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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Oceanos de Fogo, Christine Feehan [Opinião]




Título Original: Oceans of Fire
Autoria: Christine Feehan
Editora: Saída de Emergência
Nº. Páginas: 338
Tradução: Nanci Marcelino


Sinopse:

Sendo a terceira filha de uma linhagem mágica, Abigail Drake nasceu com uma afinidade mística por água e dotada de laços particularmente fortes com golfinhos. Ela passou toda a sua vida a estudá-los, a aprender e a nadar com eles nas águas do mar da sua cidade natal. Sea Haven...
Até ao dia em que testemunhou um assassinato a sangue frio na praia à beira-mar e deu por ela a fugir para salvar a sua vida, indo cair nos braços de Aleksandr Volstov. Ele é um agente da Interpol a seguir o rasto de antiguidades russas roubadas. Um homem implacável que obtém sempre aquilo que pretende, e o homem que já destroçou o coração de Abigail. Mas ele não permitirá que a única mulher que alguma vez amou fique em perigo, ou que lhe escape por entre os dedos...


Opinião:

Quando o dom que nos torna especiais, que nos torna únicos, é o ponto de ruptura numa relação que em tudo se mostrou promissora, a dor do abandono e a mágoa de um amor que não se revelou verdadeiro, frutífero, é a chama que consome a réstia de esperança cravada forte no coração. Contudo, ele, esse sentimento incontrolável e perpétuo, mantém-se próximo, mantém-se alerta, e devido a uma série de circunstâncias pautadas pelo destino, a possibilidade de uma reaproximação, de uma reconciliação, talvez seja mais auspiciosa, mais firme, do que o que primeiramente pensado.

Oceanos de Fogo trata-se do terceiro volume de uma série de sete romances que retrata a passagem emocional e espiritual de uma irmã – Abigail Drake – face a sua impotência em aceitar a dádiva que a completa e a sua inabilidade em seguir em frente, em se tornar independente, dado um acontecimento traumático que a avassalou quatro anos antes. Duplamente marcada, Abbey esconde-se do amor e deixa-se levar pela falta de confiança, de determinação, na verdade que constantemente a acompanha. Centrando-se no visionário desta deusa da sinceridade, este é um romance que cativa e que se mostra, em tudo, muito superior aos dois que o antecedem.
Christine Feehan possui uma escrita bastante aberta, bastante expressiva, no entanto, e talvez por querer mostrar toda uma série de pormenores importantes à mente imaginativa do leitor, acaba por sofrer um certo desenvolvimento lento, pausado, que por vezes se torna um entrave à fluidez da própria narrativa. A mim, isso traduziu-se numa leitura por vezes difícil, cadenciada, mas não creio que esta seja uma questão suficientemente robusta ao ponto de retirar o mérito criativo que a autora, claramente, detém.

Numa série onde cada um dos embalos femininos, fruto de uma linhagem familiar mágica, é especial à sua maneira, possuindo dons que visam ajudar na perigosa demanda que é proteger Sea Haven, não é de admirar que a força e o poder das personagens seja uma das, se não mesmo a, componentes mais importantes e imprescindíveis do romance.
Abigail encerra em si, no seu íntimo, um carisma impressionante, inviolável até, na medida em que a sua afinidade com uma das criaturas marítimas mais inteligentes e interessantes – os golfinhos – se torna um atributo integrante da narrativa. Foi realmente tocante ler a relação tecida entre humana e animais, e o modo como a comunicação existente entre ambos rapidamente se transformou num bem essencial à vivência das duas espécies.
Aleksandr, por seu lado e tendo em conta esta série, é, obrigatoriamente, o meu herói de eleição. A determinação que o move, o impulso que o arrebata e a voracidade com que lida com todos os perigos que o levaram a Sea Haven é, verdadeiramente, admirável. Dono de uma beleza intelectual incrível, esta é uma personagem que agarra de imediato, que instiga simpatia, e que provoca, num piscar de olhos, os mais provocadores arrepios.

Para além das atribulações comuns do enredo, sobressai com igual intensidade a fórmula imutável criada pela autora, onde não somente o romance detém um papel de destaque como, e também, a acção e o mistério são temas, sensações, trabalhadas com o intuito de provocar e prender a atenção e a curiosidade do leitor. Numa mistura altamente explosiva e com os sentimentos sempre à flor da pele, Feehan elabora, em Oceanos de Fogo, uma trama repleta de abordagens arriscadas e reviravoltas estonteantes, não se limitando à descrição dos momentos de maior adrenalina ou magia, mas também captando, com perfeição, a química existente entre Abbey e Sasha, assim como a hilaridade que a própria figura de Jonas – principalmente se Hannah se encontrar presente também! – desperta. A par dos vários momentos descritivos dos múltiplos actos de magia existentes ao longo da obra, e do quê e de que modo cada uma das irmãs contribui para o salvamento, a resolução do/s problema/s assentes com o desenvolver da narrativa, outro dos elementos mais atractivos emergentes destas páginas – embora ainda só se tenha tido acesso a um pequeno vislumbre – é Ilya.

Quanto a mim, Oceanos de Fogo traduziu-se numa leitura bastante mais agradável e estimulante que qualquer um dos dois romances anteriores, desenvolvendo-se com maior afinco e estabilidade. Ainda que o estilo de escrita da autora não seja propriamente a minha praia, e um ou dois elementos mais secundários neste livro em particular mas com grande influência noutros não tenha aparecido na trama, esta continua a ser uma história interessante e que, sem dúvida, serve o seu real propósito, que é o de entreter.
Mais uma fantástica aposta por parte da Saída de Emergência, numa autora que prova o porquê de ser considerada um fenómeno mundial. Gostei.

sábado, 10 de novembro de 2012

Crepúsculo de Natal, Christine Feehan [Opinião] - Republicação




Título Original: The Twilight Before Christmas
Autoria: Christine Feehan
Editora: Saída de Emergência
Nº. Páginas: 225
Tradução: Nanci Marcelino


Sinopse:

A romancista bestseller Kate Drake é uma de sete irmãs dotadas de poderes misteriosos. Ao regressar a casa para o desfile anual de Natal da sua cidade do norte da Califórnia, Kate entra no espírito da época e decide abrir uma livraria num histórico moinho encantador mas em ruínas. O condecorado e ex-Ranger Matt Granite, actualmente construtor local, não se importa de trabalhar na casa inegavelmente estranha – não se isso significar ficar por perto de Kate. Existe algo nesta mulher calma e sensual que o atrai profundamente.
Assim que um sismo fende os alicerces do moinho e revela uma cripta, Kate sente que algum segredo com centenas de anos acabou de ser libertado... e que veio para a perseguir. Apesar de Matt prometer protegê-la dia e noite, Kate sabe que terá de convocar todas as suas forças e das suas irmãs para lutar contra a escuridão que ameaça destruir tanto o Natal como a paixão ardente que o herói da sua cidade natal quer que ela preserve para sempre...


Opinião:

Um romance feminino com uma forte componente natalícia e familiar cujos alicerces se edificam em crenças místicas e religiosas, Crepúsculo de Natal cativa o leitor ao voltar a centrar-se no seio da herança Drake e das actuais sete irmãs que a constituem.
Escolhendo Kate Drake para o papel principal, Christine Feehan mostra uma mulher frágil e desacreditada de si mesma que, ainda não querendo apostar no amor e na sua própria felicidade, luta pelo bem e por aqueles que necessitam de ajuda, sejam eles um parente, um amigo ou um simples vizinho. Contudo, será quando reencontra Matthew Granite na berma da estrada que a possibilidade de um final feliz se apresenta mais aliciante que nunca! Mas um nevoeiro misterioso insiste em gerar o caos na costeira cidade de Sea Hevan e nem mesmo o Natal será celebração suficiente para criar paz e escapar imune...

Ao contrário do livro anterior – Magia ao Vento –, Crepúsculo de Natal insere, no enredo, o casal protagonista como sendo velhos conhecidos de infância, o que permite ao romance desenvolver-se não só com maior rapidez e solidez como também com uma certa naturalidade e conforto sem ter de passar pela primeira fase de “conhecimento” e descoberta. Pessoalmente, gostei da forma como a autora foi progressivamente introduzindo as várias etapas do amor, ao longo da narrativa, tornando o casal praticamente inseparável ao virar da última página – como já seria de esperar. Deste modo, fica igualmente mais fácil ao leitor concentrar-se na equitativamente dominante atmosfera maléfica que invade de medo e terror não só os habitantes de Sea Hevan como o próprio leitor.

Outra das componentes interessantes da obra recai, novamente, no misticismo que as irmãs partilham entre si e que serve de aceitação das mesmas perante a restante comunidade da vila. Os dons que envolvem as páginas desta encantadora trama são simplesmente viciantes e o leitor é incapaz de terminar a leitura sem ele próprio desejar um pouco de magia na sua vida.
Hannah Drake volta a destacar-se devido à sua rebeldia e espírito vingativo, principalmente contra o pobre Jonas que constantemente se vê enredado nos mais espectaculares e inimagináveis problemas e Elle cativa de igual maneira ao ostentar uma personalidade decidida e irreverente, mesmo sendo a mais nova das irmãs e, assim, a que maior cuidado terá de ter no futuro.

A acção é imutável e os momentos mortos praticamente inexistente dada a persistência do nevoeiro e do lado malévolo da narrativa. No entanto, senti a falta de um certo entusiasmo e pressão que me motivasse a prosseguir na leitura... É que embora tenha gostado da conduta com que a autora construiu esta trama e do relacionamento amoroso que preenche estas páginas senti que, por vezes, Feehan engonhava em demasia em algumas das descrições e situações vividas pelas personagens. Tirando este aspecto, é de salientar o estilo suave e harmonioso com o qual a autora recheia as suas histórias e o ambiente extremamente natalício e propício à época presente com que agraciou este Crepúsculo de Natal. O simbolismo e o espírito desta quadra festiva e familiar é única e sem dúvida perfeito para ser desvendado nestas dias que antecedem o Natal ou, melhor ainda, para oferecer como uma excelente prenda no sapatinho.
Uma aposta Saída de Emergência, numa autora que trata as suas personagens como as generosas e espirituosas pérolas (mulheres) que são.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Magia ao Vento, Christine Feehan [Opinião] - Republicação




Título Original: Magic in the Wind
Autoria: Christine Feehan
Editora: Saída de Emergência
Nº. Páginas: 157
Tradução: Nanci Marcelino


Sinopse:

“A Sarah voltou para casa”. Desde que Damon Wilder procurou refúgio em Sea Haven ouve-se o mesmo boato passar de boca em boca de quase todos os habitantes da pacata vila costeira. Até o vento parece murmurar o nome dela – um devaneio tão sugestivo que leva o curioso Damon até à casa da falésia de Sarah, onde procura o seu abrigo.
Mas Damon não chegou sozinho. Foi seguido por alguém até Sea Haven. Alguém que rodeia as sombras da casa Drake, onde Sarah esconde os seus próprios segredos. O perigo ameaça os dois – tal como o desejo mais premente que alguma vez sentiram – e está apenas a um sussurro de distância.


Opinião:

Numa edição feminina e absolutamente bela, Christine Feehan dá início a uma fantástica série sobre os dons e as desventuras amorosas das irmãs Drake. Com um design exterior de quebrar o fôlego e dotado de um conteúdo rápido, acessível e extremamente directo, Magia ao Vento é um romance envolvente, ainda que decididamente veloz, harmonioso e constante, sem brechas na acção ou no crescer do entusiasmo por parte do leitor. Mágico, este é um livro fácil e aberto, extremamente comunicativo e visual, que permite ao leitor dar asas à sua própria imaginação, recriando interiormente uma imagem de cada personagem, de cada ponto da cidade, de cada momento místico. Sufocadoramente sedutor, esta é uma história de encantar com um toque profundamente adulto, que mistura uma boa dose de perigo e suspense com profecias sobre amores poderosos e caminhos férteis. Uma trama que motiva à leitura e uma narrativa que, embora não ofereça grandes explicações, consegue cativar e agarrar o leitor da primeira frase à última página.

Damon Wilder está farto da sua antiga vida, aquela que tão devotamente entregou ao trabalho, exercitando a sua mente de pequeno génio e criando sistemas de segurança para a nação. Após um trágico acontecimento, Damon procura refúgio longe de tudo e de todos, um local onde possa assentar até ao fim dos seus dias, rodeado pela natureza e por pessoas simpáticas que desconheçam o passado que ainda tanto o atormenta. É assim que Damon Wilder dá de caras com Sea Haven, uma vila costeira onde o mar e a natureza florestal criam um ambiente acolhedor e quase pitoresco. Contudo, toda a serenidade e paz que Damon julgou encontrar ao mudar-se para Sea Haven é posta seriamente em risco quando a chegada iminente de Sarah Drake é anunciada em qualquer lado que ele vá. Aliás, parece mesmo que essa notícia de Sarah o persegue, como que uma corda impulsionada a arrastá-lo até àquela maravilhosa casa da falésia que há muito lhe tem vindo a despertar interesse e intensa curiosidade, e é com essa primeira visita que rapidamente Damon se apercebe de que nunca mais será o mesmo. O perigo colou-se-lhe às costas e será a possibilidade de salvação e, ao mesmo tempo, de perdição de Sarah que o levará a cometer a maior e mais temida das loucuras...
Perante uma leitura que rapidamente cria afinidade no leitor, Magia ao Vento é um pequeno livro cujos aspectos positivos se prolongam muito para lá do profundo azul presente na capa. A começar por aí mesmo, pela capa, para mim, é das mais bonitas que vi este ano. A própria imagem fantasiosa com o azul vivo bastante presente, o mar e as rochas demonstrando o perigo, a ferocidade que se aproxima sorrateiramente, o vento e as flores, transmitem a mensagem de uma magia incrível existente durante toda a história. O formato e o tamanho de letra são aspectos igualmente agradáveis, que conquistam pela sua diferença incomum. Depois, as irmãs Drake, que conjunto fascinante de mulheres. Embora não hajam grandes explicações ou caracterizações de todos os poderes que lhes correm nas veias, achei-as deveras intrigantes e misteriosas, ao ponto de querer descobrir mais mesmo depois de terminar o livro. Os seus poderes, tendo cada uma a sua especialidade, são fantásticos e é através deles e da forma como as irmãs os utilizam que o leitor fica verdadeiramente a conhecê-las enquanto pessoas e, principalmente, enquanto mulheres fortes e intimamente marcadas. O que me leva aos poderes em si e respectivo núcleo. Indo as irmãs buscar os seus dons e força ao mar, ao vento e à terra, é maravilhosa e doce a forma como elas comunicam umas com as outras através dos elementos e a naturalidade com que estes simplesmente lhes respondem. Nota-se uma envolvência mágica em todo o livro, o que espicaça o leitor a querer aprofundar os ensinamentos, os feitiços e as profecias que secretamente dominam a família Drake.
Outro pormenor de que gostei muito foi a relação e os sentimentos partilhados por Damon e Sarah. A rápida e brusca intensidade dos sentimentos pode ser algo confusa e repentina ao início mas, com o desenvolver da história e o avançar na leitura, o leitor consegue aperceber-se da sagacidade por detrás de cada um deles, para com o outro, e a belíssima ligação que estabeleceram logo a partir do primeiro sussurro e do primeiro vislumbre. Os diálogos entre os dois protagonistas são fenomenais – simples, fortes e emotivos. Entre as irmãs, igualmente admiráveis, mostram uma onda mais divertida e carinhosa, preocupada por vezes, até amistosos. Por último, confesso que fiquei particularmente enleada com a personagem de Hannah. Ela é mística, viciante, apelativa. Misteriosa. Alguém que, sem dúvida, sobressai. Porém, deparei-me com um ponto negativo bastante evidenciado – a rapidez da história. Embora fluida, tudo acontece muito rápido, quase como um flash, num abrir e fechar de olhos. Não desenvolve grandes explicações ao leitor sobre o iniciar de toda a magia, sobre o passado de Damon que adquire um papel tão importante, sobre algumas das relações e animosidades entre personagens secundárias... ou seja, não há grande informação adicional, algo que constitua uma espécie de base, de contexto, para o leitor. Ainda que haja sempre algo de novo a acontecer, tudo é feito por um motivo, com um propósito, que após resolvido é imediatamente arrumado.

Magia ao Vento é, sem duvida, uma obra interessante e merecedora de destaque. Embora, pessoalmente, seja demasiado pequena, não deixa de estar viva, de transmitir aquela familiaridade e sensação que faz o leitor acreditar estar dentro do livro, dentro da história. E ainda que tenha como um dos focos algumas particularidades que caracterizam a magia das bruxas, como feitiços e dons, não deixa de ser uma narrativa extremamente realista.
Uma excelente aposta por parte da Saída de Emergência. Mais uma série e uma escritora fantásticas que deixa o leitor ansiosamente a aguardar pelo volume seguinte.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Crepúsculo de Natal, Christine Feehan



Título Original: The Twilight Before Christmas
Autoria: Christine Feehan
Editora: Saída de Emergência
Nº. Páginas: 225
Tradução: Nanci Marcelino


Sinopse:

A romancista bestseller Kate Drake é uma de sete irmãs dotadas de poderes misteriosos. Ao regressar a casa para o desfile anual de Natal da sua cidade do norte da Califórnia, Kate entra no espírito da época e decide abrir uma livraria num histórico moinho encantador mas em ruínas. O condecorado e ex-Ranger Matt Granite, actualmente construtor local, não se importa de trabalhar na casa inegavelmente estranha – não se isso significar ficar por perto de Kate. Existe algo nesta mulher calma e sensual que o atrai profundamente.
Assim que um sismo fende os alicerces do moinho e revela uma cripta, Kate sente que algum segredo com centenas de anos acabou de ser libertado... e que veio para a perseguir. Apesar de Matt prometer protegê-la dia e noite, Kate sabe que terá de convocar todas as suas forças e das suas irmãs para lutar contra a escuridão que ameaça destruir tanto o Natal como a paixão ardente que o herói da sua cidade natal quer que ela preserve para sempre...


Opinião:

Um romance feminino com uma forte componente natalícia e familiar cujos alicerces se edificam em crenças místicas e religiosas, Crepúsculo de Natal cativa o leitor ao voltar a centrar-se no seio da herança Drake e das actuais sete irmãs que a constituem.
Escolhendo Kate Drake para o papel principal, Christine Feehan mostra uma mulher frágil e desacreditada de si mesma que, ainda não querendo apostar no amor e na sua própria felicidade, luta pelo bem e por aqueles que necessitam de ajuda, sejam eles um parente, um amigo ou um simples vizinho. Contudo, será quando reencontra Matthew Granite na berma da estrada que a possibilidade de um final feliz se apresenta mais aliciante que nunca! Mas um nevoeiro misterioso insiste em gerar o caos na costeira cidade de Sea Hevan e nem mesmo o Natal será celebração suficiente para criar paz e escapar imune...

Ao contrário do livro anterior – Magia ao Vento –, Crepúsculo de Natal insere, no enredo, o casal protagonista como sendo velhos conhecidos de infância, o que permite ao romance desenvolver-se não só com maior rapidez e solidez como também com uma certa naturalidade e conforto sem ter de passar pela primeira fase de “conhecimento” e descoberta. Pessoalmente, gostei da forma como a autora foi progressivamente introduzindo as várias etapas do amor, ao longo da narrativa, tornando o casal praticamente inseparável ao virar da última página – como já seria de esperar. Deste modo, fica igualmente mais fácil ao leitor concentrar-se na equitativamente dominante atmosfera maléfica que invade de medo e terror não só os habitantes de Sea Hevan como o próprio leitor.

Outra das componentes interessantes da obra recai, novamente, no misticismo que as irmãs partilham entre si e que serve de aceitação das mesmas perante a restante comunidade da vila. Os dons que envolvem as páginas desta encantadora trama são simplesmente viciantes e o leitor é incapaz de terminar a leitura sem ele próprio desejar um pouco de magia na sua vida.
Hannah Drake volta a destacar-se devido à sua rebeldia e espírito vingativo, principalmente contra o pobre Jonas que constantemente se vê enredado nos mais espectaculares e inimagináveis problemas e Elle cativa de igual maneira ao ostentar uma personalidade decidida e irreverente, mesmo sendo a mais nova das irmãs e, assim, a que maior cuidado terá de ter no futuro.

A acção é imutável e os momentos mortos praticamente inexistente dada a persistência do nevoeiro e do lado malévolo da narrativa. No entanto, senti a falta de um certo entusiasmo e pressão que me motivasse a prosseguir na leitura... É que embora tenha gostado da conduta com que a autora construiu esta trama e do relacionamento amoroso que preenche estas páginas senti que, por vezes, Feehan engonhava em demasia em algumas das descrições e situações vividas pelas personagens. Tirando este aspecto, é de salientar o estilo suave e harmonioso com o qual a autora recheia as suas histórias e o ambiente extremamente natalício e propício à época presente com que agraciou este Crepúsculo de Natal. O simbolismo e o espírito desta quadra festiva e familiar é única e sem dúvida perfeito para ser desvendado nestas dias que antecedem o Natal ou, melhor ainda, para oferecer como uma excelente prenda no sapatinho.
Uma aposta Saída de Emergência, numa autora que trata as suas personagens como as generosas e espirituosas pérolas (mulheres) que são.

domingo, 29 de maio de 2011

Magia ao Vento, Christine Feehan



Título Original: Magic in the Wind
Autoria: Christine Feehan
Editora: Saída de Emergência
Nº. Páginas: 157
Tradução: Nanci Marcelino


Sinopse:

“A Sarah voltou para casa”. Desde que Damon Wilder procurou refúgio em Sea Haven ouve-se o mesmo boato passar de boca em boca de quase todos os habitantes da pacata vila costeira. Até o vento parece murmurar o nome dela – um devaneio tão sugestivo que leva o curioso Damon até à casa da falésia de Sarah, onde procura o seu abrigo.
Mas Damon não chegou sozinho. Foi seguido por alguém até Sea Haven. Alguém que rodeia as sombras da casa Drake, onde Sarah esconde os seus próprios segredos. O perigo ameaça os dois – tal como o desejo mais premente que alguma vez sentiram – e está apenas a um sussurro de distância.


Opinião:

Numa edição feminina e absolutamente bela, Christine Feehan dá início a uma fantástica série sobre os dons e as desventuras amorosas das irmãs Drake. Com um design exterior de quebrar o fôlego e dotado de um conteúdo rápido, acessível e extremamente directo, Magia ao Vento é um romance envolvente, ainda que decididamente veloz, harmonioso e constante, sem brechas na acção ou no crescer do entusiasmo por parte do leitor. Mágico, este é um livro fácil e aberto, extremamente comunicativo e visual, que permite ao leitor dar asas à sua própria imaginação, recriando interiormente uma imagem de cada personagem, de cada ponto da cidade, de cada momento místico. Sufocadoramente sedutor, esta é uma história de encantar com um toque profundamente adulto, que mistura uma boa dose de perigo e suspense com profecias sobre amores poderosos e caminhos férteis. Uma trama que motiva à leitura e uma narrativa que, embora não ofereça grandes explicações, consegue cativar e agarrar o leitor da primeira frase à última página.

Damon Wilder está farto da sua antiga vida, aquela que tão devotamente entregou ao trabalho, exercitando a sua mente de pequeno génio e criando sistemas de segurança para a nação. Após um trágico acontecimento, Damon procura refúgio longe de tudo e de todos, um local onde possa assentar até ao fim dos seus dias, rodeado pela natureza e por pessoas simpáticas que desconheçam o passado que ainda tanto o atormenta. É assim que Damon Wilder dá de caras com Sea Haven, uma vila costeira onde o mar e a natureza florestal criam um ambiente acolhedor e quase pitoresco. Contudo, toda a serenidade e paz que Damon julgou encontrar ao mudar-se para Sea Haven é posta seriamente em risco quando a chegada iminente de Sarah Drake é anunciada em qualquer lado que ele vá. Aliás, parece mesmo que essa notícia de Sarah o persegue, como que uma corda impulsionada a arrastá-lo até àquela maravilhosa casa da falésia que há muito lhe tem vindo a despertar interesse e intensa curiosidade, e é com essa primeira visita que rapidamente Damon se apercebe de que nunca mais será o mesmo. O perigo colou-se-lhe às costas e será a possibilidade de salvação e, ao mesmo tempo, de perdição de Sarah que o levará a cometer a maior e mais temida das loucuras...
Perante uma leitura que rapidamente cria afinidade no leitor, Magia ao Vento é um pequeno livro cujos aspectos positivos se prolongam muito para lá do profundo azul presente na capa. A começar por aí mesmo, pela capa, para mim, é das mais bonitas que vi este ano. A própria imagem fantasiosa com o azul vivo bastante presente, o mar e as rochas demonstrando o perigo, a ferocidade que se aproxima sorrateiramente, o vento e as flores, transmitem a mensagem de uma magia incrível existente durante toda a história. O formato e o tamanho de letra são aspectos igualmente agradáveis, que conquistam pela sua diferença incomum. Depois, as irmãs Drake, que conjunto fascinante de mulheres. Embora não hajam grandes explicações ou caracterizações de todos os poderes que lhes correm nas veias, achei-as deveras intrigantes e misteriosas, ao ponto de querer descobrir mais mesmo depois de terminar o livro. Os seus poderes, tendo cada uma a sua especialidade, são fantásticos e é através deles e da forma como as irmãs os utilizam que o leitor fica verdadeiramente a conhecê-las enquanto pessoas e, principalmente, enquanto mulheres fortes e intimamente marcadas. O que me leva aos poderes em si e respectivo núcleo. Indo as irmãs buscar os seus dons e força ao mar, ao vento e à terra, é maravilhosa e doce a forma como elas comunicam umas com as outras através dos elementos e a naturalidade com que estes simplesmente lhes respondem. Nota-se uma envolvência mágica em todo o livro, o que espicaça o leitor a querer aprofundar os ensinamentos, os feitiços e as profecias que secretamente dominam a família Drake.
Outro pormenor de que gostei muito foi a relação e os sentimentos partilhados por Damon e Sarah. A rápida e brusca intensidade dos sentimentos pode ser algo confusa e repentina ao início mas, com o desenvolver da história e o avançar na leitura, o leitor consegue aperceber-se da sagacidade por detrás de cada um deles, para com o outro, e a belíssima ligação que estabeleceram logo a partir do primeiro sussurro e do primeiro vislumbre. Os diálogos entre os dois protagonistas são fenomenais – simples, fortes e emotivos. Entre as irmãs, igualmente admiráveis, mostram uma onda mais divertida e carinhosa, preocupada por vezes, até amistosos. Por último, confesso que fiquei particularmente enleada com a personagem de Hannah. Ela é mística, viciante, apelativa. Misteriosa. Alguém que, sem dúvida, sobressai. Porém, deparei-me com um ponto negativo bastante evidenciado – a rapidez da história. Embora fluida, tudo acontece muito rápido, quase como um flash, num abrir e fechar de olhos. Não desenvolve grandes explicações ao leitor sobre o iniciar de toda a magia, sobre o passado de Damon que adquire um papel tão importante, sobre algumas das relações e animosidades entre personagens secundárias... ou seja, não há grande informação adicional, algo que constitua uma espécie de base, de contexto, para o leitor. Ainda que haja sempre algo de novo a acontecer, tudo é feito por um motivo, com um propósito, que após resolvido é imediatamente arrumado.

Magia ao Vento é, sem duvida, uma obra interessante e merecedora de destaque. Embora, pessoalmente, seja demasiado pequena, não deixa de estar viva, de transmitir aquela familiaridade e sensação que faz o leitor acreditar estar dentro do livro, dentro da história. E ainda que tenha como um dos focos algumas particularidades que caracterizam a magia das bruxas, como feitiços e dons, não deixa de ser uma narrativa extremamente realista.
Uma excelente aposta por parte da Saída de Emergência. Mais uma série e uma escritora fantásticas que deixa o leitor ansiosamente a aguardar pelo volume seguinte. 
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