sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Fairest, Marissa Meyer [Opinião]





Título: Fairest
Autoria: Marissa Meyer
Colecção: Crónicas Lunares, #3.5
Editora: Feiwel & Friends 
N.º Páginas: 220


Sinopse
Mirror, mirror on the wall,
Who is the fairest of them all?

Fans of the Lunar Chronicles know Queen Levana as a ruler who uses her “glamour” to gain power. But long before she crossed paths with Cinder, Scarlet, and Cress, Levana lived a very different story – a story that has never been told . . . until now.


Opinião
Tenho de confessar que os vilões sempre me atraíram mais do que os heróis. Gosto daquele toque malicioso que muitos deles invocam, um certo ar de superioridade que lhes fica bem e uma sede de vingança que toca o mais primitivo dos instintos. Criar um bom vilão, com um passado que se insira na sua história, com a arrogância e imperialismo necessários e a dose correcta de dubiedade não é tarefa fácil – mas Marissa Meyer é mestre na sua arte, e no seu mundo imaginário, pelo que se existe alguém capaz de escrever uma Rainha desmedidamente cruel, esse alguém é ela. 

Fairest é o que se pode chamar de um companion novel – uma narrativa que se insere mas não intervém directamente no desenrolar activo de uma série – e o que esta novella oferece é um vislumbre intenso e repleto de emoções do passado da Rainha Levana, justificando, então e em parte, algumas das atitudes desta personagem ao longo das Crónicas Lunares
Levana trata-se de uma figura que eu aprendi a odiar, mas com Fairest essa mera aprendizagem rapidamente se transformou em regozijo, em prazer. O passado que a molda não foi, de todo, toldado por facilidades – desfigurada desde tenra idade, dona de uma solidão extrema e com uma crença muito peculiar sobre o amor –, mas, ainda assim, Levana não deixa de se apresentar como uma princesa mimada (ainda que não pelos seus pais ou por aqueles que a deveriam de amar), habituada a ter o que deseja (nem que para isso tenha de usar a força) e com noções muito fortes acerca do que verdadeiramente quer. 

Diversos foram os momentos em que me irritei de tal maneira com esta protagonista que só me apetecia atirar com o livro contra a parede, ou entrar nas linhas desta história e castigar Levana até ao próximo amanhecer. Só que esta sensação de sufoco, e raiva, e exasperação foi também o que me fez apaixonar por esta obra. Marissa Meyer soube como mexer com as minhas emoções, como fazer o que de pior há em mim florescer perante tão cruel interveniente, mas também soube aplacar todas essas agonias com breves vislumbres de compaixão e empatia. 

A forma como Levana tortura Evret Hayle é absolutamente inumana – e nem vou falar das suas acções para com a Princesa Selene – , e tão, mas tão dolorosa que se torna asfixiante, porém, existe também um lado fragilizado, uma inocência, medo e desespero face a solidão que a acometem a acreditar que o seu amor por Evret é puro e correspondido. Cada gesto ganha um novo significado. Cada presente ou sorriso um novo lugar no coração de Levana. Mas cada negação, cada luta e até submissão também. E talvez seja por isso que o desfecho de Evret não poderia ter sido outro, embora este permaneça uma personagem integra, e bondosa, e sem quaisquer dúvidas fiel e protectora. 

Levana pode não ter sido uma boa princesa, nem tão pouco uma boa pessoa, mas como Rainha é a excelência em pessoa – até um certo ponto. A sua preocupação pelo estado e progresso de Luna aquando do reinado da sua irmã mais velha, Channary – tão sinistramente louca –, é motivo de orgulho mas tal como tudo nesta personagem de extremos, a sua obsessão leva a que a adoração se transforme em terror, e a que o seu futuro, no trono, seja ocupado com mão de ferro. 

Gostei imenso desta história – confesso. Levana é uma daquelas personagens que eu adoro odiar e por isso foi extremamente gratificante ficar a conhecer um pouco mais do seu passado de modo a conciliar-me, enquanto leitora, com o presente e futuro. Adorei conhecer a pequena Winter assim como Selene – quando era somente Selene. Outro ponto a seu favor foi a apresentação de Sybil Mira – esta icónica personagem secundária tinha de encontrar o seu caminho até Levana – assim como a revelação de como o repúdio por espelhos e o interesse pela Terra começaram. Para quem é fã desta série e tem um interesse especial por esta personagem, Fairest é mais do que um livro obrigatório. Mas atenção que pode não agradar a todos... pois se pensam que a maldade de Levana é fachada ou provém de uma vingança cruel então estão muito enganados – Levana é má até ao osso. E eu adoro-a precisamente por isso. 

4 comentários:

Jéssica Cruz disse...

Até que gostava de ler mas não consigo ler em inglês :/
Mas sem dúvida alguma a tua resenha está ótima e desperta a vontade de ler este conto.
Beijinhos
www.fofocas-literarias.blogspot.pt

Carla M. Soares disse...

Adoro esta série, mas não sei se conseguirei ler este livro... Nos outros, sempre que a Levana aparece, fico com pele de galinha e vontade de passar páginas! Não o faço, claro, mas a vontade... ah, a vontade! :D

De certa forma, tenho pena de pressentir que este livro é capaz de trazer-me mais irritação do que prazer, porque a oportunidade de ler mais um livrinho destes é realmente sedutora...

Pedacinho Literário disse...

Olá, Jéssica

É uma pena que não possas ler este livro por não conseguires ler em inglês. É uma leitura muito fácil, talvez devesses de experimentar na mesma?

Beijinho*

Pedacinho Literário disse...

Olá, Carla

Esta série é maravilhosa! É uma leitura frustrante nesse sentido, sim... mas olha que é, ao mesmo tempo, bastante prazenteira. Gostei imenso deste pequeno vislumbre da Levana, e ela realmente é mesmo má até ao osso. Uh!

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