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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Recomendações Literárias #1



Já fizeram as vossas comprinhas de Natal?

Ainda não? Então perfeito!
Hoje trago-vos algumas recomendações literárias natalícias — ainda que não directamente ligadas à temática/época festiva — dentro do contemporâneo jovem-adulto. Todos os livros que se seguem encontram-se publicados em terras lusas, o que quer dizer que só têm de correr à livraria mais próxima para os agarrar! E seja para oferecer como presente a vocês mesmos ou a um amigo ou familiar, somente desejo que nesta pequena lista de livros encontrem um ou mais títulos que seja/m do vosso agrado ou que, na pior das hipóteses, vos suscite algum interesse ou vos deixe curiosos.


Aos que esperam verter uma ou outra lágrima com um bom romance young adult contemporâneo, A Culpa é das Estrelas, do excêntrico John Green, é uma recomendação que vos faço sem quaisquer restrições.
Muitos já o leram e se deixaram apaixonar por estas páginas — pelas personagens únicas, e fortes, e belissimamente delicadas, e pelo modo como o autor retrata o amor jovem. Muitos já viram, também, a adaptação cinematográfica, com o mesmo nome, que foi lançada este Verão... mas esta minha recomendação vai para todos aqueles que ainda não folhearam esta história. Por favor, não o deixem de fazer ou oferecer. 

Elegante. Melódico. Acolhedor.
Se Eu Ficar, de Gayle Forman, trata-se de um romance, igualmente adaptado ao grande ecrã este ano, que retrata uma história extraordinária sobre o poder das nossas escolhas, sobre o amor que flui entre a família e amigos e sobre o que é que nos faz verdadeiramente felizes. Outro que recomendo sem restrições. 

Que surpresa. Que livro apaixonante, e encantador, e cheio de pequenas pérolas de carinho. Gostei imenso de A Todos os Rapazes que Amei, de Jenny Han, e gostava que muitas mais pessoas se deixassem levar por estas páginas. Esta autora é extremamente suave com as palavras, atenta com as personagens e exímia no retrato do comum. Uma prenda perfeita.

Antes de Vos Deixar é o melhor livro de Lauren Oliver – e disso não tenham dúvida. Seguindo o mesmo tipo de história/género de A Culpa é das Estrelas e Se Eu Ficar, este romance do contemporâneo é enternecedor, sufocante e muito, muito bom. Se nunca leram esta autora e têm curiosidade de conhecer a sua obra, então comecem por aqui. 

Este foge um bocadinho ao young adult por ser um middle grade mas acreditem quando digo que qualquer pessoa, de qualquer idade, irá encontrar nesta história uma lição de vida. Milagre, de R. J. Palacio, é um livro com uma mensagem bonita e marcante, que confronta temas delicados e que geram alguma controvérsia – doença, bullying, vontade de se ser normal. Um livro de apertar o coração, e que eu recomendo vivamente. 

Uma obra delicada, tocante e extremamente crua, Corações Gelados, de Laurie Halse Anderson não agradará a todos os leitores mas deixem-me que vos diga que não há leitura mais intensa, sofredora e marcante como esta. Senti raiva, senti alegria, senti medo, senti pena – este livro irá despertar toda uma imensidão de sentimentos e emoções e é precisamente por isso, e por alertar para a bulimia e para a anorexia, que o recomendo.

Querem uma leitura verdadeiramente rica em afectos, e momentos elegantes, e amores poéticos? Então peguem em Anna e o Beijo Francês, da deslumbrante Stephenie Perkins. Este é um livro delicioso, que leva o leitor para o seio de uma das mais belas cidades da Europa, Paris. Um dos romances mais fofos e ternurentos que tive o prazer de folhear. Altamente recomendado.

Mais uma vez fugindo ao young adult e indo para um contemporâneo new adult, ou seja, direccionado a um público ligeiramente mais velho, este é um livro que tanto tem de doce quanto de amargo. Um Caso Perdido - Hopeless, de Colleen Hoover, é uma narrativa que irá surpreender pela profundidade das personagens, e pelos pormenores que a tornam especial.

Para terminar, deixo-vos Quando Éramos Mentirosos, de E. Lockhart. Quanto menos souberem sobre este livro, melhor. Sei que é difícil recomendar, como prenda ou aquisição, um livro cujo conteúdo quero manter secreto, mas acreditem quando vos digo que irão ficar bastante mais surpreendidos com esta leitura se partirem para as suas páginas sem quaisquer ideias preconcebidas do que poderão encontrar. É muito bom, com um estilo de escrita único e muito gráfico, e uma personagem principal absolutamente espectacular.


E pronto, estas são algumas recomendações que vos deixo dentro do contemporâneo YA (young adult) NA (new adult) e MG (middle grade). Espero que entre esta pequena lista se encontrem títulos que ainda não conheçam, ou ideias perfeitas para oferecerem no Natal.

Ainda esta semana publicarei as recomendações de contemporâneos adultos, romances de época e fantasia/distopia YA. Se houver mais algum género que gostariam de ver aqui no blogue, com recomendações, não hesitem em dizer.

Boas leituras & Boas Festas!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Se eu Ficar [Opinião de Cinema]




Live for Love

Esta adaptação tocou-me particularmente, e é por isso que decidi escrever um pequeno apontamento sobre a mesma. Não é, de todo, minha intenção fazer disto uma crítica ou opinião cinematográfica, mas sim exprimir os muitos sentimentos que este filme despertou em mim — e, quem sabe, até fazer desaparecer as possíveis incertezas que tantos outros curiosos possam ter em relação a esta obra (da 7.ª arte).

Se eu Ficar, ou If I Stay no original, escrito por Gayle Forman, é, sem sombra de dúvida, um dos meus contemporâneos young adult favoritos. Há qualquer coisa de muito especial e transcendente na história que esta autora criou, e confesso que, por isso mesmo, estava algo receosa pela forma como essa essência iria ser transposta no grande ecrã. A verdade é que o resultado superou, em grande, todas as minhas expectativas e quer tivesse lido o livro ou não, este continuaria a ser, certamente, um filme que nutriria o mesmo tipo de efeito em mim.


Há quem pense que esta é uma história triste. Que estas imagens vão, somente, retratar um texto que descreveu o sofrimento de uma adolescente perante a perda de algo, ou alguém, insubstituível. Mas, para mim, esta é uma história de esperança. Esperança e amor. Dois valores que muitas vezes damos por certos ou imaginamos serem imbatíveis mas que nos mais delicados e impensados momentos arrebatem-nos com o poder e a força que podem conter. Nem tudo é feliz nesta história. Nem tudo é seguro. E se há algo que Se eu Ficar retrata de forma exímia, em ambos os seus formatos, é a surpresa do inesperado. Nunca sabemos quando a nossa vida pode sofrer uma viragem de 180º, nunca sabemos quando algo que está fora do nosso alcance, do nosso controlo, pode destruir todos os sonhos, todos os desejos e todo o futuro que julgamos estar-nos destinado. E é na quase ínfima réstia de esperança, esperança por algo melhor, esperança pela sobrevivência, esperança para que o amor seja suficiente que este filme é exemplar — assim como o seu livro. Uma história emocionante, sem dúvida, que arrebatará qualquer espectador.

Existem pequeno pormenores que já não me recordava. Ao fim e ao cabo, li este romance em meados de 2010 e com tantas outras páginas percorridas nos ‘entretantos’, por vezes torna-se complicado guardar tantas minuciosidades, tantos detalhes de tantas obras mesmo quando uma porção destas são nossas predilectas. Ainda assim, foi uma sensação única a de relembrar, quase em modo automático, tantos desses importantes e imprescindíveis instantes narrativos aquando do visionamento do filme, uma vez que este se encontra incrivelmente fiel à obra que serve de sua base. Admito que estava também algo renitente na escolha de actor para Adam — visto esta ser uma personagem com um tipo de substância e áurea únicas —, mas apercebo-me agora que não poderiam ter feito melhor selecção. Quanto a Mia — ou a Chloë Grace Moretz — nada já de errado a apontar, uma vez que esta actriz encarnou, com perfeição, este papel, dando-lhe uma forma humana como nenhuma outra, quando esta vivia, somente, na mente dos seus leitores. 


Se o cast se traduz numa componente extremamente forte deste filme, e as linhas que o compõem se mostram em concordância com as palavras que o descrevem, então que dizer do resto? O resto são lágrimas, sorrisos e suspiros. São arrufos interiores e debates solidários para com os acontecimentos vistos no ecrã, em prol de uma, por mais pequena e insignificante que seja, felicidade que parece não ter raiz e, por isso, não repousar no presente (narrativo). Suponho que simplesmente não hajam substantivos suficientes para expor o quão maravilhoso e o quão distinto este filme é na realidade. E, atrevo-me ainda a escrever, que se encontra com uma adaptação bastante mais digna e completa, no seu todo, que um seu antecessor dentro do género literário — falo de A Culpa é das Estrelas. Afinal de contas, existe uma maturidade, um cuidado impressionante com a performance dos actores, uma fotografia e um guião decididamente mais maduros, e crentes, e pensados em Se eu Ficar do que na adaptação da obra de John Green — que embora seja genial e capte o que de tão especial o livro apresenta, ainda assim não consegue atingir ‘aquele’ nível de perfeccionismo e atenção que seria esperado após um hype tão pronunciado e tão mundial. Creio que esteja bastante clara qual seria a minha escolha caso tivesse de decidir entre um e outro filme... 


Se tiverem oportunidade de ver este filme numa sala de cinema, então aproveitem. Prometo que se irão emocionar, que não ficarão indiferentes e que, quer tenham lido a obra ou nem sequer tenham ouvido falar da mesma, que sairão da sala satisfeitos, a sentirem-se completos e com a percepção de que valeu a pena o tempo gasto. Intercalando passado com presente, angústia com amor, vida com morte, esta é uma obra (seja em que formato for) que não vão querer perder. Por isso, deixem-se levar pela beleza da escrita de Forman, pela brilhante direcção de R. J. Cutler, pela genuidade de Moretz e Blackley (que faz o papel de Adam), assim como a de todas as restantes personagens secundárias, e sucumbam ao sofrimento de se ter de escolher entre viver uma existência incompleta, marcada por uma perda imensa, ou desistir em prol de algo mais fácil, mais suportável e menos... real. 


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Se Eu Ficar [Trailer]



Está quase a chegar às salas de cinema a adaptação cinematográfica do romance contemporâneo If I Stay (Se Eu Ficar), da autoria de Gayle Forman e editado em Portugal pela Editorial Presença. 
Estou bastante entusiasmada com esta película. Não só porque adorei a obra, mas também porque acho que a versão fílmica está incrivelmente fiel ao livro, e, sejamos sinceros, está com uma imagem absolutamente lindíssima! 
Se não leram o romance, corram à livraria mais próxima. Se já o devoraram, então espero que estejam tão expectantes quanto eu! Mas, deixo-vos um desafio:

Tentem ver este segundo trailer sem sentirem o coração a apertar, sem derramarem uma única lágrima. 
Conseguiram?

Nos cinemas em Agosto, 2014

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Espera por mim, Gayle Forman [Opinião]




Título Original: Where She Went
Autoria: Gayle Forman
Editora: Editorial Presença
Colecção: Noites Claras, N.º 19


Sinopse:

Passaram três anos desde que o amor de Adam ajudou Mia a recuperar após o trágico acidente que vitimou a sua família – e três anos desde que Mia decidiu afastá-lo da sua vida sem lhe dar explicações. Quando uma noite os seus caminhos se cruzam na cidade de Nova Iorque, ambos têm a oportunidade de se confrontar com os fantasmas do passado e de abrir o coração ao futuro. Mas conseguirão perdoar-se um ao outro antes de cada um ter de regressar à vida tal como a deixaram?


Opinião:

Quando se ama, se ama verdadeiramente alguém, com todo o nosso ser, com tudo o que possuímos e tudo o que somos, ficamos eternamente marcados, eternamente ligados a essa pessoa, aconteça o que acontecer, quando acontecer. Mas assim que a separação dá de si e o fio se estria, se quebra, o vazio sentido é, sempre, por demais e a única solução com vista à estabilidade física e emocional passa, muitas vezes, pelo esquecimento, pelo seguir em frente, mas sem nunca perder a ínfima esperança de reaver o que outrora foi nosso, o que outrora fez parte de nós. Aqui, temos a perspectiva de Adam, sobre aquele que foi—e será—o grande amor da sua vida.

Espera por mim é, muito provavelmente, das continuações, por mim, mais aguardadas do ano, principalmente tendo em conta o quanto me identifiquei com Se eu Ficar, e o quanto ansiava conhecer, mais a fundo, uma personagem que tanto me marcou, Adam. Sobre perdas e rupturas, sobre desilusões e decisões difíceis, reencontros inesperados e sentimentos que não se extinguem, esta é uma história absolutamente incrível, e pulsante, sobre um dos temas mais delicados de se escrever—o amor.
Gayle Forman tem uma das escritas mais bonitas e envolventes que conheço, principalmente tendo em conta o género em que escreve, cativando, assim, continuamente o seu leitor a querer, não só, descobrir mais dos seus mundos, mas, e também, mais das suas personagens. Com rapidez, esta é uma autora que cativa pelas descrições simples e intimas, pessoais, dos escritos na primeira pessoa, e que deslumbra pelos diálogos naturais e, muitas vezes, divertidos e românticos.

A dor é um dos sentimentos mais palpáveis, mais bem retratados neste romance, a par com o enorme desespero de Adam, a sua sensação de impotência, de vazio, de tormento, de ruptura psicológica. Mas também o perdão é algo que impera, um fio de esperança no meio da solidão, da multidão que nada nos diz, que não nos é nada. E esse perdão, esse vislumbre de salvação, de felicidade, é o ponto catalisador que embala o leitor nesta viagem de um só dia (no presente), e de tantas outras vidas (no passado), de duas personagens que, depois de Se Eu Ficar, já nos são imensamente queridas. Por inúmeras vezes torci por elas, pelo reencontro que lhes fugiu por entre os dedos, pelo amor que se viu camuflado, escondido face um futuro em separado. Incontáveis foram, também, os momentos em que a agonia de Adam foi a minha angústia e em que a vontade de Mia foi o meu desejo.

Muito para lá da emocionante história que envolve estas duas personagens singulares, estão pequenos pormenores descritivos e de enredo que, na minha perspectiva pessoal, fazem toda a diferença. Estruturalmente falando, Forman dividiu a trama em dois momentos distintos no tempo—o passado, onde o leitor tem a oportunidade de rever e obter mais detalhes, mais informações sobre o período comatoso de Mia na perspectiva de intervenientes externos; e o presente, onde o leitor segue as passadas famosas de Adam, agora uma estrela da rock, num mundo, universo, que não o completa—, estando a real beleza da criatividade da autora presente nos excertos das letras do álbum Collateral Damage, escritas por Adam e profundamente dedicadas às emoções que o atingiram durante a ausência de Mia, e que, a cada capítulo par, vai abrindo os horizontes do leitor para a avalanche de sentimentos e ressentimentos existentes no decorrer da acção.

Houve qualquer coisa neste romance em particular que simplesmente me seduziu, e me manteve cativa durante toda a narrativa, ainda que esta tenha sido algo breve. Inicialmente, confesso que tive uma certa dificuldade em voltar a ambientar-me ao mundo de Adam e Mia, pois muitas das situações chave de Se Eu Ficar estavam, na altura, meio apagadas e confusas e própria história não fornece informação retrospectiva suficiente para ajudar o leitor a enquadrar-se, mas a personalidade de Adam, o rancor que o percorre, a raiva contida, o sarcasmo inocente foram tão apelativos, tão fascinantes, que rapidamente me vi apaixonar por um intelecto sofredor que se viu rejuvenescer uma vez reencontrada a sua amada. Muitos foram os pormenores que me enterneceram, e é, sem dúvida, com grande saudade que abandono estas duas personagens que tanto me disseram, tanto me ensinaram a viver.

Uma aposta magnífica por parte da Editorial Presença, numa autora que escreve maravilhosamente dentro do género YA contemporâneo, e que espero, em breve, vir a conhecer mais profundamente. Gostei muito. Mesmo.  

Descubra mais sobre este livro em: Espera por Mim

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Passatempo «Espera por Mim», Gayle Forman


Em colaboração com a Editorial Presença, o Pedacinho Literário tem o prazer de oferecer um exemplar de uma das continuações mais aguardadas no romance contemporâneo YA, Espera por mim, da autora Gayle Forman.

Para participar e se habilitar a ganhar este fantástico prémio, basta que responda correctamente às questões que se encontram no formulário em baixo, e que preencha todos os campos obrigatórios.
Por favor, tenha em atenção das regras do passatempo!

As respostas às questões podem ser encontradas aqui e/ou aqui/Editorial Presença!

Regras do Passatempo:
1) O Passatempo decorrerá até às 23h59 de 2 de Julho (terça-feira)
2) Só é válida uma participação por pessoa e/ou e-mail.
3) Participações com respostas incorrectas e/ou dados incompletas serão automaticamente anuladas.
4) O vencedor será sorteado aleatoriamente pela administração do blogue, será posteriormente contactado por e-mail e o resultado será anunciado no blogue.
5) Só são aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
6) A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio, no correio, de exemplares enviados por si e/ou pela editora em questão.


Boa sorte a todos!

domingo, 21 de março de 2010

Se Eu Ficar, Gayle Forman


Título Original: If I Stay
Autoria: Gayle Forman
Editora: Editorial Presença
Colecção: Noites Claras
Nº. Páginas: 215
Tradução: Rita Graña

Sinopse:

Naquela manhã de Fevereiro, quando Mia, uma adolescente de dezassete anos, acorda, as suas preocupações giram à volta de decisões normais para uma rapariga da sua idade: permanecer junto da família, do namorado e dos amigos ou deixar tudo e ir para Nova Iorque para se dedicar à sua verdadeira paixão, a música. É então que ela e a família resolvem ir dar um passeio de carro depois do pequeno-almoço e, numa questão de segundos, um grave acidente rouba-lhe todas as escolhas. À medida que os paramédicos a transportam dos destroços quase irreconhecíveis do automóvel para o hospital e a tentam reanimar, Mia nada mais pode fazer que observar toda a cena, de fora do seu corpo. Nas vinte e quatro horas que se seguem e que talvez sejam as suas últimas, a jovem relembra a sua vida, pesa o que é verdadeiramente importante e, confrontada com o que faz com que valha mesmo a pena viver, tem de tomar a decisão mais difícil de todas.

Opinião:

Emotivo.
Simples.
Criativo.
Memorável.
São estas as palavras-chave que definem o conteúdo deste fabuloso livro.

“Não sei ao certo o que se passou comigo e, pela primeira vez hoje, não me interessa. Eu não devia ter de me interessar. Não devia ter de esforçar-me tanto. Percebo agora que morrer é fácil. É viver que é difícil.”

Quando iniciei esta leitura, não estava certa de ser a mais adequada ao meu estilo. Passando por um período algo negro relativamente a leituras, com imensas quebras e mudanças de livro, decidi pegar neste em particular com uma intenção muito específica: acalmar a minha mente e deixar-me embarcar numa viagem muito mais suave e serena. Enganei-me. Este livro não tem nada de suave e sereno. Dizem que é uma história dirigida a um público mais juvenil, talvez o seja, mas na minha opinião, qualquer adulto a pode ler e de certo que irá adorá-la nem que seja pela forte e implacável mensagem que o livro traz consigo.

A história é muito simples. Mia é uma jovem de dezassete anos com um futuro muito promissor. Desde muito cedo desenvolveu uma imensa paixão pela música (algo que lhe corre nas veias, é de família) com a excepção de o seu estilo de eleição ser a música clássica e o instrumento o violoncelo. Foi essa paixão que a levou a conhecer Adam, o seu namorado e que é também músico, e a criar uma amizade especial com Kim, a sua melhor amiga.
Numa certa manhã de Fevereiro, quando toda a família se reúne para ir dar um passeio, um terrível acidente ocorre que mata ambos os seus pais e o irmão mais novo, deixando Mia “sozinha” no mundo. Debatendo-se contra um coma profundo, Mia tem agora de decidir se quer viver ou se prefere morrer. E é nisso que se foca a narrativa, nos pensamentos de Mia enquanto vagueia fora do seu corpo adormecido e traumatizado e de alguns episódios que ela recorda, durante essas vinte e quatro horas em que está desalojada do seu corpo, episódios esses que remetem para os melhores e menos felizes momentos que passou tanto com a sua família como com Kim, Adam e o seu estimado violoncelo.

É-me muito difícil apontar aspectos negativos neste livro, provavelmente porque apesar de o ter terminado ontem à noite, sinto-o ainda muito presente em mim. Foi uma história que me tocou profundamente, por abordar aspectos tão elementares da nossa vivência aqui na Terra mas que nós, enquanto seres humanos, simplesmente os esquecemos ou os tomamos como garantidos.
O tema da perda sempre foi algo que me comoveu e nem neste livro consegui evitar largar umas quantas lágrimas. Tanto que não é só da perda que se fala mas de outros sentimentos igualmente intensos, incluindo um que eu acho deveras importante, o amor. Condicional e incondicional. O amor por tudo. Pela música. Pela Arte. Pela família. Pelos amigos. E por uma pessoa que se torna tão especial para nós, que no caso de Mia é Adam, ao ponto de nos fazer tomar decisões que podem despoletar a mais violenta das dores.

Não posso deixar de recomendar este livro, nem que seja para se tomar consciência do que verdadeiramente importa na vida. De certa forma, foi um livro que me mudou. Que me tocou. Que me transformou numa pessoa diferente e me fez perceber que muitas das coisas erradas que fiz podem ainda ser remediadas, enquanto eu e aqueles que foram afectados permanecermos vivos, porque depois disso, mais nada interessa. E a vida é curta. Imprevisível. Que de um momento para o outro pode simplesmente acabar. 
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