terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Half Bad — Entre o Bem e o Mal, Sally Green [Opinião]




Título Original: Half Bad
Autoria: Sally Green
Editora: Editorial Presença
Colecção: Via Láctea, N.º 114
N.º Páginas: 320

Sinopse:
Na Inglaterra dos nossos dias, bruxos e humanos vivem aparentemente integrados. Na realidade, os bruxos têm a sua própria sociedade secreta, as suas regras e a sua guerra, que divide os Bruxos Brancos, considerados «bons», e os Bruxos Negros, odiados e perseguidos pelos Brancos. O herói, Nathan, é filho de uma Bruxa Branca e de um Bruxo Negro e, portanto, considerado perigoso. Nathan é constantemente vigiado pelo Conselho dos Bruxos Brancos desde que nasceu e aos 16 anos é encarcerado e treinado para matar. Mas Nathan sabe que tem de fugir antes de completar 17 anos e a sua determinação é inabalável.


Opinião:
Único. Maravilhoso. Original.
Tantas são as particularidades que tornam Half Bad — Entre o Bem e o Mal um início de trilogia extraordinário. Tantos são os pormenores, os cuidados que remetem este poderoso livro sobre bruxos para o meu top de leituras sobrenaturais. E tantos são os detalhes, os momentos exímios e as singularidades que o transformam em algo tão, tão especial. Esta é uma obra diferente de tudo o que já li, principalmente pela forma como aborda a sociedade paranormal, mas ainda mais do que isso, esta é uma narrativa que surpreende pelo seu carisma, pela sua escrita, e pelo seu protagonista insigne.

Numa Inglaterra dos nossos tempos, bruxos e humanos vivem lado a lado — ainda que estes últimos não tenham conhecimento da existência de tão mágicos seres. E enquanto os Bruxos Brancos governam a comunidade, os Bruxos Negros são caçados e, sempre que possível, exterminados. Nathan, o nosso protagonista, é um bruxo invulgar. Único, na sua espécie. Meio Bruxo Branco, meio Bruxo Negro, Nathan transforma-se num alvo a capturar, pois o que se poderá esperar do filho de Mascus, o mais aterrorizador, temido e poderoso Bruxo Negro de todos os tempos?

Mais do que um livro que conta uma história, Half Bad — Entre o Bem e o Mal trata-se de um enredo que se foca na construção de uma personagem, no crescimento, desenvolvimento e amadurecimento de Nathan. Este é um protagonista diferente de todos os outros. A sua mente é um turbilhão de perguntas, de objectivos, de emoções que lutam por sair. O seu presente é doloroso, rígido e extremamente cruel, mas também o seu passado não foi um mar de rosas e o seu futuro... o seu futuro é uma incógnita.
Ao iniciar esta narrativa com a segunda pessoa, Sally Green oferece uma dádiva, um presente ao leitor — o de poder entrar, por completo, no intelecto, corpo e espírito de Nathan. Enclausurado numa jaula, provocado até bem para lá do limite, este protagonista mostra-se um lutador, alguém que abomina a desistência, e que luta por alcançar o seu propósito imediato: o de fugir para então ir em busca do familiar que, segundo as regras mágicas, lhe oferecerá o seu sangue e três dons para que se possa tornar um bruxo pleno.

Sendo Nathan um Misto, parte da trama é centrada em torno do porquê e do como de tal acontecer. A sua mãe foi uma Bruxa Branca conhecida no seu meio, casada com outro Bruxo Branco, pelo que a metade negra que corre no sangue de Nathan é um mistério. A outra parte pertence a Nathan — ao seu passado, presente e futuro.
Subtil na sua escrita, Sally Green levanta ainda a questão do que é que verdadeiramente categoriza um Bruxo Negro como sendo mau e um Bruxo Branco como sendo bom, dissertando sobre todas as calamidades provocadas, e levadas a cabo, tanto por Bruxos Brancos como por Bruxos Negros. A linha que define esta sociedade, estas duas espécies de bruxaria, é muito ténue, e, por vezes, torna-se algo confusa.

Escusado será dizer que adorei, em absoluto, este livro. Half Bad — Entre o Bem e o Mal foi uma surpresa do início ao fim. Uma leitura frenética que me roubou horas de sono e de trabalho. Uma história cujo protagonista me emocionou, me tocou com a sua personalidade errática e momentos à beira da loucura. É-me impossível transparecer, em meras palavras, o quanto este livro se tornou especial para mim, e o carinho com que o vou para sempre guardar. Querem um conselho? Leiam a história de Nathan, não se irão arrepender.

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1 comentário:

ℒ ღ disse...

Bem depois de uma opinião destas como posso continuar a ignorar o meu exemplar que está à tanto tempo ali na estante à minha espera? =O

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