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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Recomendações Literárias #2



O prometido é devido!

E por isso trago-vos, hoje, as minhas recomendações literárias natalícias dentro do romance adulto. Vão encontrar de tudo um pouco, desde livros que foram lançados este ano a romances que já figuram nas prateleiras há algum tempo mas que não podem, de todo, ser esquecidos. Espero que, por entre a lista que se segue, esteja algum título que vos desperte a atenção — e já sabem, se clicarem no título do livro que se encontra escrito algures no texto, podem ter acesso às opiniões publicadas aqui no blogue sobre os mesmos. 


Sendo o meu favorito até ao momento, dentro do romance de época tinha de recomendar A Grande Revelação, de Julia Quinn. Os Bridgerton são das famílias mais cómicas, divertidas e excêntricas que conheço, dentro do género, e seria uma pena vocês não se deixarem deliciar por esta fabulosa série dos tempos da Regência Inglesa. Muito, muito bom.

Também dentro do romance de época, Madeline Hunter é outro dos nomes que guardo perto do coração. Os seus livros são enigmáticos, apaixonantes e, sem dúvida, viciantes pelo que Mil Noites de Paixão seria, somente, um excelente acréscimo caso este seja um género literário do vosso agrado.

Não existem muitos romances eróticos que eu diga: gostei e recomendo! A Submissa, de Tara Sue Me, é dos meus favoritos e daqueles que, caso tivesse de ler uma segunda vez, não hesitaria em fazê-lo. O papel de submissa/dominador está excelentemente bem explorado e toda a componente de menina inocente que cai nas agarras de homem sedutor não se encontra nestas páginas — uma das razões pela qual gostei tanto. Caso ainda não conheçam, é um título certamente a explorar. 

Esta é uma das novidades deste ano — algo que não encontrarão muito por aqui, nestas recomendações — e que não poderia deixar de parte. Envolvidos tanto pode ser categorizado como um romance contemporâneo como um romance erótico pelo que acho que é de lhe se dar uma hipótese. Emma Chase inverte os papeis no que diz respeito à narração e, pela primeira vez, encontramos o nosso galã como protagonista. Diferente, e muito, muito bom.

Já li este livro há alguns anos e mesmo assim ainda me recordo dele, como se fosse ontem. Leila Meacham é uma escritora fantástica, que faz o leitor voar por entre as páginas dos seus livros, e este seu Rosas é dos melhores romances históricos que tive o prazer de ler. Extremamente bom.

Se gostam ou sentem-se intrigados pela história de Romeu e Julieta, então acreditem em mim quando digo que vão querer ler este livro. Julieta, de Anne Fortier, trata-se de um romance histórico como nunca li. Ligando a narrativa destes amantes da literatura com as nuances e descobertas da personagem principal, e tendo como pano de fundo as belas ruas de Siena, esta é uma história singular e muito, muito aconchegante.

Procuram um romance de cariz histórico com uma pontada de contemporâneo? Então O Segredo de Sofia é a escolha perfeita! Susanna Kearsley tem das escritas mais belas que já tive o prazer de ler e as suas histórias são sempre um intricado de romance com história. Um excelente livro.

Um dos meus livros favoritos de todo o sempre, Quando Sopr@ o Vento Norte é um livro que espero reler, e reler, e reler, e por isso mesmo é que se encontra aqui. Moderno e baseado na troca de emails, Daniel Glattauer explora os afectos entre dois personagens que tanto têm a partilhar online quanto o deveriam pessoalmente. Altamente recomendado por mim.

Querem um romance leve, interessante e que vos faça rir? Então espreitam a obra de David Safier. Dos três livros que se encontram actualmente publicados em terras lusas, Maldito Karma é o meu preferido – admito que tal possa ser por ainda não ter terminado o terceiro, mas pronto. Se pensam que as coisas más só vos acontecem a vocês, então esperem até lerem a inacreditável jornada de Kim Karlsen.

Capaz de fazer qualquer leitor verter lágrimas, Anna McPartlin é fenomenal e Estarás Sempre Comigo é dos meus romances favoritos da autora. Moderno, com uma escrita poética quanto simples, e pegando em temáticas difíceis e sofredoras, este é um daqueles livros que vão querer ler junto da lareira ou na companhia de um chocolate quente. Muito bom.

Não podia terminar esta lista de recomendações sem referir Sarah Addison Allen. Todos os livros desta autora são pura magia, mas O Jardim Encantado é dos que mais... encanta com a sua macieira mágica e as suas personagens únicas. Um livro que não podem deixar passar ao lado.


E estas são as minhas recomendações — para ofertas de natal a pessoas importantes para vocês ou para vocês mesmos — dentro dos géneros romance de época, romance erótico, romance histórico e romance contemporâneo. Espero que algum — ou muitos — destes títulos figurem nos presentes da vossa árvore de natal, e no fim de semana podem contar com as recomendações para fantasia e distopia young adult — para aqueles que, como eu, deixam a compra das ofertas de Natal para a última da hora.

Boas Leituras & Boas Festas!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Emmi e Leo - A sétima ond@, Daniel Glattauer [Opinião]




Título Original: Alle sieben wellen
Autoria: Daniel Glattauer
Editora: Porto Editora
Nº. Páginas: 239
Tradução: Susana Mendes Serrano


Sinopse:

Emmi e Leo são os protagonistas de um amor virtual arrebatador, que passou por todo o tipo de emoções, menos a de um encontro físico. A relação, iniciada no irresistível Quando sopra o vento norte, parece ter chegado a um impasse. Leo decide partir para os EUA, renunciando a um amor impossível.
Quando regressa, longos meses depois, o encontro entre ambos concretiza-se. Mas Emmi continua casada e Leo tem em Pamela o amor estável com que sempre sonhara.
Só que, na verdade, os dois amantes nunca estiveram mais apaixonados. Conseguirão eles, por fim, vencer o destino que parece teimar em separá-los?


Opinião:

O que começou como um equivoco, um acaso, uma brincadeira inocente, rapidamente ganhou proporções inimagináveis. Primeiro, vieram as provocações, as respostas constantes, necessárias, sofríveis. Depois, as insinuações, as demonstrações de afecto virtual, as palavras doces e bonitas... mas no final, com um encontro físico iminente, próximo, sobranceiro, veio também uma ruptura abrupta. Agora... Bem, agora surge um regresso há muito esperado, uma insistência e vontade sublimes e também uma ténue luz brilhante, de esperança, ao fundo de um túnel perpetrado pela escuridão.

Emmi e Leo – A sétima ond@ trata-se de um romance inovador, transcendente, pontuado por uma hilaridade provocadora capaz de enternecer – ou manter em suspenso – o mais caloroso e romântico dos corações. Sendo uma história de amor, mas igualmente de tristezas, de alegrias e íntimos infernos, de casualidades e de maus sentidos de oportunidade, esta é também a trama que vem dar continuidade – e, consequentemente, apresentar um desfecho – a um dos mais estruturalmente revolucionários, próximos da realidade e modernos enredos que tive o prazer de ler ao longo destes anos literários.
Daniel Glattauer é particularmente soberbo na forma como compõe os seus diálogos, que nem notas soltas numa pauta estrelada de música; no modo como constrói toda a interacção entre os protagonistas e, principalmente, na intensidade que confere a cada troca de e-mails, cada insegurança, cada desafio, cada loucura.

Persistindo uma narrativa a duas personagens, tanto Emmi como Leo acabam por alcançar outra magnitude, outra carência e despertar da nostalgia num leitor que se habituou ao conflito interno e pessoal do qual estes dois protagonistas não conseguiram escapar. Os problemas continuam presentes, vibrantes, mais intensos e dominantes que nunca, mas também o conhecimento, a partilha e o conforto por parte «daquele que está do outro lado» ganha forma, e terreno, numa luta de emoções e passados irresolutos que não se afigura nada fácil.
Estes são dois intervenientes que, a mim, vão deixar saudades. Ela, Emmi, pelas suas indecisões, questões, aberturas e força de espírito. Pela paixão que transmite, o desejo que reprime e os riscos que, ocasionalmente, decide tomar. Ele, Leo, pelas palavras doces que escreve num estado de embriaguez avançado, pelas incitações, pelas contínuas perguntas, procuras de saber, tentativas de avanço exterior. Mas aquele ponto, aquele pequeno, ínfimo, quase invisível ponto, bem no centro da mão, onde a linha da vida curva em direcção à artéria, esse ponto, esse catapultar de emoções, de saudade, de desespero. Esse acanhado, minúsculo ponto, difundido por palavras, por promessas, por desejos e anseios... é algo que ficou - e ficará -, em mim, marcado.

A nível pessoal, vejo Emmi e Leo – A sétima ond@ como um romance de imperfeições e quereres. A imperfeição da traição, a imperfeição de um relacionamento seguro, calmo e subtil, mas também o querer algo mais, o não querer abandonar, esquecer, deixar partir. E com uma linguagem tão calorosa, próxima, poética, fica impossível ao próprio leitor desligar-se, afastar-se, do reboliço de emoções e sentimentos, vontades e ambições presentes neste enredo. Um livro que levo o «e se...» a um outro patamar da escrita, da consciência, do coração. Um livro que faz abrir os olhos para as oportunidades que, por vezes, podem escapar por entre os dedos e nunca mais voltar. Uma história bela, apaixonante, irrepreensível e cativante, que agarrará o leitor até à última página, ao último e-mail, ao último dizer.

Sem sombra de dúvida, uma brilhante aposta Porto Editora, num autor e romance que marcará a diferença e que, de certo, será do agrado de um público vasto e diversificado. Excelentemente escrita, profundamente enraizada, provocadoramente intelectual e sentimental, esta é uma obra que não quererá perder. Vai deixar muitas, muitas saudades, depois de inúmeros sorrisos. 


Excerto:
«Querida Emmi, na palma da minha mão esquerda, mais ou menos no meio, onde a linha da vida curva em direcção à artéria, intersetada por largas linhas em arco, encontra-se um ponto. Olho para ele, mas não o consigo ver. Fixo-o, mas ele não se deixa agarrar. Só o consigo sentir. Sinto-o mesmo com os olhos fechados. Um ponto. Sinto-o com tanta força que fico tonto. Pica, faz cócegas, aquece-me, excita-me. Impulsiona o meu sistema circulatório, controla a minha pulsação e define os intervalos dos meus batimentos cardíacos. [...]», pág. 67.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Quando Sopr@ o Vento Norte, Daniel Glattauer



Título Original: Gut gegen Nordwind
Autoria: Daniel Glattauer
Editora: Porto Editora
Nº. Páginas: 222
Tradução: Susana Mendes Serrano


Sinopse:

Tudo começa por acaso: Leo recebe por engano alguns e-mails de uma desconhecida chamada Emmi. Educadamente, responde-lhe e Emmi retribui.
Esta troca de e-mails desperta uma curiosidade intensa entre os dois e, quase de  imediato, Emmi e Leo começam a partilhar confidências e desejos íntimos.
A tensão entre ambos aumenta, e o encontro parece iminente. Mas Emmi e Leo adiam o momento. Porque, afinal de contas, Emmi é casada e feliz.
Serão os sentimentos que nutrem um pelo outro suficientemente profundos para sobreviver a um encontro real? E, depois desse momento, o que os espera?


Opinião:

Um romance empolgantemente diferente...
... Quando Sopr@ o Vento Norte é uma obra inteligente, divertida e de um romantismo completamente fora do vulgar. Sendo um livro que, pessoalmente, se define por ter um dos mais apaixonantes, sensíveis e credíveis diálogos electrónicos dos tempos modernos, Daniel Glattauer conseguiu criar uma narrativa memorável, deliciosamente compulsiva e de uma notoriedade altamente comovente.
Inesperado no profundo envolvimento com o leitor e totalmente aberto e claro na transmissão exacta dos sentimentos e emoções das suas personagens, este é um romance que, de um momento para o outro, criará raízes impenetráveis e inquebráveis e que levará a leitura a um completo outro nível.

A partir do momento em que o primeiro e-mail de Emmi aparece na caixa de correio electrónico de Leo Leike, seguido por muitos outros a contestar o mesmo problema, fica óbvio para o leitor que uma imensa reviravolta de acontecimentos está prestes a dar-se. Quem nunca recebeu, por engano, e-mails de totais desconhecidos que, lá bem no íntimo, despertaram uma vontade imensa em simplesmente lhes responder? Nem que fosse unicamente para pôr termo ao equívoco de modo a evitar uma caixa de correio a transbordar de mensagens indesejadas? Quando Leo Leike tomou a iniciativa de responder ao e-mail de Emmi, a sua vida deixou de ser simples e quase inteiramente dedicada à sua pesquisa e trabalho. Ao fim de pouco tempo as respostas tornaram-se constantes, de ambas as partes, e o passar de um dia inteiro sem um ‹‹olá›› do outro rapidamente se transformou num autêntico inferno. É esta exclusiva e pessoal troca de e-mails que perfaz Quando Sopr@ o Vento Norte um romance intelectualmente devastador sobre o amor à primeira palavra, a vivência electrónica restrita – em detrimento da realidade –, a descoberta do nosso verdadeiro eu e, ainda, sobre a necessidade inerente do ser humano em julgar previamente as pessoas e a facilidade em desabafar, compreender e aceitar algo ou alguém quando o frente a frente é inexistente.

Tratando-se de uma narrativa essencialmente a duas personagens, embora com terceiros intervenientes, é dada ao leitor a possibilidade de se centrar exactamente no que é importante – a relação virtual que as duas personagens partilham tão fervorosamente. Um vício, um dado adquirido, uma parte especial do dia de cada um deles. Uma palavra, um simples e-mail, um gesto que depressa se torna indispensável. Pessoalmente, este é um dos aspectos mais marcantes e positivos de toda a história, pois é desta forma que o leitor consegue criar uma relação estreita e forte com dois protagonistas que, de outra forma e com uma maior participação activa de outras personagens, seria impossível – ou, pelo menos, mais difícil. Assim, o leitor fica a conhecer, por inteiro, Emmi e Leo, acompanhando o desenvolvimento tanto da relação que os dois tecem entre si como o crescimento pessoal de cada um deles. O facto de o seu aspecto exterior ser igualmente restrito, dentro da narrativa e fora dela, cria ainda uma aureola misteriosa e curiosa em torno de ambos.
Outro dos aspectos dignos de glorificação de Quando Sopr@ o Vento Norte cinge-se à profundidade da escrita e dos sentimentos, que é simplesmente brilhante. Está tudo à flor da pele – ou devo dizer, à flor do ecrã? –, tudo a um passo tão pequeno de distância. Confidências íntimas e vulgares que são partilhadas pela possibilidade inegável e extrema do anonimato. Uma provocação sublime ao subconsciente humano de interacção desmedida assim como ao facilitismo que a componente virtual e electrónica coloca à disposição de qualquer um.
Finalmente, a persistência de um encontro iminente. Será agora? Hoje ou amanhã? E o que acontecerá? Como é ela? Como é ele? A incógnita em relação a cada uma destas questões torna o romance dinâmico, curioso e agitado. Vibrante até. Porém, e embora tenha sido anunciado, pela Porto Editora, o lançamento, em breve, da sequela desta obra, o fim de Quando Sopr@ o Vento Norte não só deixa um sentimento de algo que fica por completar, de uma curiosidade mórbida em se saber o que vai acontecer a seguir face a uma infinidade de conclusões como também serviria na perfeição como desfecho de uma história que, logo à partida, dificilmente contaria com um final feliz.

Esta é a história que todo o leitor gostaria de viver um dia. De certa forma, compreendo este romance com uma outra intensidade uma vez que passei por uma experiência um tanto ou quanto semelhante. Para mim, o entusiasmo encontrado, o aperto no coração quando se vê o remetente do e-mail que chegou, as borboletas no estômago enquanto se lê a mensagem, o sorriso que automaticamente se espalha pelos lábios... são sensações que recordo com uma certa saudade e nostalgia. Sensações que adoraria voltar a sentir.
Quando Sopr@ o Vento Norte é um romance que marca pela sua simplicidade e credulidade. Uma narrativa impossível de parar de ler, de uma energia imensa e de um impacto profundo. O final, algo súbito, deixará o leitor capaz de matar por mais, com um choque descomunal bem no centro do estômago. Confesso que fiquei segundos, talvez mesmo minutos, a olhar a última página... a reler a última mensagem... sem saber ao certo como reagir. Daniel Glattauer soube exactamente como me surpreender e posso afirmar, sem receios ou rodeios, que mal posso esperar pela continuação. 
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