segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Academia de Vampiros, Richelle Mead



Título Original: Vampire Academy
Autoria: Richelle Mead
Editora: Contraponto
Nº. Páginas: 263
Tradução: Dora Reis


Sinopse:

Após dois anos de fuga, Lissa, a princesa da elite de vampiros Moroi, e a sua amiga e protectora Rose são apanhadas e arrastadas de novo para a Academia São Vladimir, escondida nas profundezas da floresta de Montana. Aí, Rose deverá continuar a sua formação de Dhampir, enquanto Lissa será educada para se tornar rainha.
No entanto, é dentro dos portões de São Vladimir que a segurança de Lissa e Rose se encontra mais ameaçada. Os horríveis e sanguinários rituais dos Moroi, a sua natureza oculta e o seu fascínio pela noite criam um enigmático mundo repleto de complexidades sociais.
Rose e Lissa vêem-se forçadas a deslizar por este perigoso mundo, resistindo à tentação de romances proibidos e sem nunca baixarem a guarda, ou os vampiros rivais farão de Lissa uma Strigoi para a eternidade...


Opinião:

Com a febre dos vampiros ainda bastante presente na literatura juvenil actual, é sempre um risco – para alguém que verdadeiramente aprecie o tema – debruçar-se sobre qualquer obra que detenha uma faceta mais jovem e romântica assente na sinopse. No entanto, por vezes surgem surpresas. Muito boas surpresas, até. E isso deu-se com Vampire Academy, uma muito interessante estreia de Richelle Mead, que vem mostrar um lado diferente, mais enigmático, expansivo e hierárquico de uma espécie sobrenatural que deixou de ser imortal.
Embora inicialmente receosa, confesso não ter sido capaz de resistir por muito mais tempo. Assim que me deparei com a nova capa – uma reimpressão Contraponto para celebrar a segunda edição do livro – a vontade de simplesmente lhe pegar e me deixar afundar num universo de dentes aguçados, sangue destilado e tortura psíquica foi tão possante e intensa que continuar sem ceder foi impossível. Assim, tive de lhe pegar... e não poderia ter ficado mais satisfeita.

O aspecto que mais me agradou em toda a leitura foi a amizade presente entre as duas protagonistas – Rosemarie e Vasilisa. O laço que as une é fabuloso, estando tão bem descrito ao ponto de atingir o leitor que imediatamente se sente enfeitiçado pelo magnetismo partilhado entre as duas. É também o constante presenciar do real sentido e valor da amizade entre Rose e Lissa que espicaça o leitor a querer conhecê-las a fundo, a querer saber o verdadeiro motivo que levou à fuga de ambas e ao desespero de Rose em querer proteger a sua melhor amiga de tudo e de todos e, principalmente, em querer saber o segredo que claramente se percebe existir entre as duas... e que mais ninguém sabe.
A beleza no seu sentido mais puro, deste ponto forte da narrativa, está no facto de ser levada ao limite por inúmeras vezes, demonstrando uma persistente protecção de ambas as partes, com altos e baixos, com inimizades e controlos e excessos e avisos, e é essa aproximação do real que incita o leitor a prosseguir leitura, sempre curioso com a próxima etapa, o próximo obstáculo a colocar-se entre as duas ou nos seus caminhos.

As relações que as duas vão tecendo e aprofundando com algumas personagens secundárias são outro dos aspectos mais prezáveis da obra. Mead, ao descrever a um leitor absorto e em branco um mundo que é comum e que pouco de novo tem para oferecer às principais intervenientes que o habitam e conhecem, possibilita que a acção se vá desenrolando sem necessidade de se entrar em pormenores introdutórios excessivamente descritivos e maçadores usuais do início de uma série. Pelo contrário e uma vez que as protagonistas já frequentavam a Academia São Vladimir (onde ocorre quase toda a acção do livro), com a naturalidade dos acontecimentos o leitor toma consciência e conhecimento das várias personalidades participantes na trama, ligações e hostilidades existentes no meio apresentado através de ocorrências entre Rose e Lissa e essas personagens, o que por si oferece ao leitor uma sintonia muito mais segura e consciente para com tudo o que vai surgindo ao longo das páginas.

Christian foi uma personagem que me chamou a atenção logo de início, pelo seu lado misterioso, incompreendido e algo grosseiro e defensivo. Habituado a ser invisível, é a sua personalidade e a forma como encara os restantes Moroi Reais, como ele, que cativa o leitor. A sua indiferença para com os outros e interacção algo proibida com Lissa serve de igual moto de interesse, apelando ao bom senso e empatia do leitor.
Dimitri é outro dos intervenientes que destaco, pela sua perspectiva madura (é mais velho que a maioria) e inteiramente focada no que é essencial – como Dhampir é seu dever, acima de tudo, proteger o ou a Moroi para si designado, mesmo que isso exija colocar o amor em segundo plano.
Mia também apresentou luta, sobretudo por ser uma Moroi fora da Realeza e, como tal, sujeita a enfrentar a mesma crueldade que qualquer outro ser abaixo da grandeza. O seu ódio inicialmente inexplicável é tão forte e tão puro que as atrocidades que comete e que leva outros a igualmente orquestrar em resposta são simplesmente magníficas, levando o leitor à loucura de curiosidade.
Com aparições mais pequenas mas igualmente avassaladoras e importantes para o desenrolar da narrativa, faço menção a Mason, um grande amigo de Rose cujo amor não é correspondido, Victor pela perspicácia e surpresa final e Kirova pela rudeza e mão firme.

Não posso deixar de referir ainda a hierarquia estabelecida e algumas das características vampíricas atribuídas tanto aos Moroi e Dhampir como aos Strigoi. Os primeiros são os mais importantes e aqueles que ocupam os postos de maior relevo na sociedade. São também considerados os “reais” vampiros, aqueles que necessitam de sangue para sobreviver mas que não são imortais. Nascem, crescem e morrem, como qualquer um. Contudo, possuem uma união muito forte com um dos elementos da Natureza – Ar, Água, Fogo e Terra – que lhes permite executar alguns “truques” ora simpáticos ora ofensivos. Os Dhampir são como os Moroi com a diferença de não terem qualquer sintonia com nenhum elemento da Natureza nem de precisarem de sangue para sobreviver. No entanto, destacam-se pela agilidade física e incontornável competência na protecção e guarda da Raça Moroi. Quanto aos Strigoi – para mim, a raça mais atraente das três –, estes são imortais e possuem particularidades que só saberão deliciando-se com esta série.
Estes são somente alguns dos pormenores físicos e mentais que Richelle Mead conferiu aos seus sugadores de sangue, tornando-os especiais e muito menos infantis, mais responsáveis e destemidos, corajosos. Também ao não se cingir ao romance entre uma ou ambas as protagonistas e outras personagens faz com que toda a atenção vá para o terror que assombra e persegue o espírito de Lissa e a união mental que Lissa e Rose partilham entre si, consentindo que, mesmo sendo Academia de Vampiros narrada na pessoa de Rose, o leitor possa experienciar um pouco do que é estar na pele de Lissa.

Academia de Vampiros trata-se de uma aventura imperdível entre uma princesa da realeza bonita, simpática e social e a sua guardiã rebelde, segura de si e que não tem medo de arriscar. Não sendo excessivamente juvenil, esta é uma obra que, no seu sentido mais preciso, aborda temas importantes da nossa actualidade como o verdadeiro apreço da amizade, o suicídio e a auto-mutilação na adolescência e o proveito inconsequente que por vezes os adultos exercem nos mais jovens.
Uma estreia cativante, que agarra o leitor e que o acompanha numa linguagem simples e muito acessível. Uma peripécia do princípio ao fim, com incontáveis fugas, um elevado grau de suspense e descobertas e um misto adorável de romance, amizade e trabalho árduo.
Uma excelente aposta Contraponto no mundo vampírico. A não perder! 

Novidade Quinta Essência - "Fama, Amor e Dinheiro", Menna Van Praag

Um livro que nos enche de esperança, coragem, inspiração e nos mostra como podemos ter tudo o que queremos e ser felizes

Título: Fama, Amor e Dinheiro
Autoria: Meena Van Praag
N.º Páginas: 160

Lançamento: Já disponível
PVP.: 14,55€

Sinopse: May Fitzgerald tem, de repente, tudo o que sempre quis. Depois de anos a sentir-se gorda e pouco atraente e a procurar o amor nos sítios errados, tem finalmente a vida e o homem dos seus sonhos. Tudo devia ser tão perfeito - seguira a sua voz interior e ela conduzira-a à vida mágica com que sonhara.
Mas quando a sua nova vida como escritora de sucesso tem início, os velhos demónios de May surgem para a atormentar. As antigas inseguranças reaparecem e ela deixa-se fascinar pela lisonja e pelo brilho da fama. O seu comportamento começa a afectar o namorado e ameaça destruir a relação de ambos. Conseguirá ela dar a volta à situação e provar que realmente é possível ter tudo?

Fama
É uma droga à qual muitos seres humanos
imperfeitos não são imunes. É agradável com
conta, peso e medida, mas é preciso cuidado para 
não querermos comparar-nos com aqueles
materialmente mais bem sucedidos do que nós.

Amor
Uma vida com amor verdadeiro não é uma vida
sem desafios e tumultos, e uma verdadeira alma
gémea não deve completar-nos, mas sim desafiar-nos.

Dinheiro
É uma armadilha e sozinho não traz a felicidade e
a realização pessoal.

É uma história sobre fazer escolhas e não perder o rumo, mas, sobretudo, uma história sobre a importância de seguir os sonhos!

Sobre a autora:
Menna Van Praag é escritora freelancer, formada em Oxford, e aficionada de chocolates. O seu primeiro livro, Homens, Dinheiro e Chocolate, foi traduzido para vinte línguas. 
Menna vive em Cambridge com o marido, Artur, um gastrónomo exímio. Encontram-se agora a realizar um sonho que desde há muito acalentam, a abertura de uma livraria/café. Fama, Amor e Dinheiro é o seu segundo livro (publicado). Está presentemente a trabalhar no terceiro, The House at the End of Hope Street. 

Da mesma autora:

domingo, 4 de setembro de 2011

Resultado do 2.º Passatempo Autor do Mês de Julho - Lara Adrian

Ainda que esta rubrica tenha estado ausente durante o mês de Agosto, Setembro anuncia-se com novas novidades e deliciosos passatempos! Porém, e como bem sabem, os resultados dos passatempos de Julho ainda se encontram por divulgar... e é por isso que venho agora anunciar a vencedora do 2.º Passatempo Autor do Mês de Julho – Lara Adrian!

É com imenso deleite que a vencedora que irá receber em casa um exemplar do mais recente trabalho da autora, O Despertar da Meia-Noite, gentilmente cedido pela Quinta Essência, é:

Inês (...) Santos!

Muitos parabéns à feliz contemplada!, que verá a sua opinião publicada, amanhã, aqui no blogue.
Quanto ao resultado do 1.º Passatempo... esse será divulgado durante a semana.

Parabéns... e boas leituras a todos!

Resultado do Passatempo - "Desejar", Carrie Jones

Tenho de ser honesta... Adoro fazer este tipo de passatempos; passatempos que puxam pelos seus participantes, que requerem atenção, amor e muita, muita criatividade. No entanto, e como tudo tem o seu reverso, cada vez se torna mais complicado escolher somente um número limitado de participações para vencedores. Ainda assim, e após algumas horas de debate, a administração do blogue – ou seja, eu – finalmente conseguiu seleccionar apenas duas respostas e, desse modo, anunciar os dois vencedores deste desejoso passatempo!
Porém, e àqueles que ainda não foi desta que ganharam, quero apenas dizer que continuem a tentar e a deslumbrar-me com graciosas participações. É sempre uma delícia ler/ver as respostas a estes passatempos mais didácticos.

Os dois exemplares a sorteio do livro Desejar, da autora Carrie Jones e gentilmente cedidos pela 1001 Mundos vão para:

Vítor Hugo (...) Caixeiro
Vasco (...) Teixeira

E aqui ficam as respostas:

"Algures no meio de uma inócua, densa floresta, que apenas o verde evidenciaria a presença de vida, estaria o meu pacato refúgio. Oculto dos olhares, exibindo o seu perfeito disfarce, esse seria o local aonde me dirigiria quando a necessidade de conforto aparecesse. Pois no seu interior, penetrado nas profundidades do solo e da escuridão, figurariam longas estantes nas paredes escavadas que suportariam tantos livros que nem se pudesse distinguir o seu fundo. Para onde quer que olhasse, apenas vislumbraria diferentes tonalidades de lombadas, umas delgadas, outras volumosas, formando na sua totalidade um magnífico arco-íris subterrâneo. Apenas os raios do sol vindos do exterior violariam a tranquilidade do meu vasto tesouro, conferindo-lhe o destaque, a sublime grandiosidade da qual seria verdadeiro merecedor. Atingiria com maior intensidade uma cadeira ostentada ali no centro, aguardando a minha estadia de longas horas de satisfação, após ter explorado todos os recantos em busca de uma nova história, um novo universo. Permaneceria ali até que as pálpebras dos meus olhos ameaçassem cair, ali, na maior biblioteca que alguém ousaria ter." 

"Desejo ganhar, desejo estar aqui para ficar.
Desejo vencer, desejo saber, desejo que me fiquem a conhecer.
Desejo ser compreendido, ou pelo menos reconhecido.
Desejo ser pretendido e não ficar desiludido, desejo ser correspondido.
Desejo querer e obter, e não passar por convencido.
Desejo fazer tudo e não ficar arrependido, desejo ser bem sucedido.
Desejo surpreender e ser surpreendido, desejo ser merecido.
Desejo experimentar e ser experimentado, desejo ser admirado.
Desejo que me levem ao limite, e que ainda assim fique com apetite.
Desejo ser da elite, e que este desejo não seja apenas um palpite.
Desejo não ser denegrido e jamais ser subestimado.
Desejo não ser esquecido e ser perpetuamente lembrado.
Desejo ser eterno e nunca viver num inferno.
Desejo libertar-me da morte e ser sempre o mais forte.
Desejo permanecer neste mundo até ele acabar.
Desejo ser o melhor, sem nunca falhar.
Desejo deixar a minha marca no mundo e nunca ficar em segundo.
E desejar mais do que a paz mundial é… desejar ser imortal."

Estejam atentos nos próximos dias pois o Pedacinho está prestes a fazer dois anos de muitas leituras!, e, com essa data tão especial mesmo à porta, cheira-me que muitos passatempos vão passar por aqui este mês... 

Boas leituras!

Novidade ArtePlural - "O Dia em que Matei o Cupido", Jennifer Love Hewitt

Título: O Dia em que Matei o Cupido
Autoria: Jennifer Love Hewitt
N.º Páginas: 208

Lançamento: Já disponível
PVP.: 14,90€

Sinopse: Jennifer Love Hewitt é uma viciada no amor e uma romântica irremediável (ou não fosse Love um dos seus apelidos!). Tem tido sorte e azar no amor, porém, o mais importante é que sobreviveu para contar. Além do mais, conseguiu fazê-lo na ribalta. Muito se escreveu sobre a sua vida amorosa (grande parte apenas para vender revistas), mas, agora, a actriz partilha a verdadeira história do que aprendeu ao percorrer os sinuosos caminhos do amor. 
Em O Dia em que Matei o Cupido, Jennifer apresenta a sabedoria que conquistou com algum custo e mostra-nos como viver o amor com os pés bem assentes na terra. Para isso, temos de começar por matar o Cupido. Temos de acreditar que "e viveram felizes para sempre" exige trabalho árduo e que hnem tudo é um mar de rosas, serenatas e corações pelo ar. 
Sagaz, sarcástica e honesta, a actriz explica como escolher o homem certo e como saber quando deixar partir aqueles que não interessam, revelando ainda umas quantas verdades sobre o sexo oposto. 
Desde 20 coisas a fazer após uma separação a 10 coisas a fazer antes de um encontro, aos perigos do namoriscar através de mensagens de telemóvel, Jennifer revela histórias e segredos sobre saídas românticas para ilustrar os momentos embaraçosos, loucos, hilariantes e gloriosos dos relacionamentos. 
Divertido, original e encorajador, O Dia em que Matei o Cupido merece um lugar na mesa-de-cabeceira, estante ou mesa de café de todas as mulheres, ou até enfiado na sua carteira XL. 

Sobre a autora:
Jennifer Love Hewitt (21 de Fevereiro de 1979) integra a indústria do espectáculo há quase 20 anos, desde da série de sucesso Adultos à Força aos sucessos de bilheteira Matadoras e Sei o que fizeste no Verão passado. Actualmente, é protagonista, produtora executiva e realizadora da série Entre Vidas

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A Resistência - Ninguém Pode Decidir por Ti, Gemma Malley



Título Original: The Resistance
Autoria: Gemma Malley
Editora: Editorial Presença
Colecção: Noites Claras, N.º 11
Nº. Páginas: 317
Tradução: João Martins


Sinopse:

A Resistência é a obra que vem dar continuidade a O Pacto – O Crime de ter Nascido, que a Presença publicou também nesta colecção. Continuamos no ano de 2140. A imortalidade foi alcançada, através de um compromisso, o Pacto. Peter e Anna são dois Excedentes, duas crianças que não deviam ter nascido e que apesar de viverem como «legais» continuam a rebelar-se contra as leis do estado. Peter recebe a missão de descobrir o que se passa no programa secreto de Longevidade e é então que descobre uma verdade aterradora que o fará questionar tudo aquilo em que sempre acreditou, e até mesmo a sua lealdade para com Anna, a jovem que ama. O suspense e a adrenalina mantêm-se, neste segundo volume, a níveis quase insustentáveis.


Opinião:

É verdadeiramente espantosa a forma como uma realidade típica ficcional futurista pode parecer, ao mesmo tempo, tão próxima e passível de acontecer em detrimento de se manter somente impressa no papel. Ao ler O Pacto – O Crime de ter Nascido, recordo-me da revolta e desconforto sentido, maioritariamente devido a certas atitudes e atrocidades cometidas por supostos seres humanos emocionais e racionais – embora, em grande parte das vezes, se assemelhassem mais a puros animais selvagens. Com A Resistência – Ninguém Pode Decidir por Ti, em vez de esse sentimento atroz desaparecer ou ser atenuado, posso confirmar ter antes sido exponencialmente aumentado, principalmente ao deparar-me com certos comportamentos contra a vida humana e a integridade feminina levados a cabo em nome do progresso científico.

Novamente, são as personagens um dos pontos de maior destaque presentes nesta obra. Se anteriormente o leitor teve a oportunidade de ficar a conhecer o interior de Grange Hall e o modo como os Excedentes guiam os seus pensamentos e acções – ou, por vezes, a falta deles – sobretudo pela voz de Anna, agora é Peter quem toma as rédeas da narrativa mostrando assim não só a sua perspicácia e calidez como, de igual modo, a sua vulnerabilidade e susceptibilidade.
Visto ter de ir trabalhar para a Pincent Pharma, uma herança de família e considerada a maior e mais importante e prestigiada empresa do mundo dado ser lá que é manufacturada a Longevidade, Peter vê-se encurralado entre as missões recebidas pela Resistência e a pressão constante do avô em que assine o Pacto. Em acréscimo Peter tem ainda de lidar com umas quantas dúvidas e questões que surgem pelo caminho, confrontos com o impossível e inimaginável e, ainda, a possibilidade de a sua relação com Anna e Ben não passar de um erro colossal.
Em termos de personagens secundárias, temos uma estreia incrivelmente interessante e apelativa, no papel de Jude, e um desenvolvimento inesperado e deveras cruel na pele de Richard Pincent, uma figura de grande porte e respeito. De igual referência, continuamos com uma Anna compassiva e extremamente carinhosa, um Pip mais activo e misterioso e todo um rol de novas aparições que vêm contribuir para o desenvolvimento de muitas das surpresas descritas neste romance.

O enredo permanece curioso e expectante, mantendo o leitor sintonizado com as emoções vividas pelas personagens e com as acções que essas emoções despontam. E uma vez que tanto Peter como Anna conseguiram sobreviver a Grange Hall e ultrapassar a condição de Excedentes, é também possível perceber o modo de funcionamento da sociedade exterior, ou seja, do mundo Lá de Fora, particularmente no que diz respeito ao crescimento populacional e ao aperfeiçoamento da Longevidade+.
A recta final de A Resistência é simplesmente assombrosa. Se, até às últimas cerca de cem páginas, a trama se tem conservado neutra, informativa e ligeiramente centrada no assinar ou não assinar do Pacto por parte de Anna e Peter, então, nas páginas finais, surge uma reviravolta tal que a adrenalina não só é levada ao seu exponente máximo como o leitor fica momentaneamente esquecido de como se respirar. Os acontecimentos são tantos e tão variados e as emoções colocadas tão à flor da pele que, até ao virar da página trezentos e dezasseis é impossível para o leitor descansar ou, inclusive, colocar o livro de lado.

Em comparação com O Pacto, A Resistência apresenta uma abordagem muito menos pessoal e bastante mais interactiva de um tema altamente desejado nos dias de hoje e decididamente intrigante. Mesmo retendo a sua atenção em Peter, nota-se um certo equilíbrio social e a nível da participação de outras personagens que em O Pacto dificilmente se encontra tão presente. Ainda assim, posso afirmar ter adorado esta obra e esta escritora que, sem dúvida, passará a integrar a minha lista de autores altamente apreciados.

Em suma, A Resistência não se cinge pela exposição de acontecimentos ou descrição de emoções, muito pelo contrário. Duplamente revolucionando um tema mediático e, com certeza, cada vez mais estudado e explorado a nível científico, A Resistência é um daqueles livros que agarra o leitor do princípio ao fim, fazendo-o reflectir não só na sociedade em que vivemos como também para o futuro a que caminhamos. Não é fácil prever o que vem aí... mas será possível e credível alcançar um tal estado de inovação em que as pessoas simplesmente poderão viver para sempre? E se sim, o que acontecerá depois?
Se a imortalidade humana é um daqueles tópicos que o fascina ou o deixa intrigado, então não pode mesmo perder a fabulosa história criada pela mente de Gemma Malley... não pode, de todo! Outra excelente aposta da Editorial Presença, e uma autora que espero, ansiosamente, pela publicação de um próximo trabalho.

Para mais informações sobre a obra, consulte aqui!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Novidade Saída de Emergência - "Segredos de Sangue", Charlaine Harris

Título: Segredos de Sangue
Autoria: Charlaine Harris
N.º Páginas: 288

Lançamento: 9 de Setembro
PVP.: 17,95€

Sinopse: Depois de suportar tortura e a perda de entes queridos durante a breve mas mortífera Guerra dos Fae, Sookie Stackhouse sente-se magoada e furiosa. O único elemento positivo da sua vida é o amor que acredita sentir pelo vampiro Eric Northman. Mas este está sob olhar atento do novo rei vampiro por culpa do relacionamento de ambos. Enquanto as implicações políticas da revelação dos metamorfos começam a ser sentidas, a ligação de Sookie a um lobisomem específico arrasta-a para uma questão perigosa. Além disso, sem saber, apesar de os portais dos Fae terem sido fechados, restam alguns fae no mundo humano... E um deles está zangado com Sookie. Muito, muito zangado. 

Sobre a autora:
Charlaine Harris escreve romances de mistério. Vive no Sul do Arkansas com o marido, três filhos, dois cães, dois furões e um pato. Leitora ávida, cinéfila moderada e halterifilista ocasional, o seu passatempo preferido é incentivar os filhos em desportos variados, instalada em bancadas desconfortáveis. 

Imprensa:
A Saga do Sangue Fresco continua a ser uma das melhores da geração de vampiros.
Booklist

É raro encontrar uma combinação de intriga, sensualidade, paranormal e puro charme no mesmo livro. E, no entanto, Charlaine Harris consegue fazê-lo de novo.
Paranormal Romance Reviews

Harris escreve com competência e seguraça.
The New York Times Book Review

Uma autora de raro talento.
Publishers Weekly
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