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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A Resistência - Ninguém Pode Decidir por Ti, Gemma Malley



Título Original: The Resistance
Autoria: Gemma Malley
Editora: Editorial Presença
Colecção: Noites Claras, N.º 11
Nº. Páginas: 317
Tradução: João Martins


Sinopse:

A Resistência é a obra que vem dar continuidade a O Pacto – O Crime de ter Nascido, que a Presença publicou também nesta colecção. Continuamos no ano de 2140. A imortalidade foi alcançada, através de um compromisso, o Pacto. Peter e Anna são dois Excedentes, duas crianças que não deviam ter nascido e que apesar de viverem como «legais» continuam a rebelar-se contra as leis do estado. Peter recebe a missão de descobrir o que se passa no programa secreto de Longevidade e é então que descobre uma verdade aterradora que o fará questionar tudo aquilo em que sempre acreditou, e até mesmo a sua lealdade para com Anna, a jovem que ama. O suspense e a adrenalina mantêm-se, neste segundo volume, a níveis quase insustentáveis.


Opinião:

É verdadeiramente espantosa a forma como uma realidade típica ficcional futurista pode parecer, ao mesmo tempo, tão próxima e passível de acontecer em detrimento de se manter somente impressa no papel. Ao ler O Pacto – O Crime de ter Nascido, recordo-me da revolta e desconforto sentido, maioritariamente devido a certas atitudes e atrocidades cometidas por supostos seres humanos emocionais e racionais – embora, em grande parte das vezes, se assemelhassem mais a puros animais selvagens. Com A Resistência – Ninguém Pode Decidir por Ti, em vez de esse sentimento atroz desaparecer ou ser atenuado, posso confirmar ter antes sido exponencialmente aumentado, principalmente ao deparar-me com certos comportamentos contra a vida humana e a integridade feminina levados a cabo em nome do progresso científico.

Novamente, são as personagens um dos pontos de maior destaque presentes nesta obra. Se anteriormente o leitor teve a oportunidade de ficar a conhecer o interior de Grange Hall e o modo como os Excedentes guiam os seus pensamentos e acções – ou, por vezes, a falta deles – sobretudo pela voz de Anna, agora é Peter quem toma as rédeas da narrativa mostrando assim não só a sua perspicácia e calidez como, de igual modo, a sua vulnerabilidade e susceptibilidade.
Visto ter de ir trabalhar para a Pincent Pharma, uma herança de família e considerada a maior e mais importante e prestigiada empresa do mundo dado ser lá que é manufacturada a Longevidade, Peter vê-se encurralado entre as missões recebidas pela Resistência e a pressão constante do avô em que assine o Pacto. Em acréscimo Peter tem ainda de lidar com umas quantas dúvidas e questões que surgem pelo caminho, confrontos com o impossível e inimaginável e, ainda, a possibilidade de a sua relação com Anna e Ben não passar de um erro colossal.
Em termos de personagens secundárias, temos uma estreia incrivelmente interessante e apelativa, no papel de Jude, e um desenvolvimento inesperado e deveras cruel na pele de Richard Pincent, uma figura de grande porte e respeito. De igual referência, continuamos com uma Anna compassiva e extremamente carinhosa, um Pip mais activo e misterioso e todo um rol de novas aparições que vêm contribuir para o desenvolvimento de muitas das surpresas descritas neste romance.

O enredo permanece curioso e expectante, mantendo o leitor sintonizado com as emoções vividas pelas personagens e com as acções que essas emoções despontam. E uma vez que tanto Peter como Anna conseguiram sobreviver a Grange Hall e ultrapassar a condição de Excedentes, é também possível perceber o modo de funcionamento da sociedade exterior, ou seja, do mundo Lá de Fora, particularmente no que diz respeito ao crescimento populacional e ao aperfeiçoamento da Longevidade+.
A recta final de A Resistência é simplesmente assombrosa. Se, até às últimas cerca de cem páginas, a trama se tem conservado neutra, informativa e ligeiramente centrada no assinar ou não assinar do Pacto por parte de Anna e Peter, então, nas páginas finais, surge uma reviravolta tal que a adrenalina não só é levada ao seu exponente máximo como o leitor fica momentaneamente esquecido de como se respirar. Os acontecimentos são tantos e tão variados e as emoções colocadas tão à flor da pele que, até ao virar da página trezentos e dezasseis é impossível para o leitor descansar ou, inclusive, colocar o livro de lado.

Em comparação com O Pacto, A Resistência apresenta uma abordagem muito menos pessoal e bastante mais interactiva de um tema altamente desejado nos dias de hoje e decididamente intrigante. Mesmo retendo a sua atenção em Peter, nota-se um certo equilíbrio social e a nível da participação de outras personagens que em O Pacto dificilmente se encontra tão presente. Ainda assim, posso afirmar ter adorado esta obra e esta escritora que, sem dúvida, passará a integrar a minha lista de autores altamente apreciados.

Em suma, A Resistência não se cinge pela exposição de acontecimentos ou descrição de emoções, muito pelo contrário. Duplamente revolucionando um tema mediático e, com certeza, cada vez mais estudado e explorado a nível científico, A Resistência é um daqueles livros que agarra o leitor do princípio ao fim, fazendo-o reflectir não só na sociedade em que vivemos como também para o futuro a que caminhamos. Não é fácil prever o que vem aí... mas será possível e credível alcançar um tal estado de inovação em que as pessoas simplesmente poderão viver para sempre? E se sim, o que acontecerá depois?
Se a imortalidade humana é um daqueles tópicos que o fascina ou o deixa intrigado, então não pode mesmo perder a fabulosa história criada pela mente de Gemma Malley... não pode, de todo! Outra excelente aposta da Editorial Presença, e uma autora que espero, ansiosamente, pela publicação de um próximo trabalho.

Para mais informações sobre a obra, consulte aqui!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Pacto - O Crime de ter Nascido, Gemma Malley



Título Original: The Declaration
Autoria: Gemma Malley
Editora: Editorial Presença
Colecção: Noites Claras, N.º 1
Nº. Páginas: 287
Tradução: João Martins


Sinopse:

Planeta Terra, ano 2140. O desenvolvimento da ciência trouxe aos humanos a possibilidade de se tornarem imortais, e com ela um terrível dilema... Dada a escassez de recursos, a imortalidade só é garantida à custa da renúncia à descendência. O Pacto é o compromisso que sela tal decisão. Quebrá-la é ir contra as leis da Natureza, e as consequências são, no mínimo, aterradoras. Anna conhece-as demasiado bem. É uma Excedente, uma criança que não deveria ter nascido. Desde bebé que está em Grange Hall, a instituição que prepara todos os Excedentes para o terrível destino que os espera no mundo exterior. Mas um dia recebe a visita de Peter, um jovem Excedente, rebelde e misterioso, que vem revolucionar para sempre a sua visão de si própria e do mundo... Uma estreia absolutamente original.


Opinião:

Noites Claras, da Editorial Presença, é das colecções literárias que maior prazer me dá descobrir e acompanhar. Abordando temas importantes e muitas vezes conflituosos mas com um estilo mais juvenil, no final de contas, acaba sempre por apresentar enredos bem delineados e intrincadamente construídos que tanto servem de entretenimento para os mais jovens como para grande parte dos adultos que procuram um tipo de escrita e história mais reflexiva, complexa e profunda. Com O Pacto – O Crime de ter Nascido, o primeiro livro editado desta fantástica colecção, as expectativas são colocadas bem lá no alto e a revolta rapidamente se transforma num dado adquirido, numa emoção constante aquando de uma leitura violenta e, no mínimo, intrigante.

O enredo é, provavelmente, o ponto mais alto e forte de todo o livro. Tendo acção num Planeta Terra 129 anos mais avançado que o nosso actual, concentra-se na vida corrente de um grupo de rapazes e raparigas indesejados – os Excedentes – que, ao nascerem fora das leis do Pacto assinado pelos seus progenitores, os torna automaticamente ilegítimos de sobrevivência. Assim, estes jovens não têm outra escolha que não passarem os seus dias em casas correctivas para Excedentes, neste caso, Grange Hall, onde, à base de regras muito especificas e privações físicas, são ensinados a tornarem-se Úteis. Só que Úteis, nesta espectacular trama é, basicamente, sinónimo de escravos – escravos dos Legítimos, ou seja, de todos aqueles que, há muitos anos atrás, começaram a tomar Longevidade por forma a não perecerem e, desse modo, converterem-se em imortais.
Seguindo as passadas da Excedente Anna, o leitor é levado até às revoltantes profundezas de Grange Hall onde nem sequer um pingo de humanidade ou carinho é passível de ser encontrado. De cérebro lavado, as atitudes de Anna somente se alteram após a chegada de um novo Pendente (um Excedente mais velho), Peter, que, no seu íntimo, guarda o segredo de ter entrado em Grange Hall com o intuito de fugir de lá com ela, Anna.

A mentalidade que envolve toda a história é, no mínimo, repugnante. Fazendo uso de uma politica completamente fora de série onde ser-se pai e mãe pode levar à prisão e onde ser-se criança constitui crime, O Pacto apresenta uma possível versão futurista do molde de uma sociedade face a oportunidade de vida eterna. Porém, quem seria capaz de lutar contra o sistema e assim renunciar o infinito por forma a poder trazer uma nova luz ao mundo? E quem combateria a favor do conhecimento perpétuo por puro medo da morte, do fim? Mas, e mais importante ainda, o que seria de um Planeta Terra de si já em perigo quando os seus níveis de subsistência atingissem um patamar incontornável? Estas são algumas das questões importantes levantadas ao longo deste romance juvenil, que, uma vez mais, acho demasiado desenvolvido e pertinente para as mentes mais novas. Não tenho dúvidas de estar perante um livro jovem escrito para adultos...

As personagens são outro dos componentes altamente apreciados desta obra. Tanto Anna como muitos outros Excedentes residentes em Grange Hall apresentam uma submissão inesgotável e incontornável face a Directora e outros Legítimos, mentalizando-se de quão lixo e devoradores de recursos preciosos são. No entanto, nota-se uma rebeldia entre eles, uma tentativa de “ser-se o melhor, o mais Útil” que, por vezes, origina cenas perturbadoras de abusos físicos e psicológicos, e que levam o leitor a questionar-se sobre a verdadeira essência do ser humano comum.
Peter é uma lufada de ar fresco no meio do caos desnorteante que é Grange Hall. Rebelde, misterioso e amigo, ele é dos protagonistas masculinos que mais gostei de conhecer dentro do romance juvenil. Sempre carinhoso para com Anna e preocupada com a sobrevivência de ambos, Peter é o anjo da guarda e a luz ao fundo do túnel.

Gemma Malley é espectacular com as palavras. Fazendo uso de uma linguagem ora corrente ora extremamente científica, apela a ambos os lados emocional e intelectual do leitor, incitando-o a continuar a leitura. A sua criatividade tem de ser louvada e a forma como conseguiu conjugar todos os problemas sociais como a escassez de recursos naturais, a eterna batalha Ciência vs. Natureza e a luta pela imortalidade, apenas para nomear alguns, é, simplesmente, genial. Penso que há muito não encontrava, na ficção juvenil, uma obra tão atractiva e, ao mesmo tempo, tão real, verdadeira, possível de acontecer. Um romance potente, seguro e alarmante.
Segue-se A Resistência – Ninguém Pode Decidir por Ti (que já comecei a ler) e sobre o qual posso afirmar que, até agora, está a ser igualmente fascinante e apelativo. Uma aposta impressionante da Editorial Presença, numa colecção a que todo o jovem e adulto deveria de dar uma oportunidade.

Para mais informações sobre a obra, consulte aqui! 
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