sábado, 7 de abril de 2012

Há Sempre Um Amanhã, Anita Notaro [Opinião]



Título Original: Take a look at me
Autoria: Anita Notaro
Editora: Quinta Essência
Nº. Páginas: 463
Tradução: Maria Correia


Sinopse:

A maior parte das pessoas consegue lembrar-se de um momento decisivo na sua vida. Uma fracção de segundo quando o tempo parou e a vida mudou para sempre.
Para Lily Ormond, esse momento chegou ao fim de um dia, quando foi abrir a porta e descobriu que, enquanto estava a esmagar alho e alecrim e assistir a telenovelas, a sua irmã gémea Alison se tinha afogado. Foi difícil conciliar-se com a perda da única irmã e melhor amiga, e mais ainda tornar-se mãe de Charlie, o filho de Ali com três anos de idade, mas descobrir que a sua irmã gémea levava uma vida secreta havia anos quase destruiu Lily... E assim começa uma viagem relacionada com quatro homens que tinham feito parte de uma vida que nem ela sabia existir. Uma viagem que obriga Lily a reconciliar-se com a memória do pai que nunca se importou realmente com ela, com uma criança que precisa muito de si e com uma irmã que não era o que parecia.


Opinião:

Quando julgamos verdadeiramente conhecer alguém, há sempre algo surpreendente que aparece no caminho e nos remete à solidão de nos sentirmos enganados, de não conseguirmos compreender ou aceitar, de querermos saber o que nos escapou. Mas por vezes, quando tal acontece, não mais é possível voltar a encarar a pessoa de frente, pedir-lhe explicações, conversar durante horas... pois essa pessoa, que tanto amamos, que tanto nos é querida e de quem tanto dependemos, deixou de existir no mesmo plano que nós. E quando assim é... que mais podemos fazer?

Há Sempre Um Amanhã trata-se de um romance belíssimo sobre esperança, amizades improváveis e destinos não concretos. Com uma linguagem fluida e livre, este livro é um encanto na medida em que mostra como um acontecimento aparentemente arrepiante e insuportável pode dar origem ao florescer de uma pessoa, ao crescimento e autonomia de um ser que, talvez por conforto ou falta de jeito, antes se havia encostado à segurança de alguém que decidisse tudo por si.
Anita Notaro tornou-se, assim, uma estreia absolutamente viciante. Gostei imenso da forma como a autora conduziu a história, oferecendo ao leitor alguns pormenores importantes mas mantendo sempre a curiosidade e o à-vontade enquanto a protagonista, Lily, se ia descobrindo a si mesma e ao passado escondido da irmã. O estilo irlandês, sempre sincero e agradável, pontua esta narrativa de forma perfeita, conferindo ao leitor a dose certa de humor, alegria, dor e secretismo, ao mesmo tempo que este se vai deixando apaixonar por uma criança rebeldemente hilariante e uma protagonista honesta, por vezes confusa, mas extremamente bondosa e real.

O leque de personagens encontrado nesta obra é excelente e, sem dúvida, que está muito bem caracterizado. Desde um casal que luta, mundos e fundos, por gerar um bebé, passando pelo médico egocêntrico que não suporta a fidelidade, até ao proprietário de um café que não quer assentar ou à mulher que se vê, subitamente, à beira do precipício com um filho para criar e uma irmã que a abandonou, este conjunto de intervenientes é escandalosamente magistral e um dos pontos mais atractivos de todo o enredo.
Lily arrecadou um lugar especial no meu coração, pela sua força e frontalidade, e pelo facto de querer descobrir o lado que Alison, a sua irmã gémea, tanto se esforçou por esconder. E será essa sua viagem ao passado desconhecido da única familiar que não só era irmã, mas também mãe e melhor amiga, que levará o leitor a deleitar-se com toda uma série de pormenores gastronómicos deliciosos e segredos conjugais desastrosos. Pelo caminho, fica o desenvolvimento pessoal de Lily, que passa de simples rapariga a mulher de negócios, a mãe babada e a amiga incondicional e apaixonada. Claramente, uma personagem que agradará com facilidade e que será a razão de muitos sorrisos aquando da leitura deste romance.
Charlie e Daniel foram também duas personagens divertidas e singulares. O primeiro é um autêntico doce, puro na sua inocência e com uma personalidade espectacular, esta criança é o brilho dos olhos de Lily e o traquinas que me deixou deleitada e embriagada de riso. O segundo, uma surpresa do princípio ao fim, e mesmo não tendo uma participação tão activa como outros homens da vida de Alison, esta personagem é fantástica na forma como ajuda, apoia e acarinha uma mulher que, independentemente do tempo que passou, ainda luta por encontrar o rumo certo na sua vida.

A par com o realismo das personagens – principalmente as masculinas –, os temas que Anita Notaro aborda ao longo das páginas são outro dos muitos prazeres desta narrativa. Sendo a perda um dos sentimentos mais angustiantes e sufocantes possível, a autora deu um passo mais à frente ao conjugar este desgaste emocional com a impossibilidade de se ter um filho, a instabilidade psicológica de uma mulher, a infidelidade por parte de um marido, o medo do compromisso, o receio de arriscar por algo que desesperadamente se quer, o amor que se pode sentir por duas mulheres diferentes e até aquela pequena e incontrolável dúvida que persiste desde criança de que não somos suficientemente bons, suficientemente fortes, suficientemente... tudo.

Também a escrita da autora é soberba. Sem entraves ou complicações, Notaro deixa a sua história fluir ao mesmo tempo que as suas personagens vão descobrindo os vários caminhos que as suas vidas podem tomar. Não sendo totalmente imprevisível, este romance foi uma delicia não só na forma como está escrito como também no modo em como deixa no ar a sensação de que, por mais negro que o futuro possa parecer, haverá sempre uma luz presente e pronta para nos guiar. Tal como o próprio título indica, há sempre um amanhã... um amanhã mais alegre, mais descontraído, mais feliz. E é essa mensagem de esperança que fica ao fim desta leitura, e que, de certo, persistirá por muito tempo. Talvez por isso goste tanto deste género de livros, ou talvez pela simplicidade com que se apresentam, mesmo com todas as adversidades encontradas no caminho. Quem sabe...

Um romance forte e muito positivo, Haverá Sempre Um Amanhã é a estreia de uma autora que chegou para ficar. Encantador em todos os sentidos, este livro de personagens primorosas, enredo interessante e mensagem especial, é mais uma excelente aposta por parte de uma editora que tem vindo a deslumbrar muitas das minhas horas de leitura – Quinta Essência. Um livro leve e agradável, que aconselho a todas as mulheres românticas.

Novidade Quinta Essência - "Ao Encontro do Nosso Amor", Michael Baron

A história de um amor imortal.

Título: Ao Encontro do Nosso Amor
Autoria: Michael Baron
N.º Páginas: 200

Lançamento: 16 de Abril
PVP.: 13,30€

Sinopse: Joseph, um homem à beira dos quarenta anos, acorda desorientado e constrangido num local que não reconhece. Parte numa viagem para encontrar a sua casa, sem saber para onde vai, orientado apenas pela visão preciosa e indelével da mulher que ama.
Antoinette é uma mulher de idade, que vive numa residência para séniores e que se refugiou no seu mundo interior. Aí, o corpo e a mente não a atraiçoaram. Aí, é uma jovem recém-casada com um marido que a idolatra e uma vida inteira de sonhos para viver. Aí, ela está verdadeiramente em casa.
Warren, filho de Antoinette, é um quarentão anos que atravessa uma das fases mais difíceis da sua vida. Com tempo a mais, resolve tentar recriar as recordações de casa confeccionando os melhores pratos da mãe e saboreá-los com ela.
Joseph, Antoinette e Warren são três pessoas que andam à procura de casa, cada uma à sua maneira. No modo como se ligam umas às outras nesta fase crítica das suas vidas reside o fundamento do tipo de história profunda e comovente que nos habituámos a esperar de Michael Baron.

Sobre o autor:
Michael Baron é o pseudónimo de um reconhecido autor de obras de não ficção. A Quinta Essência publicou também Ficarei à tua Espera, o seu primeiro romance, e Nunca te Esqueças. 

Imprensa:
‹‹Nunca pensei que um homem poderia escrever tão bem ficção para mulheres. Se querem romances profundamente emotivos e românticos que vos levam até ao coração de um homem, precisam de ler Michael Baron.››
Susan Elizabeth Phillips

‹‹Os apreciadores de Nicholas Sparks ficarão radiantes ao saber que há um novo autor que escreve maravilhosamente sobre o amor e as relações carregadas de emoção.››
RT Book Reviews

‹‹Ao Encontro do Nosso Amor é um prato principal de amor, com um acompanhamento de riso, uma pitada de bondade, e umas gotas de esperança. Fez-me reviver momentos da minha vida que eu tinha há muito esquecido, revelando uma história de amor que testemunhei enquanto crescia, uma história de amor que eu tinha esquecido, e por isso, Michael Baron tem os meus sinceros agradecimentos!››
Book Crazy

‹‹Não achei que ele pudesse melhorar depois de ler Ficarei à tua Espera, mas enganei-me. Michael Baron entrou na minha lista de autores preferidos. Irão apaixonar-se por todas as personagens desta história, tal como eu... Ao Encontro do Nosso Amor vai fazê-los ansiar por casa. O final irá surpreender-vos.››
Cheryl's Book Nook

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Desejo Subtil, Lisa Kleypas [Opinião]



Título Original: Secrets of a Summer Night
Autoria: Lisa Kleypas
Editora: 5 Sentidos
Nº. Páginas: 336
Tradução: Cláudia Ramos e Helena Ramos


Sinopse:

Quatro jovens da sociedade elegante de Londres partilham um objectivo comum: usar os seus encantos femininos para arranjarem marido. E assim nasce um ousado esquema de sedução e conquista. A delicada aristocrata Annabelle Peyton, determinada a salvar a família da desgraça, decide usar a sua beleza e inteligência para seduzir um nobre endinheirado. Mas o admirador mais intrigante e persistente de Annabelle – o plebeu arrogante e ambicioso Simon Hunt – deixa bem claro que tenciona arruinar-lhe os planos, iniciando-a nos mais escandalosos prazeres da carne.
Annabelle está decidida a resistir, mas a tarefa parece impossível perante uma sedução tão implacável… e o desejo descontrolado que desde logo a incendeia.
Por fim, numa noite escaldante de verão, Annabelle sucumbe aos beijos tentadores de Simon, descobrindo que, afinal, o amor é o jogo mais perigoso de todos.


Opinião:

Tal como um jogo de xadrez, também o amor e a paixão são feitos de avanços e recuos, segurança e perigo, dedicação e persistência. E numa sociedade onde quem não tem posses financeiras ou título aristocrático é colocado de parte, uma jovem luta pela sobrevivência da sua família enquanto um simples e arrogante plebeu busca desanuviar a mente de uma lembrança que o tem vindo a atormentar desde há dois anos. Mas tanto no amor como na guerra, nunca até ao fim se pode declarar um dos lados vencedor... e a provocadora e instável relação tecida entre estes dois indivíduos está longe de ser fácil ou linear.

Desejo Subtil é a tão, por mim, aguardada estreia numa autora que se clama ser uma das rainhas dentro do seu género. Engenhosa nos vários caminhos que vão dar a um tórrido romance, estimulante no uso simples da palavra escrita e esplêndida na medida em que mantém o leitor expectante sobre o que irá um grupo de quatro jovens senhoras desencadear a seguir, Lisa Kleypas é uma escritora que, com relativa facilidade, me conquistou imediatamente ao primeiro virar de página. Iniciando-se com um prólogo aparentemente – e de modo enganador! – banal e terminando num epílogo de deixar água na boca, Desejo Subtil trata-se de um romance histórico escaldante que qualquer – e todo – o apreciador do estilo não poderá – nem, certamente, quererá – perder.

Focando-se nas inexperiências e desejos de um leque divertidíssimo de intervenientes femininas, esta obra abre as portas para todo um inebriante ambiente de ingenuidade e liberdade que, numa casa nos arredores de Londres, estas personagens podem dar-se ao luxo de transparecer. Com personalidades vincadas e indiscutivelmente distintas entre si, estas quatro jovens «encalhadas» que procuram um marido que as sustente financeira ou socialmente, farão as delícias do leitor ao verem-se enredadas nas mais variadíssimas formas de embaraço, sedução comprometedora e planificação maquiavélica.

A nível pessoal, fiquei encantada com a irreverência e comportamento inesperado de Lillian que, mesmo indo contra o que se espera, de uma senhora, na capital inglesa, consegue o feito de se distinguir e elevar entre as demais. A sua rebeldia e instinto protector foram, por mim, muito apreciados e confesso que estou desejosa de ler o próximo romance onde esta ianque inveterada assumirá o papel principal de futura noiva casamenteira (ou assim se espera!). No entanto, e numa perspectiva um pouco mais geral, todas as quatro personagens femininas conseguiram, de uma maneira ou de outra, cativar-me de sobremaneira.
Enquanto Lillian é um espírito selvagem, Evie é um autêntico doce. Sarapintada com sardas indomáveis e detentora de uma inocência e naturalidade assombrosas, esta personagem é verdadeiramente enternecedora. Depois temos Daisy, a alma mais jovem mas que, nem assim, deixa de ser a menos espevitada. Seguindo as passadas da irmã Lillian, esta interveniente avizinha-se espantosa e (ao que tudo indica) sendo a última lady de casamento cuidadosamente planeado será, certamente, dos destinos que mais interesse suscitará ao longo da série. Finalmente, temos Annabelle, a nossa protagonista. Uma pessoa devota aos seus, honesta para consigo e para com as suas dificuldades e que, num último acto de desespero, só deseja ser capaz de arranjar um marido endinheirado que, de alguma forma, a retire a si – e à sua família – da penúria. Mesmo que para isso tenha de deixar o amor para outra vida.

Este é, decididamente, um enredo profundamente inventivo e intrigante. Kleypas consegue não só deslumbrar o leitor com uma escrita assertiva e interessante, imersa em sensualidade e carisma, como o deixa estarrecido face um conjunto tão espectacular e evidenciado de personagens. É que não são só as mulheres a causar expectativa e fascínio, também dois homens em particular merecem o seu destaque – o inconfundível Simon Hunt e o erudito Lorde Westcliff. Ao passo que, este segundo, entretém pelos modos civilizados e, por vezes, agressivos quando uma certa senhora se encontra em cena, o primeiro trata-se de um homem galanteador cuja faceta menos convidativa e espírito afiado o transforma num partido a evitar, mesmo sendo de uma beleza indomável e sombria e o que, a par com a sua perversa insistência, deixará o leitor louco de esperança e curiosidade.

Muitos são, realmente, os aspectos positivos que embelezam este romance. Desde as descrições primorosas da natureza, do vestuário ou dos espaços sociais, passando pela leveza da sensualidade e tensão expectante presente entre os dois protagonistas, seguindo para a delicadeza e adoração das personagens em si e terminando nas reviravoltas, encontros e desencontros, sorrisos e irritações de uma trama que em tudo causa admiração, colocando inteiramente o factor «sei o que se segue», de parte, não me restam incertezas de que Desejo Subtil é um livro deliciosamente provocador e com o seu quê de novidade.

Uma vez mais confesso – adorei o estilo da autora, a estrutura com que delineou, e conta, a história e o importantíssimo pormenor de não se centrar, unicamente, no pré-envolvimento sério entre o casal principal oferecendo uma visão pós-envolvimento que, muitas vezes, acaba por ser camuflada ao leitor.
Um livro que simplesmente nos enche os sentidos, com sabores e gestos ternos, cheiros naturais e amizades de uma vida inteira, numa sumptuosa e deslumbrante primeira aposta de uma chancela da Porto Editora – 5 Sentidos – que, certamente, irá dar muito que falar! Altamente recomendável. 

Novidade Porto Editora - "Incarceron", Catherine Fisher

Catherine Fisher é considerada a melhor escritora de fantasia da actualidade e o seu Incarceron tem vindo a receber elogiosas críticas e recebeu importantes galardões. O livro está publicado em 25 países e chega a Portugal no dia 3 de Abril pela Porto Editora.
Incarceron está neste momento a ser adaptado ao cinema e será protagonizado por Taylor Lautner, uma das estrelas da série Twilight. A estreia nos EUA está prevista para 2013.

Título: Incarceron
Autoria: Catherine Fisher
N.º Páginas: 304

Lançamento: Já disponível
PVP.: 16,60€

Sinopse: Imagine uma prisão tão vasta que abrange masmorras, galerias, bosques de metal, mares e cidades em ruínas.
Imagine um prisioneiro sem memórias mas que nega pertencer àquele lugar, mesmo sabendo que a prisão se encontra selada há séculos e que apenas um homem conseguiu escapar.
Imagine uma rapariga condenada a um casamento de conveniência e a viver numa sociedade futurista, vigiada por um sistema sofisticado de inteligência artificial mas concebida à semelhança de um cenário do século XVII.
Incarceron é a prisão viva que observa tudo o que se passa dentro dos seus muros. Finn é o prisioneiro e Claudia e filha do guardião da prisão, que vive num mundo exterior onde pouco se conhece sobre Incarceron. Ao encontrarem uma chave de cristal que lhes permitirá comunicar, os dois engendram um plano de fuga numa corrida contra o tempo. Mas Incarceron vigia-os - e a evasão exigirá mais coragem e tornar-se-á mais difícil do que pensam. 

Sobre a autora:
Catherine Fisher nasceu em Newport, no País de Gales. Licenciada em Literatura Inglesa pela Universidade de Gales foi professora e arqueóloga antes de se dedicar exclusivamente à escrita. Inúmeras vezes nomeada para prémios recebeu alguns dos mais importantes galardões, como, por exemplo, o The Time Children's Book of the Year. Incarceron está a ser traduzido para 25 países e a ser adaptado ao cinema pela 20th Century Fox. 

Imprensa:
Um dos melhores livros de fantasia dos últimos tempos.
The Times

Uma das melhores autoras contemporâneas de fantasia.
The Independent

Este livro possui um enredo tão complexo e imaginativo que capta a nossa atenção da mesma forma inexorável como Incarceron prende os seus habitantes.
The Washington Post

Tal como o mais requintado dos chocolates, este livro tem um sabor amargo, subtil, intenso, agridoce, que nos satisfaz plenamente. 
Kirkus Review

Com reviravoltas impressionantes e um final espectacular, Incarceron é uma leitura obrigatória.
Booklist

Catherine Fisher põe a série 24 a um canto. Bastou-me ler um capítulo para saber que iria ser muito difícil largá-lo. 
Junot Diaz no Wall Street Journal

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Estarás Sempre Comigo, Anna McPartlin [Opinião]



Título Original: Pack Up the Moon
Autoria: Anna McPartlin
Editora: Quinta Essência
Nº. Páginas: 356
Tradução: Maria Correia


Sinopse:

Emma tem vinte e seis anos - bonita, inteligente, feliz e vive com o namorado de infância, John, num agradável apartamento em Dublin. O seu maior problema é a mãe não parar de insistir para que se casem já. Emma e John sentem-se o casal perfeito, com um futuro cheio de possibilidades. Mas, de repente, John morre num terrível acidente, e Emma mergulha no desespero. Amava-o mais do que à própria vida - e agora a morte tirou-lho.
À medida que emerge da dor, Emma tem de encontrar uma nova forma de viver, e os amigos leais unem-se para tentar ajudar. Clodagh, amiga de sempre de Emma, com quem ela partilhou tudo, desde bolos de lama a namoros desastrosos. Anne e Richard, mais ou menos bem casados e a debaterem uma mudança para o campo. O irmão de Emma, Noel, o jovem padre católico que vê a sua própria fé testada enquanto tenta confortar Emma. Seán, o belo mau rapaz das mil e uma namoradas, desconfortavelmente ciente da sua crescente ligação a Emma.
De forma espirituosa, mordaz e, às vezes simplesmente chocante, Emma documenta as histórias dos amigos e a sua própria recuperação da dor com uma franqueza que envolve o leitor desde a primeira página.


Opinião:

Um acontecimento trágico e marcante delineia a vida de seis pessoas que, ora unidas ora em separado, procuram encontrar o caminho para a aceitação. A dor e o sofrimento são sentimentos muito presentes, assim como a culpa e o ressentimento. Existe amor, existe amizade e, acima de tudo, existe recuperação... mas tudo tem um preço, tudo gera uma consequência e tudo precisa que alguém, ou algo, dê um primeiro passo.

Estarás Sempre Comigo trata-se de um romance com uma carga emocional muito forte, protagonizado por um conjunto de personagens extremamente reais e palpáveis que, no meio de um turbulento role de sentimentos contraditórios, tentam emergir de um lago sombrio onde, devido à morte de um amigo incondicional e de um amante querido, a superfície parece uma meta impossível de atingir.
Anna McPartlin é uma excelente contadora de histórias – e isso pode ser comprovado com este livro – mas, acima de tudo, esta autora possui o dom da experiência e como tal, é impossível ao leitor distanciar-se do padecimento e dificuldades que as personagens deste envolvente enredo enfrentam. Tudo está à flor da pele – a mágoa, a impossibilidade de avanço, o enclausuramento, a culpa, a saudade... – e tudo é sentido em cada situação, cada envolvimento, cada desabrochar mas, mais do que isso, tudo pode ser ultrapassado e se há mensagem que esta obra permite transmitir é a de que ao fundo do túnel existe sempre uma luz, e mesmo que se esteja num lugar sombrio, sem réstia de esperança, a felicidade é algo que pode ser alcançado... e a vida é algo que tem, obrigatoriamente, de continuar.

Na voz de Emma, o leitor vê-se embarcar numa viagem alucinante pelos campos da dor e da felicidade, da nova descoberta do amor e também da preciosidade que são os amigos. Esta personagem tão emotiva e sensível é um encanto de se ler. Delicadamente feminina, um bocadinho rebelde e com uma profunda necessidade de libertação emocional, Emma é um doce na medida em que, com um tom super realista e comovente, mostra ao leitor não só o que é sofrer mas igualmente alguns dos passos essenciais para a recuperação de uma perda insubstituível. E embora a saudade esteja sempre presente, o amor é o sentimento reinante e o modo como este nunca se desvanece, mesmo ao fim de tantos anos é, decididamente, algo muito bonito e comovente de se ler.

A par com esta personagem espantosa, encontra-se um grupo de amigos exuberantes e com personalidades incrivelmente distintas. Clodagh é a eterna alheada que, talvez devido à sua profissão, nem sempre se dá conta das barbaridades que solta cá para fora. Desesperada por encontrar um companheiro mas azarada nas escolhas que faz, esta personagem fará as delicias do leitor ao oferecer alguma descontracção e divertimento a um enredo que, só por si, se mostra bastante forte. Anne e Richard representam o casal de desentendidos – ele é um homem que não repara em nada e ela uma mulher que, ao não ser capaz de expressar os seus sentimentos, acaba sempre por ceder na relação. No entanto, muitos serão os obstáculos a enfrentar, principalmente na demanda por um bebé e, por isso, a sua veracidade transmite-se nos problemas reais por que passam. Seán é um galanteador nato. Bonito, solteiro e apaixonado pelas coisas boas da vida, esta personagem crescerá muito ao longo do livro, mostrando-se uma pessoa íntegra e fiável – e simplesmente adorável. Por fim, temos Noel. Este interveniente devoto a Deus é uma maravilha de se ler. As suas convicções, dúvidas e sentimentos repentinos acabam por o transformar numa pessoa do mundo e num exemplo a seguir. Juntos, este leque de personagens é imperdível. 

Parte do meu fascínio por este livro reside na essência verídica com que este é relatado. Inúmeras são as situações problemáticas que tropeçam nas vidas destas personagens e é o ultrapassar dessas questões e o encarar de tantas outras que torna esta obra tão especial. Desde a dificuldade de um casal em gerar um bebé, passando pela crueza do aborto, a não aceitação de uma morte jovem, as consequências do álcool e da droga, do confronto com a culpa e, até, da procura de um novo amor, muitos são os temas reais retratados nestas páginas e, verdade seja dita, se assim não o fosse, este romance não teria nem metade da sua importância e vitalidade.

Confesso sentir uma certa dificuldade em expressar-me relativamente a Estarás Sempre Comigo. Penso que tal se deva ao facto de ter sido uma leitura que mexeu muito comigo, que me fez reviver alguns momentos menos felizes do passado – embora me faça olhar o futuro com um renovado sorriso nos lábios – mas que, de certa forma, conseguiu ainda assim fazer-me viajar para outro mundo. Adorei sentir todas as emoções, pensamentos e actos das personagens, adorei o estilo simples e fluido da autora mas, acima de tudo, adorei o pequeno pormenor desvendado no final. Gostei imenso das passagens sonhadoras e desse contacto constante com uma personagem que acabou por se perder logo no início e fiquei delirante com a sensação de estar sempre com o coração nas mãos, de sofrer com as personagens, de sorrir e chorar com elas e de ver como, no final, tudo se resolveu da melhor maneira possível.

Para mim, um romance que me deixou de lágrima ao canto do olho logo ao fim das primeiras páginas, que me cativou de imediato e que, finita a sua  leitura, me aqueceu o coração e me fez sorrir. Um livro que recomendo a qualquer tipo de público mas que, sem dúvida, assentará muito bem aos românticos inveterados que não têm receio de o admitir. Uma excelente aposta da Quinta Essência, em mais um livro que agradará especialmente a camada feminina dos leitores mas que, certamente, qualquer homem também poderá desfrutar. 

Novidade Quinta Essência - "Há Sempre Um Amanhã", Anita Notaro

Certos momentos da vida mudam-nos para sempre.

Título: Há Sempre Um Amanhã
Autoria: Anita Notaro
N.º Páginas: 468

Lançamento: 9 de Abril
PVP.: 15,50€

Sinopse: A maior parte das pessoas consegue lembrar-se de um momento decisivo na sua vida. Uma fração de segundo quando o tempo parou e a vida mudou para sempre. Para Lily Ormond, esse momento chegou ao fim de um dia, quando foi abrir a porta e descobriu que, enquanto estava a esmagar alho e alecrim e assistir a telenovelas, a sua irmã gémea Alison se tinha afogado. Foi difícil conciliar-se com a perda da única irmã e melhor amiga, e mais ainda tornar-se mãe de Charlie, o filho de Ali com três anos de idade, mas descobrir que a sua irmã gémea levava uma vida secreta havia anos quase destruiu Lily... E assim começa uma viagem relacionada com quatro homens que tinham feito parte de uma vida que ela nem sabia existir. Uma viagem que obriga Lily a reconciliar-se com a memória do pai que nunca se importou realmente com ela, com uma criança que precisa muito de si e com uma irmã que não era o que parecia.

Sobre a autora:
Anita Notaro é produtora de televisão, jornalista e realizadora e trabalhou para a RTE, a rádio-televião da Irlanda, durante dezoito anos. Foi a realizadora do Festival Eurovisão da Canção e das eleições gerais irlandesas, bem como de programas para a BBC e Channel 4.

domingo, 1 de abril de 2012

Aquisições de Março

Mais um mês que passa, mais fantásticos livrinhos que chegam à estante. Março foi, sem sombra de dúvida, um mês recheado de lançamentos bons. Autoras que adoro, histórias que desejava conhecer e estreias que se tornaram autênticas surpresas. Um mês que teve de tudo um pouco e, por isso, aqui ficam as fotografias:


Para Sempre, Meu Amor - Cathy Kelly
Segredos de Paris - Luanne Rice
Regresso a Itália - Elizabeth Adler
Força do Desejo - Jess Michaels (Opinião)
As Novas Meninas dos Chocolates - Annie Murray
És o Meu Segredo - Tiago Rebelo
Crónica de Paixões e Caprichos - Julia Quinn (Opinião)
Trocada - Amanda Hocking
Solteiros, Casados & Divorciados - O Arrumadinho
 Os Primeiros Casos de Poirot - Agatha Christie

LeYa é sempre aquele grupo editorial que me deixa estupidamente embevecida com os lançamentos mensais. Março, como podem ver, foi espectacular! Desde Julia Quinn (que estava mortinha por ler) até Cathy Kelly (cujo livro anterior adorei), as escolhas foram muitas e as horas de leitura, fantásticas! Em falta, está só Força do Desejo, de Jess Michaels (confesso que, com tanto livro cá em casa e tão pouco espaço onde os arrumar, não o consegui encontrar a tempo da fotografia. Oops!)


Silêncio - Becca Fitzpatrick
Desejo Subtil - Lisa Kleypas
Não Sou Um Serial Killer - Dan Wells (Opinião)
Sangue Quente - Isaac Marion
O Longo Inverno - Ruta Sepetys
Morto e Vivo - Dean Koontz
Segredos do Passado - Mary Nickson
O Poder de Seis - Pittacus Lore (Opinião)

Também a «habitual» miscelânea de editoras trouxe leituras muito boas. Começando pela Porto Editora e a sua nova chancela, 5 Sentidos, Lisa Kleypas era outra autora que há muito ansiava ler – e que surpresa foi! Depois, temos outros livros interessantes como Sangue Quente (com o qual estou muito curiosa) ou O Longo Inverno (que ouvi dizer que é excelente!). Uma vez mais, um conjunto muito diversificado de livros... que só vem alegrar muitas das minhas horas diárias.

E assim termino as aquisições de Março.
Algum livro que vos tenha suscitado interesse?
Ou que tenham adorado?
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