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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Carícias da Noite, Laurell K. Hamilton



Título Original: A Caress of Twilight
Autoria: Laurell K. Hamilton
Editora: Saída de Emergência
Nº. Páginas: 334
Tradução: Nanci Marcelino


Sinopse:

A maioria das pessoas conhece-me como Merry Gentry, detective privada, contudo o meu nome verdadeiro é princesa Meredith NicEssus e sou herdeira de um trono – se conseguir sobreviver o suficiente para o reclamar.
O meu primo, o príncipe Cel, está determinado a certificar-se de que não ser bem-sucedida. Enquanto estivermos os dois vivos, esta será uma disputa para obter a coroa: o primeiro a gerar um herdeiro ficará com o trono. Os homens da minha guarda real – guerreiros habilidosos – tornaram-se meus amantes, prestando provas para o papel de futuro rei e pai do meu filho. Claro que preciso da protecção deles, já que, eu sou meio humana e absolutamente mortal.
Mas agora, na Cidade dos Anjos, há pessoas a morrer de formas misteriosas e assustadoras. O que a polícia humana não sabe é que o assassino também anda à caça de seres feéricos. Pressinto que estamos perto do caos; a própria existência do sítio conhecido como o mundo das Fadas está em risco. Portanto, enquanto desfruto dos prazeres mais intensos com os meus guardas, tenho noção de que, brevemente, terei de enfrentar um demónio ancestral que poderá destruir a própria realidade – a vossa e a minha. E essa é só uma parte do meu trabalho...


Opinião:

Quando o mundo te oferece mil e uma noites de paixão para atingires o objectivo supremo para a tua própria segurança e nenhuma dessas oportunidades gera fruto, serás capaz de sobreviver aos mais inebriantes e mesquinhos esquemas políticos quando a tua mortalidade é, por si só, um problema?
Meredith NicEssus, princesa da Carne e futura herdeira do trono da Corte Unseelie – caso consiga conceber um filho antes do seu primo Cel –, decidiu voltar à sua já conhecida Cidade dos Anjos em busca de um pouco de «normalidade» e sossego, muito prazer e talvez, com umas pitadas de sorte, de nenhuma questão demasiado complicada de solucionar. Mas nem tudo é tão simples assim, e quando duas poderosas Cortes tentam mostrar quem detém o verdadeiro poder, surpresas incalculáveis – e nem sempre positivas para a nossa protagonista – é o que se pode aguardar.

Carícias da Noite é um livro altamente tensivo, que foi construído na base de uma série de confrontos pessoais e políticos, expressados ora por demonstrações físicas de poder ora por diálogos extremamente intencionais e opressivos. Embora seja uma narrativa mais compacta e até menos activa que o volume que a antecede, O Beijo das Sombras, não é por isso que deixa de ser interessante e, principalmente, inteligente. Carícias da Noite dignifica-se pela explosiva mistura de sentimentos que provoca no leitor, pelas revoltas que cria no seio dos Sidhe e pelas questões e dúvidas futuras que invariavelmente deixa no ar. Trata-se, acima de tudo, de uma continuação algo problemática em termos de enredo, de história, que, por um lado, também possibilita ao leitor ficar a conhecer melhor os candidatos a futuro rei e pai da possível criança de Merry, assim como de alguns segredos ocultos que fazem de uma Corte simbolizada pela luz e pela alegria, um local bastante mais negro e assustador.

Vários são os pormenores que perfazem desta trama uma das minhas favoritas dentro da fantasia urbana. É que para além de adorar o estilo inconfundível de Hamilton e de admirar a força e coragem com que construiu a protagonista desta série, Carícias da Noite é, também por si, um livro que marca pela diferença e pelas disputas retratadas. Por exemplo, temos uma personagem «sem nome»  incrivelmente aterradora que ao possuir em si a arte de vários deuses se transformou em algo não só poderoso (ao nível mais elevado do termo) como praticamente indestrutível – e nesse caso, como lutar contra tão virtuoso terror? Depois, temos o surgimento do segundo poder de Meredith, um dom bem mais terrível que a sua dádiva da Carne – e o que poderá ser mais assustador que isso?
De seguida, o leitor é confrontado com o desenvolvimento e conhecimento das personalidades e intenções que movem os guerreiros que asseguram a segurança da princesa. Só que esta guarda também tem medos, receios, e destrui-los é essencial. Por fim, é despertado um amor quase impossível entre Merry e um dos seus homens. Um sentimento que se propaga lentamente, de forma moderada mas extremamente intensa – e conseguirá um amor destes sobreviver à possibilidade de ser inteiramente negado, proibido?

Carícias da Noite é um livro sobre o qual me é algo complicado falar. Tenho sentido uma dificuldade imensa em conseguir expressar verdadeiramente a beleza com que está escrito, a rapidez com que se lê e a profundidade e cuidado conferidos tanto às personagens como a toda a narrativa em si. É uma série que me conquistou com O Beijo das Sombras, e que me fez apaixonar em Carícias da Noite. Para mim, uma magnífica aposta da Saída de Emergência, que sinceramente espero que cative todos os seus leitores, e que chame muitos mais. Uma série que vale a pena, sem dúvida. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Cadáver Trocista, Laurell K. Hamilton




Título Original: The Laughing Corpse
Autoria: Laurell K. Hamilton
Editora: 1001 Mundos
Nº. Páginas: 381
Tradução: Leonor Bizarro Marques


Sinopse:

Algum tempo depois estava numa plataforma elevada, de frente para um semi-círculo quase perfeito de espelhos. Com sapatos de salto alto cor-de-rosa a condizer, o vestido de dama de honor tinha o comprimento ideal. Tinha também pequenas mangas tufadas e era descaído nos ombros, revelando quase todas as minhas cicatrizes.
Um vampiro partira-me a clavícula e o braço esquerdo, ao morder-me. Tinha também a marca de uma queimadura em forma de cruz, no antebraço esquerdo. Parecia a noiva de Frankenstein num baile de finalistas. Catherine, a noiva propriamente dita, não concordava. Achava que eu merecia estar no casamento por sermos boas amigas e eu estava a gastar uma boa maquia para sofrer uma humilhação pública. De facto, devíamos ser boas amigas...


Opinião:

Que agradável surpresa!
Laurell K. Hamilton é uma das poucas autoras que tem vindo a “crescer em mim”, ou seja, o seu estilo inconfundível de combinar fabulosas heroínas com espectaculares e agressivos seres do sobrenatural não me passou despercebido tornando-se, inclusive, num tipo de escrita que me dá real prazer ler.
O Cadáver Trocista não podia ter sido mais empolgante e inesperado! Depois de um começo lento e algo comprometedor, dotado de um imenso espaço de crescimento e desenvolvimento, Hamilton soube voltar a captar as atenções com um segundo volume sedento de sangue e dominado por uma perigosa atmosfera capaz de induzir os mais tenebrosos e assustadores pesadelos.

Vagueando solitária pelas ruas de St. Louis, uma criatura ávida por destruição percorre os casebres mais escondidos gerando o completo caos por onde passa. Sem ninguém apto a descobrir o motivo de tão horrendos cenários, origem de tamanha barbaridade ou localização de tão complexo animal, resta a Anita Blake reunir os seus conhecimentos e fazer um pouco da sua magia... talvez assim consiga revelar o monstro que se esconde durante o dia e violentamente ataca durante a noite. Juntamente com a desagradável notícia de que o novo Mestre da Cidade exige uma reunião com ela e dos confrontos gerados em torno de um humano que a quer forçar a animar algo que deveria de continuar enterrado para todo o sempre, está bastante claro que, para Anita Blake, apresenta-se mais uma semana difícil, com poucas horas de sono e muitas, muitas nódoas negras...

Para além de um enredo bastante mais consciente, conciso e delineado, Laurell K. Hamilton tomou a decisão correcta ao não preencher as páginas de O Cadáver Trocista com um incontável número de intervenientes e pequenas participações que, ou não trariam nada de novo à história ou simplesmente iriam desaparecer no futuro – por exemplo, algumas personagens de Prazeres Inconfessos não são sequer referidas nesta continuação da série. Assim, não só a própria trama se apresenta mais limpa como igualmente possibilita tanto à autora como ao leitor concentrar-se nas personagens de maior relevo e nos seus respectivos desenvolvimentos, desejos e vontades. Em adição, até o “problema” principal que tece as teias de toda a parafernália de acontecimentos que assistem estas páginas acaba por deter um pouco mais de destaque e consistência, tornando a narrativa incrivelmente mais viva e entusiasmante.

Relativamente às personalidades importantes que dão voz a esta série, não posso deixar de voltar a referir Anita Blake que, de uma forma maravilhosa, continua a ser a alma do livro. Ela é tudo o que uma heroína poderia alguma vez sonhar ou aspirar a ser, e um pouco mais, com uma humanidade espantosa e uma fragilidade muito apropriada presentes na mesma equação. Sem dúvida uma mistura explosiva de violência, adoração por peluches fofos, ironia e feminilidade. A meu ver, uma protagonista cinco estrelas e simplesmente fenomenal.
Também igualmente cativante mas com uma menor margem participativa está Jean-Claude que persiste em manter uma atitude misteriosa – embora imensamente poderosa – e até persuasiva e sedutora tanto para com Anita como para com o leitor. Pessoalmente, gostava de o ter lido com uma maior frequência neste romance mas, visto ser unicamente uma perspectiva pessoal e não de proporcionar algo mais à história, finita a sua leitura chega-se à conclusão de que tudo foi entregue em igual e necessária medida, criando desse modo um muito bom conjunto de situações, resoluções e viragens inesperadas.
Dominga Salvador é, também ela, uma personagem por demais determinada, enigmática e repleta de duplicidade. Se por um lado aparenta a instabilidade da idade que carrega, por outro guarda toda uma quantidade exorbitante de malevolência e mesquinhez, num espírito vingativo que ninguém quereria despertar.

Para o futuro, fica o desejo de querer ler mais sobre Anita Blake e a sua extremamente atribulada vida assim como a vontade de conhecer mais e melhor todas as personagens que perfazem de O Cadáver Trocista uma excelente leitura para aquecer nestas noites particularmente frias. Uma aposta que espero continuar a acompanhar pela mão da 1001 Mundos

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Prazeres Inconfessos, Laurell K. Hamilton



Título Original: Guilty Pleasures
Autoria: Laurell K. Hamilton
Editora: Gailivro
Colecção: Mil e Um Mundos
Nº. Páginas: 367
Tradução: Leonor Bizarro Marques


Sinopse:

«Monica Vespucci usava um crachá que dizia “Os Vampiros também são Pessoas”. Não era um início de noite prometedor. Tinha cabelo curto, habilmente cortado, e uma maquilhagem perfeita. O crachá devia ter-me alertado para o tipo de despedida de solteira que planeara. Há dias em que sou demasiado lenta a perceber as coisas.
Eu usava jeans negros, botas até ao joelho e uma blusa carmesim, de mangas compridas, para esconder a bainha da faca que trazia no pulso direito, e as cicatrizes no meu braço esquerdo. Deixara a minha arma na mala do carro, pois não achava que a despedida de solteira se pudesse descontrolar por aí além... »


Opinião:

Laurell K. Hamilton não me é totalmente desconhecida. Aliás, foi uma das autoras que, este ano, maior surpresa provocou em mim. Fiquei indubitavelmente deliciada com a sua escrita e perspicácia literária e, por isso, foi com grandes expectativas que parti para a leitura de uma das grandes e provavelmente mais desejadas apostas da 1001 Mundos para este ano – Anita Blake com o seu primeiro Prazeres Inconfessos.

O conceito em si, a ideia base da narrativa é deveras intrigante e apelativa. Laurell K. Hamilton conseguiu construir uma estrutura inteligente e ousada, centrando-se numa análise mais pura e sangrenta de uma das criaturas sobrenaturais que maior fascínio e audácia provoca no leitor – os vampiros. Igualmente abordando outros “monstros” do fantástico, como os carniçais (pouco comuns), os zombies e até algumas beldades de muito pêlo, a autora permitiu que o foco se manifestasse um pouco por todo o lado, criando situações de interesse aqui e ali. No entanto, e a nível pessoal, não creio que tenha sido o suficiente. Esperava mais deste livro – muito mais! – e penso que até retirei um pouco de desilusão e angústia desta leitura. Compreendo que estejamos perante um livro introdutório, um primeiro volume por forma a desenvolver alguma familiaridade e uma certa ambiência no leitor mas seria muito pedir um pouco mais? Um pouco mais de energia, de vivacidade, de empenho? A verdade é que, em comparação com o outro livro da autora publicado em Portugal – por uma editora diferente – este quase que não soube a nada e, sem dúvida, que lhe ficou muito aquém. Talvez se deva pela inexperiência da autora na altura em que escreveu Prazeres Inconfessos mas não creio que seja um justificativo assim tão plausível.
Pelo menos, a personalidade da protagonista arrebata tudo. Se não fosse a personagem principal seria capaz de catalogar este livro como um erro de mercado mas, graças a Deus, existe Anita Blake! Ela possuí todas as características que uma líder literária deve ter – um humor afincado e aguçado, uma destreza assombrosa e nada de «papas na língua». É possível que tenha problemas com alguns vampiros, que outra coisa se poderia esperar?, mas nada que uma cruz e um pouco de água benta não resolva.
As características aprisionadas aos seres da noite foram outra surpresa. Fiquei agradavelmente assombrada com o bar que dá nome a esta obra, o Prazeres Inconfessos, e com os prazeres que ele efectivamente inconfessa. Este serviu ainda de mote introdutório, para o leitor, por forma a deparar-se com uma espécie imortal extremamente mortífera e fatal. Mesmo não apresentando nada de novo, trata-se de uma conjugação muito satisfatória entre os lados mais primitivo e racional do vampiro. Fica também uma pequena e positiva nota para o comportamento dos zombies quando reanimados.

Em contrapartida, encontrei um enredo confuso e pouco energético. Acção é o que não falta – numa semana de trabalho, Anita Blake é capaz de chegar todos os dias a casa física e psicologicamente massacrada. Contudo, e principalmente no início, a trama apresenta-se de forma algo incoerente e sem nexo. Pessoalmente, achei algumas cenas demasiado longas e outras simplesmente despropositadas. Uma, em especial – o retrato de uma luta entre dois poderosos seres –, deixou-me na ignorância até quase cinco ou seis páginas depois. Foi tudo tão apressado, na descrição, e descuidado, que me senti, efectivamente, perdida.
Outra infelicidade foi o amarfanhar inconstante de personagens secundárias. Embora não sendo em demasia, a verdade é que muitas delas ficam por se conhecer. Temos a sua presença, o seu contributo e, por vezes, a sua ajuda e/ou auxílio mas, no que diz respeito a o leitor ficar a conhecer alguma coisa do seu íntimo, propósito ou background, zero. Porém, algumas são intrigantes e muito, muito atraentes. Nomeio, a título de exemplo, Edward – com o seu mistério e áurea sombria –, Jean-Claude – que, mesmo ausente durante grande parte da narrativa, continua a exercer uma pressão verdadeiramente vampírica e sedutora no leitor – e Nikolaos – uma menina graciosamente inocente e malévola, tudo ao mesmo tempo.
Mais problemático ainda foi a péssima revisão de Prazeres Inconfessos. O descuido foi enorme e não fosse a falta de acentuação nalgumas palavras crime suficiente, também há a falta das mesmas! Muitos “que”, “o”, “a”, entre outros, ficaram por encontrar... e ainda que inicialmente dê a ideia de não ser nada de especial ou importante, o facto de estar fortemente presente em todo o livro, praticamente página por página faz, não só, que a concentração do leitor se vá despedaçando aos poucos como, de igual modo, que o leitor, por vezes, tenha de recuar na leitura por forma a perceber o real sentido da frase que acabou de ler, e que aparentemente também ficou perdido algures.

Por fim, não posso terminar sem abordar a questão de capa e da premissa enganadora. Há quem não goste e gostos não se discutem – só às vezes – mas acho a capa deste livro unicamente deslumbrante. Todo o vermelho alusivo ao sangue, com o néon nas letras e a sensualidade carismática na mulher retratada com o fundo imenso e obscuro de uma cidade em plano estado de vida deixam no leitor a sensação de uma grande e muito boa obra do género fantástico mais leve. Primeiro erro. Depois, temos a frase que a acompanha: «O que fazer quando o monstro que jurámos matar se converte no homem sem o qual não podemos viver?» e que é, sem dúvida, muito prometedora mas... sejamos honestos, que homem é esse exactamente? E de que forma não consegue a protagonista viver sem ele? É que enquanto o livro transborda sensualidade sanguínea e violenta, a carga sexual e intensa que a capa e a premissa deixam no ar é inexistente. Fiquei sem saber de que homem se fala nem em que sentido Anita se sente profundamente ligada a ele. Sim, temos uma espécie de ligação, ainda pouco explicada e entendida, de sangue com uma dita personagem que gostei muito mas também temos uma espécie de conexão emocional com outra, só que, fora isso, estou completamente em branco. Qual dos dois será? Ou melhor, será que é algum deles? Fica a dúvida...

Prazeres Inconfessos poderia ter sido muito mais. No entanto, fica uma certa curiosidade por saber o que vai acontecer a seguir. Irei continuar a acompanhar esta série, convicta de que o próximo volume será melhor mas, até lá, não sei se conseguirei manter Prazeres Inconfessos vivo na minha mente. Esta é, decididamente, uma perspectiva diferente que Hamilton oferece aos seus vampiros mas começo a achar que talvez ela se dê melhor com fadas. Vamos ver o que se segue... 

terça-feira, 26 de abril de 2011

O Beijo das Sombras, Laurell K. Hamilton



Título Original: Kiss of Shadows
Autoria: Laurell K. Hamilton
Editora: Saída de Emergência
Nº. Páginas: 447
Tradução: Nanci Marcelino


Sinopse:

Os mais supremos seres sobrenaturais são fadas Sidhe, uma raça tão bela e poderosa que foi em tempos adorada como os deuses. Não são só luxuriosos, como incrivelmente bons amantes. Quanto têm sangue real... são literalmente viciantes. Fadas de sangue puro não toleram as cidades e raramente vivem entre os humanos. Mas Meredith Gentry não é de puro-sangue. Ela tem sangue humano e por isso é mortal. Talvez também por isso, sinta que não pertence a lugar nenhum.
Meredith Gentry, princesa da corte real das Fadas, faz-se passar por humana em Los Angeles, onde trabalha como detective privada. Mas, agora, o carrasco da rainha foi enviado para a levar de volta para casa – quer ela queira quer não. Subitamente, Meredith vê-se como um mero peão encurralado nos terríveis planos da sua tia. A tarefa que a aguarda: desfrutar da companhia constante dos homens imortais mais bonitos do mundo. A recompensa: a coroa – e a oportunidade de salvar a sua vida. O castigo por fracassar: a morte.


Opinião:

O Beijo das Sombras foi, em absoluto, uma muito agradável surpresa. Com um mundo intricado e tão imensamente desejado pelos humanos, Laurell K. Hamilton apresenta um primeiro volume de uma série cheio de luxúria, provocações, atentados de morte e muita, muita sensualidade. Claramente, um romance de fantasia que não deixará nenhum amante do género indiferente, incrível pela sua escrita belíssima e curiosa ao olho meramente mortal. Uma excelente nova aposta da Colecção BANG, pela Saída de Emergência, que, uma vez mais, entrega o que promete: uma história envolvente, com personagens muito bem trabalhadas e uma trama que mantém o leitor agarrado do principio ao fim.

Meredith Gentry é a princesa Sidhe há muito desaparecida e que agora tenta manter o seu disfarce de se passar por humana, trabalhando numa agência de detectives de seres feéricos, de modo a evitar ser encontrada por qualquer membro real da Corte. Há quem pense que ela fugiu por não mais aguentar a dor de um coração partido mas a verdade é que Merry abandonou, de um momento para o outro, a Corte Unseelie devido aos inúmeros duelos para os quais era constantemente convocada e de onde, dificilmente, continuaria a sair viva. Assim, deixou para trás a sua família e os seus amigos e partiu para Los Angeles onde acabou por se adaptar e encontrar novas alianças... até agora.
Este é um daqueles livros em que a força da personagem principal é avassaladora. Merry é destemida, aventureira e extremamente segura de si, porém, é o seu medo irracional de ser encontrada e morta por membros reais da Corte Unseelie que também a torna ponderada e incrivelmente astuta. Ela é fantástica, detentora de um poder raro e de uma mortalidade frágil que a transformam num alvo fácil mas nem assim ela é mulher para baixar armas, lutando do início ao fim. Ser guiado por uma personagem assim é como o mais doce aroma da primavera que insiste em nos atormentar com as mais deliciosas visões de um mundo mágico distanciado mas demasiado tentador. No entanto, e embora o livro esteja recheado de um entra e sai de personagens dos mais variados tipos e feitios, a grande maioria deles é, igualmente, fantástica, apelativa e bastante cativante. Como disse anteriormente, a própria Merry é estupenda, uma heroína mestiça do seu mundo, uma personagem de fazer o leitor apaixonar-se, mas também temos outras entradas como, por exemplar, Frost, o assassino gelado e segundo em comando da Guarda da Rainha, um homem de uma beleza estonteante e de uma calidez intrigante, ou então Andais, a rainha estupendamente cruel e arrogante. Se calhar, Sholto? O rei dos Sluagh e cuja aparência por mais perfeita que pareça esconde algo terrivelmente grotesco por baixo de refinadas vestimentas, ou até mesmo Barinthus, aquele homem incrivelmente alto e cuja sensação primária ao avistá-lo é um inalar profundo da brisa do mar. Não interessa quantos são nem quanto tempo permanecem no activo, toda a gama de seres Sidhe e feéricos é incrível, havendo de tudo um pouco, desde duendes a gigantes, passando por seres do mar como roane e indo até às pequenas fadas com asas de borboleta cuja forma de alimentação até faz arrepiar. A acrescentar a um fabuloso leque de intervenientes, temos um ambiente maravilhoso, onde a oportunidade de o leitor tanto apreciar a perspectiva real e humana dos locais de acção como a mágica, permite um melhor entendimento de todo o pensamento e movimento por parte dos seres feéricos. Apesar de muito poucos conviverem com humanos e estes últimos terem pleno conhecimento da existência dos primeiros, pessoalmente, gostei imenso da atmosfera real de Los Angeles em que, mesmo com artes mágicas, Merry tem de lidar com o humano comum. Porém, serão muitos desses conhecimentos que a manterão viva, o maior tempo possível, uma vez chegada à Corte Unseelie.

A escrita de Laurell K. Hamilton é simplesmente deliciosa. Atenta aos detalhes nas descrições dos sentimentos e sensações durante todos os actos e propensões sexuais mas também incrivelmente atraente e sedutora na descrição dos movimentos dentro da corte, na caracterização dos personagens (aspectos físicos de cada um) e no próprio ambiente envolvente. Igualmente tentadora é a sua criatividade. Laurell K. Hamilton apresenta, com o seu O Beijo das Sombras, uma abordagem feérica completamente inovadora. Esqueçam os vampiros e os anjos, os lobisomens e os mortos vivos, estas fadas, estes esplendorosos Sidhe, vieram para roubar o lugar a qualquer ser sobrenatural que se coloque nos seus caminhos. Já não estamos perante aquelas criaturas pequenas, belas e simpaticamente amorosas. As fadas tornaram-se excelentes homens e mulheres, poderosas na sua sexualidade, governadas por uma rainha cuja vontade fortemente roça o sadismo, e cada vez mais propensos a actos de pura vingança e crueldade.
Embora tenha uma conotação sexual, uma vez que o sexo é como uma moeda de troca, de estabelecer alianças, de ir de encontro ao verdadeiro poder entre os Sidhe, assim como um meio de reprodução, não achei O Beijo das Sombras excessivamente provocador. A linguagem não é tão crua, apresentando-se, inclusive, muitas vezes sensível e todas as cenas encontradas estão devidamente fundamentadas. A nível pessoal, gostei imenso deste livro. Foi uma leitura que me levou por mundos nunca antes explorados, por mim, e cujos pormenores dos vários tipos de poder, das hierarquias dentro da corte e dos inúmeros seres feéricos me fez, totalmente, as delícias.

Um livro intenso e inovador. Uma leitura extremamente agradável, aprazível, que deixará o leitor completamente encantado e viciado tanto nesta personagem principal magnifica como na escrita de Laurell K. Hamilton. Pessoalmente, mal posso esperar pela publicação do próximo volume! 
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