras mais peculiares e instigadoras presentes na narrativa – alguém que gostaria de ver mais explorado num livro próximo. 
É de frisar que esta é uma obra relativamente breve – ainda que detentora de uma escrita rica e frutífera quanto baste para deixar um leitor satisfeito – e por isso o desenvolvimento das personagens é muito miúdo e quase todo ele feito de extensas e detalhadas passagens de um ou outro acontecimento que de uma forma ou de outra tem ou teve impacto na pessoa que cada interveniente é no momento da acção. 

Salla Simukka sabe como manter a atenção de quem percorre estas páginas e, mais do que isso, tem plena consciência de quais os cordões mover para que o suspense atinja proporções dolorosas ou a interrogação, o questionamento, levem o leitor à loucura. E para uma narrativa que se mostra tão curta, esse é um ponto que a autora marca a seu favor. Contudo, e numa perspectiva inteiramente pessoal, penso que alguns dos trechos descritivos foram demasiado longos enquanto que outras componentes, nomeadamente a nível de diálogos e movimentações no presente, foram colocadas ligeiramente de lado. Penso que estas situações façam parte do estilo nórdico ao qual não estou habituada e muito pouco ou nada conheço – mas, ainda assim, gostaria de ter presenciado um enredo com mais adrenalina, mais intenso, mais estimulante. 

Tenho a dizer que adoro a capa de Vermelho como o Sangue e que os tons de branco, preto e vermelho estão em plena harmonia com o conteúdo e a direcção do enredo. Esta foi, sem dúvida, uma estreia que me deixou cativada e interessada em descobrir o que mais Simukka esconde na manga – assim como curiosa com as temáticas que esta abordará futuramente. Em Vermelho como o Sangue tivemos um pouco de tudo, desde desapego familiar a bullying, passando por todo um núcleo fechado de negócios ilícitos e amizades improváveis – um cocktail sedutor e em tudo diferente ao que me passa pelos olhos no que diz respeito a literatura YA. 


Para adquirir ou ler mais informações sobre Vermelho como o Sangue, visite o site da Editorial Presença aqui.  

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

As Páginas Percorridas em Janeiro [Aquisições]

Será dizer muito que Janeiro passou a voar... ? 


Este não poderia ter sido um melhor começo de ano. Sei que podia ter lido um pouco mais não tivesse ficado meio que ‘encalhada’ em duas das leituras do mês que demoraram bastante mais tempo do que eu estava, inicialmente, à espera mas, ainda assim, confesso que não me posso queixar – até porque poderia ser muito, muito pior!
Janeiro foi não só um bom mês de leituras em quantidade como em qualidade. Comecei o ano de forma belíssima, com uma das minhas autoras de eleição e que me veio tirar de uma maldita reading slump e acredito que Janeiro foi, também, o mês em que um dos melhores do ano me passou pelas mãos... 

Vamos lá, então, ao balanço do mês... 

Novos na Estante


Um excelente mês de aquisições, tanto a nível nacional como estrangeiro, que veio trazer não somente estreantes à estante como continuações e história muito amadas que tenho vontade de percorrer – num certo caso, novamente
Destaque para A Prometida do Capitão, de Tessa Dare, uma novidade de Janeiro que me deixou nas nuvens visto ter adorado, em absoluto, o primeiro desta trilogia – o que quer dizer que ainda tenho de pegar no segundo antes deste, I know, I know. 
Destaque também para Os 100, de Kass Morgan. Acompanho a adaptação televisiva e confesso-me mais do que curiosa para o que estas páginas guardam. 
Finalmente, destaque para Um Caso Tipicamente Inglês de Elizabeth Edmondson. Admito que nunca li nada da autora e soube, recentemente, que esta faleceu no começo do ano pelo que a vontade de percorrer uma das suas histórias é ainda mais intensa – e esta parece imperdível! 


As compras estrangeiras de Janeiro foram... maravilhosas?, mágicas?, a coisa mais boa de sempre?. 
Destaque para tudo! Ice Like Fire, de Sara Raasch, uma continuação que quero folhear lá mais para o meio do ano visto que o terceiro e último volume da trilogia está com lançamento agendado para Novembro. Let The Sky Fall, de Shannon Messenger, o começo de uma trilogia que estava à demasiado tempo na wishliste porque, ah e tal, preciso de começar séries novas... ou não! E finalmente... a compra do mês. Do ano! O boxset em hardcover das belíssimas edições britânicas de Harry Potter, de J. K. Rowling. Já há dois natais que andava com vontade de adquirir este boxset e esta foi mais do que a altura perfeita. 

Páginas Percorridas 


A Pura Verdade, Dan Gemeinhart (Opinião)
Vermelho como o Sangue, Salla Simukka 
Fala-me de um dia perfeito, Jennifer Niven (Opinião)

Três leituras em português e três leituras em inglês (na foto seguinte). Posso dizer que todas foram uma surpresa – para o bom e para o mau – e deste pequeno grupo tenho a destacar Fala-me de um dia perfeito pela capacidade de me fazer compadecer com o protagonista e não querer, de todo, acreditar no desfecho da história embora já o esperasse e para A Pura Verdade que foi uma descoberta maravilhosa e que disserta sobre a força de vontade, as amizades eternas e os laços especiais que se formam entre humanos e animais. 


Confess, Colleen Hoover (Opinião)
Snow Like Ashes, Sara Raasch (Opinião)
The Rest Of Us Just Live Here, Patrick Ness (Opinião)

Neste trio tenho de falar de todos. Confess pois não há livro nenhum de Colleen Hoover que não me deixe nas nuvens e completamente a chorar por mais – e a arte... a arte!, é linda neste livro –, Snow Like Ashes por ter um dos mundos de fantasia (algo) épica no mundo young adult que mais chama por mim – adorei mesmo! –, e The Rest Of Us Just Live Here por ter sido uma desilusão cujos ares de grandeza não trouxeram nada de novo ao género.

O Eleito do Mês 


Estive muito indecisa quanto ao eleito do mês unicamente por Colleen Hoover se encontrar na lista de livros lidos e por esta ser uma das minhas autoras favoritas mas... este ano quero escolher somente um livro por mês e em Janeiro o destaque vai para o único livro que levou 5 estrelas... Fala-me de um dia perfeito, de Jennifer Niven. O primeiro 5 estrelas do ano!

Literaturas Diversas

Este ano decidi começar uma nova rúbrica no blogue que espero vir a desenvolver em pleno ao longo dos próximos meses – Revelada a Capa. O intuito é ir revelando capas de lançamentos nacionais e internacionais que me suscitem interesse por este ou por aquele motivo. Janeiro teve direito a três capas reveladas e aqui ficam os links

Revelada a Capa #1 – Heartless, Marissa Meyer 
Revelada a Capa #2 – A Court of Mist and Fury, Sarah J. Maas
Revelada a Capa #3 – Caminhos Sombrios, Sandra Brown 

Próximas Aventuras 

   

Tenho algumas leituras planeadas mas quero deixar o mês de Fevereiro um pouco em aberto pelo que podem contar com as opiniões de Vermelho como o Sangue, de Salla Simukka e Cartas de Amor aos Mortos, de Ava Dellaira

Se conseguir cumprir metade do que espero alcançar este mês terão, então, bastante mais opiniões por aqui. 
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