terça-feira, 6 de março de 2012

O Colégio de Todos os Segredos, Gail Godwin [Opinião]



Título Original: Unfinished Desires
Autoria: Gail Godwin
Editora: ASA
Nº. Páginas: 510
Tradução: Elsa T. S. Vieira


Sinopse:

Mount St. Gabriel’s é um dos mais prestigiados colégios femininos americanos.
Cada ano lectivo vê chegar novos rostos e dita um novo equilíbrio na hierarquia social da escola. No Outono de 1951, uma das turmas destaca-se pela excelência e singularidade, duas características que, juntas, são potencialmente imprevisíveis. Apenas a jovem professora Kate Malloy e a rígida matriarca da escola, a madre Suzanne Ravenel, se apercebem de que as espera um ano invulgar. Não poderiam, claro, imaginar até que ponto a história do próprio colégio se alteraria.
Tudo começa quando Tildy Stratton, a incontestada líder da turma, abandona a sua fiel aliada, Maud, para se aproximar de Chloe Starnes, uma nova aluna que ficou recentemente órfã após a morte prematura e misteriosa da mãe. Esta amizade preenche um vazio nas vidas das duas jovens e põe em marcha uma série de acontecimentos que vão ameaçar a delicada harmonia da escola e mudar para sempre a vida de todos.
Cinquenta anos depois, com o colégio há muito encerrado, a madre Ravenel recorda esse ano, cruzando passado e presente, numa derradeira tentativa de se reconciliar com as origens trágicas daquele que ficaria conhecido como “o ano tóxico”.


Opinião:

Por entre segredos e mistérios, um colégio privado devoto a Deus tenta controlar a maçã podre escondida dentro de um cesto opulento e gracioso. Mas quando um grupo de jovens senhoras está em causa, uma turma que tanto tem de precioso como de singular, de inteligência como de mesquinhez, acertar na maçã certa será um desafio. Infelizmente, quando esta é descoberta, demasiado tempo passou e imensas desgraças tomaram o seu curso. Muitos destinos alterados, muitas medidas drásticas formadas. Porém, uma questão permanece: o que foi que aconteceu a todas estas mulheres?

O Colégio de Todos os Segredos é um romance espantosamente bem escrito, que cativa o leitor logo ao fim da primeira página. Com um tom único e familiar, faz-nos recordar momentos do passado – de quando éramos meras crianças e queríamos ser algo mais, de quando nos sentávamos a escutar «as histórias que a nossa avó contava» ou de quando simplesmente sonhávamos mais alto, desejávamos mais alto, e fazíamos tudo com uma intensidade e irreverência rebelde que, hoje em dia, damos conta de que nos escapou por entre os dedos. Posso dizer que Gail Godwin é fantástica na forma como consegue simplificar, com palavras, um enredo profundamente intricado e reflectido, dotado de toda uma série de nuances e caminhos, vozes e vidas independentes. É simples e puramente maravilhoso percorrer todos estes rostos, estas pequenas hilaridades e traquinices de jovens crianças, estas chegadas à frente, tomadas de posse e de liderança e, claro, presenciar todos estes receios, mistérios e medos de mulheres adultas que lutam por manter secretos esses devaneios que, numa «vida passada» as moldaram e modificaram. Como um romance de mulheres para mulheres, O Colégio de Todos os Segredos é o livro que a perseguirá quando não o estiver a ler, que a fará não aguentar mais por lhe pegar e, acima de tudo, que a transportará numa viagem alucinante pela religião, perdão, amor e amizade, na voz única que é a de Godwin.

Esta é uma obra enobrecida pela grandiosidade das personagens que a adornam. Tão reais e, ao mesmo tempo, tão emotivas, estas mulheres (e homens – poucos, contudo) que expõem a sua vida nas páginas que tão lentamente queremos desfrutar, são perfeitas na sua imperfeição. Abrangendo um vasto leque de personalidades distintas, desde uma madre – Suzanne Ravenel – benevolente que, mesmo comandando com mão de ferro, faz de tudo pelo seu colégio e pelas suas alunas, a outra madre – Malloy – incrivelmente doce e delicada, que não só suscitará piedade como clemência, a três jovens alunas magníficas – Tildy, Maud e Chloe – que, tão diferentes umas das outras mas igualmente importantes no grande plano que este romance traça, são não só imprescindíveis como também elementos essenciais para a história e para o leitor que, habituando-se a elas, não consegue evitar querer saber mais sobre os seus destinos futuros; sem esquecer uma Cornelia de língua afiada e humor vincado, um Henry carinhoso e estupendamente paterno e uma Madeline fantástica no seu papel de irmã mais velha e que se preocupa em ajudar os outros, colocando-se sempre em segundo plano. Sem dúvida, um grupo de personagens belíssimas e espantosamente humanas e reais, que facilmente poderiam fazer parte da nossa vida, como amigas, familiares ou meras conhecidas. Acompanhadas por tantas outras, estas vozes serão guias especiais para a compreensão total de uma narrativa extremamente explicativa, detalhada e harmoniosa.

Quando os diversos intervenientes são, por si só, grande parte da alma de O Colégio de Todos os Segredos, é verdadeiramente surpreendente experienciar também o realismo e intensidade com que os vários cenários são compostos e descritos. Por diversas vezes acreditei ser aluna de tão prestigiada escola, ser a amiga de Tildy que a ajuda com as leituras ou que escuta os seus diabólicos planos, ou o fantasma imaginário de Chloe que a guia pela bondade e caminho correcto, ou até mesmo o ouvido certo que Ravenel tanto procura já no final da sua vida, agora pronta para desvendar tanto do seu mistério. Com incrível facilidade, consegui rever-me nestas personagens e nestes locais, sempre emocionalmente ricos, sempre deleitosamente narrados. E embora este livro não seja de leitura fácil ou deveras impulsiva, é, de forma única e bastante simples, um romance que vale a pena ser lido – uma história de descobertas, de finais inesperados e atitudes progressivamente poderosas na criação de consequências inalteráveis.

Somente tenho pena de Godwin, por vezes, deixar a sensação de se ter perdido no meio das palavras, emoções e mensagens que queria transmitir. Mas mesmo com algumas passagens demoradas e extensivas, e alguns devaneios pessoais de Ravenel que, a meu mero ver, poderiam ter sido reduzidos, este romance não perde nem um pouco da sua graciosidade e conforto. Escrito de forma simples, com uma linguagem cuidada e com atenção ao pormenor, esta é mais uma imperdível aposta da ASA, perfeita para quem não tem medo e  gosta de digerir e aproveitar as suas leituras ao máximo, esmiuçando cada duplo significado, cada possível desfecho. Um livro muito bom, e uma história decididamente interessante. Gostei.  

segunda-feira, 5 de março de 2012

Novidade Quinta Essência - "Regresso a Itália", Elizabeth Adler

Os segredos do passado dela encontram-se em Itália

Título: Regresso a Itália
Autoria: Elizabeth Adler
N.º Páginas: 348

Lançamento: 9 de Março
PVP.: 15,50€

Sinopse: O marido de Lamour Harrington morreu há dois anos. Desde então, Lamour deixou-se absorver pelo seu trabalho de arquiteta paisagista, mas nem sequer a criação de belas «salas» exteriores consegue devolver-lhe a paz interior. Quando é confrontada com uma horrível verdade sobre o marido que adorava, Lamour percebe que precisa de um lugar onde se reconciliar com a vida. Regressa à casa na costa amalfitana onde viveu com o pai durante os anos mais felizes da sua infância. Mas a casa das suas recordações contém os seus próprios segredos e obriga-a a enfrentar novas verdades sobre outro homem que amou em pequena. A morte do pai foi mesmo acidental? Ou esconderia alguma coisa que precipitou o seu desaparecimento precoce?
Dividida entre dois homens misteriosos e irresistíveis, Lamour descobre que o passado tem formas de reaparecer quando menos se espera. E alguém quer assegurar-se que Lamour não revela os segredos daquele refúgio idílico e de sonho. Quando o passado e o presente colidem num clímax demolidor e cheio de suspense, Lamour deve encarar o que mais teme, para encontrar a coragem de viver a vida na sua plenitude.
Regresso a Itália é um romance fascinante, que nos excita os sentidos e se lê de um fôlego

Sobre a autora:
Elizabeth Adler é britânica. Autora de mais de vinte romances, é reconhecida internacionalmente pelas suas histórias envolventes que combinam de forma magistral mistério, amor e destinos de sonho. Os seus livros estão publicados em vinte e cinco países, com mais de quatro milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
Adler e o marido viveram em vários países até que fixaram residência em La Quinta, Califórnia, onde passam dias tranquilos na companhia dos seus dois gatos.

Imprensa:
«Magnífico!»
 Affaire de Coeur

«As descrições coloridas de Itália de Elizabeth Adler são tão cativantes como a história. Romance e mistério enchem este romance magnético.»
—Romantic Times (starred review)

«As descrições de Adler são tão exuberantes, tão líricas, que quase podemos sentir o cheiro a sal do mar, sentir a doçura escura e acre de um bom cappuccino. O seu imaginário deslumbrante de Roma leva-nos a querer fazer as malas e partir! É ainda melhor quando ela chega à costa de Amalfi, com a casa na falésia, os barcos a flutuarem sobre um mar azul cintilante,
e o aroma a limão em todo o lado.
Romancedivas.com

Outros títulos da autora:

sexta-feira, 2 de março de 2012

Beijo Gelado, Richelle Mead



Título Original: Frostbite
Autoria: Richelle Mead
Editora: Contraponto
Nº. Páginas: 253
Tradução: Dora Reis


Sinopse:

Rose Hathaway não está a atravessar uma boa fase: o seu deslumbrante mentor Dimitri parece gostar de outra pessoa e em contrapartida o seu amigo Mason tem um fascínio enorme por ela. Para piorar a situação, Rose não consegue quebrar a ligação mental com a sua melhor amiga, Lissa, mesmo quando esta está com o namorado, Christian.
Entretanto, perante a iminência de um ataque Strigoi, a Academia de São Vladimir decide tornar a viagem anual de esqui obrigatória a todos os alunos e juntar os guardiães, inclusive a lendária Janine Hathaway – a ausente mãe de Rose.
Iludidos pela falsa segurança da paisagem cintilante e elegante do Idaho e na ânsia de vingar as vítimas dos últimos ataques dos Strigoi, três estudantes resolvem fugir para tentar encontrar e exterminar sozinhos um perigoso grupo de assassinos. Rose vê-se então obrigada a associar-se a Christian para os salvar, só que desta vez a jovem irá sujeitar-se a perigos que nunca imaginou ter de enfrentar.


Opinião:

O amor é um sentimento inebriante... mas também o é o ciúme, o ressentimento ou o medo. Numa relação sem pernas para andar, que confere perigo à única pessoa cujo dever é proteger, duas almas mortais lutam pela possibilidade de amar outro alguém. Mas quando a morte lhes bate à porta, numa forma não somente imortal como humana e extremamente mortífera, esta emoção ardente pode ser a última coisa em que pensar... ou a primeira a fazer agir.

Beijo Gelado é a continuação perfeita que vem dar luz e sombra a uma série de vampiros que, mesmo não oferecendo grandes novidades dentro do género, cativa pela intensidade das personagens e pelo vastíssimo leque de comoções presente. Richelle Mead é eximia na forma como conta a história de uma heroína improvável que tanto tem de juventude como de maturidade, que passa por toda uma fase de amores não correspondidos, confrontos familiares e guerras internas, sem nunca perder o seu centro e, o mais importante, o seu carisma inerente. Rose Hathaway é a alma deste livro e com ela surgem outras personalidades curiosas que, a um ritmo gradual mas imparável, vão quebrando barreiras e infiltrando-se na mente e no coração de quem as lê.

Roza não sabe qual dos seus inúmeros problemas resolver primeiro. Se por um lado a paixão que sente por Dimitri a deixa tonta ao ponto de, ao não a deitar cá para fora, se sentir constantemente num sufoco, por outro só o simples facto de a sua mãe fazer uma visita inesperada a São Vladimir é asfixia suficiente para a levar à loucura. Depois, tem ainda a questão de Lissa que, mesmo esforçando-se ao máximo continua a não conseguir evitar ser arremetida para o seu pensamento sempre que alguma emoção mais intensa lhe surge no caminho como, por exemplo, o despoletar físico de um amor imortal. Ou ainda o pequeníssimo pormenor de Dimitri se dar confortavelmente bem com Tasha, que o quer só para ela. Ou a insistência de Adrian que, mesmo sendo misterioso e dono de uma reputação nada galanteadora, faz as delicias de um cavaleiro andante. Ou até mesmo o fascínio amoroso que Mason tem por ela e pela caça aos Strigoi responsáveis pelos mais recentes crimes contra os Moroi. Ou, finalmente e o pior e mais catastrófico de todos, a desconfiança de que os próprios Strigoi passaram a agir em grupo e com a ajuda preciosa dos humanos... o que retira toda a protecção que a luz do dia conferia aos vampiros e respectivos guardiães. Sim, a sua vida não está nada fácil!

As personagens criadas por Mead são o único ímpeto que o leitor precisa para não mais conseguir largar este romance de fantasia urbana. Só por si, Rose é fantástica no modo em como provoca gargalhada atrás de gargalhada, sorriso atrás de sorriso, com o seu humor mordaz e repleto de ironia e provocação, ao mesmo tempo que não se deixa levar pela aparente segurança que a Academia que frequenta supostamente lhe proporciona. Trabalhadora árdua, apaixonada inveterada e socialmente memorável, Rose é a personagem que todo o leitor deseja ver como heroína, muito devido à sua força exterior mas interior conflituoso. Contudo, existem outros intervenientes igualmente chamativos como é o caso de Lissa e Christian, Dimitri, Mia e, neste livro em particular, Adrian. Posso dizer que, pela primeira vez em muito tempo, gostei de todas as personagens sem excepção, até mesmo dos maus da fita.

Indo buscar temas recorrentes do nosso dia a dia, Beijo Gelado trata-se de uma obra juvenil que qualquer adulto pode ler. Pegando em situações como o ciúme para com a nossa melhor amiga, ou o medo para com o desconhecido, o amor que não podemos ter e o amor que queremos esquecer, a curiosidade para com aquela pessoa que inexplicavelmente nos arrepia e até o ressentimento para com uma mãe ausente e um pai incógnito, este é um romance que, acompanhado de uma escrita moderna, irreverente e fácil, certamente agradará a um vasto leque de leitores.
Uma série que irei continuar a acompanhar, sentindo-me agora decididamente expectante relativamente ao volume que se segue, e que sei ser do agrado de muitas pessoas. Dotada de personagens atractivas, de uma escrita suave e de um enredo em constante mutação, esta é mais uma excelente aposta da Contraponto que, como é hábito, continua a marcar pela diferença. Gostei!

Novidade Contraponto - "Não Sou Um Serial Killer", Dan Wells

John Wayne Cleaver é um rapaz potencialmente perigoso - muito perigoso. E passou toda a sua vida a tentar não cumprir o seu potencial...

Título: Não Sou Um Serial Killer
Autoria: Dan Wells
N.º Páginas: 240

Lançamento: Já disponível
PVP.: 16,50€

Sinopse: John Wayne Cleaver é bem-comportado, calado, tímido e reservado, mas incapaz de sentir empatia e de compreender as pessoas que o rodeiam. Prefere conviver com os mortos; o seu trabalho (e o seu passatempo favorito) é embalsamar cadáveres na casa mortuária que pertence à sua família. Além disso, partilha o nome com um famoso serial killer e tem uma obsessão quase incontrolável por psicopatas e assassinos em série. Sob estas circunstâncias, parece que o seu destino está traçado...
Contudo, John Wayne Cleaver é plenamente consciente das suas invulgares características, e quer a todo o custo impedir-se a si mesmo de matar. Para tal, criou um conjunto de regras muito precisas: tenta cultivar apenas pensamentos positivos pelas pessoas que o rodeiam (até pelo bully do liceu), evita criar laços ou interessar-se por elas (tem apenas um amigo da sua idade) e, sobretudo, tenta a todo o custo manter-se afastado do fogo (que gosta de atear), dos animais (que gosta de dissecar) e de locais e vítimas de crimes. 
As suas regras vão ser postas à prova quando é encontrado um corpo terrivelmente mutilado - e depois um segundo, e um terceiro. Será que na sua pacata vila existe uma criatura ainda mais perigosa do que John Wayne Cleaver?

Sobre o autor:
Dan Wells nasceu no Utah, nos EUA, em 1977. Os pais eram leitores ávidos e apreciadores de ficção científica e fantástica; Dan viu A Guerra das Estrelas aos quatro meses de idade e o pai leu-lhe O Hobbit aos seis anos. Foi então que decidiu ser escritor e passou grande parte da juventude a ler, a escrever e a aprender tudo o que conseguia acerca de Literatura - de Victor Hugo a Tolkien, de Dostoiévski a Neil Gaiman. Viajou bastante, trabalhou como copywriter para publicidade e escreveu críticas de videojogos e de ficção científica para publicações especializadas. Vive no Utah, com a mulher e os filhos, e dedica-se à escrita e aos videojogos com igual fervor. 

Imprensa:
‹‹Wells combina vários géneros, com uma admirável mestria, nesta narrativa cativante, assustadora e cheia de humor negro.››
Kirkus Reviews

‹‹Um romance de estreia emocionante.››
Publishers Weekly

‹‹Incrivelmente divertido.››
FHM

Excerto:
‹‹A falta de ligação emocional às outras pessoas tem o efeito bizarro de nos fazer sentir isolados e extraterrestres - como se observássemos a raça humana a partir de outro sítio, desligados e desconfortáveis. Sentia-me assim há anos (...). As pessoas andam de um lado para o outro, nos seus empregozinhos, a criar as suas familiazinhas e a gritar as suas emoções insignificantes para o mundo, enquanto nós, durante todo o tempo, nos limitamos a observar das linhas laterais, perplexos. Isto leva a alguns sociopatas a sentirem-se superiores, como se toda a humanidade não passasse de um conjunto de animais a serem caçados ou abatidos; outros sentem uma fúria ardente e invejosa, desesperados por conseguirem aquilo que não podem ter. Quanto a mim, sentia-me apenas sozinho, uma folha solitária a quilómetros do monte gigante e comunal.››

quinta-feira, 1 de março de 2012

Esc@ndalo, Therese Fowler



Título Original: Exposure
Autoria: Therese Fowler
Editora: ASA
Nº. Páginas: 400
Tradução: Susana Serrão


Sinopse:

O controlador pai de Amelia Wilkes não permite que ela namore, mas isso não impede a talentosa finalista do liceu de manter um romance com o colega Anthony Winter. Desesperadamente apaixonados, os dois sonham com uma vida em conjunto e planeiam contar aos pais de Amelia apenas quando ela fizer dezoito anos e se tornar, legalmente, adulta. A mãe de Anthony, Kim, que lecciona na escola que ambos frequentam, sabe - e guarda - o segredo que os une. Mas a paixão deles é exposta mais cedo do que planeavam. O pai de Amelia, Harlan, fica chocado e furioso ao encontrar fotografias de Anthony, nu, no computador da filha. Meras horas depois Anthony é preso. Quando os acontecimentos começam a espiralar fora de controlo e o caso toma uma dimensão nacional, Amelia e Anthony arriscam tudo numa ousada e perigosa tentativa de limpar os seus nomes e terminar com a loucura em que tudo aquilo se tornou.


Opinião:

Um segredo profundo e enamorado possibilita o reencontro diário entre duas almas gémeas que nasceram para se acompanharem uma à outra, tanto no amor como na paixão que partilham pelas artes performativas. Mas um segredo desta importância, quando revelado, pode ser o gatilho que disparará a mais certeira e conflituosa das balas... uma bala capaz de encurralar o futuro de um rapaz inocente, de enfurecer um pai ultra protector e de, aos poucos, matar o interior de uma mulher apaixonada.

Esc@ndalo é um romance revolucionário na medida em que, com personagens fictícias mas dotado de sentimentos bem reais, consegue chegar ao coração do leitor sem este se dar conta do verdadeiro perigo e implicações que as acções descritas ao longo da trama provocarão numa sociedade que se preza em dar o exemplo, em duas famílias que, de raízes bem distintas, lutam pela sobrevivência pessoal e num casal de jovens que, na inocência da idade, procuram um no outro o companheirismo e conforto do primeiro grande amor.
Com um estilo fluente e naturalmente moderno, Therese Fowler exibe um enredo forte estruturalmente, com um contexto social algo controverso e num seio familiar primado pela ausência de uma relação de confiança e bem-estar, ao mesmo tempo que se permite expandir até à nossa própria realidade, provocando o leitor face a clara possibilidade de tamanho escândalo acontecer bem perto de si.

Amelia Wilkes tem tudo o que uma rapariga pode desejar: é bonita, estudiosa, sabe pesar as suas prioridades e, sem dúvida, de que é incrivelmente talentosa. Apaixonada pelas artes, Amelia adora subir ao palco e deixar o seu dom para o canto e para a representação fluir até ao público que, num jubiloso e emotivo final, não consegue evitar erguer-se dos assentos e congratulá-la com a mais entusiástica salva de palmas. Talvez por isso ela sonhe em ir estudar para Nova Iorque onde o teatro toma conta de grande parte da cultura citadina, ou talvez isso se deva ao amor que nutre por Anthony que, igualmente amante dessa arte representativa, partilha da mesma aspiração artística.
Anthony Winter é cobiçado por muitos, e ainda que não tenha as posses económicas dos seus colegas, não é por isso que tem olhos para alguém mais que não a sua Amelia. Rapaz inteligente, criativo e até romântico, Anthony é o típico estudante que não tem mãos a medir para o talento que possui. Assim, com a sua eterna amada, espera conseguir entrar na Tisch e, quem sabe, alcançar o sonho de ser um actor da Broadway. Mas os sentimentos que tem por Amelia irão colocá-lo em sérios problemas e, contra um pai preconceituoso e temperamental, as suas hipóteses de sucesso são extraordinariamente remotas. Conseguirá este casal atingir a felicidade por que tanto anseia?

A grande fatia do sucesso deste romance deve-se, sem objecções, à qualidade inegável das personagens que Fowler criou para embelezar uma mentira e um perigo extremamente reais. Estes são homens e mulheres com os quais lidamos diariamente, que fazem parte da nossa vida e que nos ajudaram, em algum momento da nossa vivência, a crescer e a aprender com os erros. Isso vê-se pelas diversas e inteiramente diferentes personalidades que – umas mais odiadas que outras – encontram sempre forma de chegar próximo do leitor e, num sussurro provocador, incitá-lo a explorar tanto a calúnia em si como o amor que, de modo abrasador, preenche estas páginas.

Pessoalmente, embora por um lado consiga compreender a posição e atitude de um pai que se vê, subitamente, diante de uma filha crescida e independente, Harlan foi uma personagem de que não gostei. Por cada entrada intrusiva, declaração parcial e visão entorpecida, algo raivoso crescia dentro de mim, ao ponto de ficar enfurecida de toda a vez que Harlan aparecia em cena. O mesmo aconteceu com a sua esposa, ainda que a um nível bastante inferior, no sentido em que esta era incapaz de se impor. Mesmo indo contra os ideais do marido, mesmo acreditando que Amelia deveria de seguir os seus sonhos, os seus desejos e vontades, esta foi uma mulher calada, receosa e submissa. Em contrapartida, gostei imenso do casal – principalmente de Anthony dada a sua força e controlo interior –, e de Kim, a mãe deste maravilhoso rapaz que, ao ver um simples relacionamento tomar proporções judiciais gigantescas, ainda assim foi corajosa e aguentou-se, apoiando e fazendo de tudo pelo filho que tanto ama.

O enredo está composto de forma interessante e curiosa, permitindo a que o leitor tenha acesso aos vários pontos de vista e opções decisivas. Assim, tanto acompanhamos o lado de Anthony e a luta de Kim por conseguir fundos e defesas para o seu caso, como o lado de Amelia e de Harlan que, impedindo a sua filha de estar com o suposto agressor e fechando os ouvidos ao que esta tem a dizer, combate em prol de uma segurança que de modo algum tinha sido quebrada.
Com uma escrita espontânea e singela, descrições assertivas que vão de encontro aos obstáculos presentes nas vidas destas personagens e com um romance muito ao estilo de um «Romeu e Julieta» dos tempos modernos, Esc@ndalo é um livro diferente, pessoal e que certamente despoletará toda uma imensidão e diversidade de emoções e sentimentos pois, não tenho dúvidas, de que cada leitor terá uma visão diferente, após a sua leitura. Uma obra dotada de uma mensagem muito forte e poderosa, que levará a uma reflexão intensa e consciente perante um assunto tão actual e «tecnológico». Mais uma boa aposta da ASA, que continua a surpreender pela positiva. 

Novidade Casa das Letras - "Querida, Comprei um Zoo!", Benjamin Mee

A história verídica de um zoo arruinado e dos duzentos animais que mudaram uma família para sempre.

Título: Querida, Comprei um Zoo!
Autoria: Benjamin Mee
N.º Páginas: 264

Lançamento: 5 de Março
PVP.: 13,00€

Sinopse: Em Outubro de 2006, Benjamin Mee, com a sua mulher, Katherine, os dois filhos pequenos, a mãe de Ben, com setenta e seis anos, e o irmão venderam tudo e mudaram-se para um jardim zoológico degradado nos limites de Dartmoor.
Assumindo a responsabilidade por uma colecção incluindo leões africanos, tigres siberianos e ursos-pardos europeus, juntamente com as responsabilidades igualmente avassaladoras da gestão do pessoal e das finanças do parque, iniciam juntos o percurso por uma vida de desafios novos e recompensas inesperadas. Perseguir um jaguar foragido, exercer diplomacia entre facções desavindas de macacos-verdes, recuperar um lobo em fuga e assegurar uma hipoteca de meio milhão de libras são apenas algumas das exigentes tarefas a concretizar.
No meio de tudo, a família é atingida pela tragédia. Katherine, depois de sobreviver a um tumor cerebral, recomeça a sentir os sintomas da sua doença. Cuidar da sua mulher torna-se outra tarefa a acrescentar às complexidades quotidianas da gestão de um jardim zoológico e da preparação da sua inauguração.
Querida, Comprei Um Zoo é uma história comovente e animadora que relata os esforços da família para reconstruir o parque, em simultâneo com o declínio de Katherine, bem como os seus últimos dias e a forma como a família conseguiu seguir em frente.

Sobre o autor:
Antigo decorador, Benjamin Mee iniciou os seus estudos e a escrita sobre a inteligência animal num curso de Psicologia na University College London, seguindo-se um mestrado em Jornalismo Científico no Imperial College. Tornou-se editor da revista Men’s Health e colunista do Guardian. Mudou-se posteriormente para o Sul de França, iniciando a escrita de um livro sobre a evolução do humor no homem e nos animais. Depois, o jardim zoológico foi posto à venda e tudo mudou…

Imprensa:
«Um livro destinado a todos os amigos de animais, mas não só. Um livro divertido que promete muitos horas de prazer.» Publishers Weekly

«O tom comovente do autor ao descrever a sua dor complementa as muitas histórias humorísticas retratadas no livro. O Jardim Zoológico Dartmoor atrai, hoje, milhares de visitantes anualmente. Uma leitura que irá agradar todos os aventureiros e amantes dos animais.» Library Journal

«Benjamin Mee muito lutou para que o seu jardim zoológico tivesse uma bem-sucedida reabertura. O seu testemunho está regado com muito humor britânico e quase que se sente os cheiros e os sons do parque.» Kirkus Reviews

Mil Noites de Paixão, Madeline Hunter



Título Original: Lord of a Thousand Nights
Autoria: Madeline Hunter
Editora: ASA
Nº. Páginas: 334
Tradução: Ana Álvares


Sinopse:

Eles não têm absolutamente nada em comum. Lady Reyna é uma mulher virtuosa e erudita, que preferia morrer a quebrar uma promessa ou voto.
Ian de Guilford é um sensual mercenário, um cavaleiro errante cujo temperamento fogoso lhe valeu a alcunha de Senhor das Mil Noites.
Ela não conhecia a sua fama quando, fazendo-se passar por cortesã, transpôs as linhas inimigas com um plano desesperado para salvar o seu povo. Agora que está frente a frente com o guerreiro cujos encantos, diz-se, é impossível resistir, Reyna apercebe-se de que subestimou o seu inimigo. Ele está decidido a tudo para subjugar a sua virtude. A bem do seu povo, ela não pode ceder... e a sua audácia leva-a a fazer algo com que nunca sonhou: pôr em jogo o seu coração.


Opinião:

Numa época pontuada pelo desespero da guerra e pelo sangue das lutas, dois corações batem em uníssono. Enquanto um anseia pela glória da conquista e o conforto do dinheiro, o outro sofre pela incapacidade de proteger o seu povo e o seu castelo, ao mesmo tempo que os dois corações pulsantes, em frentes distintas, farão de tudo – até o inimaginável – para alcançar o seu propósito... sem nunca sonharem que, em conjunto, seriam a outra metade um do outro.

Mil Noites de Paixão é o avassalador regresso a uma autora que tanto admiro e estimo. Madeline Hunter faz parte do meu restrito leque de escritoras favoritas – e obrigatórias! – tanto mais pelo seu incomparável e insubstituível talento como pelos deliciosamente saborosos e genuínos enredos que partilha com os seus leitores e fãs. Para mim, esta é uma autora cujo estilo muito próprio e singular de escrita é capaz de me arrebatar por completo, levando-me a experienciar, quase em primeira mão, todos os conflitos, dúvidas e catástrofes amorosas e sociais – e não só! – pelas quais as suas personagens têm de encontrar um meio de escape e, por vezes, de aceitação face o inevitável. Um intricado narrativo espectacular e incrivelmente sólido, repleto de intensas surpresas e estupefactas reviravoltas alucinantes, de deixar o leitor totalmente rendido.

Ian de Guilford é o protótipo perfeito de um guerreiro inteligente e ávido por descoberta, que sabe comandar uma frente e vencer qualquer batalha. Destemido, corajoso e homem de um carisma e poder de sedução notáveis, com uma reputação que o precede, este é um lutador que não tem medo de correr riscos e de fazer por alcançar os seus objectivos. O problema começa quando uma jovem e algo atraente mulher decide fazer uso de uma experiência que não tem para o cativar – até matar – de modo a impedir os seus esforços em conquistar território escocês. Mas nem mesmo quando essa hipótese é eliminada, o coração de Guilford conseguirá algum descanso. É que esta mulher recusa-se a ser subjugada à vontade de um desconhecido e, acima de tudo, não aceita ser uma vítima. E muito devido a isso, toda uma corrente de sentimentos fortes e travessos tomarão algum do espaço livre bem dentro do peito de Ian, de forma a que este seja obrigado a confrontar-se com uma série de questões às quais esperava conseguir escapar imune.
Lady Reyna somente tem um receio – não ser capaz de oferecer segurança àqueles que tanto ama e que tanto fazem pelo seu castelo. Viúva precoce, cobiçada por uns e desdenhada por outros, ela é uma jovem mulher habituada à comodidade da solidão e aos livros que sempre a acompanham, uma pequena parte do legado deixado pelo seu marido que, aparentemente, muitos segredos escondeu. Contudo, quando se vê entre a espada e a parede, de mais do que um lado, escolhas precipitadas e impensadas terão de ser feitas... mesmo que, no final de contas, apenas lhe reste antagonizar o homem que, em última instância, lhe poderá conceder a liberdade de que precisa. Mas as questões do coração são demasiado complicadas e a sua mente tem, forçosamente, de estar centrada naquilo que pode fazer pela sua casa e a sua «família». Conseguirá Reyna reter a paixão que, gradualmente, insiste em a consumir?

Parte da beleza deste romance em particular reside no pormenor de Madeline Hunter presentear, numa constante, o seu leitor com aparecimentos, uns mais breves do que outros, de personagens que tomaram as rédeas do protagonismo em obras anteriores. E talvez por ser possível encontrar intervenções por parte dos casais de Casamento de Conveniência e de O Protector, a ligação tecida entre leitor e livro seja mais rápida e, também, bastante mais fervorosa e veemente. É que se não bastasse a própria descoberta e conhecimento das novas personagens que conferem «aquele» encanto muito especial à narrativa em si, o facto de o leitor ter oportunidade de matar algumas saudades faz com que a leitura sofra toda uma nova e incontrolável explosão de emoções e necessidade em prosseguir entre as páginas capaz de deixar, mesmo o mais impulsivo dos leitores, atordoado. E isso, só Hunter consegue fazer.

O enredo, muito ao estilo que a caracteriza, apresenta-se interessante e decididamente apelativo. Tendo em conta todas as disputas criadas entre os dois protagonistas, não há como fugir ao divertimento puro e à ânsia de ver quando é que o coração vai, finalmente, falar mais alto. A situação da guerra, dos ódios que atingem mais do que uma família e território, das segundas intenções que fazem mover peças importantes de um puzzle algo enigmático e de uma fortuna extremamente cobiçada, a par de um turbilhão de sentimentos românticos partilhados tanto entre os casais de viagens passados como por Ian e Reyna, perfazem de Mil Noites de Paixão um romance de época preenchido com todos os ingredientes certos. A acompanhar uma escrita agradável, maravilhosa e que impulsiona à leitura, não me restam dúvidas de que este é um livro obrigatório tanto para quem segue o trabalho da autora e/ou gosta deste género de histórias, como para quem nunca experimentou e pensa na hipótese de percorrer estas incríveis e apaixonantes páginas.

Pessoalmente, esta foi a obra que mais gostei de todo o reportório da autora que tive o prazer de ler até ao momento. Sente-se o cuidado, a atenção dos detalhes, da contextualização histórica, do crescimento das personagens e das ligações que levarão a um culminar de surpresas e paixão totalmente inesperado. Adorei Ian. Adorei Reyna. Adorei o enredo criado para estas personagens. E continuo a adorar Madeline Hunter. E vocês, do que estão à espera?
Mais uma aposta da ASA, que não poderão perder!
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