quinta-feira, 21 de julho de 2011

45 Dias de Desafios Literários - Dia 1: Livro Favorito

É com muito gosto (e algum debate necessário) que também o Pedacinho Literário se vai juntar ao desafio 45 Days Book Challenge, passível de ser encontrado um pouco por toda a blogosfera. Porém, deixo dois blogues que tenho vindo a acompanhar, nesta temática, e que têm apresentado resultados muito interessantes: a p7, do Bookeater/Booklover e a Rita, do A Magia dos Livros. Assim, e durante 45 dias, será postado o autor, livro ou personagem literária de eleição, para cada desafio, do Pedacinho Literário.
Vamos então começar!

É-me complicado escolher somente um livro, até porque não creio ter um que seja “o” preferido. Por isso, decidi escolher quatro obras de que gosto muito e com as quais a vontade de as reler nunca diminui ou desaparece. 

Para fantasia, o meu género literário preferido, deixo O Nome do Vento, de Patrick Rothfuss. Este foi um livro que me arrebatou por completo! Adorei Kvothe e a sua personalidade complexa, intrigante e quase desprovida de emoções claras a objectivas e a forma como o autor estruturou a narrativa, que se passa em três meros dias de um relato de vida estrondoso. Aguardo, com muita ansiedade, a publicação de O Medo do Homem Sábio, cuja primeira parte vai ser lançada já em Setembro. Fica a sugestão... 


Numa vertente mais cómica e de ficção, escolho Quando Sopr@ o Vento Norte, de Daniel Glattauer. Li este livro muito recentemente (este ano, até) e fiquei deslumbrada com a veracidade, realidade e ironia da situação relatada. Foi uma obra que simplesmente devorei e com a qual me diverti imenso, soltando inúmeras gargalhadas.


No romance puro, ROSAS, de Leila Meacham deixou-me boquiaberta. Embora tenha ficado algo relutante com o tamanho do livro e também por retratar uma época um pouco mais tradicionalista e rigorosa, logo ao fim dos primeiros capítulos já estava de tal maneira embrenhada na história que não havia forma de a largar. As personagens são deliciosas e o romance envolvente, para não dizer algo revoltante e triste. Um livro que todo o amante de literatura romântica deveria de ler. Adorei.



Para finalizar, fica A Casa do Sono, de Jonathan Coe. Este é um livro pouco conhecido e um autor que passa despercebido (não entendo porquê uma vez que os seus livros são realmente muito, muito bons). A leitura de A Casa do Sono deve de ter sido das poucas experiências de puro espanto e ânsia que me impediram de dormir e que indubitavelmente senti. É um livro intrincado, perturbador e algo difícil mas que absorve o leitor do princípio ao fim.

Passatempo - "Outlander - A Libélula Presa no Âmbar", Diana Gabaldon

Em colaboração com a Casa das Letras, o Pedacinho Literário tem o prazer de oferecer dois exemplares do livro Outlander - A Libélula Presa no Âmbar, da autora Diana Gabaldon.

Para participar basta responder correctamente às questões que se encontram no formulário em baixo e preencher todos os campos obrigatórios. 
Por favor, tenham as regras do passatempo em atenção!

As respostas podem ser encontradas aqui e/ou com a ajuda de qualquer motor de busca. 


Regras do Passatempo:
1) O Passatempo decorrerá até às 23h59 de 28 de Julho (quinta-feira).
2) Só é válida uma participação por pessoa e/ou residência.
3) Participações com respostas incorrectas e/ou dados incompletos serão automaticamente anuladas.
4) O vencedor será sorteado aleatoriamente pela administração do blogue, será posteriormente contactado por e-mail e o resultado será anunciado no blogue.
5) Só são aceites participações de residentes em Portugal Continental e Ilhas.
6) A administração do blogue não se responsabiliza pelo eventual extravio no correio de exemplares enviados.


Boa sorte a todos!

Lançamento - "Endereço Desconhecido"


Tiago Salazar, o escritor-viajante-andarilho, é o cicerone de uma ronda por 12 países europeus, os últimos países a aderirem à União Europeia, onde ainda existe muito por desvendar. Em cada um dos doze capítulos, o autor apresenta-nos a sua visão muito pessoal de cada país visitado – e que nenhum guia de viagem lhe mostra.
Além de passear pela História, pelos costumes e por becos mal-afamados, de contar a verdadeira gesta do conde Drácula, de beber vinho com ciganos romenos, de nadar nas águas de Malta à procura de Calipso, de experimentar as virtudes dos banhos húngaros, de conduzir comboios letónios ou subir a pé as montanhas búlgaras, o que conta no final, para o viajante e andariho, são os encontros e as pessoas. Porque as pessoas, sabe-o o leitor, são a eterna riqueza de cada lugar.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

2.º Passatempo Autor do Mês de Julho - Lara Adrian

E o segundo passatempo do autor do mês de Julho está no ar!

Em colaboração com a Quinta Essência, o Pedacinho Literário tem o prazer de oferecer um exemplar do livro O Despertar da Meia-Noite, da autora do mês de Julho, Lara Adrian. 

Para se habilitar a ganhar este fabulos prémio basta que nos envie uma crítica a qualquer um dos livros da autora - O Beijo da Meia-Noite e O Beijo Carmesim. A melhor opinião ganha e será publicada aqui no Blogue, na rubrica ‹‹autor do mês››. 
Envie-nos a sua apreciação para: pedacinho.literario@gmail.com, juntamente com o seu nome e morada.

O passatempo decorrerá até às 23h59 do dia 30 de Julho (sábado). Cada participante pode participar com uma ou mais opiniões e só são aceites participações de residentes em Portugal Continental e/ou Ilhas.

Hex Hall, Rachel Hawkins



Título Original: Hex Hall
Autoria: Rachel Hawkins
Editora: Gailivro
Colecção: Mil e Um Mundos
Nº. Páginas: 228
Tradução: Maria João Freire de Andrade


Sinopse:

Virei-me para sair, mas a porta fechou-se a poucos centímetros da minha cara. De repente, um vento pareceu soprar através da sala e as fotografias nas paredes chocalharam. Quando me virei de novo para as raparigas, estavam as três a sorrir, os cabelos a ondularem-lhes a volta dos rostos como se estivessem debaixo de água.
O único candeeiro da sala tremeluziu, e apagou-se. Eu apenas conseguia distinguir faixas prateadas de luz que passavam sob a pele das raparigas, como mercúrio. Até os olhos brilhavam.
Começaram a levitar, as pontas dos sapatos regulamentares de Hecate mal tocando a carpete musgosa. Agora, já não eram rainhas do baile de finalistas, nem supermodelos – eram bruxas, e até pareciam perigosas.
Apesar de me debater contra a vontade de cair de joelhos e colocar as mãos acima da cabeça, pensei, “Eu também seria capaz de fazer aquilo?”


Opinião:
  
Não sendo o melhor livro escrito até ao momento nem, tão-pouco, uma obra-prima, Hex Hall é, isso sim, uma diversão do princípio ao fim. Dotado de um humor negro muito próprio proporcionado pela perspectiva pessoal de uma protagonista sarcástica e sem receios de dizer o que pensa, Sophie Mercer, o leitor é embalado numa história tanto invulgar como, ao mesmo tempo, semelhante a muitas outras sobre a ida de uma jovem bruxa para uma escola de correcção magica onde só são aceites fadas, bruxas e mutáveis (e, muito recentemente e a título experimental, também vampiros). É esta nova abertura no quadro estudantil de Hecate Hall que desencadeia toda uma insegurança e desconfiança entre colegas professores e alunos quando, do nada, surgem ataques inesperados e indecifráveis a estudantes em que, a prova mais evidenciada é uma marca de dentada de vampiro.

O ponto alto de Hex Hall é, sem sombra de dúvida, a sua personagem principal. Sophie Mercer brinda o leitor com uma personalidade extrovertida mas não popular, auto-depreciativa mas extremamente singular, conferindo uma certa necessidade compulsiva em continuar a ler e a rir. Para quem entender as piadas respeitantes à cultura pop este será um daqueles livros imperdíveis pelo seu extenso humor e leveza narrativa. Confesso ter soltado uma valente de uma gargalhada em praticamente cada página, o que me divertiu imenso e me motivou em prosseguir na leitura.
O romance entre Sophie e o seu interesse amoroso é outra das características superficialmente positivas. Algo previsível – quantos livros deste género já não encontrámos pelo caminho? -, este sucede-se de forma gradual e sem excessos do “se estar perdidamente apaixonada e não se sobreviver sem esse amor” habitualmente encontrado noutros títulos. Ainda que, por vezes, a protagonista se deixe levar por devaneios sobre essa paixoneta involuntária que se manifesta a olhos vistos, todas as referências, além de justificadas, são em número restrito por forma a não se tornar uma repetição constante e o mote principal da história. Por isso, dentro da típica abordagem romântica cliché folheada noutros livros de igual estrutura narrativa, este até é dos melhorzinhos que li até então.
Fiquei ainda agradada com as diferentes personalidades reveladas ao longo do livro. Embora ocasionalmente um pouco ocas e estereotipadas, ou seja, desprovidas de uma certa vivacidade e originalidade, o que, em consequência, não permite um desabrochar das mesmas quando está bem claro o caminho traçado por elas a seguir, ainda assim conseguiram transparecer um pouco de interesse e sedução que, inevitavelmente e ajudado pela ironia da protagonista, cativam o leitor. No entanto, Hex Hall é um livro com muitos pontos negativos. E o primeiro surgiu imediatamente nas primeiras páginas quando um óbvio lobisomem revestido a pêlo se volta a transformar em humano e, magicamente, tem o uniforme da escola vestido e impecável! Esta é daquelas situações que adoro encontrar mas que, ao mesmo tempo, simplesmente não suporto.

Fiquei, maioritariamente, desiludida com o facto de, sendo um obra do género da fantasia urbana juvenil, com uma protagonista de peso que é uma bruxa negra, não haver uma quantidade plausível e minimamente satisfatória de magia (qualquer tipo de magia!). Estamos perante uma escola que não só ensina como serve de reformatório para aqueles que se expuseram em demasia aos humanos e a verdade é que os momentos verdadeiramente místicos são incrivelmente reduzidos. Temos uma ou duas transformações por parte dos mutáveis, uns quantos feitiçozecos simples e sem grande importância e umas fadas maldosas que adoram arrebitar as asas... e é só. Decididamente, não foi suficiente.
O tamanho da obra também não ajuda. Tendo um enredo breve para a enormidade de informação contida, é inevitável notar-se um certo descuramento no que diz respeito a algumas das explicações mais importantes (backgrounds de personagens e seres sobrenaturais, etc.) para a total – ou pelo menos melhor – compreensão, por parte do leitor, do mundo imaginário de Rachel Hawkins. E mesmo tratando-se de uma trama que se rege um pouco por cliché atrás de cliché, embora indubitavelmente humorados, uma vez que não apresenta uma originalidade por aí além, seria de esperar um maior cuidado na construção e condução da história. Ao invés, facilmente se encontra um pouco deste e daquele livro e, em última instância, nota-se uma atenção muito grande com o intelecto da protagonista de maneira a esta manter uma trama divertida e jovem mas, em relação ao desenrolar das acções em si e na forma como foram pensadas, dá a sensação de que não houve qualquer vontade em ser diferente e, assim, contempla-se um certo e desagradável descuido.
Por fim, não posso deixar de referir a linguagem. Tudo bem que se trata de uma obra juvenil e direccionada a uma camada muito específica da sociedade – ainda que um leitor mais velho também possa achar alguma piada ao conteúdo do livro – mas achei desconfortável e abusivo a utilização de alguma da gíria jovem como “Iá” e “Ei”. São adolescentes de quinze, dezasseis e dezassete anos, alguns até mais novos, mas chegou a um ponto em que o “Iá” se tornou insuportável e extremamente irritante. De resto, foi das escritas mais suaves e acessíveis que encontrei.

Este pode não ser o melhor livro da história da literatura mas, não há dúvidas, de que Hex Hall tem uma narrativa divertida, energética e humorística e que, acima de tudo, é capaz de proporcionar muitos e bons momentos de leitura agradável e descontraída. Com Vidro Demónio já nas bancas e uma série de reviravoltas nas suposições e dados adquiridos como certos, com certeza será uma continuação a não perder... nem que seja para se tentar encontrar algumas das respostas às inúmeras questões deixadas em aberto. Dentro do género e do até então descoberto por mim, Hex Hall foi das leituras que, no final de contas, mais me agradou e motivou a continuar. 

terça-feira, 19 de julho de 2011

Novidade Casa das Letras - "Pecado Eterno", Kay Hooper

Alguns pecados não podem ser perdoados... porque há pecados a que ninguém sobrevive.

 
Título: Pecado Eterno
Autoria: Kay Hooper
N.º Páginas: 303

PVP.: 15,00€

Sinopse: Tessa Gray parecia a vítima perfeita, jovem, vulnerável e atraente,. E foi por isso que Noah Bishop, da Unidade de Crimes Especiais do FBI, a recrutou para que representasse o papel de uma viúva enlutada. Como pretensa proprietária de terrenos cobiçados pela Igreja do Pecado Eterno, seria um isco irresistível para o carismático e isolado reverendo Samuel.
O seu complexo fortificado, nas montanhas perto de Grace, na Carolina do Norte, foi a última morada conhecida de duas mulheres assassinadas sem que a ciência pudesse explicar como. Apesar de não ser de forma alguma tão ingénua ou vulnerável como aparenta, Tessa sabe que tem muito a aprender sobre o seu dom. Também sabe que Bishop e a UCE têm de estar desesperados para confiarem numa agente com poderes psíquicos e pouca experiência numa operação tão perigosa.
E, de facto, estão desesperados. Pois o assassino que perseguem é o mais aterrador com que alguma vez se depararam e abala até os agentes mais calejados: um líder de culto megalómano e impiedoso capaz de usar as armas, talentos e tácticas dos agentes contra eles. Ao entrar no complexo bem protegido do culto, Tessa estará a expor-se ao magnetismo sombrio de um psicopata dedicado a uma cruzada de terror que não poupa quaisquer vítimas, nem sequer as mais jovens. E Samuel resguarda-se numa congregação fanaticamente leal, cujos membros ocupam surpreendentes posições de poder no seio da comunidade.

Sobre a autora:
Kay Hooper é a autora premiada de Encontro com o Medo, Sleeping With Fear, Hunting Fear, Chill of Fear, Touching Evil, Whisper of Evil, Sense of Evil, Once a Thief, Always a Thief, bem como da trilogia Shadows e de outros romances. Vive na Carolina do Norte, onde se encontra a escrever o seu próximo livro.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O Despertar da Meia-Noite, Lara Adrian



Título Original: Midnight Awakening
Autoria: Lara Adrian
Editora: Quinta Essência
Nº. Páginas: 339
Tradução: Filipa Aguiar


Sinopse:

Parte humana, parte extraterrestre, a raça vive entre a humanidade há milhares de anos, mantendo uma paz provisória baseada no sigilo, no poder e na justiça feita pelos formidáveis guerreiros da Ordem.

Com uma adaga na mão e a vingança na mente, a bela Elise Chase percorre as ruas de Boston em busca de vingança contra os Renegados que lhe arrebataram tudo o que amava. Fazendo uso de um extraordinário dom psíquico, ela localiza as presas, consciente de que o poder que possui pode destruí-la. Tem de aprender a dominar o seu dom, e para isso pode apenas pedir ajuda a um homem: Tegan, o mais letal dos guerreiros da Raça.
Tegan, que não é alheio à perda, conhece a dor de Elise. Sabe o que é a fúria, mas quando mata os inimigos só há gelo nas suas veias. É perfeito no seu autodomínio até que Elise lhe pede ajuda para a sua guerra pessoal. Forja-se entre eles uma aliança – um vínculo que os unirá pelo sangue e que os mergulhará numa tempestade de perigo, de desejo e das mais sombrias paixões do coração.


Opinião:

Uma capa bonita; um nome sonante; um título curiosamente dark e um enredo de ler e chorar por mais... com toda uma combinação e primeira impressão visual como esta quem será capaz de lhe resistir?
Lara Adrian tornou-se uma das minhas autoras favoritas não só por escrever com clara paixão e empenho mas, também, por abordar de forma inteligente uma temática de que gosto (bastante!) – vampiros – e transformá-los nas armas mortíferas que verdadeiramente o são, em detrimento dos eternos adolescentes atormentados por uma existência mundana que por aí andam... Com um toque adulto e irreverente, Adrian selecciona, logo à partida, o seu público alvo e atinge-os com uma força selvagem ao transportá-lo para um novo e real mundo repleto de perigo, sedução e muito, muito sangue.

O Despertar da Meia-Noite começa da melhor forma possível, apresentando uma justificação bastante plausível dos sentimentos e pensamentos que penetram o íntimo de Elise Chase, através das suas acções fatais. Sem medos ou constrangimentos, Elise coloca-se diariamente em risco ao perseguir Renegados em busca de um pouco de vingança – e paz de espírito – e do cumprimento de uma “velha” promessa. Destroçada com a morte do seu companheiro e, mais recentemente, do seu único filho, Cam, Elise abandona a segurança do Refúgio e procura um outro tipo de aconchego em qualquer morte merecida e por si executada. Todas as suas decisões e determinações servem para mostrar ao leitor uma faceta mais forte e resistente da sua personalidade em contradição de uma certa (e natural) fragilidade encontrada no volume anterior desta fabulosa série, O Beijo Carmesim.

Sendo uma personagem já conhecida do leitor e, acima de tudo, estando de igual modo dentro do universo nocturno e vampírico que rege as vidas daqueles que foram agraciados com um dom único e especial, o grande maioria dos clichés inevitavelmente descobertos ao termos uma protagonista que se apaixona por um impiedoso sugador de sangue e que, por isso, decide fugir colocando-se em perigo mas que depois, milagrosamente, é salva por ele e, assim, toma consciência de que o seu amor persiste são imediatamente colocados de lado e, consequentemente, o leitor sente-se mais facilmente ligado à própria trama visto ser instantaneamente absorvido para o interior misterioso desta. Desse modo, o drama romântico é submetido para segundo plano e, em evidência, surge uma narrativa intensa, intricada e imensamente recheada de reviravoltas e momentos inesperados. Dado a acção ser constante, assim como as surpresas, torna-se complicado, para o leitor, colocar o romance de lado. A verdade é que Lara Adrian volta a superar todas as expectativas ao presentear o leitor com uma obra ainda mais completa, persuasiva e sedutora que as duas anteriores. E o melhor de tudo é que Adrian oferece informação sobre os imprescindíveis acontecimentos dos romances passados para a total compreensão do actual permitindo assim ao leitor desfrutar de uma leitura agradável sem ter, necessariamente, de ler a série pela sua ordem normal.

Quanto a Tegan, a atracção é inegável. Um dos motivos pelos quais gostei tanto deste livro cinge-se a isso mesmo – Tegan. Sendo este um dos meus guerreiros de eleição foi um gigantesco prazer folheá-lo. Ele é arrogante, insensível e simplesmente fatal e, no entanto, com Elise consegue mostrar um lado mais calmo e acometido, um lado pouco usual mas inexoravelmente apreciado num guerreiro tão solitário e flagelado como ele. A construção do romance em si, entre as duas personagens, é espantoso e, em última instância, incrivelmente intenso e credível. O tormentoso passado que envolve a existência de ambos e o início de um caminho face a sobriedade e a felicidade do amor açoita-os ao ponto de nenhum querer dar o primeiro passo. No entanto, sendo ambos viúvos à sua maneira, torna-se inevitável (e provavelmente esperado desde O Beijo Carmesim) o ajuntamento e apoio que acabam por exercer um no outro. Ainda assim, não deixa de ser uma relação complicada, com os seus altos e baixos, inicialmente fomentada num vínculo forçado mas que, progressivamente, caminha a passos largos em direcção ao verdadeiro amor e solidariedade.

A apresentação de novos personagens é mais um dos trunfos deste livro. Aparecem dois novos guerreiros da Ordem, Kade e Brock que, embora não desempenhem um papel muito activo neste livro, deixam a porta aberta para futuras (e presumivelmente muito boas) intervenções. O leitor é também agraciado com um, ainda que algo superficial, ajustamento de Stearling Chase ao grupo de guerreiros e com a brutalidade e indiferença emocional com que este enfrenta as diversas situações dirigidas à morte de Renegados (e esbirros). Ainda a referir fica o nome de um outro ser nocturno que muitas promessas deixou no ar... Andreas Reichen. Sem dúvida uma personagem a lembrar futuramente. Quanto a personagens já nossas conhecidas, fiquei siderada com o reaparecer de Rio. O seu desenvolvimento pessoal e mudança de perspectiva inicia-se precisamente neste livro, seguindo caminho para o volume seguinte em que lhe tomará as rédeas como protagonista masculino principal.

Outro dos pontos de relevo em O Despertar da Meia-Noite refere-se ao envolvimento e intervenção (mais ou menos explícita) de todas as Companheiras de Raça ligadas aos guerreiros da Ordem – e também de Elise – não só na percepção da peça chave para o problema maioritário especificamente deste volume como de igual modo para a identificação de novos esconderijos de Renegados. Resumidamente, todas as quatro mulheres desempenham um papel importante na conclusão de um dos elementos fulcrais e mais emblemáticos e misteriosos deste romance. O que me leva à descoberta final e posterior surpresa no que diz respeito às histórias que estão ainda por contar. Com a eliminação de um componente crucial no crescimento numérico do perigo, Adrian não deixa a sensação de “e tudo vai ficar bem” durar muito tempo, inserindo rapidamente, e mesmo na recta conclusiva da obra, um factor assustador e, ao mesmo tempo, intrigante e do qual o leitor não estava à espera.

Em suma, O Despertar da Meia-Noite é, claramente, a melhor e mais perspicaz das três obras até então publicadas em Portugal. Dotado de uma ambiência obscura e envolvente, embriagando o leitor não só de sensualidade (e sexualidade) como também de adrenalina, suspense e um número incontável de quebras de fôlego. Tegan faz jus à sua reputação mas Elise não se deixa ficar atrás, concluindo assim mais uma união perfeita e harmoniosa. Com muita acção e muito, muito sangue, O Despertar da Meia-Noite é a continuação que qualquer amante da fantasia sensual não quererá perder.
Perigosamente delicioso!
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