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Terça-feira, 12 de Outubro de 2010
Título Original: Orbias – O Demónio Branco
Autoria: Fábio Ventura
Editora: Casa das Letras
N.º Páginas: 409
Sinopse:
As coisas mudaram desde a derradeira separação entre a Terra e Orbias há um ano atrás.
Noemi é agora uma estagiária na redacção de uma revista em Grand City. Leva uma vida solitária e mantém pouco contacto com Adam e Lorelei. Mas enquanto se esforça para esquecer todos os trágicos acontecimentos do passado, o inesperado acontece: os seus poderes de Omnisciência regressam e volta a transformar-se em Guerreira. Para piorar a situação, está constantemente a ver o rosto de Sebastian e a sentir o seu perfume.
Será que afinal os mundos não foram definitivamente separados? Será possível o regresso a Orbias, para junto das outras Guerreiras? Na sua loucura obsessiva, Noemi convence-se a si própria de uma coisa: Sebastian está vivo!
O Demónio Branco é o segundo volume da saga Orbias, a original história de fantasia que veio agitar o género em Portugal.
Opinião:
Se há coisa que eu não tenho é boa memória e por isso mesmo fui obrigada a recorrer aos inúmeros recursos que o Fábio disponibilizou no blogue oficial de Orbias para relembrar, em pleno, a história passada no primeiro volume desta saga. Com as ideias muito mais frescas, aventurei-me nesta narrativa com a expectativa bem em alta e uma coisa afirmo, com todas as letras: NÃO desilude.
Para além da clara evolução escrita e descritiva do autor, facto que foi mencionado em praticamente (se não em todas) as críticas que fui lendo pela blogosfera, existe um factor que me deslumbrou completamente: a criatividade. Já no primeiro Orbias – As Guerreiras da Deusa, esteve muito presente um nível altíssimo de criatividade e imaginação pura, inclusive uma associação de mitos com realidade ficcional, e neste segundo volume esse nível é levado ao extremo. A forma como o autor desenvolveu a narrativa, fazendo-me inclusive pensar que este livro não se trata nem da continuação da história de Noemi nem de mais descobrimentos acerca de Orbias mas sim da eternidade de Sebastian, faz-me seriamente acreditar que vamos ouvir falar muito de Fábio Ventura no futuro.
Vários foram os aspectos que adorei neste livro. Vou tentar, ao máximo, não revelar muito do seu conteúdo mas há coisas que têm de ser ditas; o que mais gostei foi a forma como o escritor desenvolveu as restantes Guerreiras através do seu subconsciente. O resultado foi excepcional e a interacção entre as personagens, na sua grande maioria, está muito bem conseguida. Belladonna surpreendeu-me pela positiva, dotada de um humor mordaz é quem mais risos confere à narrativa enquanto, por exemplo, Rouge mostra um lado um pouco mais humano e vingativo quando se vê privada daquilo que mais deseja e ama. Em relação a Noemi, está presente uma evolução emocional gradual ao longo da história, à medida que ela se vai colocando a si mesma, e aos outros, em certas situações e da mesma forma que vai enfrentando outras em que se vê forçosamente inserida, ela consegue descrever e transmitir ao leitor uma maturidade que sempre esteve presente mas que, até então, tinha estado adormecida e acalentada pela presença de um Sebastian querido e amoroso. Gostei muito de ver um desenvolvimento mais pormenorizado acerca do passado e dos medos e receios de todos os personagens presentes na história.
Outro aspecto que me agradou foi a descrição em si. Uma das coisas que mais gosto ao ler um livro é conseguir imaginar as cenas na minha cabeça: ver os personagens, sentir os odores, conhecer os locais... E neste Orbias isso está, certamente, em destaque, até porque muitos dos cenários imaginados pelo autor são exuberantemente deliciosos e só com este tipo de descrição detalhada é que conseguimos visualizar tudo diante dos nossos olhos. Visto ter falado nos cenários, volto a dar ênfase à imaginação de Fábio. Fiquei completamente deliciada com as cenas e com as tramas que ele criou para nos apresentar personagens mais reais, situações mais inesperadas, problemas mais difíceis de solucionar...
Um último pormenor que também me deixou rendida foi a totalidade que Sebastian e Riddel se acabaram por transformar. A complexidade, o passado, a própria eternidade estão muito bem caracterizados neste livro. É como disse, acima de tudo vi este segundo volume de Orbias como o livro de Sebastian e não tanto como a história de Noemi. Ainda que seja narrado por esta última e embora tenhamos directo acesso aos seus sentimentos e emoções, o destaque e relevo que Sebastian acaba por ter em tudo o que a rodeia é de tal forma intenso e avassalador que, na minha opinião, a própria Noemi acaba por perder um pouco do protagonismo que, no primeiro volume, lhe foi inteiramente entregue.
Como tudo o que é criado é feito de coisas boas e coisas más, nem tudo foi bom nesta minha leitura. Notei uma certa repetição de expressões e termos quando o escritor se referia a uma mesma situação/coisa/aspecto. Algumas das informações prestadas ao leitor também achei que foram, de certa forma, lançadas ao ar, ou seja, facilmente mostradas. Apesar e, mais a meio do livro e daí para o final, as discussões se tornarem intensas e prolongadas, penso que, por vezes, os personagens cederam muito facilmente à situação em que estavam expostos. Não me quero alongar em pormenores porque, se o fizer, estarei a contar tudo.
Fora isso, o meu conselho para o Fábio é que continue a escrever porque é com a prática que se chega à perfeição!, e é com isto tudo que chego à conclusão que os aspectos positivos sobrepõem-se, em larga escala, aos negativos que, para os mais desatentos, passam completamente despercebidos.
Só mais uma coisa, antes de terminar. Pelo que tenho lido, muitas pessoas anseiam um terceiro Orbias, e eu vou ser sincera. Quero ver mais do Fábio, quero ler mais histórias suas, deslumbrar-me com mais personagens e aventuras mas, por mim, Orbias acabava aqui. Este Orbias – O Demónio Branco é o fechar de um ciclo e, como uma amiga uma vez disse (e que é algo que eu concordo e apoio a 200%), admiro os escritores que não têm receio em matar os seus personagens, em dar-lhes um fim e depois arrumá-los na gaveta. Não quero com isto dizer que, caso o Fábio aposte num terceiro Orbias que não o vou ler, muito pelo contrário! Depois do que presenciei neste segundo volume só posso acreditar que um terceiro seria ainda melhor escrito mas penso que está na altura de apostar em algo novo. É apenas a minha opinião pois sei que é preciso muita coragem para dizer: Okay, já chega. Vamos começar algo de raiz.
Por tudo o que escrevi e por mais ainda, tiro o chapéu ao Fábio (uma segunda vez). Uma narrativa que fez, por diversas vezes, os meus olhos brilhar e que, praticamente em toda a sua extensão, não deixou esmorecer o sorriso que tinha nos lábios. Um escritor que vai dar muito que falar, sem sombra de dúvida.
Uma última observação. No livro, há duas frases (de entre outras mas estas são especiais) que para mim foram o pico de toda a beleza escrita, e que dizem assim "Não és demónio nenhum. Perdeste essa escuridão e agora és uma folha em branco e não sabes o que escrever."
Desafio-vos a encontrá-las!
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4 comentários:
Que grande critica pedacinho literário, gostei muito. Quem não leu o livro como eu fica com uma imensa curiosidade de descobrir a história destas personagens ;)
Obrigada Elphaba. É mesmo um livro a ler. Gostei muito. Já leste o primeiro, "Orbias - As Guerreiras da Deusa"?
Não li com muita pena minha, mas tenho uma excelente desculpa (coff coff, risos… ).
Não está disponível na fnac.pt nem mesmo na fnac da minha área de residência.
Quando saiu “Orbias - O Demónio Branco”, fartei-me de procurar e estava esgotado. De vez em quando vou a página da fnac ver se encontro mas continua indisponível, quando houver encomendo logo os dois. Mas admito, queria muito ler.
Valem muito a pena Elphaba e se os conseguires ler seguidos penso que ainda vais gostar mais porque vais claramente notar em toda a evolução que tanto a história como o autor sofreram. x)