domingo, 7 de março de 2010

O Braço Esquerdo de Deus, Paul Hoffman






Título Original: The Left Hand of God
Autoria: Paul Hoffman
Editora: Porto Editora
Nº. Páginas: 396


Sinopse:

A sua chegada foi profetizada. Dizem que ele destruirá o mundo. Talvez o faça ...

“Escutem. O Santuário dos Redentores, em Shotover Scarp, é uma mentira infame, pois lá ninguém encontrará santuário e muito menos redenção.”

O Santuário dos Redentores é um lugar vasto e isolado – um lugar sem alegria e esperança. A maior parte dos seus ocupantes foi levada para lá ainda em criança e submetida durante anos ao brutal regime dos Redentores, cuja crueldade e violência têm apenas um objectivo – server a Única e Verdadeira Fé. Num dos lúgubres e labirínticos corredores do Santuário, um jovem acólito ousa violar as regras e espreitar por uma janela. Terá talvez uns catorze ou quinze anos, não se sabe ao certo, ninguém sabe, e há muito que esqueceu o seu nome verdadeiro – agora chamam-lhe Cale. É um rapaz estranho e reservado, engenhoso e fascinante. Está tão habituado à crueldade que parece imune a ela, até ao dia em que abre a porta errada na altura errada e testemunha um acto tão terrível que a única solução é a fuga.
Mas os Redentores querem Cale a qualquer preço ... não por causa do segredo que ele sabe mas por outro de que ele nem sequer desconfia.


Opinião:

O Braço Esquerdo de Deus foi, para mim, uma muito agradável surpresa. Tanto que nem dei conta do contínuo adiar da leitura até chegar ao fim e pensar: bolas ... quero mais! É um livro com uma escrita agressiva, rude e viciante. Capta a atenção logo pela sua capa e o interior não desilude nem um bocadinho.

Toda a história dos Redentores é fantástica e brilhante, altamente credível e, ao mesmo tempo, revoltante. O Império dos Materazzi, pessoas frias, idealistas e demasiado valorizadas, está muito bem construído e caracterizado. Contudo, confesso que certas partes, ao longo da história, se vão tornando algo monótonas ou cansativas pelas extensas descrições que o autor faz mas, nem um capítulo depois, já a acção voltou e a aventura que é seguir os passos de Cale, Henri Vago e Kleist assume a liderança das nossas emoções.
Gostei particularmente dos personagens: jovens rapazes fortes, habituados a lidar com uma dor e um sofrimento que não lhes devia nunca ser dirigido e, acima de tudo, dotados de uma persistência e coragem de se louvar. Não posso deixar de comparar Cale, o personagem principal, a Kvothe do livro O Nome do Vento, não pelos dotes mágicos deste último mas pela personalidade e traços fortes e destemidos que detinha em si.
Apesar das imensas páginas e de alguns comentários um pouco menos satisfatórios que fui encontrando pela internet acerca do conteúdo deste livro, posso dizer que O Braço Esquerdo de Deus lê-se muitíssimo bem e que é impossível não chegar ao final e ficar incrivelmente surpreendido. Os capítulos finais são um pulsar de adrenalina completo, com pormenorizadas e essenciais descrições e decisões que nos fazem prender o peito. Admito que não estava nada à espera do desfecho que este primeiro livro (de uma trilogia) teve e por isso mesmo não hesito em recomendá-lo sem quaisquer reservas.

Resumidamente, adorei lê-lo. Tem uma narrativa forte, com uma base muito bem delineada logo deste o início. Uma escrita perturbante. Personagens magníficas e apaixonantes, com passados terríveis e futuros que se mostram ser mais terríveis ainda. Basicamente, tem tudo o que um livro deste género precisa para se tornar grande.

A quem o ler, espero que goste tanto ou mais que eu. Sem dúvida uma aventura a não esquecer. 

sábado, 6 de março de 2010

Mistério em Connellsville, Beatriz Neves Barroca








Título Original: Mistério em Connellsville
Autoria: Beatriz Neves Barroca
Editora: Papiro Editora
Nº. Páginas: 92


Sinopse:

“Acordei agitada e minutos depois o despertador tocou. Tinha tido um pesadelo. Sonhei que estava na escola vazia e que um homem encapuzado levava uma rapariga. Eu via-os, mas eles não me viam a mim. Era como se fosse um filme. “Andas demasiado envolvida neste assunto...” pensei, censurando-me. (...) Esboçámos um aceno e fomos para o carro. Abri a porta e sentei-me no banco. Estremeci e a memória do sonho dessa noite assaltou-me com um flash.”


É com muito agrado que divulgo este livro. Fico muito satisfeita em saber que cada vez mais jovens portugueses publicam as suas obras. Algo que, sem dúvida, deve ser levado em frente pelas editoras – apostar não só no que é estrangeiro mas também no que é português.

Parabéns Beatriz, espero em breve ter a oportunidade de ler o teu livro. Boa sorte! 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

De volta!

Finalmente consegui um tempinho para dar um salto aqui ao blog. Tenho estado ausente devido a excesso de trabalhos e exames na Universidade mas agora estou de volta!

Comecei a ler “O Homem Pintado” mas entretanto, com todo o entusiasmo que tem estado de roda da trilogia de Paul Hoffman, acabei por comprar o livro e o facto de estar na mesinha de cabeceira a olhar para mim fez com que colocasse “O Homem Pintado” de lado. Quando terminar, tanto um como o outro, logo faço aqui um post com a minha opinião. 

Até lá ... Beijinhos e boas leituras!! x)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A Loja dos Suicídios, Jean Teulé





Título Original: Le magasin des suicides
Autoria: Jean Teulé
Editora: Guerra e Paz
Coleccção: Tempos Modernos
Nº. Páginas: 160
Tradução: Susana Serrao


Sinopse:

“É uma lojinha onde nunca entra um raio de Sol”. Imagine um negócio de família que envolve a venda de todos os ingredientes possíveis para a prática do suicídio, nas suas mais diversas formas. Corda, pistolas, facas, venenos e toda uma panóplia de produtos mortíferos. São cinco as personagens que compõem esta família atípica que gere a loja há várias gerações: os pais, profissionais, comerciantes; o filho primogénito, deprimido crónico mas extremamente criativo no seu domínio; a irmã, exemplo típico da adolescente inadaptada; e finalmente o irmão mais novo, verdadeiro grão de areia na engrenagem deste comercio lúgubre: é que ele se atreve a sorrir e a ser... optimista. Com uma ambiência digna de um filme de Tim Burton, A Loja dos Suicídios é uma comédia negra futurista que invoca o grande adversário da família Tuvache e do seu sinistro empreendimento: a alegria de viver.


 Opinião:

Antes de iniciar a leitura de O Homem Pintado, e após ler diversas críticas acerca deste pequeno e humorístico livro, decidi dar-lhe uma oportunidade e presentear-me com uma leitura leve antes de tamanho monstro literário. Devo dizer que, embora as imensas e altas expectativas com que iniciei esta história, não saí imensamente desiludida mas... o livro também não conseguiu alcançar o que eu esperava.

A ideia é magnifica e muito divertida. De uma família de cinco elementos, quatro encaram a morte com tamanha naturalidade que chegam a transformá-la em algo agradável enquanto que um quinto elemento, o filho mais novo, de perspectiva completamente contrária às crenças e negócio da família, vê a morte como algo supérfluo e como tal tenta sempre encontrar (e encontra mesmo) o lado bonito e optimista das coisas. Contudo, e apesar de ser um livro humorístico, senti que algumas das referências e situações eram um bocado forçadas. Mantive sempre um sorriso traquina nos lábios mas contava com algo diferente, mais arrojado, mais excêntrico. Outro aspecto negativo são as descrições, penso que em algumas partes o autor se perde por entre palavras, acabando por desenvolver algo que aparentemente não faz grande sentido. Também neste campo, senti que ao longo do livro o autor se foi retendo nas palavras, optando por um tipo de escrita mais dirigido a guiões que propriamente literário. Ainda assim, é um livro descontraído e óptimo para ler entre leituras. O final é algo inesperado, apesar de inicialmente, já na situação, se prever o pior, quando surge a frase final é sempre um choque. Eu, pelo menos, fiquei boquiaberta. 

sábado, 26 de dezembro de 2009

Prazer da Noite, Sherrilyn Kenyon






Título Original: Night Pleasures
Autoria: Sherrilyn Kenyon
Editora: Chá das Cinco
Nº. Páginas: 301
Tradução: Rita Guerra


Sinopse:

“Querida leitora,
Alguma vez quis saber como era ser imortal? Viajar pela noite caçando os vampiros que perseguem os humanos? Ter riqueza e força ilimitadas? Essa é a minha vida e é escura e perigosa. Sou herói de milhares, mas ninguém me conhece. E adoro todos os minutos. Pelo menos era o que eu pensava até que, certa noite, acordei algemado ao meu pior pesadelo: uma mulher conservadora, de camisa apertada de cima a baixo. Ou, no caso de Amanda, abotoada até ao queixo. É inteligente, sensual, espirituosa e não quer ter nada a ver com o paranormal, por outras palavras, comigo. A minha atracção por Amanda Devereaux vai contra tudo aquilo que represento. Já para não dizer que, da última vez que me apaixonei, isso me custou não só a minha vida humana como a minha alma. Ainda assim, sempre que olho para ela, dou por mim a desejar tentar de novo. A desejar acreditar que o amor e a lealdade existem. Ainda mais perturbador, dou por mim a perguntar se haverá alguma forma de uma mulher como Amanda amar um homem cujas cicatrizes da guerra são profundas, e cujo coração foi ferido por uma traição tão selvagem que não sei se voltará a bater de novo.

Kyrian da Trácia “


Opinião:

Depois da publicação de “Amante de Sonho”, o primeiro volume desta fantástica série de Predadores da Noite, e de “Acheron” que, apesar de ser o décimo quinto volume foi ainda assim publicado pela Casa das Letras, surge no mercado “Prazer da Noite”, um livro apaixonante que vem retratar os receios e dissabores de Kyrian da Trácia, guerreiro e príncipe da Grécia Antiga.

Confesso ter gostado mais de “Amante de Sonho” que deste segundo volume, talvez por se tratar de uma réplica em termos de modo de escrita e situações encontradas ou, quem sabe, apenas por ser uma outra forma de retratar o universo vampírico que, actualmente, tem vindo cada vez mais a fazer peso nas livrarias e estantes caseiras. Não quero com isto dizer que achei o livro mau ou que não fez de todo o meu género, não, isso seria estar a mentir... De facto, “Prazer da Noite” trás consigo uma das personagens mais emblemáticas e provocadoramente cativantes da saga de Sherrilyn Kenyon. Kyrian Hunter é o homem perfeito, embora vampiro e sem alma, e o seu feitio difícil e indeciso transformam-no num elemento extraordinariamente especial e único neste livro. Simplesmente magnífico.
Em termos de narrativa, fiquei bastante satisfeita em descobrir um pouco mais acerca deste mundo elaborado pela autora e que tão facilmente encanta o leitor – vampiros, predadores, demónios, guerreiros e deuses... Sem dúvida uma obra a não perder para todo o amante de romance paranormal com diversas pitadas de sensualidade e erotismo. Uma leitura leve e extremamente agradável, totalmente viciante!
Um livro que recomendo pela sua simplicidade e fantasia.


P.S. – Embora algo tardio, desejo a todos a continuação de umas excelentes férias (para quem for o caso disso), espero que o Natal tenha sido delicioso e que o próximo ano vos encha de coisas boas!!! 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ghostgirl - A Rapariga Invisível, Tonya Hurley






Título Original: Ghostgirl
Autoria: Tonya Hurley
Editora: Contraponto
Nº. Páginas: 335
Tradução: Rosa Amorim


Sinopse:

Quando a popularidade é uma questão de vida ou de morte

“Eu era apenas mais uma pessoa no mundo, mas o meu sonho era ser o mundo de uma pessoa.”

Charlotte Usher sente-se praticamente invisível na escola, até que um dia fica mesmo. Pior ainda, descobre que está morta... e tudo por causa de um rapaz e de um urso de goma. No entanto, a morte não impede Charlotte de seguir com os seus planos. Bem pelo contrário! Torna-se mais criativa e capaz de fazer qualquer coisa para atingir os seus objectivos: ser popular e conquistar Damen, o rapaz por quem se apaixonou.


Opinião:

Após tanto tempo ausente lá consegui encontrar um buraquinho no meu horário para vir aqui. E que contente fiquei ao descobrir que, ainda para mais, tinha selinhos!! Obrigado a todos. x)

Hoje venho falar de Ghostgirl, o último livro que li. Confesso que fui logo atraída pela capa e pelo fantástico trabalho gráfico que incluíram neste livro. Maravilhoso! Quanto à história... Posso dizer que apesar de abordar um tema com uma premissa bastante comum “rapariga invisível apaixona-se por rapaz popular”, Tonya Hurley conseguiu trazer algo de inovador e humorístico a toda a narrativa, além de que o fim acaba por ser ligeiramente diferente do que aquilo que inicialmente se está à espera.
Gostei particularmente da personagem principal, Charlotte, uma rapariga normal que morre engasgada com uma goma (quão mais peculiar podia ser?) e que daí a adiante se vê confrontada com um universo totalmente novo e desconhecido, mundo esse que demora a aceitar por ainda se encontrar fortemente ligada à vida. Porém, o que mais me deliciou em todo o livro, ainda mais que o aspecto gráfico e a história em si, foram os pequenos textos presentes no início de cada capítulo. Achei fantástica a forma como a autora consegue resumir o essencial da história em meia dúzia de textos soltos e que, ao mesmo tempo, conseguem ser tão acertados e tão orientados para a vida comum dos seus leitores. Por diversas vezes me vi estupefacta a pensar o quão vital e inesperadamente semelhante aquelas palavras se interligavam à minha personalidade e às minhas experiências de vida. Simplesmente magnífico!

É um livro que recomendo, dirigido a todas as idades, principalmente porque nos faz pensar naquilo que é verdadeiramente importante e no factor tempo que a nossa estada aqui pode suportar. Deixo ainda dois dos textos que mais gostei.


“Não podes ter tudo.
 O amor é demasiado poderoso para poder ser escondido por muito tempo. Nega-o e sofrerás as consequências. Reconhece-o e sofrerás as consequências. Revelá-lo pode ser embaraçante ou libertador. Cabe aos outros decidir qual dos dois será.  “

“Eu amo-te, mas não estou apaixonada por ti.
 Esta distinção é falsa. É, aliás, bastante enganosa, se pensarmos bem. O amor é o amor. O que realmente se quer dizer com “estar apaixonado”é obsessão, vício, paixão, mas não amor. Estar apaixonado é mais uma declaração das necessidades e dos desejos do que uma tentativa de satisfazer o outro. Em contrapartida, o amor verdadeiro é uma ponte entre duas pessoas. Charlotte precisara da maior parte da sua vida, e de toda a sua pós-vida, para chegar a esta conclusão.”

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Tempo....


Olá a todos… Já vai tempo desde a última vez que aqui vim. Entretanto recebi novos selinhos e novos seguidores, um obrigado a todos.
Leituras… Completamente interrompidas. A Universidade tem-me tomado o tempo todo e agora com o Festival de Cinema do Estoril (uma vez que Cinema é a minha área de estudo) os horários têm andado trocados e os livros a acumular na mesa de cabeceira. Coloquei Acheron de parte, In Tenebris apenas li os primeiros dois ou três capítulos e Ghostgirl apoquenta-me a curiosidade. Espero, uma vez chegado o fim-de-semana, que tudo acalme e que novamente possa dedicar um pouco mais do meu tempo livre a este hobbie que eu tanto adoro!
Até lá, e tendo em conta a minha ausência, aproveito este post para também agradecer em especial a todos os blogues que me enviaram selinhos e para lhos retribuir (assim como a todos os seguidores do blog).

Espero encontrarmo-nos em breve com mais opiniões e comentários.

Beijinhos e Boas leituras!! 
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