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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Recomendações Literárias #2



O prometido é devido!

E por isso trago-vos, hoje, as minhas recomendações literárias natalícias dentro do romance adulto. Vão encontrar de tudo um pouco, desde livros que foram lançados este ano a romances que já figuram nas prateleiras há algum tempo mas que não podem, de todo, ser esquecidos. Espero que, por entre a lista que se segue, esteja algum título que vos desperte a atenção — e já sabem, se clicarem no título do livro que se encontra escrito algures no texto, podem ter acesso às opiniões publicadas aqui no blogue sobre os mesmos. 


Sendo o meu favorito até ao momento, dentro do romance de época tinha de recomendar A Grande Revelação, de Julia Quinn. Os Bridgerton são das famílias mais cómicas, divertidas e excêntricas que conheço, dentro do género, e seria uma pena vocês não se deixarem deliciar por esta fabulosa série dos tempos da Regência Inglesa. Muito, muito bom.

Também dentro do romance de época, Madeline Hunter é outro dos nomes que guardo perto do coração. Os seus livros são enigmáticos, apaixonantes e, sem dúvida, viciantes pelo que Mil Noites de Paixão seria, somente, um excelente acréscimo caso este seja um género literário do vosso agrado.

Não existem muitos romances eróticos que eu diga: gostei e recomendo! A Submissa, de Tara Sue Me, é dos meus favoritos e daqueles que, caso tivesse de ler uma segunda vez, não hesitaria em fazê-lo. O papel de submissa/dominador está excelentemente bem explorado e toda a componente de menina inocente que cai nas agarras de homem sedutor não se encontra nestas páginas — uma das razões pela qual gostei tanto. Caso ainda não conheçam, é um título certamente a explorar. 

Esta é uma das novidades deste ano — algo que não encontrarão muito por aqui, nestas recomendações — e que não poderia deixar de parte. Envolvidos tanto pode ser categorizado como um romance contemporâneo como um romance erótico pelo que acho que é de lhe se dar uma hipótese. Emma Chase inverte os papeis no que diz respeito à narração e, pela primeira vez, encontramos o nosso galã como protagonista. Diferente, e muito, muito bom.

Já li este livro há alguns anos e mesmo assim ainda me recordo dele, como se fosse ontem. Leila Meacham é uma escritora fantástica, que faz o leitor voar por entre as páginas dos seus livros, e este seu Rosas é dos melhores romances históricos que tive o prazer de ler. Extremamente bom.

Se gostam ou sentem-se intrigados pela história de Romeu e Julieta, então acreditem em mim quando digo que vão querer ler este livro. Julieta, de Anne Fortier, trata-se de um romance histórico como nunca li. Ligando a narrativa destes amantes da literatura com as nuances e descobertas da personagem principal, e tendo como pano de fundo as belas ruas de Siena, esta é uma história singular e muito, muito aconchegante.

Procuram um romance de cariz histórico com uma pontada de contemporâneo? Então O Segredo de Sofia é a escolha perfeita! Susanna Kearsley tem das escritas mais belas que já tive o prazer de ler e as suas histórias são sempre um intricado de romance com história. Um excelente livro.

Um dos meus livros favoritos de todo o sempre, Quando Sopr@ o Vento Norte é um livro que espero reler, e reler, e reler, e por isso mesmo é que se encontra aqui. Moderno e baseado na troca de emails, Daniel Glattauer explora os afectos entre dois personagens que tanto têm a partilhar online quanto o deveriam pessoalmente. Altamente recomendado por mim.

Querem um romance leve, interessante e que vos faça rir? Então espreitam a obra de David Safier. Dos três livros que se encontram actualmente publicados em terras lusas, Maldito Karma é o meu preferido – admito que tal possa ser por ainda não ter terminado o terceiro, mas pronto. Se pensam que as coisas más só vos acontecem a vocês, então esperem até lerem a inacreditável jornada de Kim Karlsen.

Capaz de fazer qualquer leitor verter lágrimas, Anna McPartlin é fenomenal e Estarás Sempre Comigo é dos meus romances favoritos da autora. Moderno, com uma escrita poética quanto simples, e pegando em temáticas difíceis e sofredoras, este é um daqueles livros que vão querer ler junto da lareira ou na companhia de um chocolate quente. Muito bom.

Não podia terminar esta lista de recomendações sem referir Sarah Addison Allen. Todos os livros desta autora são pura magia, mas O Jardim Encantado é dos que mais... encanta com a sua macieira mágica e as suas personagens únicas. Um livro que não podem deixar passar ao lado.


E estas são as minhas recomendações — para ofertas de natal a pessoas importantes para vocês ou para vocês mesmos — dentro dos géneros romance de época, romance erótico, romance histórico e romance contemporâneo. Espero que algum — ou muitos — destes títulos figurem nos presentes da vossa árvore de natal, e no fim de semana podem contar com as recomendações para fantasia e distopia young adult — para aqueles que, como eu, deixam a compra das ofertas de Natal para a última da hora.

Boas Leituras & Boas Festas!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Deslumbrante, Madeline Hunter [Opinião]




Título Original: Ravishing in Red
Autoria: Madeline Hunter
Editora: ASA
Nº. Páginas: 320
Formato: eBook


Sinopse:

Numa época em que a reputação de uma mulher é o seu bem mais precioso, Audrianna desafia todas as convenções. Ela é uma jovem determinada, independente... e disposta a tudo para aniquilar o seu adversário, o altivo Lord Sebastian Sommerhayes. A uni-los está um homem: o pai de Audrianna, que morreu envolto nas malhas de uma conspiração. Para Audrianna, essa tragédia significou o fim da sua inocência. Para Sebastian, que liderou a investigação, foi apenas uma morte merecida. Audrianna jurou limpar o nome do pai, mas nunca esperou sentir um desejo tão avassalador pelo homem que o arrasou. A busca pela verdade vai levá-la demasiado longe numa sociedade que é implacável perante a ousadia feminina. Ao ver-se mergulhada num escândalo que pode ser-lhe fatal, Audrianna tem apenas uma inconcebível opção... Deslumbrante é o primeiro volume da série As Flores Mais Raras. Mais uma apaixonante e sensual saga histórica pela mão da Rainha do Romance.


Opinião:

Alguns, embora não muitos, autores representam histórias obrigatórias na minha estante. Sejam melhores ou piores tentativas de expressar o seu talento enquanto contadores de fábulas, eu, enquanto ávida leitora dos seus trabalhos, sinto uma necessidade violenta de acrescentar cada novo título, cada momento escrito mais antigo, à imensa quantidade, já em casa existente, de outros romances por eles escritos, e essa é urgência à qual não consigo fugir. Madeline Hunter é um desses nomes ‘especiais’, que detém uma posição privilegiada entre todas as narrativas que fazem parte do meu quotidiano literário.

Não é que faça já bastante tempo desde o instante em que folheei a última página deste enredo, mas verdade seja dita que muita informação, grande parte académica, me perturbou nos ‘entretantos’, e, talvez devido a isso mesmo não esteja capaz de precisar alguns dos momentos chave, algumas das peculiaridades ditas mais interessantes, que perfazem o conteúdo romântico desta obra. Ainda assim, e embora a impressão inicial não tenha sido das mais envolventes, recordo que terminei a leitura deste que é o primeiro volume de uma ‘nova’ tetralogia da autora, intitulada, em português, de As Flores Mais Raras, com uma sensação de satisfação, não plena, não absolutamente arrebatadora, mas, no entanto, com o seu quê de agradável.
Deslumbrante segue, então, o mesmo caminho traçado por tantas outras abordagens históricas de Hunter, focando-se, desta feita, numa personagem feminina que, de uma forma ou de outra, tem vindo a desafiar algumas das convenções próprias da época ao residir, em conjunto, com mais quatro mulheres solteiras, enquanto, no outro pólo, se encontra um homem de reputação inigualável que procura confirmar a réstia de esperança, e de vingança, que o consome a si, ao seu irmão, e à sua família.  

Não sendo história que fuja, em grande medida, do que é já esperado por parte desta autora, foi com um misto de familiaridade e ressentimento amargo que percorri os capítulos das vidas de Audrianna e de Lord Sebastian. Familiaridade porque, inadvertidamente e logo ao começar, já me sentia conhecedora do ‘felizes para sempre’ que ambas as personagens principais iriam encontrar nos braços uma da outra, e ressentimento amargo porque, sem totalmente o perceber, esperava, torcia, por algo novo, algo refrescante e diferente que pelo menos tentasse arrebatar-me. Infelizmente, tal não aconteceu...
A minha pouca ligação sentimental com esta obra em especifico expressa-se logo pelo facto de os intervenientes que mais me marcaram, mais me fizeram rir e compadecer com as suas situações, serem figuras secundárias, dois homens que tanto têm de brilhante como de corrosivo. Morgan, o irmão de Sebastian que se viu martirizado na guerra, e Castleford, que não se nega aos prazeres do jogo e da carne, foram quem captou a minha atenção e, por sinal, a minha simpatia e aqueles que espero, ardentemente, ‘ver’ melhor explorados em volumes futuros. Quanto a Audrianna e Sebastian, não é que não tenha pedido pelo seu amor ou felicidade, somente não me senti tão atraída e tão curiosa pelo seu desfecho, pela conclusão do mistério que os afecta a ambos—e a outros—como aconteceu com as duas personagens anteriormente referidas.

O ambiente em si persiste na linha de muitos dos romances precedentes de Hunter­—sente-se a vivência britânica e a época festiva e de valores ‘duvidosos’ nos conceitos do que é correcto socialmente e do que é esperado de uma mulher. Ainda assim, foi com um imenso prazer que vi uma temática do meu interesse ser explorada nesta narrativa—as flores. Sem dúvida, um tema que espero encontrar fortemente presente nos três livros que ainda faltam para a conclusão desta pequena série.
Não sendo o melhor trabalho da autora, Deslumbrante continua a ser uma excelente aposta por parte das Edições ASA, numa escrita que é, certamente, bastante acarinhada pelo público português feminino. Provocadora, o segundo volume desta tetralogia encontra-se já publicado, no nosso idioma, e conta com a história de outro dos homens interessantes de Deslumbrante, o elegante Hawkeswell.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Mil Noites de Paixão, Madeline Hunter



Título Original: Lord of a Thousand Nights
Autoria: Madeline Hunter
Editora: ASA
Nº. Páginas: 334
Tradução: Ana Álvares


Sinopse:

Eles não têm absolutamente nada em comum. Lady Reyna é uma mulher virtuosa e erudita, que preferia morrer a quebrar uma promessa ou voto.
Ian de Guilford é um sensual mercenário, um cavaleiro errante cujo temperamento fogoso lhe valeu a alcunha de Senhor das Mil Noites.
Ela não conhecia a sua fama quando, fazendo-se passar por cortesã, transpôs as linhas inimigas com um plano desesperado para salvar o seu povo. Agora que está frente a frente com o guerreiro cujos encantos, diz-se, é impossível resistir, Reyna apercebe-se de que subestimou o seu inimigo. Ele está decidido a tudo para subjugar a sua virtude. A bem do seu povo, ela não pode ceder... e a sua audácia leva-a a fazer algo com que nunca sonhou: pôr em jogo o seu coração.


Opinião:

Numa época pontuada pelo desespero da guerra e pelo sangue das lutas, dois corações batem em uníssono. Enquanto um anseia pela glória da conquista e o conforto do dinheiro, o outro sofre pela incapacidade de proteger o seu povo e o seu castelo, ao mesmo tempo que os dois corações pulsantes, em frentes distintas, farão de tudo – até o inimaginável – para alcançar o seu propósito... sem nunca sonharem que, em conjunto, seriam a outra metade um do outro.

Mil Noites de Paixão é o avassalador regresso a uma autora que tanto admiro e estimo. Madeline Hunter faz parte do meu restrito leque de escritoras favoritas – e obrigatórias! – tanto mais pelo seu incomparável e insubstituível talento como pelos deliciosamente saborosos e genuínos enredos que partilha com os seus leitores e fãs. Para mim, esta é uma autora cujo estilo muito próprio e singular de escrita é capaz de me arrebatar por completo, levando-me a experienciar, quase em primeira mão, todos os conflitos, dúvidas e catástrofes amorosas e sociais – e não só! – pelas quais as suas personagens têm de encontrar um meio de escape e, por vezes, de aceitação face o inevitável. Um intricado narrativo espectacular e incrivelmente sólido, repleto de intensas surpresas e estupefactas reviravoltas alucinantes, de deixar o leitor totalmente rendido.

Ian de Guilford é o protótipo perfeito de um guerreiro inteligente e ávido por descoberta, que sabe comandar uma frente e vencer qualquer batalha. Destemido, corajoso e homem de um carisma e poder de sedução notáveis, com uma reputação que o precede, este é um lutador que não tem medo de correr riscos e de fazer por alcançar os seus objectivos. O problema começa quando uma jovem e algo atraente mulher decide fazer uso de uma experiência que não tem para o cativar – até matar – de modo a impedir os seus esforços em conquistar território escocês. Mas nem mesmo quando essa hipótese é eliminada, o coração de Guilford conseguirá algum descanso. É que esta mulher recusa-se a ser subjugada à vontade de um desconhecido e, acima de tudo, não aceita ser uma vítima. E muito devido a isso, toda uma corrente de sentimentos fortes e travessos tomarão algum do espaço livre bem dentro do peito de Ian, de forma a que este seja obrigado a confrontar-se com uma série de questões às quais esperava conseguir escapar imune.
Lady Reyna somente tem um receio – não ser capaz de oferecer segurança àqueles que tanto ama e que tanto fazem pelo seu castelo. Viúva precoce, cobiçada por uns e desdenhada por outros, ela é uma jovem mulher habituada à comodidade da solidão e aos livros que sempre a acompanham, uma pequena parte do legado deixado pelo seu marido que, aparentemente, muitos segredos escondeu. Contudo, quando se vê entre a espada e a parede, de mais do que um lado, escolhas precipitadas e impensadas terão de ser feitas... mesmo que, no final de contas, apenas lhe reste antagonizar o homem que, em última instância, lhe poderá conceder a liberdade de que precisa. Mas as questões do coração são demasiado complicadas e a sua mente tem, forçosamente, de estar centrada naquilo que pode fazer pela sua casa e a sua «família». Conseguirá Reyna reter a paixão que, gradualmente, insiste em a consumir?

Parte da beleza deste romance em particular reside no pormenor de Madeline Hunter presentear, numa constante, o seu leitor com aparecimentos, uns mais breves do que outros, de personagens que tomaram as rédeas do protagonismo em obras anteriores. E talvez por ser possível encontrar intervenções por parte dos casais de Casamento de Conveniência e de O Protector, a ligação tecida entre leitor e livro seja mais rápida e, também, bastante mais fervorosa e veemente. É que se não bastasse a própria descoberta e conhecimento das novas personagens que conferem «aquele» encanto muito especial à narrativa em si, o facto de o leitor ter oportunidade de matar algumas saudades faz com que a leitura sofra toda uma nova e incontrolável explosão de emoções e necessidade em prosseguir entre as páginas capaz de deixar, mesmo o mais impulsivo dos leitores, atordoado. E isso, só Hunter consegue fazer.

O enredo, muito ao estilo que a caracteriza, apresenta-se interessante e decididamente apelativo. Tendo em conta todas as disputas criadas entre os dois protagonistas, não há como fugir ao divertimento puro e à ânsia de ver quando é que o coração vai, finalmente, falar mais alto. A situação da guerra, dos ódios que atingem mais do que uma família e território, das segundas intenções que fazem mover peças importantes de um puzzle algo enigmático e de uma fortuna extremamente cobiçada, a par de um turbilhão de sentimentos românticos partilhados tanto entre os casais de viagens passados como por Ian e Reyna, perfazem de Mil Noites de Paixão um romance de época preenchido com todos os ingredientes certos. A acompanhar uma escrita agradável, maravilhosa e que impulsiona à leitura, não me restam dúvidas de que este é um livro obrigatório tanto para quem segue o trabalho da autora e/ou gosta deste género de histórias, como para quem nunca experimentou e pensa na hipótese de percorrer estas incríveis e apaixonantes páginas.

Pessoalmente, esta foi a obra que mais gostei de todo o reportório da autora que tive o prazer de ler até ao momento. Sente-se o cuidado, a atenção dos detalhes, da contextualização histórica, do crescimento das personagens e das ligações que levarão a um culminar de surpresas e paixão totalmente inesperado. Adorei Ian. Adorei Reyna. Adorei o enredo criado para estas personagens. E continuo a adorar Madeline Hunter. E vocês, do que estão à espera?
Mais uma aposta da ASA, que não poderão perder!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Entrevista a Madeline Hunter!


Madeline Hunter é uma das autoras americanas mais aclamadas pela crítica, dentro do seu género. Publicou o seu primeiro romance em Junho de 2000 e, actualmente, já escreveu mais de vinte romances históricos e ganhou, por duas vezes, o prémio RITA com Stealing Heaven (2003) e Lições de Desejo (2008). As suas obras encontram-se traduzidas em doze línguas, tendo vendido mais de seis milhões de exemplares. Doutorada em História de Arte e professora académica, Madeline Hunter é uma autora simples que tira prazer em viagens, leituras e visitas a museus.
Publicados em Portugal pelas Edições ASA podem ser encontrados seis dos seus romances: «Regras da Sedução», «Jogos de Sedução», «Casamento de Conveniência», «Os Pecados de Lord Easterbrook», «O Protector» e, mais recentemente, «Lições de Desejo».

Aqui fica a entrevista (traduzida) feita à autora no passado mês de Agosto. Espero que gostem!

Dos livros que publicou até ao momento, tem algum que guarde mais próximo do seu coração? Se sim, porquê?
É complicado responder a isso. Muitos me são próximos por diversos motivos, embora tenha de eleger O Protector como um dos mais apegados para mim, por ter sido a primeira história que escrevi, ainda que não tenha sido a primeira a ser publicada.

Pessoalmente, vejo as personagens como a verdadeira essência de um livro. Concorda? E teve alguma personagem que tenha precisado de um maior cuidado e atenção?
Concordo completamente. Também penso que os leitores respondem mais facilmente às personagens. Várias das minhas personagens precisaram de um cuidado especial. Anna, em O Protector, foi uma delas muito devido ao facto de não ser uma mulher comum para o seu tempo e, como tal, era essencial torná-la credível dentro do seu período histórico. Assim como o meu livro The Romantic, onde o herói é um homem calado e escrevê-lo de forma a mostrá-lo interessante mantendo-o “na personagem” foi difícil e necessitou de muita atenção. Depois existem outras personagens que os leitores apreciam como intervenientes secundários, como Castleford na série The Rarest Blooms, que requereram um certo cuidado quando se tornaram a personagem principal de um livro.

De todas as personagens que escreveu até ao momento, tem alguma que considere especial? Porquê?
Não existe efectivamente uma personagem especial. De maneira a escrever estes livros, cada personagem tem de ser a mais especial quando estou a escrever a sua história. Por isso, no final de contas, acabam todas elas por ocupar igual espaço no meu coração.

Já alguma vez lhe surgiu mais do que uma excelente ideia, para um livro, ao mesmo tempo? E se sim, como resolveu a situação? Como é que decidiu qual desenvolver primeiro?
Normalmente coloco uma de lado e isso resulta. Porém, houve uma vez em que isso não aconteceu e tive de escrever dois livros ao mesmo tempo. Eram também histórias completamente diferentes e os dois foram editados como By Possession e The Saint.

Li algures que muitos escritores necessitam de ter uma rotina ou horário de escrita para manterem a mente focada no livro em que estão a trabalhar. Acontece o mesmo consigo? Ou deixa a sua imaginação fluir?
Maioritariamente, flui. Assim que me sento e começo as coisas acontecem. O problema é mesmo sentar-me. :)

Quando é que se apercebeu que queria viver da escrita?
Por mais estranho que pareça, para mim não foi assim que aconteceu. Decidi terminar algumas histórias e ver se tinham possibilidade de serem publicadas. Nunca fiz por “fazer vida” disso porque sabia de antemão que seria algo bastante difícil de alcançar. No fim, consegui fazer da escrita um modo de vida e ninguém poderia estar mais surpreso do que eu!

Porque é que decidiu escrever romance histórico sensual em detrimento do tradicional romance histórico ou do romance contemporâneo?
Nos Estados Unidos os meus livros não são considerados sensuais, logo a questão é um pouco inesperada. Acreditem, existem livros e romances bem mais sensuais por aqui. Nos Estados Unidos, sou vista como uma autora de romance histórico tradicional, no entanto, com isso dito, escrever um nível alto de sensualidade fez sentido para mim enquanto escrevia os meus primeiros livros. Estes homens e mulheres estavam perdidamente atraídos uns pelos outros a nível sexual e fechar-lhes a porta quando descobriam essa parte dos seus relacionamentos pareceu-me “traição”.
Continuando o que referi em cima sobre os diferentes tipos de romance nos nossos países. Nos Estados Unidos, um romance histórico que não está verdadeiramente focado no romance mas que, ainda assim, apresenta algumas pitadas dele, não é vendido como um “romance”. É vendido como uma obra histórica mainstream (convencional). Estas distinções eram óbvias para mim quando visitei Portugal. Vocês apelidam muitos livros de romance que cá não chamamos de romances.

Já alguma vez escreveu um livro do qual não gostou particularmente?
Tento não o fazer. Já tive alguns que exigiram tanto trabalho de modo a ficarem bons que, depois disso, fiquei com alguns sentimentos ambíguos em relação a eles. Não os vou é nomear. :)

Tem algum outro género literário que gostaria de experimentar?
Já brinquei um pouco com alguns mistérios. Talvez tente uma dessas obras históricas de mainstream que mencionei em cima.

Do que é que gosta mais, de ser escritora?
E menos?
A melhor parte é transformar mundos e personagens em algo vivo e deixar que a minha imaginação tenha liberdade total. A pior parte é todo o trabalho que isso envolve. Escrever um livro não é fácil e requer muita auto-disciplina em que por vezes me rebelo.

Lições de Desejo vai ser publicado em Portugal no final deste mês (Agosto). O que é que nos pode contar sobre a história?
Bem, primeiro, aqui nos Estados Unidos, ganhou o prémio RITA, que é o reconhecimento mais importante na categoria de obras românticas. Foi aclamado de melhor romance histórico no ano em que foi publicado. Contudo, não é, em muitas maneiras, o romance típico no sentido em que a heroína não é uma coisinha jovem e doce mas sim uma mulher extremamente independente e pensadora. Ela é o que nos dias de hoje se chamaria de “boémia” e não anda à procura de um casamento. Existe também um subtexto no livro que nem todos os leitores reparam onde a relação sensual é uma metáfora para assuntos de poder e domínio na relação como um todo. Aqui nos Estados Unidos, tive alguns leitores que não gostaram da matriz diferente que foi dada enquanto que outros acharam que foi o melhor romance que alguma vez leram. Outros leitores mais jovens, na casa dos 20 e dos 30, acharam que foi uma história que espelhou as suas próprias vidas.
No coração do livro fica a pergunta: o que é que uma mulher deve abdicar de si mesma em nome do amor?

Tem algum poder na decisão/escolha das capas nacionais e/ou internacionais dos seus livros? E alguma de que goste ou desgoste particularmente?
Adoro as minhas capas em Portugal. São encantadores, com um bom design e detêm uma sofisticação que me atrai tanto como leitora como historiadora de arte. Nos Estados Unidos adoro igualmente as minhas capas mas estas são especificamente “de romance” dentro da distinção anteriormente mencionada. Nos Estados Unidos, as minhas capas portuguesas seriam encontradas em livros de “ficção feminina” e não particularmente na secção de “romance”.

Tem por hábito ler as críticas feitas aos seus livros? E já alguma coisa que um crítico ou leitor escreveu ou disse sobre si mudou a forma como escreve?
Não leio críticas. Costumava fazê-lo e li algumas muito atenciosas que me mostraram perspectivas nos meus livros que eu mesma não tinha percepcionado mas não mudo o meu estilo de escrita em resposta às críticas. Penso que é um grande erro escritores fazerem isso. Como um dos meus amigos autores disse: se tentares agradar a toda a gente, acabas com pudim de baunilha.

Para quando o lançamento de um novo livro e do que se trata?
Tenho um livro novo agendado para Março de 2012. Chama-se The Surrender of Miss Fairbourne e é o começo de uma nova série. É sobre uma mulher que recebe uma casa de herança e que descobre que tem um parceiro “invisível” secreto que é Conde. Apercebe-se ainda que o seu pai esteve envolvido numa série de assuntos antes de morrer, os quais ela necessita de manter em segredo mas que acaba por se sentir atraída para as mesmas actividades perigosas.

A um nível mais pessoal, como é que é uma típica terça-feira na vida de Madeline Hunter?
Bem, acordo, bebo café, sento-me ao computador e antes de mais leio o email. Eventualmente posso abrir o manuscrito em que estou a trabalhar no momento e escrevo durante o máximo de tempo possível, pelo menos algumas horas. Depois trato de algumas questões de negócios e também edito partes já escritas do manuscrito. Por volta das 16 horas volto a minha atenção para a família e lides da casa.

Qual foi o último filme que viu? E o último livro que leu?
Hmmm. Tenho tendência para ver os filmes após estes saírem do cinema e alguns vejo mais do que uma vez. Penso que o mais recente que vi foi um filme baseado em Jane Austen, Northanger Abbey. O último livro que li foi uma obra de Christina Dodd chamado Storm of Visions.

Como é que gosta de passar o seu tempo livre?
Gosto de viajar, passear, jantar fora e visitar museus.

Que conselhos daria aos jovens escritores que sonham um dia ser publicados?
O melhor conselho é escrever. Mergulhem na escrita pois é a forma mais rápida de se aprender. Esperem que o primeiro manuscrito seja um pouco irregular e não presumam logo que, por estar terminado, deve ser publicado. Existe uma curva de aprendizagem mas gostar do que estão a fazer faz parte da diversão. Tenham prazer no processo porque é impossível continuar, mesmo quando um romance nosso é publicado, se assim não for.
Outro conselho que posso dar é que leiam muito, claro. E também que arranjem forma de entrar em contacto com outros autores de sucesso, mesmo que seja online, para que possam começar a aprender sobre o processo de publicação e que expectativas aguardar tanto para as histórias como para os escritores.

Esteve recentemente em Portugal, de visita, o que lhe permitiu conhecer pessoalmente alguns dos seus leitores portugueses. Gostaria de lhes deixar uma mensagem?
Olá! Foi muito especial para mim chegar a Portugal e conhecer alguns dos meus leitores. Tenho tido conhecimento de vocês há já vários anos e sei que visitam o meu site e que alguns de vós me escreveram. Sinto-me verdadeiramente enternecida em saber que as minhas histórias encontraram um tão maravilhoso grupo de leitores em Portugal. 


Lições de Desejo, Madeline Hunter



Título Original: Lessons of Desire
Autoria: Madeline Hunter
Editora: ASA
Nº. Páginas: 367
Tradução: Ana Sofia Pereira


Sinopse:

Se Phaedra Blair ao possuísse tanta beleza e estilo, a alta sociedade achá-la-ia apenas estranha. Mas como a Mãe Natureza a dotou de ambas as coisas, consideram-na interessante e excêntrica. Ela é uma mulher à frente do seu tempo. Deseja liberdade e persegue um sonho. Apaixonar-se não está nos seus planos imediatos. Aliás, o seu primeiro encontro com Lord Elliot não é auspicioso. Injustamente presa, será graças ao poder e charme do jovem que consegue escapar. Mas Phaedra depressa descobre que o preço da sua “liberdade” é ficar irremediavelmente ligada ao seu “herói”. Pois Elliot Rothwell não agiu apenas numa missão de boa vontade. O seu objectivo é garantir que Phaedra não publicará um manuscrito que ameaça destruir o bom nome da sua família, e para tal, ele está disposto a tudo. Não contava, porém, encontrar uma adversária à sua altura. Os dois jovens vão debater-se com as convenções de uma sociedade rígida e, acima de tudo, com sentimentos tão intensos quanto contraditórios.


Opinião:

Existe algo de indecifrável e extremamente atractivo na escrita de Madeline Hunter, uma particularidade única e especial que agarra o leitor às suas deliciosas páginas, sequioso por descobrir que desfecho enigmático aguardará o casal principal retratado.
Os livros desta autora são, para mim, uma constante lufada de ar fresco, mais um sonho sobre um passado longínquo com costumes e normas de uma época que resolutamente me fascina, me cativa e me atrai. Como uma das minhas contadoras de histórias de eleição, Madeline Hunter não só tem a capacidade de transmitir com clareza toda uma parafernália de sensações e emoções a quem a lê, todas elas vivamente experienciadas pelas suas fabulosas personagens, como, de igual modo, consegue transportar o leitor para o tempo e o mundo em que estas efectivamente actuam graças a pormenorizadas descrições e a uma atenção extrema na linguagem “falada” e escrita.

Phaedra Blair tem de ser das protagonistas mais intrigantes, complexas e interessantes que tive o prazer de conhecer através do intelecto criativo de tão brilhante escritora. Ela é apelativamente atraente, notoriamente inteligente, incrivelmente excêntrica e decididamente dominante. A sua liberdade é tudo para si! Educada por uma mãe erudita mas precocemente ausente e marcada por uma traição misteriosa, Phaedra cresceu sob as normas da independência feminina e da rescisão à união através do casamento – e, neste último, consequentemente, da perda dos seus direitos e vontade. Assim, quando se vê encurralada numa prisão equívoca em plenas terras italianas onde a sua única salvação se apresenta na figura de um galante cavalheiro inglês, Phaedra não olhará a meios para atingir os seus fins e, desse modo, descobrir todo o enigma que envolve a morte prematura da sua mãe, mesmo que isso coloque os seus ideais e cortesia profusamente em risco. Contudo, e como boa senhora de si, acredita estar apta a ultrapassar qualquer adversidade que se apresente pela frente, seja ela num papel sensual desempenhado por um homem destemido, arrogante e apaixonado ou na pele de uma série de indivíduos que procuram esconder-lhe a verdade que tão avidamente procura.  

Lord Elliot Rothwell é um homem que tanto tem de atraente como de curioso e arrogante. Filho mais novo do anterior Lord de Easterbrook (cargo actualmente ocupado pelo seu irmão mais velho, Christian), Elliot cresceu acompanhado de sua mãe em detrimento de uma relação de proximidade com o seu pai, legado que foi entregue aos dois outros irmãos. Porém, e já em adulto, quando surge o rumor de que um manuscrito importante será brevemente publicado e cujo conteúdo poderá colocar em perigo a notoriedade e reputação do título da sua família, Lord Elliot decide optar pelo caminho mais curto e sedutor por forma a contrariar a primeira vontade daquela que guarda em si a mais importante das decisões – Miss Phaedra Blair. No entanto, seguramente que não contava com o desenrolar activo e inesperado da sua relação com tão belíssima senhora... nem do poder que esta poderia ver a ter contra si.

Os dois protagonistas e a ligação que tecem entre si são o ponto fulcral de toda a narrativa. Sendo ambos tão diferentes e com objectivos importantes a cumprir onde não existe qualquer lugar para terceiros ou para o amor, terão de enfrentar as adversidades familiares, estrangeiras e, principalmente, primárias. O que começa por ser um mero acaso do destino rapidamente despoleta numa profusão de beijos intensos, sentimentos inexplicáveis e muito pouco domínio de ambas as partes. Em conjunto com os assuntos legais e políticos que insistem em não abandonar o espírito e mente tanto de Phaedra como de Elliot – no caso dela, a morte da mãe, a publicação das memórias do seu pai e o antigo proprietário de um camafeu herdado e, no caso dele, a publicação das mesmas memórias e posterior referência a seu pai, as insinuações e persuasões de Christian em despachar-se e os motivos profissionais que o levam a visitar terras distantes –, o leitor é impulsionado a seguir uma relação conturbada pela necessidade de liberdade por parte de Phaedra e de domínio por parte de Elliot. Duas vontades em conflito directo só poderiam significar um excelente retrato de época em todos os sentidos!

As paisagens e luxos relatados são profundamente arrebatadores tal é a potência e força da autora nas suas descrições e criações. É impossível para um leitor que sinceramente aprecie o género não se sentir tentado a abandonar tudo, encontrar uma máquina do tempo e voltar atrás até à Pompeia e Londres antigas, onde os duelos, o cavalheirismo e a corte faziam parte do dia comum.
Em conjunto com todos estes pormenores encontra-se ainda um leque já nosso conhecido de personagens secundárias muito apreciadas. Refiro-me, principalmente, a Christian Rothwell, o irmão que mais atenção despertou em mim, a Hayden Rothwell e Alexia Welbourne. Suportado por outros intervenientes de igual importância mas menor aparição, Lições de Desejo apresenta-se como um romance envolvente, delicado e muito, muito sensual, cuja real essência se cinge na busca frenética pela contínua independência de uma mulher livre que não aceita ver a sua vontade subjugada à palavra de um homem e que, no seu íntimo, acredita que a igualdade de poder num casal ou numa relação é o factor mais importante e decisivo para o sucesso da mesma.

Para quem gosta de romances históricos com pitadas de erotismo, este é a aposta ideal. Para quem conhece a autora e não dispensa as suas obras, Lições de Desejo é obrigatório e para quem nunca experimentou o género ou a escrita de Hunter, este livro seria um excelente começo de vício. Sem sombra de dúvida, mais uma excelente aposta da ASA cujo catálogo tem vindo a surpreender a cada mês que passa.

«Ele susteve-a com um pouco mais de firmeza, como se estivesse a ordenar à tempestade para se acalmar. O espírito dela obedeceu à sua ordem silenciosa. As nuvens dispersaram-se, a brisa fresca fluiu entre ambos e ela esteve totalmente com ele mais uma vez, num local repleto de calor, luz e liberdade.», pág. 314

« — O ímpeto de posse é demasiado forte e a tendência para o ciúme demasiado humana. Amar alguém sem pedir nada em troca, sem qualquer desejo ou esperança de permanência, não é natural. Eu perdi a minha liberdade quando me apaixonei por vós, minha querida. Agora, estou acorrentado a esse amor independentemente do que aconteça entre nós. Temo que esses grilhões durem uma vida, mas diabos me levem antes de me submeter à tortura constante de não saber se sois minha.», pág. 348

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O Pedacinho Literário esteve com...

... Madeline Hunter!

Foi no passado sábado, dia 18 de Junho, que uma das minhas autoras favoritas quase que forçou o marido a escolher um cruzeiro com passagem por Portugal. Curiosa por conhecer os seus leitores, a escritora combinou um encontro no piso -1, Livraria, do El Corte Inglês, em plena Lisboa. A afluência não foi muita o que, pessoalmente, penso ter criado um ambiente muito mais íntimo e acolhedor, um pouco ao estilo dos seus romances. 


De uma simpaia extrema e sorriso fácil, Madeline Hunter acompanhou algumas conversas particulares com algumas das suas fãs e assinou bastantes exemplares de sua autoria, dos mais diversos títulos. 


Deixo então o meu agradecimento ao Grupo LeYa e à ASA por terem tornado esta oportunidade possível, e também à própria Madeline Hunter por se ter deslocado até à nossa bela capital para uma visita rápida. 
Um pedacinho de tarde incrivelmente bem passado. 


Não se esqueça que o mais recente trabalho da autora, a ser publicado em Portugal, Lições de Desejo, está com data agendada para Agosto! Não perca a oportunidade de se delicitar com mais uma fabulosa narrativa de Madeline Hunter. Já falta pouco...


P.S. - Um especial obrigado à Sónia Areia, do blogue Esmiúça o Livro, pela fotografia. :)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Casamento de Conveniência, Madeline Hunter




Título Original: By Arrangement
Autoria: Madeline Hunter
Editora: ASA
Nº. Páginas: 352
Tradução: Ana Nereu


Sinopse:

Lady Christiana Fitzwaryn está apaixonada. Infelizmente, o seu futuro marido não é o homem dos seus sonhos mas sim um perfeito desconhecido, com quem o próprio rei Eduardo negociou o enlace. Sobre este homem, Christiana apenas sabe tratar-se de um mero mercador plebeu. Não estava, pois, preparada para o primeiro encontro: David de Abyndon revela ter um carisma extraordinário e nutre uma indiferença desconcertante em relação ao estatuto social dela. Para sua grande surpresa, é a aristocrata quem se sente perturbada na presença daquele homem de enigmáticos olhos azuis.
Por seu lado, David guarda uma dor secreta. Como pode confessar a Christiana que há mais naquele casamento do que aquilo que salta à vista? Como pode falar-lhe do seu acordo com o rei? Conseguirá convencê-la de que o amor que ela procura não se encontra no cavaleiro com quem ela sonha mas sim nos seus braços?
É que David pode ter-lhe comprado o corpo mas, no negócio, ter perdido para sempre o seu coração.

Opinião:

Já leram algum livro de Madeline Hunter? Porque se já, não se vão desiludir com este Casamento de Conveniência; se não, por favor corram às livrarias à procura de um dos seus romances: Jogos de Sedução, As Regras da Sedução e este magnífico Casamento por Conveniência, os três trazidos até nós pela ASA.

Christiana Fitzwaryn, além de se encontrar sob a custódia do rei, ser órfã e também demasiado velha para casar, é aquele tipo de rapariga inocente que desconhece por completo os custos e a sabedoria da vida. De um momento para o outro, Christiana vê-se arrancada dos braços daquele que ama e entregue a um homem desconhecido, recheado de mistério, segredos e de uma paixão louca. Tentando ao máximo persuadir David de Abyndon, um respeitável comerciante de profissão, a retirar ou negar a proposta de casamento entregue ao rei, Christiana vê-se obrigada a permanecer apaixonada por um homem que a abandonou e desconfortável com um outro homem que exerce um tipo de desejo provocador que ela nunca antes sentira ou soubera descrever e identificar. Revoltas, ameaças, falsos duelos e guerra preenchem muitas páginas assim como a paixão, o amor e o desejo que Christiana e David sentem um pelo outro.

Gostei imenso deste livro. Aliás, dos três, considero este o meu preferido. Recordo-me da personagem de Hayden, em As Regas da Sedução, me ter fascinado por completo mas David consegue igualá-lo se não mesmo superá-lo. E Christiana não se fica atrás. A sua inocência e destreza são descritas e demonstradas de uma maneira muito subtil e deliciosa e a relação dos dois, à medida que se vai intensificando, é sublime.
Podemos esperar deste livro o mesmo que dos outros dois. Descrições eróticas detalhadas, repletas de paixão e sentimentos. Injustiças e súbitas mudanças de planos que surpreendem o leitor que, nem por sombras, está à espera de ler aquilo a acontecer. Personagens fortes, carismáticas, de poder, apresentadas tanto no seu lado bom como no seu lado mau. E, acima de tudo, um muito bom descrever da época em questão.

Adoro esta autora por tornar tão fácil e involuntária aquela sensação de vivência dos personagens no leitor. O modo de escrita de Madeline Hunter é simplesmente maravilhoso e fascinante. A forma como expõe os conflitos internos dos personagens e descreve os seus sentimentos é de suster o fôlego. Se tiverem oportunidade de experienciar a leitura de um dos livros de Madeline Hunter, por favor façam-no.
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