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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Passatempo Especial São Valentim — A Bela e o Vilão, Julia Quinn


Se o primeiro passatempo especial São Valentim é dedicado aos amantes de literatura sensual, então este segundo é eximiamente perfeito para os que procuram soltar umas quantas gargalhadas enquanto percepcionam o crescimento de um daqueles romances absolutamente maravilhosos.

Com o fantástico apoio das Edições ASA, o Pedacinho tem o prazer de oferecer um exemplar de A Bela e o Vilão, de Julia Quinn. Este é o sexto volume na Série Bridgertons, uma colectânea de romances que tanto promete aquecer o coração quanto alegrar o espírito.

Para se habilitarem a receber este espectacular prémio em casa, basta que respondam acertadamente às questões que se encontram no formulário, que preencham todos os campos obrigatórios e, como já vem a ser habitual, que sejam seguidores do blogue.

As respostas às perguntas podem ser encontras aqui, no blogue.



Regras do Passatempo:
1) Ser seguidor do blogue.
2) O passatempo decorrerá até às 23h59 do dia 28 de Fevereiro (sábado).
3) Só é válida uma participação por pessoa e/ou email.
4) Participações com respostas incorrectas e/ou dados incompletos serão automaticamente anuladas.
5) O vencedor será sorteado aleatoriamente pela administração do blogue, será posteriormente contactado via email e o resultado do mesmo será anunciado no blogue.
6) Só são aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
7) A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio, no correio ou outros, de exemplares enviados pela mesma e/ou por editoras.
8) Boa sorte!


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A Bela e o Vilão, Julia Quinn [Divulgação]


Os Bridgerton estão de volta, com mais um hilariante romance de época que de certeza não irá querer perder!

Título Original: When He Was Wicked
Autoria: Julia Quinn
Editora: Edições ASA
Colecção: Bridgertons #6
N.º Páginas: 352
PVP.: 16,90€

Lançamento a 17 de Fevereiro

Sinopse
Libertino. Devasso. Debochado. Três adjectivos que podiam descrever Michael Stirling na perfeição. Bem conhecido nas festas londrinas, quer desempenhasse o papel de sedutor ou o papel de seduzido, uma coisa era certa: nunca entregava o coração. Ele teria até acrescentado a palavra "pecador" ao seu cartão de visita se não achasse que isso mataria a pobre mãe. Mas ninguém é imune ao amor. Quando a seta do cupido atinge Michael, dá início a uma longa e tortuosa paixão - pois o alvo dos seus afectos, Francesca Bridgerton, tem casamento marcado com o seu primo. Mas isso foi antes. Agora, Francesca está novamente livre. Infelizmente, ela vê Michael apenas como um ombro amigo - até à fatídica noite em que lhe cai inocentemente nos braços, e a paixão se revela mais poderosa e intensa do que o mais perverso dos segredos...

Sobre a autora
Mal terminou o seu curso universitário, Julia Quinn começou a escrever e, para alegria dos seus inúmeros fãs em todo o mundo, nunca mais parou. Traduzidos para vinte e seis línguas, todos os seus romances integram de imediato a lista de bestsellers do New York Times, com especial destaque para a série Bridgertons. A autora venceu já dois prémios Romantic Times e três prémios RITA da Romance Writers of America, tendo sido a mais jovem autora a entrar para o Hall of Fame dessa associação. Vive com a família na costa oeste dos Estados Unidos. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Recomendações Literárias #2



O prometido é devido!

E por isso trago-vos, hoje, as minhas recomendações literárias natalícias dentro do romance adulto. Vão encontrar de tudo um pouco, desde livros que foram lançados este ano a romances que já figuram nas prateleiras há algum tempo mas que não podem, de todo, ser esquecidos. Espero que, por entre a lista que se segue, esteja algum título que vos desperte a atenção — e já sabem, se clicarem no título do livro que se encontra escrito algures no texto, podem ter acesso às opiniões publicadas aqui no blogue sobre os mesmos. 


Sendo o meu favorito até ao momento, dentro do romance de época tinha de recomendar A Grande Revelação, de Julia Quinn. Os Bridgerton são das famílias mais cómicas, divertidas e excêntricas que conheço, dentro do género, e seria uma pena vocês não se deixarem deliciar por esta fabulosa série dos tempos da Regência Inglesa. Muito, muito bom.

Também dentro do romance de época, Madeline Hunter é outro dos nomes que guardo perto do coração. Os seus livros são enigmáticos, apaixonantes e, sem dúvida, viciantes pelo que Mil Noites de Paixão seria, somente, um excelente acréscimo caso este seja um género literário do vosso agrado.

Não existem muitos romances eróticos que eu diga: gostei e recomendo! A Submissa, de Tara Sue Me, é dos meus favoritos e daqueles que, caso tivesse de ler uma segunda vez, não hesitaria em fazê-lo. O papel de submissa/dominador está excelentemente bem explorado e toda a componente de menina inocente que cai nas agarras de homem sedutor não se encontra nestas páginas uma das razões pela qual gostei tanto. Caso ainda não conheçam, é um título certamente a explorar. 

Esta é uma das novidades deste ano — algo que não encontrarão muito por aqui, nestas recomendações — e que não poderia deixar de parte. Envolvidos tanto pode ser categorizado como um romance contemporâneo como um romance erótico pelo que acho que é de lhe se dar uma hipótese. Emma Chase inverte os papeis no que diz respeito à narração e, pela primeira vez, encontramos o nosso galã como protagonista. Diferente, e muito, muito bom.

Já li este livro há alguns anos e mesmo assim ainda me recordo dele, como se fosse ontem. Leila Meacham é uma escritora fantástica, que faz o leitor voar por entre as páginas dos seus livros, e este seu Rosas é dos melhores romances históricos que tive o prazer de ler. Extremamente bom.

Se gostam ou sentem-se intrigados pela história de Romeu e Julieta, então acreditem em mim quando digo que vão querer ler este livro. Julieta, de Anne Fortier, trata-se de um romance histórico como nunca li. Ligando a narrativa destes amantes da literatura com as nuances e descobertas da personagem principal, e tendo como pano de fundo as belas ruas de Siena, esta é uma história singular e muito, muito aconchegante.

Procuram um romance de cariz histórico com uma pontada de contemporâneo? Então O Segredo de Sofia é a escolha perfeita! Susanna Kearsley tem das escritas mais belas que já tive o prazer de ler e as suas histórias são sempre um intricado de romance com história. Um excelente livro.

Um dos meus livros favoritos de todo o sempre, Quando Sopr@ o Vento Norte é um livro que espero reler, e reler, e reler, e por isso mesmo é que se encontra aqui. Moderno e baseado na troca de emails, Daniel Glattauer explora os afectos entre dois personagens que tanto têm a partilhar online quanto o deveriam pessoalmente. Altamente recomendado por mim.

Querem um romance leve, interessante e que vos faça rir? Então espreitam a obra de David Safier. Dos três livros que se encontram actualmente publicados em terras lusas, Maldito Karma é o meu preferido – admito que tal possa ser por ainda não ter terminado o terceiro, mas pronto. Se pensam que as coisas más só vos acontecem a vocês, então esperem até lerem a inacreditável jornada de Kim Karlsen.

Capaz de fazer qualquer leitor verter lágrimas, Anna McPartlin é fenomenal e Estarás Sempre Comigo é dos meus romances favoritos da autora. Moderno, com uma escrita poética quanto simples, e pegando em temáticas difíceis e sofredoras, este é um daqueles livros que vão querer ler junto da lareira ou na companhia de um chocolate quente. Muito bom.

Não podia terminar esta lista de recomendações sem referir Sarah Addison Allen. Todos os livros desta autora são pura magia, mas O Jardim Encantado é dos que mais... encanta com a sua macieira mágica e as suas personagens únicas. Um livro que não podem deixar passar ao lado.


E estas são as minhas recomendações — para ofertas de natal a pessoas importantes para vocês ou para vocês mesmos — dentro dos géneros romance de época, romance erótico, romance histórico e romance contemporâneo. Espero que algum — ou muitos — destes títulos figurem nos presentes da vossa árvore de natal, e no fim de semana podem contar com as recomendações para fantasia e distopia young adult — para aqueles que, como eu, deixam a compra das ofertas de Natal para a última da hora.

Boas Leituras & Boas Festas!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A Grande Revelação, Julia Quinn [Opinião]




Título Original: Romancing Mister Bridgerton (Bridgertons #4)
Autoria: Julia Quinn
Editora: Edições ASA
N.º Páginas: 376

Sinopse:
O coração de Penelope Featherington sofre por Colin Bridgerton há... não pode ser!?? ...mais de dez anos? Sim, essa é a triste verdade. Dez anos de uma vida enfadonha, animada apenas por devaneios apaixonados. Dez ingénuos anos em que julga conhecer Colin na perfeição. Mal ela sabe que ele é muito (mesmo muito) mais do que aparenta... Cansado de ser visto como um mulherengo fútil, irritado por ver o seu nome surgir constantemente na coluna de mexericos de Lady Whistledown, Colin regressa a Londres após uma temporada no estrangeiro decidido a mudar as coisas. Mas a realidade (ou melhor, Penelope) vai surpreendê- lo... e de que maneira! Intimidado e atraído, Colin vai ter de perceber se ela é a sua maior ameaça ou o seu final feliz.
P.S.: este livro contém a chave do segredo mais bem guardado da sociedade londrina.


Opinião:
Que nem um autêntico bálsamo para a alma, esta belíssima história de amor passada durante os tempos áureos da Regência Inglesa é, sem qualquer sombra de dúvidas, uma obra que fará as delicias de qualquer leitor — deslumbrando-o com as suas festas majestosas, vestidos pomposos e poses delicadas. Julia Quinn é já uma presença assídua na minha estante — e na minha vida de leitora — e esta sua Grande Revelação não poderia ter sido mais maravilhosa, emocionante e... inesperada. É nestas páginas que descobrimos, finalmente e ainda que com algum pesar, a identidade de tão enigmática e altamente popular figura, Lady Whistledown, ao mesmo tempo que vemos o desabrochar de um amor que se faz sentir há mais de uma década, e que sempre se julgou impossível de concretizar.

Penelope Featherington é, possivelmente, das personagens femininas mais estimadas e adoradas por entre todo o leque imaginário de Quinn. E Colin Bridgerton, enquanto galã de sorriso fácil e intenso olhar verde, não lhe fica, nem um pouco, atrás. Juntar estes dois intervenientes como casal protagonista de um enredo somente pode ser indicativo de um romance explosivo, absolutamente hilariante e de vício rápido. Encantada pelas nuances narrativas deste que é o quarto volume da série Bridgertons, vi-me perdida em igual medida entre a paixão de Penelope e a distracção de Colin, e o ritmo provocador pela aproximação da grande revelação que esta trama acolhe. Como se tudo isto não fosse suficiente, foi igualmente muito bom presenciar um lado diferente, mais artístico e preocupado, de Colin, e uma faceta protectora, extremamente amigável e feminina de Penelope. Juntos, estas duas personagens fazem o par ideal.

Não é novidade alguma o carinho que nutro por esta série de época, e por esta autora que, para mim, é incomparável. A sua escrita é tão extraordinária e deslumbrante, os seus diálogos são tão inspiradores e assertivos, e as suas descrição são tão reais e palpáveis que não há como não me deixar levar por uma antiguidade que não conheci mas que tão fortemente desejo desvendar de toda e cada vez que percorro as páginas de um dos seus romances. Os sorrisos são tão fáceis com esta autora, o riso é algo natural e o sentir de um coração apertado uma sensação constante, vibrante e muito, muito aconchegante. Para mim, ler um romance de Quinn — principalmente se for dedicado à família Bridgerton — é como desfrutar de um chocolate quente, em frente de uma lareira, com o correr da chuva lá fora e o conforto de uma manta soalheira. Não há nada melhor.

Como o meu grande favorito até ao momento, A Grande Revelação deixa o entusiasmo e as expectativas muito em alta para o volume que se segue, já publicado em terras lusas — Para Sir Phillip, Com Amor — e que vai pegar num dos muitos pormenores feiticeiros desta obra. Colin permanece como o meu Bridgerton de eleição, mas também Eloise arrecadou um pedaço do meu coração pela sua personalidade irreverente e espírito selvagem, assim como Penelope. Penelope surpreendeu-me em absoluto, e a descoberta da real identidade de Lady Whistledown veio, somente, intensificar o carinho e fascínio que nutro por tão misteriosa personagem. A Grande Revelação não poderia ter sido mais intricada, mais bela e mais cativante. Adorei. 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

As Páginas Percorridas em Novembro



Sabem quando estão à espera que um mês seja excelente em (quantidade) de leituras, e depois chegam à contagem final e depararam-se com um número bem inferior ao que tinham planeado? Outubro foi um mês mau e embora Novembro tenha sido bastante melhor, até em termos de qualidade, ainda assim não foi suficiente — maldita reading slump que me atacou nos últimos dias do mês! Ainda assim, consegui devorar seis livros... o que não foi mau mas também não foi excelente.

Este é, para mim, uma das grandes surpresas do ano. Já andava para pegar na obra de Rick Yancey há bastante tempo mas desmotivada pela temática alienígena — que não é, de todo, a minha praia — acabei por adiar, e adiar, e adiar mais um bocadinho... até agora. Deixem-me que vos resuma este livro numa só palavra: WOW! Curiosos? 

Não sei se estão recordados mas aqui há uns tempos — um ano, dois talvez? — publiquei a opinião deste livro em inglês. Com a publicação de A Seleção por parte da Marcador, foi-me dada a oportunidade de voltar a reler esta história e sim... continuo a adorá-la! Uma distopia muito, muito leve com um conceito algo inovador e muito, muito televisivo. Adorava ver esta série adaptada ao grande ou ao pequeno ecrã — é um dos meus guilty pleasures. 

Depois de ter feito um trabalho com a aparição deste espectacular autor e comediante britânico para a faculdade, confesso que a vontade de folhear as suas obras, por mais infantis que sejam, era gigantesca. E graças à Porto Editora isso tornou-se possível — penso que realmente só precisava de um empurrãozito para passar do ‘tenho vontade’ para o ‘é hoje que o vou ler’. Avozinha Gângster foi uma belíssima surpresa, e é também um livro que recomendo vivamente — tanto aos mais novos como aos graúdos. Muito giro. 

Colin Bridgerton — preciso dizer mais? Este quarto volume da série Bridgerton de Julia Quinn foi tudo e ainda mais do que eu poderia alguma vez esperar. Adorei a história de Colin — o meu Bridgerton favorito — e de Penelope. Há qualquer coisa nos romances desta autora que me fascinam em absoluto... e talvez por isso este foi um dos grandes favoritos do mês. 

Protagonista excelente. História excelente. Escrita excelente. Tudo é excelente neste romance contemporâneo. Já antes havia lido uma obra da autora, em co-autoria com Siobhan Vivian, Burn for Burn, e não tinha saído desiludida por isso quando vi que este ia ser lançado por terras lusas não tive como lhe resistir. Opinião em breve. 

Holly Black não é nenhuma estranha na minha estante. Recentemente li o seu Doll Bones — do qual, embora seja mais infantil, gostei bastante — e por isso, quando surgiu a oportunidade de devorar este seu Gata Branca simplesmente não tive como resistir. E uau, que bela surpresa. Gostei imenso pela peculiaridade da história e intensidade do protagonista, e mal posso esperar por ler a sua continuação. Muito, muito bom. Opinião em breve.

E em Novembro foi isto — seis histórias muito boas, seis autores espectaculares e seis mundos que me deram um enorme prazer conhecer. Somente posso desejar que Dezembro seja igualmente bom...

E vocês, que páginas percorrem no penúltimo mês do ano?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Peripécias do Coração, Julia Quinn [Opinião]




Título Original: The Viscount Who Loved Me
Autoria: Julia Quinn
Editora: ASA
Nº. Páginas: 384
Tradução: Ana Álvares


Sinopse:

A sensata Kate Sheffield está decidida a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um marido de reputação impecável. Mal ela sabe que o visconde Anthony Bridgerton já traçou um plano... que inclui a belíssima jovem! E ele não está habituado a ser contrariado...
Embora Anthony seja o solteirão mais cobiçado da temporada, a sua reputação de mulherengo perturba Kate. Ela terá de agir rapidamente, pois Edwina vê com muito bons olhos os avanços do visconde. Mas Edwina fez uma promessa que não está disposta a quebrar: nunca casará sem a bênção de Kate. Cabe, pois, a Anthony convencer aquela que (espera) será a sua futura cunhada. Ele é um homem determinado e seguro de si... e não contava encontrar uma adversária à sua altura. Frente a frente, Kate e Anthony apercebem-se de que têm mais em comum do que imaginavam. Mas o que os une ameaça separá-los para sempre.


Opinião:

Com um futuro financeiramente incerto e um destino previamente traçado, pouco há como fugir a um casamento certeiro e a uma união que pode, muito bem, vir a ser tecida não por amor mas por conveniência. Mas quando se é a mais bela, a mais desejada e a mais vibrante da temporada, a esperança é um sentimento a não perder... pois, por entre todos os cavalheiros de um baile, há um que se destaca, não pela vontade de um enlace definitivo, mas pela necessidade de um matrimónio que apague a sua reputação de mulherengo e que, num vindouro próximo, lhe dê um herdeiro.

Peripécias do Coração trata-se do segundo romance de série Brigderton a ser lançado no mercado português. Centrando-se na relação e ambições que Anthony tem para com ambas as irmãs Sheffield, e no modo como os seus presumíveis avanços acabam por seguir caminhos e desígnios inesperados, este é mais um divertidíssimo enredo onde não só toda a família Bridgerton aproveita mais uma imperdível oportunidade para brilhar, como tanto Edwina como Kate adquirem contornos inegavelmente humanos e determinados.
Julia Quinn é das poucas autoras que, numa única frase, com um comum interveniente fictício, conseguiu de tal forma fazer-me apaixonar pelas suas histórias, pela sua escrita, que rapidamente subiu para o topo das minhas escritoras favoritas. Há algo no seu estilo inconfundivelmente descontraído e pontuado pela hilaridade que, de uma forma ou de outra, conquista quem quer que se atreva a lê-la. E é essa simplicidade, essa naturalidade, a par com magníficas narrativas e peculiares personagens, o que a transformam no sucesso que, indubitavelmente, Quinn é.

É pura e simplesmente impossível, até para um leitor mais experiente, não se deixar arrebatar por tão exuberante e imaculável leque de personagens. Quinn descreve-as de tal forma especiais nas suas imperfeições que quem quer que as conheça, dentro e fora do papel, não lhes resiste.
Anthony Bridgerton é um líder por natureza. Um homem que tanto tem de belo quanto de inteligente, tanto tem de resoluto quanto de receoso, e que se há coisa, sentimento, pelo qual não está disposto a lutar, do qual quer manter distância absoluta, é o amor. Para ele, um matrimónio tem de ser algo proveitoso, tem de possuir características robustas e não sentimentais, tem de ser capaz de sobreviver pela prática e pela lógica. Contrariando esses ideais, Kate Sheffield acredita que uma relação baseada no respeito e afecto mutuo é uma benesse e, por isso mesmo, usará de todos os seus trunfos, todas as artimanhas, para afastar tão afamado lord das atenções de tão ingénua e imaculada sua irmã. Com o que não conta, de todo, é que Anthony seja como um reflexo seu no espelho: uma pessoa casmurra, sem medo de se fazer ouvir, sempre detentora da razão e com uma paixão avassaladora para partilhar.

Seria de esperar um certo ressentimento ou inveja, talvez egoísmo, por parte de Kate ou Edwina quando ambas se encontram em idade casadoira e, consequentemente, à procura de um marido que lhe convenha. No entanto, a relação que encetam entre si, desde o início, é da mais amigável e fraternal possível. Sempre atenta, sempre disponível, Kate é uma protectora nata e é essa sua preocupação que a leva ao protagonismo de mais variadíssimas e divertidíssimas situações imagináveis. Igualmente singular continua a ser a presença de Colin – o meu Bridgerton favorito – que, de forma calculada mas natural, instiga a que essas mesmas situações, sempre que está presente, atinjam níveis incontroláveis de diversão e júbilo. Destaco, por exemplo, a ocasião em que os irmãos Bridgerton, acompanhados por Simon e Kate, disputam uma partida de Palamalho.

Em termos de cenários, Aubrey Hall é paradisíaco no sentido em que conjuga, na perfeição, sumptuosidade com braveza, numa personificação imaculada de toda a natureza floral e animal, assim como da opulência do estatuto social de Anthony, o seu real proprietário. E embora os restantes panos de acção tenham o seu quê de especial ou magnífico, não há nada que arrebate tanto quanto uma espécie de casa de campo onde se organiza um dos eventos mais importantes de toda a temporada londrina, e onde a paixão, a volúpia e até o amor entre Kate e Anthony começa, verdadeiramente, a florir e a colher o seu fruto.

Quanto a mim, Peripécias do Coração foi um romance que me encheu, por completo, as medidas. Adoro o estilo invulgar e divertido de Quinn, o secretismo que a sua trama acarreta pelas mãos de uma Lady Whistledown incrivelmente avassaladora e perspicaz, e a força e determinação que as suas personagens sempre encontram e sempre usam. Pessoalmente, uma das melhores, se não mesmo a melhor, no seu género.
Uma brilhante aposta por parte da ASA, numa autora refrescante que veio agraciar o mercado histórico e romântico com narrativas leves e subtis, que se lêem num só fôlego, e que se encontram repletas de brilho e hilaridade, de puro requinte. Absolutamente recomendado!

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Quarta em Imagens


Numa nova rubrica semanal, o Pedacinho apresenta «Quarta em Imagens»!
Todas as quartas feiras será publicado o destaque de um determinado autor, livro ou série/saga, em formato visual, ou seja, através de uma fotografia. O Pedacinho espera, com isso, divulgar algumas das obras que se encontra actualmente a folhear assim como dar um vislumbre das opiniões que poderão vir aí...

Assim, hoje trago-vos... Julia Quinn!, com a série «Bridgertons».


sexta-feira, 30 de março de 2012

Crónica de Paixões e Caprichos, Julia Quinn [Opinião]



Título Original: The Duke and I
Autoria: Julia Quinn
Editora: ASA
Nº. Páginas: 367
Tradução: Helena Ruão


Sinopse:

As mães casamenteiras da alta sociedade londrina estão ao rubro: Simon Bassett, o atraente (e solteiro!) duque de Hastings, está de volta a Inglaterra. O jovem aristocrata mal sabe o que o espera pois a perseguição das enérgicas senhoras é implacável. Mas Simon não pretende abdicar da sua liberdade tão cedo…
Igualmente atormentada pela pressão social, a adorável Daphne Bridgerton sonha ainda com um casamento de amor, embora a sua espera por um príncipe encantado comece já a ser alvo de mexericos. Juntos, os jovens decidem fingir um noivado, o que garantirá paz e sossego a Simon e fará de Daphne a mais cobiçada jovem da temporada.
Mas, entre salões de baile e passeios ao luar, a paixão entre ambos rapidamente deixa de ser ficção para se tornar bem real. E embora Daphne comece a pensar em alterar ligeiramente os seus planos iniciais, Simon debate-se com um segredo que pode ser fatal…


Opinião:

Meia dúzia de enganos e palavras imperfeitas levam a que uma criança se refugie na rebeldia da indiferença. Esquecendo o título, esquecendo o nome, foca-se inteiramente naqueles que, de algum modo, a poderão ajudar a ser alguém... que vá contra os padrões a si associados. Mas quando uma bela e interdita jovem se cruza no seu caminho, nem o mais arrogante e ameaçador dos irmãos poderá, alguma vez, dissuadir o intenso desejo que esta criança virada homem tem de a possuir. E assim... começam os mexericos.

Crónica de Paixões e Caprichos trata-se da assombrosamente divertida e comovente estreia de Julia Quinn, em terras lusas. Pegando numa família numerosa e ironicamente arrebatadora, esta autora cria um enredo genial que, sempre pontuado com um certo humor, cativa o leitor logo ao fim das primeiras páginas, quando uma das personagens de maior interesse e importância é apresentada de forma enternecedora embora altamente conflituosa. Este primeiro vislumbre problemático perseguirá ambos leitor e personagem ao longo de toda a trama, provocando o primeiro com avanços e recuos prazenteiros e o segundo com uma imensidão de negações e provações.
Dotada de uma linguagem moderna mas, ainda assim, apropriada à época em questão, ao mesmo tempo que inunda as suas páginas de desafios constantes e momentos ilustremente hilariantes, Julia Quinn transforma-se, e com uma facilidade estonteante, numa autora de destaque merecido.

Diz-se que as personagens são o núcleo de uma história, e esta apaixonante narrativa não é excepção! Toda a família Bridgerton é meticulosamente primorosa. Dos intervenientes mais divertidos e extasiantes que tive o prazer de conhecer, este conjunto de indivíduos é espectacular no seu humor, elegante no modo em como se protegem e apoiam mutuamente e excessivamente viciante nas pequenas distinções – e até semelhanças – que os constituem.
Daphne é uma personagem delicadamente desafiadora. Com uma personalidade vincada e anos de experiência a lidar com rapazes, esta jovem senhora que mal pode esperar por casar e constituir família, vê-se enredada numa teia de falsos interesses e mentiras dissimuladas que, a não ser que jogue com cuidado, a muito custo conseguirá escapar incólume. É que brincar com o amor é o equivalente a brincar com o fogo, e se Daphne não estiver atenta, certamente irá queimar-se.
Simon Bassett é o típico galã atormentado por um acontecimento do passado que marcou todo o seu crescimento pessoal e social. Homem de uma beleza infinita e de um auto-controlo de ferro, esta personagem é uma delicia do principio ao fim, esteja ele a ser importunado pela não aceitação do seu melhor amigo, ou pela irresistível beleza de Daphne.

A um nível pessoal – embora tenha ficado deslumbrada com Simon –, gostei imenso dos Bridgerton. Esta família de loucos é mortificante na exuberância de cada uma das nove personalidades irreverentes que apresenta. Se por um lado temos uma Violet dissimuladamente inteligente, por outro temos uma Hyacinth femininamente arrebatadora, passando por um Anthony de «o que raio se está a passar?» sempre aflorado nos lábios, um Colin sedutoramente descontraído e uma Daphne eximiamente teimosa. Sem dúvida, um leque de personagens muito bem caracterizado e inserido na época retratada, que levará o leitor a soltar um incontável número de gargalhadas e suspiros.

Dentro do género em que se insere, Crónica de Paixões e Caprichos trata-se de um romance maravilhoso no sentido em que conjuga, em igual medida, doses de humor, conflito e acção. Passando por todo um turbilhão de emoções, desde o amor à paixão, do medo ao ódio, este belíssimo enredo destaca-se pelas opções tomadas por parte da autora, pelos caminhos que as suas personagens tomam, e pelos mexericos e intrigas que, no início de cada capítulo, uma misteriosa Lady Whistledown lança para a sociedade.

Um fulgurante romance de época, imperdível na sua diferença, magnífico no seu conteúdo, esta é uma obra que qualquer apreciador do género – e não só! – não poderá perder. Uma trama leve, que facilmente entretém e deslumbra, Crónica de Paixões e Caprichos é, para mim, uma das grandes apostas do ano, por parte de uma editora que tem vindo a surpreender a cada mês que passa, ASA.
Mal posso esperar por saber que tem Lady Whistledown a informar, não só a Londres, mas também a nós leitores! 
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