terça-feira, 20 de março de 2012

Novidade Saída de Emergência - "Wicked Lovely - Sombras Radiantes", Melissa Marr

Sendo metade humana e metade fada, 
Ani deixa-se levar pelos seus apetites.

Título: Wicked Lovely - Sombras Radiantes
Autoria: Melissa Marr
N.º Páginas: 272

Lançamento: Já disponível
PVP.: 17,95€

Sinopse: Esses mesmos apetites também atraem inimigos poderosos e aliados incertos, incluindo Devlin. Este foi criado para ser um assassino e é irmão da fria e lógica Rainha Suprema das fadas, e da sua gémea caótica, a encarnação da Guerra. Devlin sabe que é o único que pode manter Ani a salvo das suas irmãs. E se falhar, será o único responsável pela sua morte. Mas Ani não é de se deixar proteger enquanto os outros lutam as suas batalhas por si. Tem a coragem de se defender e a capacidade de alterar os planos de Devlin - bem como a sua vida. Ambos se atraem. Ambos se temem. E temem também pela segurança um do outro. Mas, à medida que se tornam mais íntimos, uma ameaça maior coloca em perigo todo o Mundo das Fadas. Será que ao salvarem o reino feérico vão perder-se um ao outro?

Sobre a autora:
Embora no liceu tenham votado em mim como aquela «que tem mais probabilidade de ir parar à cadeia», decidi fazer uma pósgraduação e ensinar Literatura e Estudos de Género a estudantes universitários por todo o país. Pelo caminho não tenho conseguido resistir a experimentar coisas novas - inclusive trabalhar numa escavação arqueológica, servir copos num bar de motards, e fazer tatuagens fabulosas.
 Considero tudo isso pesquisa para a minha escrita. Para saciar a minha fome de experiências novas, morei na Pensilvânia, na Carolina do Norte, e no Sul da Califórnia, e
 faço tenções de ir deambulando com a minha família para tão longe e com tanta frequência quanto me for possível. Este ano, acho que vou viver na Virgínia. Peço-vos que ajudem a alimentar o meu vício em conhecer pessoas novas e que me façam uma visita na Internet em:
 www.melissa-marr.com

Imprensa:
"Um mundo encantador e mágico"
Sherrilyn Kenyon



"Emocionante e tenebroso."
Tamora Pierce


"Uma fantasia sensual, cativante e por vezes pungente."
Locus

"Wicked Lovely é para aqueles que gostam de fantasias urbanas e querem uma fuga para a terra de fadas."
-Booklist

"Impossível de largar."
School Library Journal


"Uma saga repleta de adrenalina de tirar o fôlego aos leitores."
Romantic Times

Da mesma série de:

   


segunda-feira, 19 de março de 2012

Novidade Editorial Presença - "O Poder de Seis", Pittacus Lore

‹‹Uma história de cortar a respiração que se lê de um fôlego. Portanto, preparem-se, fãs do género, o combate pela Terra começou!››
Amazon.com

Título: O Poder de Seis
Autoria: Pittacus Lore
Colecção: Noites Claras, N.º 12
N.º Páginas: 384

Lançamento: 20 de Março
PVP.: 15,90€

Sinopse: O Poder de Seis é a sequela de Sou o Número Quatro e a acção retoma o ponto em que tinha ficado no livro anterior. Do grupo dos nove Garde que conseguiram escapar à destruição do planeta Lorien pelos Mogadorianos, restam apenas seis. Eles escondem-se, misturam-se com os humanos e evitam o contacto uns com os outros... só que os olhos dos Mogadorianos estão por toda a parte e escapar-lhes revela-se uma missão quase impossível. Mas, apesar dos seus poderes estarem a desenvolver-se, será que os Garde continuam a acreditar na sua missão? E terá a Número Seis, a rapariga com poderes inimagináveis, a força suficiente para reunir todo o grupo dos Garde? Acção e suspense garantidos neste livro de Pittacus Lore, que foi um bestseller nos EUA. 

Sobre o autor:
Pittacus Lore é um dos anciãos de Lorien. Vive na Terra há doze anos, preparando-se para a guerra que ira determinar o destino do planeta. O seu paradeiro é desconhecido. 

Imprensa:
‹‹Pleno de acção!››
Publishers Weekly

Da mesma série de:



Sou o Número Quatro (Opinião)

sábado, 17 de março de 2012

Antes Bruxa Que Morta, Kim Harrison [Opinião]



Título Original: Every Which Way But Dead
Autoria: Kim Harrison
Editora: Chá das Cinco
Nº. Páginas: 453
Tradução: Rita Guerra


Sinopse:

Não há bruxa mais dura, sensual ou louca do que a caçadora de prémios Rachel Morgan, que já arriscou a vida amorosa e a alma para trazer perante a justiça as criaturas criminosas que percorrem a noite.
Entre missões, ainda tem de se defender das tentações da sua parceira sedenta de sangue, guardar um segredo mortal do companheiro de aventuras e resistir a um novo pretendente vampiro.
Rachel também deve tomar uma posição na guerra que irrompe no submundo da cidade, já que ajudou a pôr atrás das grades o vampiro que até aí a controlava... o que implicou fazer um acordo com um demónio que lhe poderá custar uma eternidade de dor, tormento e humilhação. E agora esse poderoso demónio está pronto para tomar o que lhe é devido.


Opinião:

Hollows não é, certamente, a mais segura das cidades. Bruxas, criaturas feéricas, vampiros e animalomens povoam as suas ruas, fazendo eclipsar o perigo quando menos se espera. Mas nem mesmo estes seres sobrenaturais estão providos de segurança encontrando-se, muitas vezes, no meio de antigas e vingativas rixas, de promessas demoníacas proferidas ou até, quem sabe, bem no caminho de uma sedenta fome de sangue. Não. Não é, de todo, o mais confortável dos locais mas, sem dúvida, que é o mais interessante...

Antes Bruxa Que Morta é a mais singular, explicativa e trabalhada continuação da estupenda série Rachel Morgan que, com certeza, já fez as delícias de muitos leitores. Continuando dentro do mesmo estilo narrativo, Kim Harrison explode com todo o convencionalismo enquanto, em simultâneo, expõe um enredo extremamente dinâmico e, por inúmeras vezes, inesperado, que revitaliza e coloca em risco a vida de um conjunto de personagens perfeitas na sua imperfeição e que deram origem a um incontável leque de emoções naqueles que se atreveram a lê-las.
Doce nos momentos delicados e de intensa paixão, e temeroso na criação do suspense enquanto arma mortífera contra um leitor que anseia por descobrir o desfecho de todo um aglomerado de situações vibrantes, Antes Bruxa Que Morta trata-se do exemplo perfeito de conjugação de maturidade com inteligência, de amor com gestos corajosos, e de amizade com um companheirismo algo rebelde.

Neste terceiro volume, Rachel está mais viva que nunca! Com as emoções à flor da pele e a corda bem atada em redor do pescoço, esta protagonista exemplar provocará toda uma descarga energética no leitor ao mesmo tempo que tenta lidar com o relacionamento imperfeito que partilha com um namorado ausente, com o facto de ter de cumprir uma promessa dos diabos, e com o pequeno pormenor de continuar a viver com uma vampira que, mesmo tendo voltado à prática do consumo de sangue, persiste impenetrável na sua atitude inconstante e possessiva. A adicionar toda uma série de questões por resolver e problemas inimagináveis, a vida desta personagem não se apresenta nada, mas nada fácil...

Está bastante claro e assente que as personagens são um dos elementos de maior importância e vitalidade desta série. Rachel prossegue na sua espectacularidade, continuando a meter-se nos mais variados sarilhos enquanto, de forma magnífica, luta por sair de uns tantos outros. As ligações que tece, os relacionamentos que assume e a postura que possui transformam-na numa protagonista de peso e essencial na estante de um qualquer aficionado por fantasia urbana. O mundo que a envolve e as personalidades que a acompanham são fenomenais, incrementando, ainda mais, a excelência que, por si só, já a compõe.
Relativamente a outras personagens que preenchem esta obra de alegria e adrenalina, destacam-se, em Antes Bruxa Que Morta, o irresistível vampiro Kisten, a imperturbável e incrivelmente letal Ivy e, para além da personalidade irreverente e curiosa de Jenks, a pequena Ceri e o demoníaco Algaliarept.

Enquanto Nick abandona, assim, o cenário deixando um rasto de desagrado e impaciência para com a sua atitude, Kisten apresenta-se que nem um cavaleiro galante que busca preencher de amor e paixão o inferno pelo qual Rachel está a passar ao mesmo tempo que transparece, um pouco mais, da sua própria personalidade e passado. Para mim, esta foi a personagem do livro, aquela que melhor se mostrou, aquela que mais me apelou. Quanto a Ceri e Algaliarept, este último foi fantástico na medida em que as suas bruscas mudanças de humor e poder conferiram tanto um certo aligeirar da trama como um adensar do próprio perigo e possível próxima surpresa. Ceri, por seu lado, foi uma lufada de ar fresco e confesso que mal posso esperar por saber como é que esta pequena criatura bondosa e inteligente evoluirá nos próximos volumes – uma personagem a ter em atenção.

Em termos de enredo, houve uma série de situações em particular que adorei, enquanto me deixei levar pela surpresa de tantas outras. Em especial, fica uma nota para a versão Titanic de Kim Harrison (mesmo tratando-se de um desastre, não consegui evitar soltar uma ou outra gargalhada) e, claro, para o submundo ou, por outras palavras, o outro lado das linhas Ley – ou seja, a eternidade. Achei toda a descrição deste momento, os vários pontos de alta tensão, os pequenos twists inesperados, simplesmente deliciosa. E embora esta cena se passe relativamente perto do final, devo dizer que, quase desde o início, se sente uma envolvência que se vai intensificando gradualmente e que vai preparando o leitor para todos os estrondos por que este passará, em conjunto com as personagens, com o desenrolar da narrativa.

De páginas preenchidas por uma escrita interessante e moderna, descrições primorosas de momentos do sobrenatural e do mundano, Antes Bruxa Que Morta é o livro que qualquer apaixonado por Rachel Morgan não quererá perder. Eu adoro esta autora e admiro bastante o seu imaginário e o modo como consegue sempre surpreender-me, de uma forma ou de outra, e é por isso que digo que continuarei a seguir esta série e que, sem dúvida, quererei pegar, o quanto antes, no volume que se segue. A quem não conhece, deixo a minha total recomendação, pois dentro da fantasia urbana, esta série é uma das melhores e mais interessantes (para mim) que se pode encontrar traduzidas em português. Uma excelente aposta com o carimbo da Chá das Cinco, uma chancela Saída de Emergência.  

sexta-feira, 16 de março de 2012

Novidade Saída de Emergência - "Segredo de Prata", Patricia Briggs

Bem-vindo ao mundo de Patricia Briggs, um lugar onde bruxas, vampiros, lobisomens e seres feéricos vivem lado a lado com os humanos. Só uma mulher invulgar como Mercy Thompson poderia sentir-se em casa num lugar assim.

Título: Segredo de Prata
Autoria: Patricia Briggs
N.º Páginas: 288

Lançamento: Já disponível
PVP.: 17,75€

Sinopse: Depois de ter escapado a custo das garras de Marsilia, a temível rainha dos vampiros, Mercy só deseja paz e sossego para se integrar no bando de lobisomens do seu companheiro. Mas as coisas começam logo mal... Quando tenta devolver um livro mágico, descobre que este contém segredos que as fadas farão tudo para proteger. E de seguida informam-na de que um amigo desapareceu e que as fadas estão envolvidas. Ou seja, só lhe resta usar os seus poderes - sobrenaturais e humanos - para se salvar a si e aos seus amigos.
Como se não fosse suficiente enfrentar o mundo implacável e perigoso das fadas, Mercy ainda tem de lidar com o lado depressivo do seu amigo Samuel (mas será só um amigo?), cada vez mais atormentado pelo conflito entre a sua natureza humana e animal. Conseguirá Mercy Thompson encontrar uma forma de manter o seu mundo e amigos ilesos?

Sobre a autora:
Patricia Briggs tinha uma vida razoavelmente normal até ter aprendido a ler. Depois disso, começou a passar as tardes de ócio a voar montada em dragões e à procura de espadas mágicas quando não estava a passear a cavalo nas Montanhas Rochosas. Depois de se ter licenciado em História e Alemão pela Montana State University, passou a dividir o seu tempo entre a função de professora substituta e a escrita. Patricia Briggs e a sua família vivem no Pacífico Noroeste.

Imprensa:
"Um novo e fascinante mundo de lobisomens, metamorfos, bruxas e vampiros."
Lynn Viehl, autora da série Darkyn

"No campo cada vez mais numeroso das heroínas sobrenaturais, Mercy Thompson destaca-se como uma das melhores."
Locus



"Original e de ritmo acelerado... entretém do início ao fim."
Fantasy & Science Fiction



"Um romance de Patricia Briggs é garantia de horas maravilhosas de leitura."
Crescent Blues

Da mesma série:

   

   

terça-feira, 13 de março de 2012

Entrevista a Lia Habel, autora de ‹‹Eterna Saudade››.

Lia Habel estreou-se em Portugal (e também no resto do mundo) com Eterna Saudade (Dearly, Departed), um romance inovador que conjuga zombies, tecnologia e os costumes da era Vitoriana num enredo vibrante, auxiliado por personagens incrivelmente reais – na sua ficção e condições reduzidas –, e um estilo de escrita muito próprio e moderno. Licenciada em Literatura e Mestre em Estudos de Museu, Lia Habel sempre viu a escrita como uma forma de vaguear por outros mundos e o que começou como uma brincadeira entre amigos, acabou por se transformar numa obra publicada e bem aclamada pela crítica. Segue-se Dearly, Beloved, com edição prevista ainda para este ano, nos Estados Unidos da América, que conta a forma como a sociedade se irá adaptar – ou não – ao cada vez mais intenso fluxo de mortos vivos a par com tantas outras surpresas.

O Pedacinho teve o prazer de fazer uma entrevista à autora, de modo a saber um pouco mais sobre si e sobre a sua escrita. Aqui fica ela, traduzida. Espero que gostem. 

Quem é Lia Habel? Conta-nos algo sobre ti.
Tenho tendência para me ver como alguém pouco interessante, por isso esta pergunta é sempre difícil de responder! Tenho 29 anos e nasci numa zona rural do estado de Nova Iorque (onde continuo a viver), nos Estados Unidos da América, perto do Canadá. Imagina montanhas, florestas densas, lagos, muita neve durante o inverno e uma abundante vida selvagem. Vejo, com frequência, veados e perus selvagens quando vou caminhar, mesmo em áreas suburbanas! Aquando pequena, fui, praticamente, uma nerd em fase de treino – o meu pai adorava tecnologia pelo que recebia sempre os últimos e mais recentes modelos de brinquedos, e a minha mãe era uma grande fã de livros e filmes de terror e ficção científica, o que fez com que lhe fosse buscar esta paixão que tenho (assim como o seu sentido de humor “negro”). Sou licenciada em Literatura Inglesa e tenho um mestrado em Estudos de Museu – prova do quanto gosto de palavras e coisas antigas. No entanto, acabo por ter uma vida bastante simples – continuo a adorar filmes e videojogos, a coleccionar e vestir roupas neo-vitorianas e a passar demasiado tempo na Internet.

Quando é que decidiste tornar-te escritora? E como foi esse processo?
Ainda não me vejo como “escritora”. A escrita sempre foi o meu ponto forte a nível académico, e cresci a utilizá-la como uma forma de me entreter, mas nunca imaginei que um dia teria um livro meu publicado. Comecei a escrever Eterna Saudade como uma brincadeira para mim e para os meus amigos – escrevi o primeiro rascunho em cerca de 45 dias, e todos os dias enviava o que tinha escrito aos meus amigos, para eles darem uma espreitadela. Quando terminei, um desses meus amigos convenceu-me a tentar que a história fosse publicada, e eu avancei com a ideia sem nunca verdadeiramente imaginar que esta chegaria onde chegou.
Visto ter encontrado imensa informação na Internet e, no ponto em que estava, ainda ver a situação como uma “brincadeira”, decidi enveredar pelo método tradicional de edição. Atenção que, exceptuando os comuns AgentQuery.com e Absolute Write, eu não sabia nada sobre como funciona e se processa a edição de um livro. Penso que enviei, no total, qualquer coisa como dezassete cartas a agentes, e assinei com um deles cerca de seis semanas mais tarde. Depois disso, veio um ano de revisões antes de o contrato estar seguro.
Ainda estou a aprender e ainda me sinto uma novata. Em alguns aspectos sinto-me culpada, como se tivesse avançado à frente na fila. Existem tantos excelentes escritores que escrevem há anos e que continuam à procura de um agente! Mas estou extremamente agradecida pelas oportunidades que tive até então. 

Porquê escrever uma história sobre zombies? E porquê misturá-los com uma sociedade futurista baseada na Era Vitoriana?
Embora tenha sido habituada, pela minha mãe, a ver filmes de terror, houve um aspecto que nos diferenciou – enquanto ela receava os monstros no ecrã, eu sempre simpatizei com eles! De alguma forma, mesmo sendo pequena, nunca senti nada a não ser empatia pelas criaturas que todas as outras pessoas detestavam. Quando vi, pela primeira vez, A Bela e o Monstro, só me apetecia gritar: “TRANSFORMA-TE OUTRA VEZ!” Tenho um ódio profundo aos príncipes bonitos e tendo a ver os monstros como sendo muito mais nobres, muito mais interessantes. Por isso, sabia que queria que a minha história se desenvolvesse em torno desses monstros, e decidi optar pelos zombies porque são fascinantes e têm uma história muito rica. Mais do que isso, eles são monstros terrivelmente humanos – eles são nós. Existe algo muito emotivo nisso, algo muito comovedor.
Quanto a misturar isso com uma sociedade futurista Vitoriana, bem... apenas pensei que seria divertido! A sério, essa é a única razão pela qual eu faço algo. Sou muito preguiçosa.

Um dos aspectos que mais gostei em Eterna Saudade foi o incrivelmente vibrante e excitante mundo steampunk/cyber-Vitoriano. E tudo o que conseguia pensar era o quão divertido seria viver nele. Assim, a minha pergunta é: como é que a ideia para este livro surgiu e como é que juntaste todas as suas vertentes?
Cheguei à ideia relativamente rápido, contudo, dar-lhe forma levou muito mais tempo e múltiplas revisões. Adoro a história Vitoriana e adoro a filosofia e estética do Steampunk, mas eu queria levar o meu livro numa direcção mais futurista. Maioritariamente, queria ver quão bem conseguiria recriar a história Vitoriana no futuro, explorar as intercessões da recriação histórica com um avanço extremo da tecnologia, e utilizando as diferenças entre os Novos Vitorianos e os Punks como uma evidência entre classes, política e questões de “autenticidade”. A Era Vitoriana em si foi uma época tão vibrante em termos de progressos tecnológicos que, honestamente, todo este mundo soa-me bastante natural. Basicamente, de cada vez que pensava sobre como é que os NV fariam algo, perguntava a mim mesma como é que eu idealmente faria se vivesse num mundo assim. Adoro vestidos de gala, adoro Playstation – quem diz que não conjugam? Os NV tornam isso possível.

Enquanto lia Eterna Saudade, senti que o romance entre Nora e Bram foi deixado para segundo plano, com toda a guerra, manipulação e monstros desconhecidos a vaguear um pouco por todo o lado. Este aspecto foi algo que querias retratar ou simplesmente aconteceu ser dessa forma?
Definitivamente, não queria escrever somente “um romance”. Queria escrever um livro em que o romance tomasse parte, sem dúvida, mas eu não categorizaria a série Dearly como um romance acima de tudo – não me importo que outros a interpretem dessa forma! Pretendia que fosse semelhante à vida real e, na vida real, todos nós temos dúzias de coisas a acontecer ao mesmo tempo, dúzias de relações que nos moldam e não, unicamente, uma. Não queria que a Nora e o Bram tivessem uma atitude fechada para o resto do mundo, de modo a que ficassem tão embrenhados um no outro que ignorassem tudo o resto. Porque isso não é amor, é co-dependência.

Bram é uma personagem fascinante (a minha favorita) e conceder-lhe uma personalidade tão humana e racional dentro da sua própria monstruosidade é simplesmente brilhante e envolvente. Ele foi uma personagem difícil de escrever?
Não, o Bram é um dos mais fáceis de escrever – é muito mas fácil de entrar na personagem do que Nora. E penso que o seja por ser tão racional e paciente, e também porque as suas motivações são muito mais simples – ele só quer tomar conta de toda a gente, procurar a melhor solução para qualquer crise e manter a sua energia. Ele é incrivelmente adulto para a sua idade (mesmo num mundo onde imagino que todos os jovens sejam extremamente maduros devido às expectativas sociais), por isso penso que isso ajuda. Como adulta, o salto para entrar na sua mente jovem mas decididamente prudente é menor. Pessoalmente, adoro escrever o Bram porque o vejo como um contraste em relação aos bad boys que abundam nos romances paranormais que andam por aí. Com Bram, aqui está um rapaz que tem razões para se preocupar e, claro, por vezes ele mesmo vê-se sugado nessa direcção – mas depois segue em frente outra vez. Admiro realmente isso nele, e vejo-o como algo terrivelmente característico dos “zombies”. Os zombies não mentem como deveriam de o fazer. Eles continuam em frente.

Todos estes monstros principais – como a Chas, o Coalhouse, o Ren e por aí adiante –, em termos de personalidade, facilmente podem ser confundidos com pessoas vivas. Foi uma ideia que querias transmitir para que nós, leitores, nos sentíssemos mais próximos deles?
Penso que é muito importante que as personagens zombies tenham personalidades e histórias incríveis, sim – porque muito poucas pessoas vão olhar para eles e automaticamente tomar o seu partido, como aconteceria no caso de um vampiro giro ou de um rapaz fantasma. (Como os meus editores me dizem, “Nem toda a gente pensa como tu, Lia.”) Por isso eles têm de se “vender” a eles mesmos através de outros meios, sendo mostrando uma inteligência fenomenal, por serem carinhosos e generosos, ou por fazerem as pessoas rir. Eu mesma acho isso verdadeiramente inspirador, o facto de os leitores primeiramente adorarem estas personagens pelo que eles genuinamente são. Assim é que o mundo deveria de ser.

Houve alguma personagem mais difícil de desenvolver?
Tenho sempre grandes problemas com os “vilões” – não sei porquê, mas não são nada fáceis para mim. Por isso, provavelmente diria o Wolfe e o Averne embora, ocasionalmente, tenha tido problemas em compreender o Dr. Dearly também, porque ele é pai, é um homem morto, e ainda tem tanto para dar. O que faz com que seja um bocadinho complicado de deixar de parte.

Se tivesses de descrever Eterna Saudade usando somente três palavras, quais seriam?
Zombies, vestidos, armas.

O que é que nos podes contar sobre Dearly, Beloved?
Começa quase imediatamente no momento em que terminou o livro anterior, e algumas personagens mais secundárias de Eterna Saudade voltarão com papéis de destaque. Veremos também como é que a sociedade se está a adaptar ao fluxo crescente de mortos vivos. Haverá ainda um grupo de personagens novas, vivas e mortas, e penso que este é um pouco mais sombrio que o primeiro livro, mas será divertido na mesma!

Tens alguma rotina ou horário de escrita? E preferes escrever com música ou em silêncio total?
Quando estou a trabalhar no rascunho, tento escrever 3000 palavras por dia – leve isso uma ou dez horas. Escrevo em casa, porque não, não consigo lidar com distracções. Se necessário, até coloco tampões nos ouvidos! Escuto música enquanto estou a tomar notas ou a sonhar alto, e agrupo playlists gigantescas para vários livros ou mesmo diferentes personagens. Sou viciada em música.

A um nível mais pessoal, como é que é uma típica segunda-feira na vida de Lia Habel?
Segunda-feira começa um pouco hesitante, porque provavelmente não fui capaz de cumprir a rotina durante o fim de semana. Sou uma pessoa nocturna, por isso devo levantar-me por volta das dez horas, sendo cedo o suficiente para me gabar de me ter levantando durante “a manhã”, mas perto do meio dia para que não me sinta privada.
Primeiro, tomo uma caneca de café. Literalmente, uma caneca germânica. Depois segue-se o email, o Facebook e o Twitter, e dou uma espreitadela em alguns blogues e fóruns. Leio e descontraio imenso, raramente participo online. O que faz com que aprecie quando as pessoas me puxam para fora do esconderijo. Na verdade, sou bastante solitária e tímida.
Depois do almoço, e de algumas coisas de “adultos e da vida real” como pagar contas ou colocar coisas no correio, se estou a escrever então volto a isso. E é praticamente assim durante o resto do dia. Se estiver a editar, então podes imaginar uma determinada cena quebrada em várias partes de soluços e/ou fúria aos céus. (Editar é a fase que menos gosto.)
Passo as minhas noites a ler, a jogar ou de visita à minha mãe e, geralmente, a relaxar. Como te disse, sou extremamente desinteressante! (A não ser que me conheças num evento. Então provavelmente estarei viciada em açúcar e se conseguires seguir o que estou a dizer, de certeza que será bastante interessante.)

Qual é o teu herói ou heroína, de um romance, favorito de todos os tempos e porquê?
O Fantasma da Ópera. Penso que ele foi a primeira personagem que li (devia ter uns nove ou dez anos) em que simplesmente queria estar com ele. Apaixonei-me completamente por ele. Até hoje, não consegui entender o porquê de Christine ser tão idiota, até hoje abandonaria tudo para viver underground com ele. É a qualidade da sua alma, por baixo da porcaria do seu estado psicológico e de todas as coisas horríveis que fez, que continua a atrair-me. Ele é tão corajoso, subtil e envolvente enquanto personagem. É um génio, um artista, alguém que, absolutamente, mereceria um pouco de amor mas que foi repetidamente deitado abaixo pela sociedade. Ele é um dos poucos heróis românticos em que perdoo a sua melancolia, perseguição e uma filosofia cortejadora que basicamente induz “um Síndrome de Estocolmo nela e que nunca mais a largará”. Porque o pobre rapaz não tinha outras opções. E no final – boom. Redenção. Deixou-me à beira das lágrimas.

Como gostas de passar o teu tempo livre?
A ver filmes, a ler e a dar longos passeios. Não sou uma pessoa de festas, mas adoro ir a convenções, vestir-me para a ocasião, e conhecer novas pessoas. Também passo mais tempo do que devia a planear os meus vestidos vitorianos e a conjugá-los com acessórios, a comprar penas, etc. Basicamente, sou uma heroína de George Eliot com um iMac. Tenho tendência para estar perto de casa, mas adoraria ter mais oportunidades de viajar!

Podes dar alguns conselhos a jovens escritores que sonham um dia ser publicados?
Escreve o que queres escrever, e segue o teu instinto – nunca deixes ninguém dizer-te que as tuas ideias são estranhas, ou que não tens qualquer hipótese de ser publicado, ou que nem sequer te deverias de importar com isso. Parte-me o coração quando vejo escritores que estão num estado de limbo porque se encheram de dúvidas, seja em relação às suas habilidades ou ideias. Às vezes simplesmente precisas de te atirar de cabeça e divertires-te, porque nunca sabes o bom que pode advir disso.

Finalmente, gostarias de deixar uma mensagem aos teus leitores portugueses?
Muito obrigado por darem uma oportunidade ao meu livro – mal posso esperar por visitar Portugal, um dia! 


Antes de terminar, quero deixar um muito obrigado à autora Lia Habel, assim como à Contraponto, que tornaram esta entrevista possível. Estou-lhes terrificamente agradecida. :)

Novidade Bertrand - "Eu, Cláudio", Robert Graves

‹‹Uma das obras realmente notáveis dos nossos tempos, um romance de aprendizagem e de imaginação, uma obra feliz e executada com brilhantismo.››
New York Times

Título: Eu, Cláudio
Autoria: Robert Graves
N.º Páginas: 424

Lançamento: 23 de Março
PVP.: 17,75€

Sinopse: Desprezado pela sua fraqueza e visto pela família com opouco mais do que um tolo gago, o nobre Cláudio sobrevive furtivamente às intrigas, às purgas sanguinárias e à escalada de crueldade que caracterizam as dinastias imperiais romanas. 
Em Eu, Cláudio, ele fica a observar dos bastidores para poder registar o reinado dos seus imperadores: do sábio Augusto e sua vilã mulher, Lívia, ao sádico Tibério e ao excessivo e louco Calígula. 
Um dos romances históricos mais aclamados e envolventes alguma vez escritos, Eu, Cláudio é um clássico dos nossos dias. 

Sobre o autor:
Robert Graves nasceu em 1895 em Wimbledon, filho do escritor irlandês Alfred Perceval Graves. Foi professor de Literatura Inglesa na universidade do Cairo em 1926 e eleito professor de Poesia em Oxford no ano 1961, mas vivia da escrita e ficou conhecido pelas suas perspectivas nada ortodoxas. 
A sua principal vocação foi a poesia, mas também escreveu obras de ficção e não ficção, sobretudo romances históricos, como A Filha de Homemo, Eu, Cláudio e Rei Jesus. Dos seus livros ensaísticos destacam-se A Deusa Branca, que apresenta uma nova perspectiva do impulso poético, a compilação do primeiro dicionário moderno de mitologia grega, Os Mitos Gregos, e a sua célebre autobiografia, Goodbye to All That.
Em 1971 tornou-se Fellow do St. John's College, Oxford. Morreu em Dezembro de 1985 em Maiorca, onde morava desde 1929. A sua editora britânica, a Penguin, chamou-lhe ‹‹o maior poeta do amor desde Donne.››
Visite o site do autor: http://www.robertgraves.org/ 

Imprensa:
‹‹Como lição de História, é fabuloso; como romance, é maravilhoso. O melhor de tudo é o próprio Cláudio, o gago que deixa toda a gente a pensar que é um idiota (para evitar ser envenenado), mas que na narrativa revela ser um observador astuto e simpático.››
Amazon.com

‹‹Eu, Cláudio e Cláudio, o Deus são um relato imaginativo e extremamente agradável de ler das primeiras décadas do Império Romano. Ousado, inventivo, muitas vezes cómico.››
Daily Telegraph

‹‹Continua a ser uma reconhecida obra de arte e um modelo para o romance histórico... Humano e de uma grande envolvência: um grandioso festim da imaginação.››
Hilary Mantel
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