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domingo, 22 de dezembro de 2013

Memórias de Um Amigo Imaginário, Matthew Dicks [Opinião]




Título Original: Memoir of an imaginary friend
Autoria: Matthew Dicks
Editora: Planeta Manuscrito
Nº. Páginas: 322
Tradução: Victor Antunes


Sinopse:

O meu nome é Budo
Existo há cinco anos.
Cinco anos é muito tempo para alguém como eu. Foi Max quem me deu o nome. Max tem oito anos. Max é o único ser humano que consegue ver-me.
Sei aquilo que Max sabe e algumas coisas que não sabe. Sei que Max corre perigo. E sei que sou o único que pode salvá-lo.
Uma calorosa história de amor, lealdade e poder de imaginação; um romance perfeito para quem já teve um amigo — verdadeiro ou não.


Opinião:

Não existe nada no mundo que eu mais aprecie e admire, enquanto leitora, que a capacidade transcendente que um dado livro, uma simples história de ficção, tem de surpreender. Uma imaginação fértil, um contexto actual, sólido, e uma escrita avassaladoramente intemporal são somente três das várias e poderosas características que Memórias de um amigo imaginário possui em seu favor. Confesso que este foi romance que captou a minha total atenção a partir do momento em que ‘lhe pus a vista em cima’, e com o qual sofri desmesuradamente pela intensa necessidade sentida de o folhear e o tempo limitado, e disponível, para o fazer, mas verdade seja dita que nada poderia, alguma vez, ter-me preparado para o misto de emoções, de ensinamentos e mensagens, de pura adoração que acabaria por encontrar—por partilhar—em Budo e em Max.

Tendo encerrado mais um capítulo da minha existência literária há somente breves momentos atrás, ainda me é extremamente difícil descobrir, desvendar—encontrar—, as palavras certas e os sentimentos correctos perpetuados em mim acerca desta obra. É verdadeiramente impressionante o modo como o autor, Matthew Dicks, alcançou o ponto certo de sensibilidade, amizade e sofrimento, ao mesmo tempo que foi tecendo linhas imaginárias que todos nós, em algum instante da nossa vida, acreditámos serem reais. Budo representa, então, o amigo fictício do leitor comum, e a consciência permanente e obscurecida presente em todo o ser humano, pois quem nunca se questionou sobre as sensações que acompanham a morte? Ou acerca do que existe para lá do túnel luminoso?
Budo é o receio que todos nós sentimos, por vezes o egoísmo que deixamos levar a melhor, mas é também a coragem e a força, a afeição genuína, virtuosa, que nos acompanha. E Max é o seu criador ‘verdadeiro’, o menino de carne e osso que sonhou um amigo que o compreende, que o aceita e que sabe lidar com a condição autista que o afecta. Pois Max não é uma personagem simples, muito pelo contrário, ele é uma figura complexa e extraordinariamente intricada de definir, e embora a sua doença seja transmitida ao leitor com uma certa leveza de naturalidade e sentido de ‘normalidade’, é perceptível as várias camadas que o compõem, e os diversos cuidados de que precisa e, com certeza, precisará ao longo da sua ‘vida’.

Mas esta é uma história de teor bastante mais denso, abordando temas que demasiadas vezes nos passam ‘despercebidamente’ em frente dos olhos. Fala-se de possuir a destreza para tomar decisões complicadas, e de ser capaz de enfrentar medos que nos atormentaram durante uma eternidade, mas também se escreve sobre sacrifícios pessoais em benefício do outro, sobre perigos escondidos no sorriso falso de um rosto conhecido, e sobre imaginários imprevisíveis, absolutamente excepcionais, conhecedores de sabedorias ancestrais. É que estes amigos ilusórios como Budo, Oswald ou Verão podem ser ‘intervenientes’ enganosos da realidade que nos rodeia, mas neles encontram-se os receios e a audácia, a bravura, que se debate ‘escondida’ dentro de cada um de nós e que, por vezes, ‘sente’ a necessidade de ‘saltar cá para fora’. E é por isso, talvez, que estes nomes lendários detém uma importância tão vincada neste enredo, ao ponto de poderem tocar os objectos da vida real, e, mais relevante ainda, de salvarem vidas.

Na minha opinião, este é o romance perfeito para se oferecer a um melhor amigo, ou para se ler quando se sente saudades da profunda e calorosa sensação de familiaridade que uma presença, uma companhia afectuosa tantas vezes transmite. Uma narrativa para todas as idades, sobre uma vida humana que diariamente se vê confrontada com as dificuldades do mundo, do diálogo e dos sentimentos, e que encontra na fertilidade da sua imaginação a resposta certa aos seus problemas. E como é bela a forma como Budo transmite força e valentia a Max, fazendo-nos recordar, numa constante, que por vezes, para sermos felizes, para escaparmos às enfermidades da vida e sobrevivermos aos obstáculos que se atravessam à nossa frente, é preciso ter-se coragem e encontrar meios de seguir em frente ao invés de nos acomodarmos, de nos deixarmos ficar no limbo da neutralidade, no centro do que é nada.
Uma obra com carimbo Planeta Manuscrito, que muito mais, para além do que por aqui divaguei, tem para mostrar aos seus leitores. Um livro que marca pela diferença e pela universalidade do seu tema, do seu público e do seu conteúdo. Não deixem de o ler.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Passatempo Natal «Memórias de um Amigo Imaginário», Matthew Dicks



Porque a época natalícia está mesmo aí à porta, não há nada melhor do que receber um livrinho de presente. Assim, com o espectacular apoio da Planeta Manuscrito, o Pedacinho tem, a sorteio, um exemplar do título Memorias de um Amigo Imaginário, da autoria de Matthew Dicks. Uma obra fabulosa, sobre o imaginário de uma criança autista.

Para se habilitar a ser o vencedor deste fantástico prémio basta responder acertadamente às questões que se encontram no formulário, preencher os campos obrigatórios e, claro, ter em atenção as regras do passatempo. 

As respostas às perguntas podem ser encontradas aqui e/ou aqui.


Regras do Passatempo:
1) Ser seguidor do blogue.
2) O passatempo decorrerá até às 23h59 do dia 5 de Janeiro (domingo).
3) Só é válida uma participação por pessoa/email.
4) Participações com respostas incorrectas e/ou dados incompletos serão automaticamente anuladas.
5) O vencedor será sorteado aleatoriamente pela administração do blogue, será posteriormente contactado via email e o resultado do mesmo será anunciado no blogue. 
6) Só são aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
7) A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio, no correio ou outros, de exemplares enviados por si e/ou pelas editoras.


Boa sorte!

A Quote to Remember #10


'Quando se é um fantasma, não se deixa de existir apenas porque alguém deixou de acreditar em nós. Ou se esqueceu de nós. Ou encontra qualquer coisa melhor para nos substituir. Se eu fosse um fantasma, podia existir para sempre.' Matthew Dicks, Memórias de um amigo imaginário
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