segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O menino que ninguém amava, Casey Watson [Divulgação]


Uma comovente história verdadeira sobre abuso, negligência e traição.

Título: O menino que ninguém amava
Autoria: Casey Watson
N.º Páginas: 240
Colecção: Grandes Narrativas, N.º 555
PVP.: 15,90€

Sinopse:
Justin tinha apenas cinco anos quando a mãe, toxicodependente, o deixou sozinho em casa com os irmãos de dois e três anos. Desesperado, Justin acaba por incendiar a casa e é então entregue ao cuidado dos serviços sociais. Seis anos mais tarde, Justin chega a casa de Casey e Mike — um casal de acolhimento especial, vocacionado para casos problemáticos. Para Casey e Mike depressa se torna clara a dimensão do desafio que têm pela frente e, à medida que a terrível verdade sobre os primeiros anos de vida de Justin vai sendo revelada, apercebem-se de que estão a ver apenas a ponta do icebergue. Uma história verdadeira de abuso e abandono, que é também uma fonte inspiradora, capaz de mudar a perspectiva que temos da nossa própria vida. 

Sobre a autora:
Casey Watson é uma mãe de acolhimento especializada em casos extremamente problemáticos. Ela e o marido recebem crianças com passados traumáticos. Enquanto estão ao seu cuidado, estas crianças são orientadas através de um programa comportamental que lhes permitirá voltar à sua família biológica ou entrar no sistema de acolhimento convencional. 


sábado, 7 de setembro de 2013

Passatempo «Perfume de Jasmim», Jude Deveraux


Em jeito de celebração do 4.º aniversário do blogue, dou hoje início ao primeiro de uma série de passatempos especialmente preparados para vocês, seguidores

Com o inestimável apoio da Quinta Essência, o Pedacinho tem, a sorteio, um exemplar do título Perfume de Jasmim, da autora Jude Deveraux. Um romance deslumbrante, e imperdível para quem segue esta escritora. 

Para se habilitar a ser o vencedor deste fantástico prémio, tem de ser, obrigatoriamente, seguidor do blogue, responder acertadamente às questões que se encontram no formulário, preencher os campos obrigatórios e, claro, ter em atenção as regras do passatempo. 

As respostas às perguntas podem ser encontradas no blogue e/ou no site da editora


Regras do Passatempo:
1) Ser seguidor do blogue.
2) O passatempo decorrerá até às 23h59 do dia 20 de Setembro (sexta-feira).
3) Só é válida uma participação por pessoa e/ou email. 
4) Participações com respostas incorrectas e/ou dados incompletos serão automaticamente anuladas.
5) O vencedor será sorteado aleatoriamente pela administração do blogue, será posteriormente contactado por email e o resultado do passatempo será anunciado no blogue.
6) Só são aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
7) A administração do blogue não se responsabiliza pelo possível extravio, no correio, de exemplares enviados por si e/ou pela editora em questão. 


Boa sorte!

Perfume de Jasmim, Jude Deveraux [Divulgação]


Título: Perfume de Jasmim
Autoria: Jude Deveraux
N.º Páginas: 364
PVP.: 14,94€

Sinpose: 
Charleston, 1799: Catherine Edilean Harcourt não tem falta de pretendentes na Virginia, e espera realizar o seu sonho de casar e ter uma família. Mas o espírito aventureiro do Cay é despertado ao visitar o seu padrinho na Carolina do Sul. Acamado com uma perna partida, ele pede a Cay que o substitua numa missão urgente: a caminho de um baile de máscaras, ela deve entregar um cavalo selado ao filho de um velho amigo... que por acaso também é um fugitivo acusado de assasinar a mulher! Cay concorda com o plano, que não corre nada como planeado... e encontra-se em fuga com Alexander McDowell. Embora devesse temê-lo, Cay sente-se atraída para Alex e convence-se da sua inocência enquanto procuram refúgio nos Everglades da Florida. Será que confiar nele vai ser o pior erro da sua vida? Ou apaixonarem-se será a salvação que ambos procuravam?

Sobre a autora:
Jude Deveraux é autora de uma vasta obra, com mais de 30 títulos publicados, que marcam regularmente presença na lista dos livros mais vendidos do New York Times, incluindo First Impressions, Carolina Isle, Holly Always, Wild Orchids, Forever and Always, The Mulberry Tree, The Summerhouse, Temptation e Secrets. Os seus livros, bestsellers em vários países, já venderam mais de 50 milhões de exemplares em todo o mundo. 
Jude Deveraux nasceu em 1947 em Fairdale, Kentucky. Licenciou-se em Arte na Universidade de Murray. Foi professora durante alguns anos, antes de se dedicar exclusivamente à escrita. Actualmente vive na Carolina do Norte.

O Pedacinho faz 4 anos!


E assim, mais um aniversário que chega...
... mais um ano que passa, que viu este espaço crescer, que acompanhou as suas aventuras, que atraiu novos companheiros de letras, curiosos como eu, e que divulgou literatices diversas. É verdade que, sem vocês, sem o vosso apoio incondicional, as vossas visitas, o vosso tempo, o vosso feedback, este meu cantinho não seria nem um terço do que é hoje, e por isso, por tudo isso, vos agradeço. Do fundo do coração, vos agradeço.

Com este novo ano que entra, muitas mudanças, também, virão. Espero, sinceramente, que essas alterações, perceptíveis ao longo do tempo próximo, não sejam motivo para afastamentos—entre eu, sendo o «eu» este meu amor literário, e vocês. Quero, mais do que nunca, sentir o vosso apoio, pois mais ainda do que um blogue sobre livros, o Pedacinho é um espelho da alma livresca que vive dentro de mim—e que, com um pouco de sorte, chega até vocês, meus leitores.

Assim, um enorme obrigado às editoras que me têm vindo a proporcionar algumas das mais maravilhosas experiências literárias; um enorme obrigado aos seguidores, fiéis a este meu mundo aberto, sincero; um enorme obrigado aos meros curiosos, que visitam o Pedacinho e que, ocasionalmente, deixam o seu contributo; e, claro, sem esquecer, um enorme obrigado às amizades que, com o passar dos anos, se foram construindo e fortificando, graças a um objecto tão imaginário, tão simples e tão, tão bonito, quanto o livro.

Obrigado. A todos. 
É somente o que posso dizer.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A Hora Secreta, Scott Westerfeld [Opinião]





Título Original: The Secret Hour
Autoria: Elin Hilderbrand
Editora: Topseller
Nº. Páginas: 227
Tradução: Raquel Fidalgo


Sinopse:

Jessica Day chega a Bixby contrariada por deixar Chicago para trás, e as primeiras impressões não são positivas. A pequena cidade é muito quente, a água tem um sabor estranho, e Jessica não demorará a descobrir que este não é o único aspecto peculiar de Bixby.
Logo na primeira noite ela desperta de um sonho esquisito, que lhe revela que é a única pessoa que existe e que o mundo está suspenso no tempo. Rapidamente se aperceberá de que não se trata apenas de um sonho, e nesse momento o seu mundo muda para sempre.
Jessica descobre um restrito grupo de jovens, chamados Midnighters, que consegue mover-se livremente numa hora da noite que não existe para mais ninguém: a 25.ª hora. Durante anos, os Midnighters e as criaturas das trevas partilharam esta hora tentando evitar-se mutuamente. Mas tudo isso muda com a entrada em jogo de Jessica e dos seus poderes secretos.


Opinião:

Quando um romance do fantástico agrega, em si, inovação imaginativa e componentes sobrenaturais absolutamente deslumbrantes, mostrando, ainda, um potencial gigantesco logo no primeiro volume de uma trilogia que promete surpreender, não há como não fazer de mim uma leitora feliz, satisfeita. E embora este fosse um autor já meu conhecido, de outras séries/mundos que tive o prazer de folhear anteriormente, confesso-me maravilhada pela criatividade que, desde cedo, fez por mostrar ao mundo literário actual, com estes seus midnighters.

A Hora Secreta é um momento especial, numa cidade como Bixby. Assombrando os seus habitantes nocturnos, cujas aptidões extraordinárias adquirem novos contornos e potencialidades, com uma atmosfera de luz azul e a presença de criaturas aterrorizadoras, esta, que é a 25.ª quinta hora do dia, traz ao presente tudo aquilo que o passado tentou eliminar. E quando Jessica Day, a rapariga nova, se apercebe de que algo de muito errado se está a passar em tão pequena localidade americana, o que de calmo houve até então, na chamada hora azul, não mais voltará a existir.
Scott Westerfeld é um contador de histórias nato. Existe algo na sua sabedoria enquanto escritor que capta a total atenção dos leitores que experimentam as suas narrativas, e uma vez iniciada uma trilogia ou um universo alternativo ou futurista, esse é um conceito textual que tem de ser descoberto até ao fim. Em Midnighters, particularmente, não creio que toda a sua real capacidade descritiva seja mostrada, levando o leitor a rapidamente viciar-se nas suas palavras, mas sendo esta uma das primeiras obras do autor, a verdade é que também não poderia pedir muito mais.

A forma como a história se inicia, e o modo como Westerfeld a estrutura temporalmente, é muito interessante, principalmente porque, com o desenrolar dos vários acontecimentos que têm lugar, este vai dando ênfase ao que é, realmente, importante—a acção decorrente da hora azul. Ou seja, sendo esta uma trilogia para um público mais jovem adulto, seria de esperar algum realce significativo da vida escolar, nomeadamente por Jessica ser uma recém-chegada e, em acréscimo, ser ainda uma das personagens principais da obra. No entanto, o autor apresenta um pouco desse mundo e, com rapidez e bastante naturalidade, salta a acção para a meia-noite dos dias subsequentes, criando um universo místico e paranormal decididamente único e muito, muito assustador.
Também as personagens, no seu conjunto, são fruto de particularidades de exigência criativa. Cada uma delas guarda em si um segredo, um dom que a distingue de todos os outros colegas inteiramente humanos e que, por isso, lhes permite deambular durante a hora azul. Juntas, elas são uma força possante contra as criaturas que as pretendem destruir, ou, pelo menos, aniquilar Jessica, mas é preciso aprenderem a trabalhar em equipa e, mais importante, a aceitarem-se tal e qual como cada uma delas é—o que, desde logo, é caracterizado como sendo algo difícil, se não mesmo improvável.

Em termos narrativos, Westerfeld escreveu uma história intricada, repleta de momentos de alta tensão e de uns tantos outros que representam a amizade no seu melhor, entre os jovens. Embora com alguns laivos mais românticos, este é, claramente, um texto que visa expor, ao máximo, a camada sobrenatural da trilogia, explorando as várias criaturas e metamorfoses que estas geram entre si, e os elementos que cada uma das figuras de maior destaque possui—factores como a matemática e a pureza dos metais são, somente, alguns conceitos curiosos que podem ser encontrados no interior destas páginas. No final, é deixada em aberto uma questão deveras impertinente... e que, certamente, deixará qualquer leitor em pulgas para saber o que irá acontecer de seguida.
Pessoalmente, A Hora Secreta foi uma história que me surpreendeu muito pela sua qualidade e atenção aos detalhes, não deixando nada ao acaso e instigando, consecutivamente, a curiosidade do leitor quanto ao que cada personagem é capaz de fazer. Gostei especialmente da atmosfera sombria da hora azul e de todas as matizes que esse tempo extra traz consigo, assim como da amizade, forte e pura, que poderá advir da união que estes intervenientes terão, obrigatoriamente, de forjar entre si.
Uma leitura muito jovem e cativante, que facilmente agradará ao público juvenil que procura algo diferente do habitual, nesta que é uma excelente aposta TOPSELLER, uma chancela da 20|20 Editora.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Linger - Um Amor Adiado, Maggie Stiefvater [Opinião]





Título Original: Linger
Autoria: Maggie Stiefvater
Editora: Editorial Presença
Colecção: Noites Claras, N.º 13
Nº. Páginas: 405
Tradução: Maria do Carmo Figueira


Sinopse:

Linger é o segundo volume da trilogia fantástica de Maggie Stiefvater, e nele reencontramos a mesma elegância narrativa, a mesma qualidade poética da prosa, que se mantém isenta dos clichés do género literário a que pertence. Reencontramos também os protagonistas, Sam e Grace, que lutam desesperadamente pelo seu amor, sujeito às permanentes ameaças da natureza e da humanidade. Sam ainda se está a habituar à ideia de viver para sempre como ser humano e Grace guarda segredos que poderão vir a revolucionar as suas vidas. Com toda a carga dramática e romântica de Shiver, esta sequela ganha uma nova urgência à medida que os níveis de tensão se elevam até se tornarem quase insustentáveis.
Quando tudo à sua volta parece prestes a desmoronar-se só o amor permanece, mas será ele suficiente para os manter juntos?


Opinião:

Existem livros que são autênticos mimos—e este é, sem sombra de dúvida, um deles. Do formato pequeno, de bolso, à escrita encantatória, que roça muito levemente o poético, passando pela história que mistura lobos sensíveis e humanos desejosos, Linger – Um Amor Adiado é o tipo de romance sobrenatural perfeito para todo o jovem-adulto que pretenda embrenhar-se num belíssimo conto onde o lobisomem é caracterizado de forma romantizada e menos, muito menos, cruel.

Seguindo as passadas do seu antecedente Shiver – Um Amor Impossível, com todas as matizes e incertezas de uma existência humana que ainda se acredita ser muito limiar, este, que é o segundo volume de uma trilogia que não só promete agradar a um público vasto e diversificado como, e também, pressagia encantá-lo, interioriza ainda mais os confrontos internos de um Sam que anda à deriva dada a sua faceta lobo ser ainda algo incógnita, ao mesmo tempo que foca as sensações, os sufocos e as transformações interiores de uma Grace diferente, que se vê a par com algo que, embora o desejasse, embora a deixasse curiosa, não mais é o que realmente anseia.
Maggie Stiefvater é um dos mais admiráveis talentos da literatura actual, não há como refutar esta afirmação, mas é igualmente verdade que o seu estilo, de tão peculiar, de tão único, por vezes peca pela atenção excessiva aos pormenores em detrimento da continuidade da história em si. Ainda que tal aparente ser, à primeira vista, uma total desvantagem, isso também não é inteiramente correcto. Gosto quando estou perante uma narrativa que me mostre algo, que me incite a descobrir mais sobre as suas singularidades e que desvende, de quando em vez, uns quantos segredos inesperados, mas autoras deste calibre, vozes como a de Stiefvater, que se preocupam maioritariamente em estruturar e naturalizar uma boa história, mostram um lado que muitas vezes, nos romances mais comuns, nos passa ao lado – a construção de uma personagem.

Deambular pelos enigmas pessoais tanto do casal principal como, e um pouco mais tarde, de intervenientes como Isabel e Cole é algo pelo qual o leitor começa a ansiar à medida que vai avançando no texto. E cada uma destas figuras é tão única e ímpar à sua maneira, que mesmo sem olhar para o topo do capítulo onde se encontra expresso a personagem em qual vamos mergulhar, ao fim de meia dúzia de linhas sabemos, automaticamente, sobre quem estamos a ler. E isso é absolutamente maravilhoso.
Sam Roth é uma força da natureza—literalmente!—, mas o seu renovado estado de humano não é sinónimo de normalidade. Dentro de si sente ainda resquícios do lobo que foi outrora, saudades da liberdade que antes viveu, e por isso é-lhe impossível apagar, por completo, a sensação de que um futuro com Grace não passe de uma miragem, e de que os seus distintos olhos dourados sejam, novamente, a única familiaridade que esta encontrará por entre as árvores no Inverno.
Grace Brisbane sabe que algo dentro de si não está bem, que existe uma alma, uma segunda essência, que luta por se libertar, por tomar o controlo do seu corpo. Mas agora que Sam ultrapassou, finalmente, o estigma lupino que assombrava os dois e os impedia de estarem juntos, Grace está decidida a que nada se intrometa entre eles, em que nada os separe... até que a morte lhe bate à porta e decisões difíceis, impossíveis, terão de ser tomadas.

Sam e Grace são, por si já, um conjunto intricado merecedor de uma atenção e cuidado extraordinários, mas existem outras personagens de cariz mais secundário que são, em igual medida, um verdadeiro jubilo.
Isabel Culpeper, por exemplo, é do mais enigmática e extrovertida que pode existir. Marcada pela ausência de um irmão que acarinhava, e atormentada pelo remorso, pela culpa que acarreta às costas, esta é uma figura que se refugia no sarcasmo e na ironia, proporcionando, em inúmeras ocasiões, momentos de real divertimento e solidariedade. No outro lado, Cole St. Clair, um lobo aparecido do nada, arrecada o mesmo tipo de sentimentos e reacções por parte do leitor, ainda que a atmosfera que o circunda seja não só ambígua e um pouco duvidosa como, e também, misteriosa. Talvez venha, daí mesmo, o seu encanto...

Em termos de enredo, Linger – Um Amor Adiado mantém-se extremamente fiel ao que o seu antecessor mostrou, equilibrando um relacionamento amoroso em bases irregulares, ao mesmo tempo que vai criando pequenos conflitos, pequenos problemas e complicações que vão gerando interesse no leitor. Gostei, particularmente, da reviravolta final e do que foi preciso fazer para que uma vida fosse salva, ainda que muito tivesse de ser dado em troca. Este pequeno grande twist deixa imenso em aberto para o terceiro livro que, com certeza, virá colmatar muitas questões que ficaram por responder. Estou especialmente curiosa em saber como irá Sam reagir, a longo prazo, com o que teve de prescindir...

Quanto a mim, claramente este foi um romance que me encheu as medidas e que, impressionantemente, mesmo sendo lento no desenrolar de vários acontecimentos, ainda assim me manteve cativa e rendida à história. É impressionante como Stiefvater, ao relatar acontecimentos regulares e descrições de emoções e pensamentos pessoais, embala o leitor de tal maneira que este nem dá pelo percorrer da páginas.
Uma leitura imperdível para todos os amantes de um sobrenatural leve e algo romântico, que joga em prol do amor e da amizade, nesta que é uma aposta Editorial Presença.

Saiba mais sobre Linger – Um Amor Adiado, aqui.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Ritual de Amor, Nora Roberts [Opinião]





Título Original: The Hollow
Autoria: Nora Roberts
Editora: Chá das Cinco
Nº. Páginas: 288


Sinopse:

Para Fox, Caleb e Gage o número sete representa tragédia. Há muitos anos, um ritual inocente entre eles libertou um mal antigo na sua terra natal. Como resultado, sete dias de loucura repetem-se a cada sete anos. Agora, já homens, sentem esse mal a regressar.
Visões de morte e destruição atormentam-nos. Mas este ano, três mulheres juntaram-se à batalha: Layla, Quinn e Cybil. Será que também elas estão ligadas a essa maldição?
Desde criança que Fox tem a capacidade de ler outras mentes, um talento que partilha com Layla. E para combater a escuridão que ameaça a cidade, Fox precisa de ganhar a confiança de Layla. Infelizmente ela não consegue aceitar esse misterioso talento e a nova intimidade com Fox apavora-a. É que Layla sabe que quando abrir a sua mente não terá qualquer defesa perante o desejo que ameaça consumi-los a ambos…


Opinião:

Os dados foram lançados. As cartas, jogadas. Os peões, colocados nas suas posições de combate. E a batalha final... essa, fruto de sangue e veneno, de dor e destruição, não tardará muito a, mais uma vez, assolar uma cidade inocente, Hawkins Hollow, que luta, quase diariamente, pela estabilidade que há mais de vinte anos lhe foi roubada.
Neste segundo volume da trilogia Signo dos Sete, Nora Roberts consegue a proeza de elevar, ainda mais, o grau de magnificência, de envolvência, deste seu mundo imaginativo, trabalhando, com primor e cuidado redobrado, um enredo que se vê bastante mais negro e sombrio, atmosférico, que o seu antecedente. Dotada de uma escrita que tanto tem de cativante quanto de simples, esta é uma obra fortemente pontuada por um humor muito próprio, muito energético, que a par com a sua vertente brumosa e maléfica, encontra, nas mãos desta autora que é considerada a Rainha do Romance (seja ele sobrenatural ou não), um equilíbrio perfeito.

Adquirindo contornos que exigem prudência, reflexão; acções que necessitam ser analisadas, descobertas; e dúvidas que não podem, de todo, povoar, minar, o núcleo de seis que estas personagens, no seu conjunto, no seu âmago, formam com o intuito de aniquilar o mal antigo que as atormenta, Ritual de Amor aborda as consequências de alguns dos actos presenciados em Irmãos de Sangue, as indecisões, pesquisas e resultados de outras tantas questões que exigem resolução rápida, se não mesmo imediata, assim como deixa, ainda, as portas abertas para a corrente final que poderá ser experienciada em Pedra Pagã.
Com o tempo de sossego, de paz, perto do fim, e Twisse a reunir poderosas forças de retaliação, surpreendendo os seis com os mais inesperados e monstruosos sustos, é imperativo encontrar soluções, conspirar planos, magias que os possam auxiliar numa demanda que aparenta vir a terminar em morte... para todos. Mas conseguirão Cal, Fox e Gage finalmente pôr um ponto final neste pesadelo?

Se no primeiro volume desta trilogia seguimos, com maior afinco, as passadas de Cal e Quinn enquanto casal introdutório, nesta que é sua continuação, passam a ser Fox e Layla os intervenientes em destaque, embora sem que Roberts se descuide em relação aos referidos anteriormente, nem, tão pouco, em relação àqueles que serão os últimos a envolver-se romanticamente, o par que, a nível pessoal, é o que maior curiosidade me suscita—Gage e Cybil.
Imprevisivelmente, Fox O’Dell mostrou uma faceta da sua personalidade que me apanhou desprevenida. Ele é cauteloso e inteligente, extremamente preocupado com aqueles que ama ou lhe são queridos, o que o tornam um alvo fácil às forças do mal. Contudo, a sua coragem interior e habilidade mental são uma arma incomum, de um poder e potencialidade imenso, e com a ajuda de Layla e de todos os outros companheiros nesta viagem de destino errante, muito será preciso Twisse orquestrar para o deter ou fazer vacilar.
Também Layla Darnell acabou por se transformar numa surpresa encantadora e da qual não estava nada à espera. Se, em Irmãos de Sangue, foi personagem que não deixou a melhor das impressões, em Ritual de Amor há uma vitalidade inconfundível e incomparável que a remetem para o topo da lista de intervenientes interessantes. Os seus sentimentos para com o presente e o futuro podem ser, por vezes, contraditórios, mas a sua natureza singular e capacidade de adaptação permitem a que o leitor melhor a compreenda e, por conseguinte, a aceite.

Se existe elemento que adoro na criatividade desta autora, e que se encontra particularmente bem explorado nesta trilogia em específico, é a aptidão de Roberts para conjugar, de forma exímia e decididamente instintiva e divertida, a ficção romântica com o lado mais sobrenatural do fantástico. Com este romance, o leitor tanto se deixa levar pela ingenuidade e diálogos satíricos das personagens, como se possibilita deslumbrar pelo paranormal de uma entidade negativa, má, que se encontra em luta com seis figuras dotadas de poderes fora do comum. E não há como negar os arrepios que Roberts provocou em mim—e certamente em tantos outros seus seguidores—com algumas das descrições envolventes dos sonhos, das visões e dos medos provocados por Twisse.

Depois de tudo o que por mim foi referido, penso estar bastante presente o quanto gostei deste livro, talvez ainda mais do que o primeiro, o que me deixa com elevadas expectativas para o terceiro e último volume desta trilogia, Pedra Pagã. Embora, na minha modesta opinião, tenha ficado com a sensação de que, em Ritual de Amor, as personagens limitaram-se a absorver informação e a experienciar sensações emitidas por Twisse, ao invés de agirem de imediato, partirem para a acção tal como Gage ambicionava, a verdade é que este segundo tomo aborda toda uma série de questões relacionadas com as emoções das personagens, provocando-as ao máximo e instigando-as a desistir. Assim, a nível emotivo, esta foi uma narrativa repleta de aromas e sabores, ainda que em termos de acção, não o tenha sido tanto.

Uma aposta Saída de Emergência, na sua chancela romântica Chá das Cinco, que entre obras contemporâneas do romance e do sobrenatural, sabe como fazer as delícias das suas leitoras. Mais uma história imperdível pela tão aclamada autora, Nora Roberts. Gostei.

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