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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Alex 9 - A Coroa dos Deuses, Martin S. Braun [Opinião]



Título: Alex 9 – A Coroa dos Deuses
Autoria: Martin S. Braun
Editora: Saída de Emergencia
Nº. Páginas: 288


Sinopse:

Estamos no futuro. Sem saber porquê, a Tenente-Coronel Alex 9 (da 3.ª Unidade de Comandos de Elite) é projectada para um planeta parecido com a Terra, onde uma guerra entre impérios medievais se está a travar. Aparentemente, a chegada da jovem despoleta imensas consequências politicas que ainda estão longe de fazer sentido.
Duzentos anos antes, na nossa Terra, os mestres Kaoru e Bach, fugitivos de ambas as partes da Grande Guerra das Corporações, tentam descobrir o enigma que envolve Alex e que a levou à Segunda Terra. Mas onde conduzirá esta busca?
Entretanto, nessa Segunda Terra, o Reino de Brodom foi invadido pelos Salteadores das Tribos do Sul e pelas forças do Duque Wa-Tsu, o Invencível. Mas o pior são as traições que ocorrem na própria capital e entre os aliados de Brodom.


Opinião:

Num planeta distante, numa realidade adversa, contraditória, antiga, uma mulher luta por um povo que viu em si a ardente centelha da esperança, da luta segura, da batalha por um reino, uma paz, um tempo de bonança. Mas o perigo é um companheiro próximo, de arma em riste, de língua provocante, e, por isso, a segurança, o mistério e a dúvida transformam-se numa constante, numa firmeza única de que nada é fiável, nada é certo.

Alex 9 – A Coroa dos Deuses trata-se da surpreendente continuação de uma trilogia lusa do fantástico e da ficção científica, que tem vindo não só a ganhar terreno e diferenciação em relação às demais obras como, em igual medida, tem vindo a cativar até o leitor mais céptico, mais reticente.
Martin S. Braun é um autor com um estilo muito próprio, muito seu. As descrições de uma acção frenética são pontuadas com uma certa repetição – agora, algo moderada – de modo a transmitir ainda mais rapidez, mais agilidade, mais perigo. Mas também o seu desenvolvimento narrativo cresceu, levantando assim um pouco mais do véu espesso e obscuro que esconde a grande maioria dos mistérios, onde, mesmo oferecendo algumas respostas, se torna impossível não se gerar ainda mais perguntas.

Para além de uma escrita mais cuidada, mais limpa e atenta, é nas personagens que se encontra o crescimento mais acentuado. Embora estas sejam, agora, mais do que muitas, a verdade é que se nota, claramente, que cada uma serve um propósito, tem um objectivo e que, como tal, nenhuma foi criada ao acaso. Assim, a curiosidade e a vontade em descobrir sempre mais é uma sensação constante, permanente, num enredo que se distingue pelo contraste entre a tecnologia e as espadas de ferro, entre o progresso terrestre e a era medieval. Desse modo, o vaivém desenfreado entre uma época e outra, possibilita a que o leitor se veja numa posição algo ingrata – mas masoquistamente satisfatória – onde, sempre em aberto, sempre em suspenso, este se vê obrigado a abandonar um determinado espaço ou personagem, um determinado culminar de sensações ou uma revelação secreta, para avançar para outro local diferente, outra questão em aberto.

As lutas, as descrições dos confrontos entre duas frentes, são primorosas ao ponto de se tornarem indispensáveis à história. E são estes momentos de acção, de dupla intriga, estes instantes arrojados no tempo capazes de provocar as alterações mais estrondosas nas vidas dos seus protagonistas, que enaltecem um enredo de si já fervoroso e ardente. Não restam dúvidas de que, tanto Alex 9 – A Coroa dos Deuses como o volume que o antecede, são livros que causam boa impressão, que deixam uma pequena grande marca, e que provocam uma vontade imensa em se querer ler mais, saber mais, descobrir mais.

Esta pode ser uma obra que, actualmente, se encontra inserida dentro de uma onda mais teen, mais juvenil, dos amantes de fantasia e ficção científica. Mas para quem ainda não sabe, foi já anunciado o lançamento do terceiro e último volume desta trilogia, que contará com a compilação das três «narrativas» num livro só, assim como se verá incluída na secção adulta.
Não se deixem enganar pela aparência jovem destas capas, pois estas são histórias que podem não só ser lidas pelo público menos conhecedor, como por aquele que é, invariavelmente, mais exigente. Uma boa aposta por parte da Saída de Emergência, em algo que é, pura e totalmente, nacional.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Alex 9 - A Guardiã da Espada, Martin S. Braun [Opinião]


Título: Alex 9 - A Guardiã da Espada
Autoria: Martin S. Braun
Editora: Saída de Emergencia
Nº. Páginas: 239


Sinopse:

A caminho da frente de batalha contra os invasores, o Príncipe Dael de Brodom descansava com a sua guarda junto às margens de um lago quando se dá um estranho fenómeno: uma estrela despenha-se nas águas e de lá emerge uma mulher quase nua que cai inconsciente nos seus braços. Será este o sinal de que uma antiga profecia se está a realizar?
Sem saber porquê, a Tenente-Coronel Alex 9, da 3.ª Unidade de Comandos de Elite, é projectada para um planeta muito parecido com a Terra, onde uma guerra entre impérios medievais se está a travar. Aparentemente, a chegada de Alex à Segunda terra despoletou uma miríade de consequências políticas que estão ainda longe de fazer sentido.
Ao longo deste volume, repleto de batalhas com espadas e armas magnéticas, as linhas da trama começam a cruzar-se e descobrimos um conflito que se prepara há séculos. Mas para onde levará?


Opinião:

Dita a lenda que... um dia, uma estrela descerá dos céus e repousará nas águas solenes de um lago distante. Com ela, trará uma magnífica e poderosa espada, uma arma que enfrentará mil e um corações pulsantes, mil e uma tentativas de destruição. Mas também com ela virá a paz, a salvação para uma disputa que se tem vindo a intensificar com a guerra constante, o sangue derramado e o fervor que corre nas veias de cada um dos impérios. A esperança é algo que não pode morrer, e a profecia... a profecia é algo pelo qual se tem de lutar. E acreditar.

Alex 9 – A Guardiã da Espada não poderia ter sido uma maior surpresa. Recheada de acção, adrenalina e força humana, esta obra transpira actos heróicos e decisões difíceis, batalhas sangrentas e um intelecto moderno imenso. Martin S. Braun, ou melhor dizendo, Bruno Martins Soares, soube como pegar num enredo aparentemente simples e, preenchendo-o com pequenos conflitos aqui e outras tantas maquinações ali, criar uma história apelativa, que se lê com relativa rapidez e entusiasmo e que, acima de tudo, se mostra criativa, epicamente bela e emocionante. Não só indicado para um público mais jovem que, nos dias de hoje, sofre por encontrar um certo tipo de fantasia medieval que se adeqúe à sua faixa etária, Alex 9 – A Guardiã da Espada é, em igual medida, uma narrativa que agradará à camada adulta dos apaixonados de literatura fantástica que, verão neste livro, uma abordagem menos bruta e cruel a um universo imaginativo que, sem dúvida, muito tem a oferecer.

«Algo está errado», é uma das sensações mais sentidas ao longo da trama. No ar, respira-se o mau agoiro, as dificuldades presenciadas em ambos os lados do Universo e a vastidão que percorre a recentemente renovada vida de uma personagem cujo futuro – e passado menos distante – se encontra camuflado por uma confusa névoa de obscuridade, insegurança e incerteza. Alex 9, uma das protagonistas deste livro, trata-se de uma mulher física e mentalmente forte, dotada de um treino marcial inigualável, mas que, em certa medida, se sente feliz por encontrar uma Segunda Terra desprovida do artificialismo e modernismo a que se habituou em casa.
Por entre os artifícios da guerra, um príncipe guerreiro descansa sob um luar estrelado. Esta personalidade, de inteligência arguta e destreza passiva, nunca será capaz de esquecer a fascinante mulher que acolheu nos seus braços, que ajudou a cuidar e que manteve bem perto e fundo no seu pensamento. Talvez os seus destinos se voltem a cruzar... talvez consiga sobreviver à pungente batalha que se aproxima, mas seja o que for, a partir do momento em que a viu, Dael de Brodom pressente que nada voltará a ser igual.

Um livro de contrastes, de opostos, Alex 9 – A Guardiã da Espada caracteriza-se por conseguir balançar, na perfeição, o mundo mecânico e artificialmente inteligente de Pierre Bach com a sociedade medieval e extremamente humana de Garic de Cary. A alternância entre estas duas realidades, entre as duas Terras, é um dos aspectos que confere uma enorme beleza e envolvência à narrativa e que, em exacta medida, atiça a fogueira da curiosidade do leitor. Acrescenta-se a clara pesquisa e conhecimento diversificado que S. Braun teve de compilar para a escrita desta obra, desde as peculiaridades da Astronomia, passando pela intensidade da cultura japonesa e pela experiência literária na arte da guerra, e o resultado não poderia ser outro – um enredo inesperado, povoado de personagens exibicionistas e espirituosas, que alicia à leitura da continuação e que, mesmo com um ou outro detalhe menos apreciado (por mim), ainda assim consegue motivar e surpreender.

A escrita do autor, no entanto, foi o elemento que tanto odiei como amei. Se por um lado S. Braun descreve os vários movimentos e consequências de um confronto físico, as sensações que pairam no ar ainda que por breves instantes ou até mesmo o simples decorrer das acções de forma singela e objectiva, por outro senti a falta de algumas pausas nessas mesmas narrações e de uma maior atenção ao desenvolvimento das personagens. Quem sabe por se tratar de uma obra teen não tenha sido esse mesmo o propósito do autor, ou seja, não «maçar» o leitor com pormenores e aspectos menos «interessantes» e enérgicos, passando assim, e logo, para a acção mas, de qualquer das formas, continuo a acreditar que este livro só beneficiaria com um pouco mais de informação e cuidado a um dos factores mais importantes deste primeiro vislumbre criativo, as personagens.

Mesmo tendo sido uma leitura agradável e bastante interessante, creio que o autor ainda tem muito por onde explorar, por onde crescer e por onde causar admiração. O que me leva a esperar que Alex 9 – A Coroa dos Deuses – a continuação que, tendo em conta o final deste livro e o título escolhido deixa muita expectativa em aberto – seja ainda mais surpreendente, emocional e impulsivo. Uma boa aposta da Saída de Emergência não só no que é nacional – e que pode ser bom! – como também numa «onda» mais jovem. Gostei. 
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