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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A Prova do Ferro (Magisterium #1), Holly Black & Cassandra Clare [Opinião]



Título Original: The Iron Trial 
Autoria: Holly Black & Cassandra Clare
Série: Magisterium, #1
Editora: Planeta Manuscrito 
N.º Páginas: 320

Sinopse
A maior parte dos miúdos faria qualquer coisa para passar na Prova do Ferro.
Mas não Callum Hunt.
Callum quer falhar.
O pai ensinou-o a desconfiar da magia e explicou-lhe que o Magisterium, a escola onde os aprendizes de Magos são treinados, é uma armadilha fatal. Callum tenta fazer o seu melhor para ser o pior de todos os candidatos – mas não consegue falhar.
Superada a Prova do Ferro, não lhe resta outra opção, senão entrar para o primeiro de cinco anos de aprendizagem no Magisterium – um lugar povoado de memórias e de abismos, onde a herança negra do passado nunca está longe e o futuro é um caminho sinuoso na direcção da verdade. A Prova do Ferro foi apenas o início, porque o verdadeiro teste ainda está para vir…


Opinião
Não imaginam ao tempo a que ando para escrever esta opinião. 
Aventurei-me pelas páginas deste pequeno grande livro do fantástico algures no final do ano passado, e gostei tanto da sua história, e das suas personagens, e da sua complexidade que vi-me completamente impossibilitada de organizar todos os pensamentos, e sentimentos, e palavras de forma coerente e colocá-los, a todos, numa opinião. Não é que agora sinta que o consigo fazer – até porque já se passou demasiado tempo para recordar todos os pormenores – mas uma vez que A Manopla de Cobre foi publicado, e é a minha actual leitura, pensei cá para os meus botões: porque não tentar escrever algo minimamente decente sobre A Prova do Ferro? Que tenho eu a perder? Absolutamente nada. Por isso, aqui vai. 

Ao contrário de todas as crianças do seu mundo, Callum foi educado na visão de que deveria, sempre e com todas as suas forças, falhar a Prova do Ferro. Entrar na escola onde a magia é reinante, Magisterium, não só seria um desastre como, também e possivelmente, a sua morte. É imperial que Callum não passe no teste, que Callum não se deixe levar pelas ideias imaginárias mas tão, tão falsas das outras crianças, e que se concentre em falhar. Em voltar para casa, para junto do seu pai – aquele que o ensinou e eternamente encorajou. Mas a sorte não está do seu lado e Callum sofre um percalço inesperado, certamente sombrio, e que o levará aos confins de Magisterium... mas se Callum julgava ser detentor de toda a verdade sobre tão especial escola, e sobre o seu próprio passado assim como futuro, engana-se. Nada o poderia alguma vez preparar para o que está por vir... 

Há quem compare este livro – e, consequentemente, esta saga – à série do Harry Potter mas deixem-me que vos diga que as semelhanças começam a terminam com o trio principal e a componente mágica. Toda a construção do enredo, e até mesmo a ideia que serve de base a toda a narrativa, é diferente – e única. Esta é, sem sombra de dúvidas, uma história cheia de reviravoltas e surpresas bem, muito bem, escondidas que são reveladas no momento certo. É verdadeiramente difícil, ao leitor, respirar e acalmar o tumulto constante de emoções e sensações que se vê embelezado por uma escrita maravilhosa e tão apropriada ao seu género. Nota-se as nuances mágicas, a beleza das palavras. E o contributo de ambas as escritoras é tão essencial às personagens e ao mundo, tão bem mesclado e em sintonia, que se torna impossível de identificar onde uma termina e a outra começa. 

Gostei bastante das personagens. 
Callum é aquele tipo de figura principal que poderia ser um herói mas que não o é muito devido às circunstâncias do destino. Coragem não lhe falta, assim como curiosidade, mas a sua postura para com o Magisterium e a própria vida fez com que ao início não gostasse muito dele e da sua aura – algo que se foi modificando com o desenrolar da acção. 
Já as outras duas pontas do trio, Tamara e Aaron, foram uma surpresa do princípio ao fim. Tamara é a típica rapariga inteligente que sabe tudo sobre tudo, muito ao jeito de Hermione Granger, mas muito menina do seu nariz e com uma personalidade vincada. Já Aaron é um mistério. Quase nada se sabe do seu passado, e das suas raízes, mas a sua doçura é transparente para o leitor e, por isso, não tive como não me deixar encantar pela sua pessoa. 

Outro ponto muito forte é a simbologia da/e a própria magia criada para este mundo. A força dos elementos sempre foi tema que me fascinou, e gostei particularmente da forma como Holly Black e Cassandra Clare exploram todas as suas componentes – o fogo que quer queimar, a água que quer fluir, o ar que se quer erguer, a terra que se quer unir e... o caos que quer devorar. O Caos é, obviamente, a potencialidade que maior fascínio despertou em mim e pelo qual anseio descobrir mais, mas todos os restantes quatro elementos são de um poder, e de um misticismo, gigantesco. 

A Prova do Ferro é daqueles livros que embora seja direccionado a um público mais juvenil facilmente agradará a qualquer leitor – principalmente se esse leitor for fã da série Harry Potter. A potencialidade está toda lá, assim como as armas certas, as questões intrigantes e as personagens que cativam... Assim como a arte, tanto Black como Clare têm dons, escritas que conheço e que nunca me desiludiram pelo que espero, e esperarei sempre, algo extraordinário de ambas – ainda mais se estiverem a escrever juntas, como é o caso. Uma obra muito boa que me encantou sobremaneira e que seguirei, atentamente, no futuro – tenha que idade tiver

terça-feira, 24 de novembro de 2015

A Prova do Ferro, Holly Black & Cassandra Clare [Book Trailer]



O segundo volume desta fantástica saga já se encontra nas livrarias... 

... mas nada como lembrar o quão excelente foi esta primeira leitura, e primeiro contacto com o mundo de Magisterium.

domingo, 22 de novembro de 2015

A Manopla de Cobre, Holly Black & Cassandra Clare

O segundo volume da saga Magisterium, chega, finalmente, a terras lusas 

Título Original: The Copper Gauntlet
Autoria: Holly Black & Cassandra Clare
Série: Magisterium
Editora: Planeta Manuscrito 
N.º Páginas: 280
PVP.: 17,76€

Sinopse
As férias de Verão de Callum Hunt não são como as dos outros miúdos. O companheiro de todos os dias é Ruína, um lobo Refém do Caos. O pai desconfia que ele é secretamente mau. E, no Outono, Call vai regressar ao mundo mágico do Magisterium, cuja existência a maior parte das crianças desconhece. 
A vida não é fácil para Call... e torna-se ainda mais difícil no dia em que decide ir à cave de casa e descobre que o pai poderá estar a tentar destruí-lo a ele e a Ruína
Call foge para o Magisterium, mas as coisas só se agravam. O Alcaeste - uma manopla de cobre capaz de espoliar certos magos da sua magia - foi roubado. E, na sua demanda em busca do culpado, Call e os amigos, Aaron e Tamara, chamam a atenção de perigosos inimigos, tropeçando numa verdade inquietante. 

Não escolhes a magia. 
A magia escolhe-te a ti. 

Sobre as autores
Holly Black e Cassandra Clare conheceram-se há mais de uma década na primeira sessão de autógrafos dada por Holly. Desde então, tornaram-se boas amigas, criando laços, entre outras afinidades, graças ao amor que partilham pela Fantasia - das paisagens arrebatadoras de O Senhor dos Anéis até às histórias sombrias de Batman na sua Gotham City, passando pelos épicos de guerra e feitiçaria como A Guerra das Estrelas
Com Magisterium, decidiram unir-se para contar a sua própria história de heróis e vilões, do mal e do bem, e do que significa sermos escolhidos para alcançarmos a grandeza, quer a ideia nos agrade, quer não. 
Holly é a autora bestseller e co-criadora da saga The Spiderwick Chronicles e ganhou o prémio Newbery Honor pelo seu romance Doll Bones. Cassie é a autora da saga YA Caçadores de Sombras, também ela um êxito de vendas internacional. 
Cassandra é autora bestseller de Caçadores de Sombras cuja série começou com A Cidade dos Ossos (já com filme), uma fantasia urbana povoada por vampiros, demónios, lobisomens, fadas e que é um autêntico romance de acção explosiva. 
Ambas vivem na zona Oeste do Massachusetts, a cerca de dez minutos de distância uma da outra. Esta é a segunda obra que escrevem em conjunto numa saga que terá cinco volumes. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Bookish Cuties #2



Já quando estive a estagiar na Random House, no começo do ano, tive acesso a alguma informação delicada sobre um dos livros mais esperados do ano — Magisterium: The Iron Trial —, claro está que a curiosidade subiu em flecha e a vontade de folhear tamanha obra, escrita por duas autoras absolutamente fenomenais — Cassandra Clare e Holly Black — tornou-se quase insuportável. Mais tarde neste ano, foi-me oferecida uma edição proof em papel impresso, que, infelizmente, ainda não tive a oportunidade de ler. Contudo, na passada semana chegou-me a casa esta espectacular edição hardback que, deixem-me que vos diga, é provavelmente dos livros mais bonitos que guardo na estante. É-me impossível explicar-vos o quão entusiasmada estou com este livro, e o quão agradecida por esta edição, que será lançada no mercado internacional no dia 11. 
Confesso que ainda não li todo o mundo criado por Cassandra Clare nas séries Caçadores de Sombras e Caçadores de Sombras, As Origens, mas do que li posso dizer-vos que adorei, assim como o pequeno livro sobrenatural que li de Holly Black, Doll Bones. Talvez seja por isso que estou tão expectante em relação a esta obra, ou talvez seja por ir conhecer as autoras em breve, não sei. Tudo o que vos posso dizer, no entanto, é que não terão de esperar muito tempo por Magisterium em terras lusas, pois a Planeta conta lançá-lo no mercado português na segunda quinzena de Outubro. Está quase! 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Em breve: Magisterium e A Cidade do Fogo Celestial



Leitores, 
Trago-vos hoje, possivelmente, as que serão as duas notícias mais aguardadas deste ano

Foi, há pouco, anunciado, pela Livros Fantásticos, uma chancela Planeta Manuscrito, que a nova série de Cassandra Clare e Holly Black vai ser traduzida para português e lançada na segunda quinzena de Outubro! Magisterium irá contar com cinco livros, sendo que o primeiro tem o título, no original, de The Iron Trial
Direccionada a leitores a partir dos 14 anos, e já comentada como a série que destronará Harry Potter, cada livro corresponderá a um ano na vida do protagonista, e contará a história de Callum Hunt, um aprendiz numa escola muito especial: Magisterium. 

Os direitos da saga foram, também, já vendidos para o cinema, o que, pessoalmente, acho fantástico!

Mas isto não é tudo! 
Foi, igualmente, anunciado o lançamento do volume que encerra a série Caçadores de Sombras, em português com o nome de A Cidade do Fogo Celestial, que chegará às livrarias na primeira quizena de Novembro. Ou seja, Cassandra Clare a duplicar entre Outubro e Novembro! — Mal posso esperar!


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Onde andam os Caçadores de Sombras?


Depois do enorme sucesso de vendas da trilogia Os Caçadores de Sombras, a autora best-seller do The New York Times, Cassandra Clare, chega agora com a 2.º edição dos dois últimos livros desta emocionante série de fantasia urbana, que conta com uma verdadeira legião de fãs em todo o mundo. Por isso, se andavam a desesperar por estes dois meninos, pois não os conseguiam encontrar em lado nenhum, podem finalmente gritar de alegria pois as vossas preces foram ouvidas! Vá... toca a correr às livrarias!


   

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A Cidade dos Ossos, Cassandra Clare [Opinião]





Título Original: City of Bones
Autoria: Cassandra Clare
Editora: Planeta Manuscrito
Nº. Páginas: 415
Tradução: José Luís Luna


Sinopse:

No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de três jovens cobertos de estranhas tatuagens.
Desde essa noite, o seu destino une-se ao dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com tendência a agir como um idiota...


Opinião:

Admito: esta não foi a primeira vez que peguei em A Cidade dos Ossos. Já antes, algures num passado não muito distante, encetei uma tentativa de iniciar esta que é uma das mais badaladas trilogias do universo fantástico teen, mas, insatisfeita com o cuidado dado à tradução do original para a edição que foi lançada em terras lusas, acabei por padecer de uma das mais comuns doenças entre leitores insaciados—simplesmente coloquei o livro de lado. Agora, com a constante e intrépida aproximação daquela que promete ser uma das grandes apostas cinematográficas do ano, a adaptação desta obra em particular ao grande ecrã, não houve como mais lhe escapar—encontrar o remédio, a cura para este mal que me veio a consumir lentamente, transformou-se em algo mais do que necessário, mais do que essencial, e com uma renovada perspectiva e disposição literária, foi com sofreguidão que me atirei a este primeiro volume de uma trilogia—e posterior série, se assim o pudermos definir—de potencialidade gigantesca.

Dúvidas não me restam de que muitos de vós estejam já bastante familiarizados com este mundo de sombras e escuridão, mas para uma estreante como eu, que pouco ou nada sabe do passado, presente ou futuro deste leque de personagens singular, tudo é novidade... e tudo é belo—seja no campo da luz, ou no campo das trevas.
A Cidade dos Ossos, como título introdutório, oferece, de imediato, uma possível antevisão dos acontecimentos que se encontram guardados no interior das suas páginas. Julga-se, quiçá, que uma cidade construída das ossadas de antepassados ancestrais seja o cenário de eleição de Clare, mas mais do que o sangue que não estanca, da carne que rasga e dos ossos que protegem um santuário silencioso, o simbolismo desta narrativa prende-se nas modificações que um simples objecto, um mero instrumento mortal, e um convicto ideal podem principiar naquela que deveria ser a raça a defender—os mundies.
Cassandra Clare apresenta, então, este universo de seres místicos e seres desprovidos de qualquer encanto ou poder, de forma absolutamente engenhosa, divinal e, que nem uma mais valia, de forma criativa. Incansável nas reviravoltas que proporciona a uma narrativa que se sabe defender por si, a autora vai construindo o seu texto em torno de pequenas particularidades especiais de significados astronómicos, pontuando, o mesmo, com uma escrita simples e natural mas ainda que, ocasionalmente, ornamentada com diálogos e exímia inteligência, ao mesmo tempo que, aos poucos e poucos, vai desvendando pormenores do que se encontra por “detrás do véu”. E, raios, como Claire foi habilidosa.

Muito mais do que uma obra de simetrias sobrenaturais, esta é uma história que disserta abertamente sobre lutas—lutas de cariz pessoal e lutas com vincos no passado—, e, se por um lado, temos as contínuas disputas e os exaustivos acordos em prol de uma harmonia entre as espécies de um mundo à parte, o mundo dos Shadowhunters, por outro, temos os confrontos íntimos, por vezes emocionais, de uma personagem que sempre julgou ter algo, ser alguém, que na realidade não é. E aí, o que fazer? Para Clarissa Fray, a resposta reside na única pessoa que constantemente esteve do seu lado, que sempre a acarinhou e protegeu, mas que, devido a guerras suas desconhecidas e a segredos por revelar, desapareceu para o inexplicável.

Variado e altamente interessante, A Cidade dos Ossos abre as portes não somente para uma comunidade de seres de artes extraordinárias como, e também, para um grupo de intervenientes cativante e divinamente peculiar.
Clary Fray destaca-se pelo sentido humano, terreno, inerente à educação com que foi criada, e pela curiosidade que naturalmente lhe corre nas veias face um universo paranormal que deveria ser seu. Destemida, astuta mas também atormentada por medos e dúvidas próprias dos acontecimentos que as suas acções desencadeiam, esta é uma jovem que não olhará a meios para alcançar o seu objectivo—salvar a sua mãe.
Jace Wayland valoriza-se pela personalidade espontânea, por vezes a roçar a excentricidade, e humor very british, very dark e sarcástico. Confiante, imbatível e impulsivo, esta é uma figura que não tem qualquer receio em enfrentar os mais poderosos e violentos demónios, movido pelo lema dos seus antepassados shadowhunters e por um presente em que nada tem a perder.
Simon Lewis sobressai pela sua incrível capacidade de aceitação e adaptação face um mundo sombrio e inquietante que tudo tem para parecer impossível, e pela lealdade com que sempre brindou Clary—uma amizade que não se vê, nunca, a prescindir. Mas também o seu sentido de oportunidade e a sua insistência em ser figura presente num círculo de artes mágicas o tornam uma personagem de encanto incalculável.

Embora este seja o trio maravilha no seu exponente máximo, muitos são os intervenientes secundários que surgem com o propósito de enriquecer, sobremaneira, a narrativa. Alec e Isabelle Lighwood, irmãos de sangue, combatem lado a lado com Jace e Clary—e, por vezes, com Simon—mostrando-se inteiramente dispostos a correr riscos para proteger e conseguir a salvaguarda da “pátria” que conhecem—Idris. Magnus Base, o High Warlock of Brooklyn, ou seja, um feiticeiro de grande poder e magnetismo, é outra das personagens que, mesmo com uma presença diminuta, deixa marcas no leitor. E, claro, não esquecer nomes como Luke Garroway, Hodge Starkweather e Valentine Morgenstern que, com o que têm de bom e de mau, entre a luz e as trevas, criam uma dualidade dúbia que deixa o leitor em constante alerta.

Tratando-se de uma obra de pormenores, adorei pequenas coisas, pequenos elementos, que, pessoalmente, fizeram toda a diferença num género sobrelotado de conformidades, e que, ao longo da história, foram deixando pequenas pistas para mistérios mais tarde desvendados. Objectos como o anel dos Wayland que Jace mantém perto do coração, as stele que permitem as mais espectaculares maravilhas, a witchlight que oferece uma protecção luminosa no escuro ou as pequenas armas mortíferas cujos significados aparentam uma beleza superior à sua antecedente, mas também outros detalhes ostentam entusiasmo e curiosidade, como o significado e poder das runas e o modo como estas não só foram exploradas pela autora mas, e principalmente, pela forma como podem ser utilizadas em objectos ou no corpo dos próprios shadowhunters, ou até mesmo Idris e as suas glass towers com vista para a cidade de Alicante, da qual quase nada conhecemos—ainda.

Penso que está a descoberto o quanto gostei deste primeiro livro e do quanto o mundo dos shadowhunters inevitavelmente me fascina. Imensos foram os momentos que me fizeram virar página, atrás de página, atrás de página, em busca de algum do sossego e de alguma da calma que me possibilitaria pausar a leitura—mas tal não sucedeu muitas vezes, confesso—além de que o próprio world building da narrativa é suficiente para deixar qualquer leitor estupefacto. Contudo, admito que estava à espera de um final mais emocionante. O momento de grande clímax deste volume em particular poderia, a meu ver, ter sido desenvolvido com um pouco mais de frenesim, de energia electrizante, e embora não me tenha decepcionado completamente, não foi, de todo, o que estava à espera tendo em conta o restante da história. Como nota positiva, referente à etapa conclusiva de A Cidade dos Ossos, fica a anotação para um desfecho que, mesmo impulsionando o leitor a prosseguir viagem com A Cidade das Cinzas, ainda assim não deixa um cliffhanger de proporções épicas, ou seja, um momento de suspense entre livros, por demais.

Esta é uma aposta da Planeta Editora, numa autora que continuarei a seguir com afinco e sob a qual me espero debruçar novamente, em breve. Perfeito para leitores de trilogias/sagas como Anjo Caído ou Predestinados, numa vertente fantástico verdadeiramente impressionante. Recomendo.

sábado, 17 de agosto de 2013

Book/Movie Trailer - A Cidade dos Ossos, Cassandra Clare


O blogue tem andado um pouco parado... mas não se preocupem, assim não ficará por muito mais tempo! Tenho imensas opiniões para vos mostrar e uma ou outra ideia a marinar no forno...

Entretanto, trago-vos o trailer de um dos livros que me acompanha actualmente, e do qual estou a gostar bastante, cujo filme tem data de estreia, em terras lusas, já na próxima semana. Conseguem adivinhar qual é? 


Quem já leu o livro, através do trailer do filme, consegue já encontrar diferenças entre os dois mundos—grande ecrã e páginas—, mas não vos parece que a essência, a atmosfera sombria foi conseguida com precisão? 
Estou muito, muito expectante com este filme.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Anjo Mecânico, Cassandra Clare



Título Original: Clockwork Angel
Autoria: Cassandra Clare
Editora: Planeta Manuscrito
Nº. Páginas: 385
Tradução: Inês Castro


Sinopse:

Quando Tessa Gray, uma jovem de dezasseis anos, atravessa o oceano para se reunir ao irmão, o seu destino é a Inglaterra do reinado da Rainha Vitória e aventuras aterrorizantes aguardam-na no Mundo-à-Parte de Londres, onde vampiros, bruxos e outras personagens sobrenaturais palmilham as ruas iluminadas a gás. Apenas os Caçadores de Sombras, guerreiros que se dedicam a livrar o mundo de demónios, conseguem manter a ordem no caos.
Raptada pelas misteriosas Irmãs Escuras, membros de uma organização secreta chamada Clube Pandemonium, Tessa fica a saber que também pertence ao Mundo-à-Parte e que possui uma habilidade rara: o poder de se transformar, quando quer, noutra pessoa. Além disso, o Magister, a figura misteriosa que dirige o clube, tudo fará para reclamar o poder de Tessa para si.
Sem amigos e perseguida, Tessa refugia-se junto dos Caçadores de Sombras do Instituto de Londres, que lhe juram encontrar o irmão se usar o seu poder para os ajudar. Em breve se sente fascinada, e dividida, entre dois amigos: James, cuja beleza frágil esconde um segredo mortal, e Will, um rapaz de olhos azuis, cujo humor cáustico e temperamento volúvel mantêm toda a gente à distância... ou seja, todos menos Tessa. Enquanto a investigação os vai arrastando para o âmago de uma conspiração tenebrosa que ameaça destruir os Caçadores de Sombras, Tessa percebe que poderá ter de escolher entre salvar o irmão e ajudar os seus novos amigos a salvar o mundo... e que o amor pode ser a magia mais perigosa de todas.


Opinião:

Numa época em que a fantasia urbana reinante remete grande parte dos seus súbditos para um mundo de romance proibido entre dois jovens de espécies contraditórias, é com livros como Anjo Mecânico que os gostos das massas sequiosas por algo mais é verdadeiramente satisfeito. Embora Cassandra Clare apresente, com o seu mais recente trabalho, um mundo complexo, extremamente bem estruturado e pensado até aos mais pequeno detalhe, a leveza que a própria narrativa flui é fantástica para um leitor distraído que não se importe de ver as horas passar num ápice enquanto se encontra agarrado a uma história viciante e intricadamente empolgante. Foi exactamente o que me aconteceu.

Theresa Gray tem dezasseis anos e é americana. William Herondale, dezassete anos, galês de gema, é um Caçador de Sombras destemido e assombroso. James Carstairs, estrangeiro, sofre de um mal mortal e misterioso mas nem isso afasta a sua coragem e o seu companheirismo para com William, seu parceiro Caçador de Sombras. O que estas três personagens têm em comum é o facto de todos eles serem órfãos, sofrerem internamente e, a princípio, desconhecerem a forte ligação que será construída bem no seu centro, indo muito para além da fugaz e rápida amizade. O que os distingue são os objectivos e, principalmente, as personalidades de cada um. No entanto, juntos, são imparáveis.
Tessa só anseia pelo momento em que terá o seu irmão, Nathaniel, de volta. Sozinha no mundo, é em Nate que deposita toda a sua confiança e amor, e quando descobre a peculiaridade que lhe corre nas veias e o motivo pelo qual o irmão corre perigo de vida, nada a parará até o reencontrar. Will, como Caçador de Sombras, vê a sua vida devota ao cumprimento das regras, dos Acordos e da Aliança. Quando uma ameaça se abate no Instituto de Londres, a casa dos Caçadores de Sombras, a sua faceta vingativa, destruidora e invencível sobe ao de cima e ninguém será capaz de o parar. Fora isso, nos momentos mornos, desfruta da companhia de James, a única pessoa pela qual francamente exerce algum tipo de simpatia e preocupação, e aproveita o que de melhor a vida tem para oferecer: mentiras, vícios e longos passeios solitários. No entanto, um segredo e um passado tenebroso é-lhe facilmente visível no rosto e embora esse mistério não seja, de todo, desvendado, tenho a certeza de que será algo que dará muito que falar nos próximos volumes. Por fim, Jem, sofredor de uma doença que não consegue controlar, é a sua fragilidade, cavalheirismo e atitude correcta que, de alguma forma, acalma e contrabalança o furacão Will. Embora seja veloz, ágil com as armas e um Caçador de Sombras guerreiro, é a sua aparência prateada diferente e todo o secretismo que o rodeia que faz, automaticamente, despertar uma simpatia muito forte no leitor.

Acima de tudo, acredito que Anjo Mecânico é uma história acerca destes três personagens e das suas relações tanto com o mundo normal como com o Mundo-à-Parte e as suas próprias descendências. Apesar de ser um livro recheado de acção, com surpresas empolgantes e reviravoltas inesperadas, são as personagens que verdadeiramente fazem este livro; Tessa com a sua atitude típica de jovem mulher do século XIX, Will, o rebelde e atraente Caçador de Sombras e Jem, o seu sereno e agradável companheiro. Também em destaque, temos todo um universo cuidadosamente criado, com descrições perfeitas da época vitoriana londrina e dos seus costumes, cenas de acção de tirar o fôlego, pitadas de romance enigmáticas, invenções mecânicas de arregalar os olhos, perigos e aventuras constantes, explicações celestiais em armas, símbolos, runas e encantamentos, e criaturas capazes de eriçar os pêlos da nuca. Com bruxos, seres efémeros, vampiros e fadas, Anjo Mecânico é um livro que reúne todos os ingredientes essenciais para proporcionar uma ávida leitura e um vício difícil de ignorar. Cassandra Clare veio, uma vez mais, provar o seu talento. Com belíssimos momentos de descrição, diálogos inteligentes misturados com poesia e romances antigos, e um humor sempre presente, este é um livro a não perder. Adorei o mundo criado por Clare e posso dizer que me apaixonei perdidamente pelas suas personagens. Uma narrativa que me deu um imenso prazer ler e uma escritora que, sem sombra de dúvida, passou a ser uma das minhas favoritas.
Gostei mesmo muito deste livro e recomendo-o sem rodeios. 
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