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domingo, 15 de abril de 2012

O Guerreiro Highlander, Monica McCarty [Opinião]



Título Original: Highlander Warrior
Autoria: Monica McCarty
Editora: Planeta
Nº. Páginas: 306
Tradução: Irene Duan e Lorena e Nuno Duan e Lorena


Sinopse:

Jamie Campbell, o implacável polícia do clã mais poderoso da Escócia, serve-se de todos os meios para acabar com a ilegalidade e a agitação entre clãs das Terras Altas, sempre em disputa. A sedução é ousada como subterfúgio, mas quando Jamie se apresenta como pretendente à mão da filha do chefe de um clã rival, de modo a denunciar uma traição, a fronteira entre o dever e o prazer fica de súbito esbatida. Caitrina Lamont, uma jovem de cabelos negros e lábios cor de rubi, desafia-o, renega-o e excita-o como nenhuma outra mulher.
Caitrina não tenciona trocar o pai e os irmãos por um marido, ainda por cima um dos odiados Campbell, mas a força rude e sensual de Jamie e um beijo escaldante ameaçam estilhaçar-lhe a resistência. Quando o seu mundo idílico se desfaz, a única esperança de salvar o seu clã reside nos braços de Jamie Campbell, o inimigo que ela responsabiliza pela ruína. Conseguirão as tréguas precárias, nascidas na escuridão aveludada das noites de paixão, forjar um amor tão forte quando a espada que governa as Terras Altas?


Opinião:

Um beijo roubado pode ser o começo de uma longa e tortuosa proposta de amor eterno. Um beijo prometido, o início de uma volúpia sem fim face um homem que em tudo se mostra desagradável, menos na atracção que exerce. Um beijo apetecido, o princípio de um escandaloso desejo, de uma ânsia ardente que em nada pode ser apagada... e que de tudo fará para ser consumada. Mas se não fosse esse beijo, poderia o futuro ser diferente?

O Guerreiro Highlander trata-se de um romance repleto de sensualidade, que remete o seu leitor para o mais afrodisíaco e belíssimo dos locais, as Terras Altas da Escócia. Inebriadas pela fantasia medieval e estarrecidas pela natureza no seu mais rico esplendor, duas personagens lutarão mundos e fundos para esconder e ultrapassar um amor proibido, um desejo deveras apetecido, até que uma proposta irrecusável lhes cruza no caminho. Um enredo cheio de acção e drama, morte e amor, confiança e segredos, que agarrará com relativa facilidade e transportará o leitor numa viagem impressionante até aos tempos da Idade Média. 
A nível histórico, Monica McCarty fez um trabalho estupendo, cativando o leitor com as suas descrições detalhadas dos castelos, da criadagem e do modo de vida, assim como das intrigas e rivalidades entre clãs. Essa mesma escrita, que inicialmente não me apelou na totalidade, é também bastante singela e natural, conseguindo um balanço interessante e equilibrado entre diálogo e descrição.

Quanto às personagens, muito pode ser apontado de semelhante relativamente a outros livros dentro deste género mais sensual do romance histórico. Talvez esse seja um factor de desagrado ou enfado para alguns leitores mas, para mim, alguns pormenores nestas duas personagens em particular despertaram o meu interesse e, como tal, a minha vontade de as ler foi crescendo gradualmente.
Jamie Campbell é, certamente, uma personagem de peso. A sua auto-confiança e força máscula transformam-no num protagonista que muito tem a perder se der largas ao amor. Assim, o seu lado bruto, rude e arrogante destacam-se perante os conflitos existentes entre os clãs rivais assim como para com a única mulher que o faz pensar e sentir de modo diferente. Um autêntico guerreiro, esta é uma personagem que não só acredita como é o próprio rosto da justiça, trazendo para si e para os seus a segurança por que muitos anseiam. Mas após um extraordinário beijo trocado numa situação constrangedora, Jamie terá algumas dificuldades em cingir-se àquilo que, outrora, fora a única coisa importante na sua vida.
Caitrina Lamont é a típica donzela inocente e ultra protegida que, face as imprevisibilidades do destino, se vê confrontada com uma situação onde, por nenhum dos caminhos, sairá ela a vencedora. Contudo, creio que enquanto mulher inteligente, também ela sofre de uma certa insolência e mimo que, inicialmente, a tornam pouco atractiva ao leitor. Mas após o acontecimento que mudará, para sempre, a sua vida, Caitrina ver-se-á assolada por um amadurecimento e sentimento de vingança que, uma vez tendo alcançado o seu objectivo, despertará numa dúvida constante.

A forma como os dois protagonistas se encontraram, pela primeira vez, foi um dos momentos que maior prazer me suscitou. Adorei o modo como Caitrina cedeu aos caprichos do seu irmão e se deixou guiar até uma situação deveras comprometedora para si, não conseguindo evitar o descalabro com um homem de um porte incrível e beleza estonteante. O restante desenvolvimento do casal, pelo menos até à celebração de uma certa ligação, foi igualmente interessante visto haver sempre presente uma rivalidade e desconfiança que em muito ajudou a prender o leitor ao romance tecido entre os dois. No entanto, achei que Caitrina acabou por se tornar um pouco confusa relativamente aos seus sentimentos para com Jamie, uma vez que tanto afirmava amá-lo como, no instante a seguir, sofria por não conseguir confiar inteiramente nele.

O cenário construído em torno desta trama é outro dos pontos altos de O Guerreiro Highlander. Tanto a Era retratada como as descrições desenvolvidas ao longo da história, dos locais e das crenças, dos conflitos e dos deveres do povo, são pequenos detalhes primorosos que visam embelezar um romance que, já de si, consegue ser visualmente bastante apelativo.
Creio que, numa avaliação final, este acabou por ser um livro agradável e que, por diversas ocasiões, me fez voar até «momentos perdidos na História» e lugares únicos e idílicos – o que, por um lado, só veio intensificar ainda mais a paixão que naturalmente já nutro por este local tão especial na Europa.

Um romance que entretém e que demonstra como os laços familiares podem ser de extrema importância, como «casa» é um sentimento capaz de perseguir até o mais insano dos corações e como é necessário confiar e amar se se quer, algum vez, algum dia, ser-se minimamente feliz. Uma aposta interessante por parte da Planeta Manuscrito, numa autora que, com certeza, irá derreter muitos icebergues com guerreiros escoceses como este Jamie Campbell. 

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